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<dcvalue element="contributor" qualifier="author" language="es_ES">Corden, W. Max</dcvalue>
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<dcvalue element="subject" qualifier="spanish" language="es_ES">LIBERALIZACION DEL INTERCAMBIO</dcvalue>
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<dcvalue element="title" qualifier="null" language="es_ES">Una zona de libre comercio en el Hemisferio Occidental: posibles implicancias para América Latina</dcvalue>
<dcvalue element="description" qualifier="null" language="es_ES">Incluye Bibliografía</dcvalue>
<dcvalue element="relation" qualifier="ispartof" language="es_ES">En: La liberalización del comercio en el Hemisferio Occidental - Washington, DC : BID/CEPAL, 1995 - p. 13-40</dcvalue>
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Nações Unidas 
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Investimentos transformadores 
para um estilo de 
desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push) para a sustentabilidade 
no Brasil
Camila Gramkow 
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Investimentos transformadores para um estilo 
de desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso (Big Push)
para a sustentabilidade no Brasil
Camila Gramkow 
Organizadora
ipea
Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada
Co 
C?
cooperação
Rede Brasil alemãDEUTSCHE ZUSAMMENARBEIT
FRIEDRICH
EBERT
STIFTUNG
Este documento foi organizado por Camila Gramkow, Oficial de Assuntos Econômicos do Escritório no Brasil da 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), no âmbito das atividades do projeto CEPAL/Deutsche 
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ): “Sustainable development paths for middle-income countries 
under the 2030 Agenda for Sustainable Development in Latin America and the Caribbean”. Este documento também 
contou com o apoio da Friedrich-Ebert-Stiftung (FES), da Rede Brasil do Pacto Global e do Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (IPEA) para realização e divulgação da Chamada Aberta de Estudos de Casos de Investimentos 
para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil a partir da qual os capítulos foram produzidos e selecionados. 
Reconhecemos e agradecemos a colaboração dos membros do Comitê de Avaliação da referida chamada: 
Gustavo Fontenele e Silva (Ministério da Economia do Brasil), Julio César Roma (IPEA), Mauro Oddo Nogueira (IPEA), 
Luiz Fernando Krieger Merico (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Assentamentos Humanos) e 
Maria Luisa Marinho (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Social). Colaboraram com este documento, além dos autores 
e autoras que assinam seus capítulos, os assistentes de pesquisa e os estagiários da CEPAL em Brasília: Camila Leotti, 
Gabriel Belmino Freitas, Pedro Brandão da Silva Simões e Sofia Furtado. Contamos, também, com a contribuição do 
diretor da CEPAL em Brasília, Carlos Henrique Fialho Mussi, e de Maria Pulcheria Graziani do mesmo escritório.
As opiniões expressas neste documento, que não foi submetido à revisão editorial, são de exclusiva responsabilidade 
dos autores e autoras e podem não coincidir com as visões da CEPAL e das instituições a que os autores e autoras são 
filiados, nem com as das instituições que apoiaram este documento.
Publicação das Nações Unidas
LC/TS.2020/37
LC/BRS/TS.2020/1
Distribuição: L
Copyright © Nações Unidas, 2020 
Todos os direitos reservados
Impresso nas Nações Unidas, Santiago 
S.20-00209
Esta publicação deve ser citada como: Camila Gramkow (org.), “Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento 
sustentável: estudos de casos de grande impulso (Big Push) para a sustentabilidade no Brasil, Documentos de Projetos 
(LC/TS.2020/37; LC/BRS/TS.2020/1), Santiago, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), 2020.
A autorização para reproduzir total ou parcialmente esta obra deve ser solicitada à Comissão Econômica para a América Latina e 
o Caribe (CEPAL), Divisão de Publicações e Serviços Web, publicaciones.cepal@un.org. Os Estados-membros das Nações Unidas 
e suas instituições governamentais podem reproduzir essa obra sem autorização prévia. Solicita-se apenas que mencionem a fonte 
e informem à CEPAL de tal reprodução.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 3
Índice
Prefácio.......
Carlo Pereira
11
Apresentação
Alicia Bárcena
13
Introdução .........................................................................................................................
Carlos Mussi, Camila Gramkow
Companhia Siderúrgica do Pecém: o Big Push industrial do Estado do Ceará........
Alex Maia do Nascimento, Claudio Renato Chaves Bastos, Cristiane Peres, 
Emanuela Sousa de França, Italo Barreira Ribeiro, Leonardo Roger Silva Veloso, 
Livia Bizarria Prata, Marcelo Monteiro Baltazar, Ramyro Batista Araujo,
Ricardo Santana Parente Soares, Rodrigo Santos Almeida, Vanilson da Silva Benica 
Resumo ..................................................................................................................
Introdução......................................................................................................
O projeto sustentável da Companhia Siderúrgica do Pecém..........................
CSP - A sinergia cultural Brasil-Coréia do Sul.................................................
O Big Push industrial CSP - antes da operação..............................................
Conquistas durante a fase de operação da CSP.............................................
Considerações finais sobre o Big Push CSP....................................................
Bibliografia.............................................................................................................
Aumentando a resiliência climática e combate à pobreza rural por meio de ações 
emergenciais de combate à seca: o caso dos sistemas agroflorestais 
no Procase - FIDA..................................................................................................
Leonardo Bichara Rocha, Thiago César Farias da Silva, Donivaldo Martins 
Resumo..................................................................................................................
A. Introdução......................................................................................................
O FIDA e ações de combate aos efeitos da seca na Paraíba............................
Sistemas agroflorestais no contexto dos Planos Emergenciais......................
15
I. 23
II.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
23
24
26
27
28
32
43
45
47
B.
C.
47
48
48
50
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 4
III.
D.
E.
F.
IV.
54
54
55
57
59
A.
B.
C.
D.
E.
F.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
V.
A.
B.
C.
D.
E.
59
59
60
65
68
69
71
73
75
Assessoria técnica contínua e especializada.................................................................
Resultados e ODS.........................................................................................................
Conclusões e relação com o Big Push para a Sustentabilidade......................................
Bibliografia............................................................................................................................
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil: a contribuição dos Tûkûna 
do Médio Rio Juruá (AM).......................................................................................................
Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle, 
Tatiana Ribeiro Souza Brito 
Resumo.................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
Inventário etnográfico...................................................................................................
A construção de casas de farinha..................................................................................
Chamada pública para alimentação escolar..................................................................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade..............................
Conclusão......................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Polímeros Verdes: tecnologia para promoção do desenvolvimento sustentável...................
Adriana Mello, Jorge Soto, José Augusto Viveiro 
Resumo................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
O PE verde da Braskem.................................................................................................
Capacidade de mobilização de investimentos..............................................................
PE verde e o desenvolvimento sustentável...................................................................
PE verde e o Big Push para a Sustentabilidade..............................................................
Conclusões ....................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Assentamentos Sustentáveis na Amazônia: o desafio da produção familiar 
em uma economia de baixo carbono....................................................................................
Erika de Paula P. Pinto, Maria Lucimar de L. Souza, Alcilene M. Cardoso, 
Edivan S. de Carvalho, Denise R. do Nascimento, Paulo R. de Sousa Moutinho, 
Camila B. Marques, Valderli J. Piontekowski
Resumo .................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
As origens do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia................................
Estratégias integradas para a promoção de assentamentos sustentáveis na Amazônia
Incentivos econômicos para conservação e produção rural sustentável........................
Sistemas agroflorestais como estratégia de regularização ambiental 
e segurança alimentar...................................................................................................
Discussão sobre a iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade..........................
Bibliografia............................................................................................................................
Tecnologia de tratamento de esgoto: uma alternativa de saneamento básico 
rural e produção de água para reúso agrícola no Semiárido Brasileiro..................................
Mateus Cunha Mayer, Rodrigo de Andrade Barbosa, George Rodrigues Lambais, 
Salomão de Sousa Medeiros, Adrianus Cornelius Van Haandel, Silvânia Lucas dos Santos 
Resumo .................................................................................................................................
A. Introdução.....................................................................................................................
O desenvolvimento de tecnologias de saneamento básico rural de custo 
acessível no Semiário Brasileiro....................................................................................
VI.
F.
75
76
77
80
81
84
87
88
89
89
90
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92
95
B.
.. 97
..98
101
103
103
104
105
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 5
VII.
VIII.
IX.
C.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
A cultura da erva-mate no sul do Brasil e os desafios do cultivo em Machadinho ,
Benefícios ambientais...................................
SAF Cambona 4 e a neutralização de carbono
Relação do estudo de caso com o Big Push e a Agenda 2030....................
Conclusão.................................................................................................
Bibliografia........................................................................................................
Sistema Agroflorestal Cambona 4: um exemplo de impulso à sustentabilidade 
na Região Sul do Brasil......................................................................................
Airton José Morganti Júnior, José Lourival Magri, Selia Regina Felizari
Resumo ............................................................................................................
Introdução................................................................................................
1.
Sistema Agroflorestal Cambona 4..............................
SAF Cambona 4 e o desenvolvimento socioambiental
1.
2.
SAF Cambona 4 e o Big Push para a Sustentabilidade....................
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
Unidade de Cogeração Lages: um exemplo do potencial transformador 
da economia circular ..............................................................................
José Lourival Magri, Mario Wilson Cusatis
Resumo ..................................................................................................
Introdução......................................................................................
Descrição do projeto......................................................................
Destinação das cinzas de biomassa...............................................
Projeto comunitário.......................................................................
Tecnologia para melhor aproveitamento........................................
Impactos da iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade....
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
O modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes..........
Rogério Atem de Carvalho
Resumo..................................................................................................
Introdução......................................................................................
O modelo de ação do PICG............................................................
1.
2.
3.
4.
5.
6.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
G.
A.
B.
Linha 1: projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) 
Linha 2: projetos com comunidades e governos...........................
Linha 3: projetos de pesquisa aplicada e extensão tecnológica....
Linha 4: concepção e operação do campus...................................
Ações integrativas........................................................................
O PICG como parte de um ecossistema........................................
O ciclo virtuoso dos investimentos em inovação..................................
Impactos econômicos, sociais e ambientais..........................................
1.
2.
3.
C.
D.
E.
Dimensão econômica ................................................................................
Dimensão ambiental..................................................................................
Dimensão social.........................................................................................
A atuação do PICG à luz do Big Push para a Sustentabilidade e da Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável................................................................
Conclusões .........................................................................................................
Bibliografia.................................................................................................................
F.
.111
112
112
115
115 
116 
116 
.117 
119 
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127
127
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.137 
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144 
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147 
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149 
150 
151
151
153
153
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 6
X. Tecnologias sociais como impulso para o acesso à água e o desenvolvimento 
sustentável no meio rural brasileiro: a experiência do Programa Cisternas....
Vitor Leal Santana, Lilian dos Santos Rahal 
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Programa Cisternas: contexto, resultados e impactos............................
Relação do caso estudo com o Big Push para a Sustentabilidade...........
Considerações finais...............................................................................
Bibliografia.....................................................................................................
Programa de Restauração Ambiental da Suzano: lições aprendidas para 
investimentos em recuperação de pastagens degradadas no Brasil...............
Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli, Yugo Matsuda
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Estruturação de investimentos no âmbito da estratégia de conservação 
e do Programa de Restauração Ambiental da Suzano............................
1.
2.
3.
4.
155
XI.
XII.
XIII.
A.
B.
C.
D.
155 
156 
.157
165 
166 
167
171
A.
B.
C.
171
172
Métodos customizados......................................................................................
Gestão eficiente e parcerias...............................................................................
Capacidade de replicabilidade ..........................................................................
Processos inovadores em financiamento, gestão e tecnologia.........................
Os impactos do Programa de Restauração Ambiental no contexto do Big Push 
para a Sustentabilidade e da Agenda 2030................................................................
Conclusão..................................................................................................................
Bibliografia.........................................................................................................................
Política de conteúdo local e incentivos financeiros no mercado de energia eólica no Brasil 
Britta Rennkamp, Fernanda Fortes Westin, Carolina Grottera
Resumo .............................................................................................................................
Introdução.................................................................................................................
Fatores, atores e impactos das políticas de incentivo e conteúdo local 
no mercado de energia eólica no Brasil......................................................................
1.
2.
Capacidade tecnológica nacional e criação de emprego nas indústrias 
de energia eólica no Brasil...................................................................
Perspectivas futuras para o setor de energia eólica no Brasil...............
1.
2.
3.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
Requisitos de Conteúdo Local obrigatórios na tarifa feed-in.....
RCLs opcionais ligados ao financiamento de energia renovável
Expansão dos mercados eólicos na América Latina....................................
A energia eólica e a estratégia de desenvolvimento a longo prazo brasileira 
Análise à luz da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade................
Conclusão.............................................................................................................
Bibliografia...................................................................................................................
Anexo XII.1....................................................................................................................
Da subsistência ao desenvolvimento: o processo de construção da Associação 
de Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras - MG.....................................................
Eliane Oliveira Moreira, Jucilaine Neves Sousa Wivaldo 
Resumo.............................................................................................................................
A. Introdução.................................................................................................................
O material reciclável e o contexto brasileiro da década de 1990: breve histórico......
Uma construção social dialogada: o processo histórico inicial da ACAMAR e a FPDA
B.
C.
.173 
174 
. 177 
179 
179
180
183
184
185
185
186
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187
188
189
194
194
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197
198
200
201
201
202
203
204
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 7
D. Desenvolvimento em perspectiva: desenvolvimento sustentável, a ACAMAR 
e o Big Push para a Sustentabilidade........................................................................
Considerações finais...................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
XIV. Projeto Tipitamba: transformando paisagens e compartilhando conhecimento 
na Amazônia ............................................................................................................
Osvaldo Ryohei Kato, Anna Christina M. Roffé Borges, Célia Maria B. Calandrini de Azevedo, 
Debora Veiga Aragão, Grimoaldo Bandeira de Matos, Lucilda Maria Sousa de Matos, 
Maurício Kadooka Shimizu, Steel Silva Vasconcelos, Tatiana Deane de Abreu Sá 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
O Projeto Tipitamba...................................................................................................
O potencial transformador dos investimentos no Sistema Tipitamba...................
Os impactos econômicos, sociais e ambientais do Projeto Tipitamba...................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade.......................
Conclusão ...................................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
Desenvolvimento sustentável e geração de impacto positivo: caso Natura e Amazônia 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
Modelo de negócio sustentável.................................................................................
1.
Estruturação de investimentos no âmbito do Programa Natura Amazônia
1.
2.
3.
E.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
XV.
A.
B.
Estudo de caso Ucuuba
C.
D.
E.
Ciência, tecnologia e inovação.....................................................
Fortalecimento institucional........................................................
Cadeias produtivas.......................................................................
Relação entre o estudo de caso e o Big Push para a Sustentabilidade
Conclusão .............................................................................................
Bibliografia ....................................................................................................
Anexo XV.1....................................................................................................
Tabelas
Tabela I.1
Tabela II.1
Tabela II.2
Tabela IV.1
Tabela VI.1
Tabela VIII.1
Tabela X.1
Tabela X.2
Tabela X.3
Tabela XII.1
Tabela XII.2
Tabela XV.1
Compromissos Ambientais CSP.............................................................................
Grupos de famílias atendidos pelo Plano Emergencial e assessoria
técnica do Procase...................................................................................................
Procase e ODS nos Planos Emergenciais..............................................................
Indicadores de Desenvolvimento Sustentável elencados pela CEPAL
e a aderência do PE Verde da Braskem..................................................................
Funções das unidades de tratamento e resultados esperados..............................
Histórico das emissões de RCE relativas ao Projeto MDL 0268 ...........................
Linhas de ação do Programa Cisternas..................................................................
Comparativo entre médias de indicadores populacionais e socioeconômicos....
Impactos do Programa Cisternas nas dimensões econômica, social e ambiental 
Projeção de geração de energia eólica em 2025....................................................
Lista de entrevistados/representantes das empresas do setor
de energia eólica .....................................................................................................
Principais diretrizes e compromissos do PAM.......................................................
207
210
211
213
213
214
214
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219
223
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227
227
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231
232
233
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235
237
238
239
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54
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..85 
106
131 
158 
162 
164 
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200
232
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 8
Gráficos
Gráfico I.1
Gráfico I.2
Gráfico I.3
Gráfico I.4
Gráfico I.5
Gráfico I.6
Gráfico I.7
Gráfico I.8
Gráfico I.9
Gráfico III.1
Gráfico III.2
Gráfico IV.1
Gráfico V.1
Gráfico V.2
Gráfico VI.1
Gráfico VI.2
Gráfico VI.3
Gráfico VI.4
Gráfico XII.1
Gráfico XII.2
Gráfico XII.3
Produção de placas da CSP...............................................................................
Geração de empregos diretos e indiretos.........................................................
Participação em aços de alto valor agregado no portfólio da CSP..................
Empresas em SGA e Caucaia de 2010 a 2017....................................................
Exportações de produtos metalúrgicos em SGA.............................................
Exportação do Ceará .........................................................................................
Número de microempreendores individuais (MEI) instalados em SGA 
e Caucaia em 2010 e 2018.................................................................................
Salário médio mensal em SGA e Fortaleza......................................................
Empregos em SGA por gênero de 2010 a 2017.................................................
Impacto no orçamento anual com a compra de sacas de farinha nos 
grupos familiares das aldeias Beija-flor, Flecheira e Morada Nova.................
Impacto no orçamento mensal com a venda de uma saca de farinha 
nos grupos familiares das aldeias Beija-Flor, Flecheira e Morada Nova.........
Evolução da porcentagem de Fornecedores de Etanol da Braskem que 
se adequaram aos requisitos de Conformidade (obrigatórios) e
Excelência (pontos de melhoria contínua).......................................................
Representatividade do valor comercializado em relação à renda bruta 
antes (safra 2013-2014) e no final (safra 2015-2016) do período 
de vigência do projeto.......................................................................................
Renda Bruta no Período de Execução do PAS (2012 a 2017)...........................
Concentrações afluente e efluente de DBO5...................................................
Concentrações afluente e efluente de nitrogênio amoniacal..........................
Concentrações afluente e efluente de fósforo total........................................
Concentrações afluente e efluente de E. coli....................................................
Capacidade instalada, financiamento do BNDES e investimento total 
setor de energia eólica no Brasil, 2005-2014....................................................
Patentes registradas relacionadas à energia eólica no Brasil de acordo 
com o conteúdo tecnológico, 1991-2016.........................................................
Evolução dos preços dos leilões de energia eólica no Brasil (Proinfa), 2009-2018
33
34
35
38
39
39
40
41
43
66
67
82
.. 93 
.. 97 
109 
109 
110
110
191
193
193
Quadros
Quadro IX.i
Quadro XI.1
Breve histórico do PICG..............
Técnicas aplicadas à restauração
139
173
Mapas
Mapa V.1
Mapa X.1
Mapa XII.1
Mapa XV.1
Área de implementação da iniciativa Assentamentos Sustentáveis na Amazônia
Distribuição territorial das tecnologias apoiadas no âmbito do
Programa Cisternas ............................................................................................
Distribuição regional das principais montadoras de turbinas eólicas 
e principais fabricantes de turbinas eólicas no Brasil........................................
Famílias fornecedoras da sociobiodiversidade..................................................
93
160
190
239
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 9
Figuras
Figura I.1
Figura I.2
Figura I.3
Figura I.4
Figura I.5
Figura I.6
Figura I.7
Figura I.8
Figura I.9
Figura I.10
Figura I.11
Figura I.12
Figura II.1
Figura II.2
Figura II.3
Figura II.4
Figura III.1
Figura III.2
Figura III.3
Figura III.4
Figura III.5
Figura III.6
Figura III.7
Figura IV.1
Figura IV.2
Figura IV.3
Figura V.1
Figura V.2
Figura VI.1
Figura VI.2
Figura VI.3
Posição geográfica estratégica do CIPP em relação a Europa, Estados Unidos 
e África................................................................................................................
Correia transportadora enclausurada responsável pelo transporte das principais 
matérias-primas do Porto para CSP e placas da CSP no Porto do Pecém...........
ZPE Ceará...........................................................................................................
Vista superior CSP.............................................................................................
A CSP encontra-se entre os projetos com melhores indicadores 
de implantação do mundo................................................................................
Sementes coletadas e mudas de plantas nativas.............................................
Plantio de mudas e livro publicado pela CSP....................................................
Impermeabilização e aspersão de água do pátio de matérias primas.............
Cronologia da primeira estaca à primeira placa ...............................................
Do Ceará para o mundo.....................................................................................
Laboratórios CSP...............................................................................................
Termoeléctrica CSP...........................................................................................
Campo de palma irrigada em sistema emergencial/SAF recém 
implantado na Vila Lafayete, município de Monteiro......................................
Vista parcial do SAF do Assentamento Beira Rio, no município de Camalaú .. 
Implantação do SAF na comunidade do Riacho de Sangue, município 
de Barra de Santa Rosa......................................................................................
Sistema Agroflorestal na Comunidade Bom Sucesso, município de Sossego . 
Mandioca da variedade denominada pelos Tûkûna como Samaúma, 
aldeia Morada Nova...........................................................................................
Mandioca da variedade identificada como Cruvilha pelos Tûkûna, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Mandioca roxa doada por indígenas da aldeia Jarinal e colhida da roça 
de isolados da TI Vale do Javari, aldeia Beija-Flor.............................................
Roçado com algumas variedades da mandioca em consórcio com outras 
espécies e floresta, aldeia Beija-Flor.................................................................
Wadawi Gracinha Kanamari, durante a preparação do cipó Timbó para 
a fabricação de teçumes, aldeia Beija-Flor.......................................................
Djana Eraci Kanamari, durante a confecção de teçume feito de cipó timbó, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Novelo de fio de tucum produzido por Tsawi Dilce Kanamari........................
Esquema ilustrativo da análise de ciclo de vida do PE Verde da Braskem......
Estimativa do uso de terra agricultável para produção de matérias-primas 
renováveis para produção de produtos não energéticos e bioplásticos 
2018 e 2023 ........................................................................................................
Itens avaliados nos requisitos de Meio Ambiente e de Trabalhadores 
e Comunidade do pilar de Conformidade dentro do programa de
Compra Responsável de Etanol da Braskem ....................................................
Dimensões consideradas na definição dos 20 indicadores de sustentabilidade 
da iniciativa........................................................................................................
Critérios para repasse de PSA...........................................................................
Layout do sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar.................
Reator UASB projetado para o estudo.............................................................
Lagoas de polimento projetadas para o estudo...............................................
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82
84
..94 
. 96 
106
107 
107
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 10
Figura IX.1
Figura IX.2
Figura IX.3
Figura IX.4
Figura X.1
Figura XII.1
Figura XIV.1
Figura XIV.2
Figura XIV.3
Figura XIV.4
Figura XIV.5
Vista aérea do PICG ...............................................................................................
Alunos em atividade sobre mudas de árvores nativas.........................................
Módulo de controle de geração e consumo de energia fotovoltaica do I2S.......
Ciclo de investimentos...........................................................................................
Principais tipos de tecnologias implantadas........................................................
Produtos da cadeia de suprimento de acordo com o grau de conteúdo tecnológico 
Trituração da biomassa, cobertura morta, plantio direto e sistema de 
produção sem uso do fogo e opções de continuidade (sentido horário)............
Ações de capacitação e intercâmbio de agricultores...........................................
Minibibliotecas da Embrapa ..................................................................................
Sistema tradicional de derruba-e-queima e preparo de área sem queima 
do Sistema Tipitamba............................................................................................
Implantação de sistemas agroflorestais multiestratos em áreas preparadas 
e cultivo de plantas perenes em áreas preparadas com corte-e-trituração........
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CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 11
Prefácio
Grande impulso para 2030
Carlo Pereira.*
Diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.
Em 2015, a ONU propôs aos seus países membros uma nova agenda pelo desenvolvimento sustentável. 
Composta por 17 Objetivos Globais, a Agenda 2030 representa mais do que os desafios do presente, ela 
prevê oportunidades para o futuro. Só podemos atingir a prosperidade econômica se não deixarmos 
ninguém para trás, como pregam os ODS. E quando falamos em avançar sem aceitar retrocessos, 
fazemos referência às dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento, também 
abordadas pela ideia de Big Push para a Sustentabilidade, à qual esta publicação se refere.
Começando pela dimensão social, entendemos que erradicar a pobreza (ODS 1) e reduzir as 
desigualdades (ODS 10) são objetivos capazes de trazer ganhos econômicos para as empresas através 
da inclusão de quem atualmente se encontra à margem. Como exemplo, a igualdade de gênero (ODS 5) 
tem potencial de injetar US$ 5,8 trilhões na economia global, mas demoraria 257 anos para ser 
efetivada, se continuarmos no ritmo em que estamos. Quem agir primeiro, aproveitará da melhor forma 
as oportunidades da inclusão.
A dimensão econômica atravessa todos os ODS, mas é tema central de alguns, como o ODS 8 
—Trabalho decente e crescimento econômico (uma declaração de que um não existe sem o outro) e o 
ODS 9, que visa a promoção de uma industrialização inclusiva e sustentável, além do fomento à 
inovação. Já o ODS 12— Consumo e produção responsáveis, abre caminho para a integração sustentável 
entre economia e meio ambiente, de onde tiramos os recursos para a nossa sobrevivência no planeta.
Alguns pontos de vista ainda defendem ser necessário desconsiderar a dimensão ambiental do 
desenvolvimento, ignorando as oportunidades dela decorrentes. O ODS 15, por exemplo, visa a 
*
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 12
preservação da vida na terra, com o combate à desertificação e degradação do solo como metas. 
A preservação da terra permite a viabilidade econômica de empresas produtoras de alimento, que serão 
responsáveis pela subsistência de uma população mundial que chegará a 9.7 bilhões de pessoas em 2050 
(ODS 2 - Fome zero e agricultura sustentável). A sustentabilidade fornece terreno fértil para o 
crescimento econômico.
próximos 10 anos. No processo de pesquisa para construir nossas
atingido até 2030. Precisamos fazer mais, e não
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam questões atuais com impactos que 
podem ser positivos ou negativos nos próximos anos, a depender da forma como gerimos as soluções. 
A crise climática, por exemplo, não permite hesitações, requer ações ágeis pela prosperidade dos 
negócios, ecossistemas e pela humanidade (ODS 13). Por isso que, em 2020, a reunião do Fórum 
Econômico Mundial colocou as mudanças climáticas como o maior risco da década, à frente de crises 
financeiras. De acordo com o relatório Riscos Globais 2020, lançado pela instituição, o custo da inércia 
será de US$ 1 trilhão para as 200 maiores empresas do mundo.
A Rede Brasil do Pacto Global é a maior plataforma de promoção dos ODS junto ao setor 
empresarial no país. Em 2019, contamos com o apoio da consultoria Falconi para traçar nosso 
planejamento estratégico para os
metas, descobrimos que, no ritmo em que o Brasil se encontra, apenas o ODS 7 —Energia limpa e 
acessível, tem indicadores suficientes para ser 
conseguimos evoluir sozinhos.
Por isso, aplaudimos e apoiamos a iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o 
Caribe (CEPAL), de reconhecer as iniciativas que estão agindo por um Big Push de Sustentabilidade, que 
corresponde ao tipo de desenvolvimento econômico e socioambiental do qual somos porta-vozes. 
A CEPAL compreende a necessidade de alavancar investimentos nacionais e estrangeiros através da 
coordenação de políticas públicas e privadas para gerar um ciclo de crescimento econômico virtuoso, 
capaz de gerar emprego e renda, reduzir desigualdades e promover a sustentabilidade. Em suma, 
articular diversos atores (ODS 17) em prol do cumprimento da Agenda 2030.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a nossa década de “A Década da Ação. 
Muitos avanços já foram feitos, mas 
sustentável. No entanto, para chegarmos em 2030 com o cumprimento das metas dos ODS, precisamos 
fazer mais, precisamos de um big push. As soluções que necessitamos podem vir do exemplo. Aproveite 
a leitura para inspirar-se na experiência de iniciativas que já estão vivendo o hoje como se fosse 2030.
também alguns retrocessos, em busca de um futuro mais
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 13
Apresentação
Alicia Bárcena.*
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas recentemente 
completou 70 anos de existência, marcada por trabalhos seminais, abordagens inovadoras e 
direcionamentos de políticas orientados para o desenvolvimento com sustentabilidade e igualdade. 
Ao longo desse período, o pensamento cepalino renovou-se e atualizou-se à medida que as economias 
da região se transformaram. Ao mesmo tempo, a CEPAL reafirmou a sua abordagem teórica conforme 
as características estruturais do desenvolvimento da região, que foram reproduzidas nessas últimas 
décadas e em muitos casos aprofundadas.
A CEPAL identifica e analisa, desde o seu nascimento, as profundas brechas estruturais que 
persistem nas economias latino-americanas, tais como assimetrias competitivas e tecnológicas, os 
desafios para convergência com níveis de renda superiores, as ineficiências da desigualdade e as 
implicações da sobre-exploração dos recursos naturais. No campo propositivo, a CEPAL tem apontado 
direções para uma mudança estrutural progressiva, orientada pela visão de que um desenvolvimento 
econômico sustentável depende criticamente de um meio ambiente saudável e de uma sociedade 
construída sobre a base da igualdade. Nos últimos anos, temos nos empenhado para articular uma 
proposta renovada que reflita essa visão, articulada em torno de um grande impulso (big push) para a 
sustentabilidade, para promover a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável.
O Big Push para a Sustentabilidade é uma abordagem que a CEPAL vem desenvolvendo para 
apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais sustentáveis, baseada na 
coordenação de políticas para promover investimentos sustentáveis, que produzam um ciclo virtuoso 
de crescimento econômico, geração de emprego e renda e redução de desigualdades e lacunas 
estruturais, ao mesmo tempo que mantêm e regeneram a base de recursos naturais da qual o 
desenvolvimento depende. Viemos trabalhando nessa abordagem em um momento oportuno, no qual 
* Secretária-Executiva da CEPAL.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 14
a preocupação com a sustentabilidade ambiental, a igualdade e a retomada da atividade econômica se 
instalou na agenda internacional. Assim, em 2015, 193 países aprovaram a Agenda 2030 e seus 
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que norteiam uma transformação estrutural dos estilos 
de desenvolvimento em suas dimensões social, econômica e ambiental. Em conformidade com a 
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o Big Push para a Sustentabilidade não deixará 
ninguém para trás e deve servir para a erradicação da fome e da pobreza em todas as suas formas.
Nesse contexto, tenho o prazer de apresentar esta publicação, intitulada Investimentos 
transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável: Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push)para a sustentabilidade no Brasil, que traz estudos de casos concretos que não apenas ilustram 
a viabilidade, mas também nos apresentam as lições aprendidas, as oportunidades e os desafios para 
um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil. A publicação é fruto do esforço voluntário dos autores 
dos capítulos, de divers0s setores e áreas de formação, em registrar e dar visibilidade a experiências que 
podem se tornar exemplos a serem replicados, unindo teoria e prática.
O leitor interessado em exemplos de ações reais que têm sido bem-sucedidas em promover 
investimentos com impactos positivos nas três dimensões do desenvolvimento sustentável (social, 
econômica e ambiental) encontrará na seleção de capítulos reunidos na presente publicação um 
material de grande utilidade. Esta publicação apresenta um panorama das amplas possibilidades para 
a realização de investimentos sustentáveis em diversas escalas (em nível de empresas, de comunidades, 
de municípios, de regiões e nacional), em várias práticas e tecnologias sustentáveis (desde sistemas 
agroflorestais e de produtos da química verde até sistemas de saneamento básico rural e 
desenvolvimento da indústria eólica) e por meio de uma rica pluralidade de medidas, políticas, arranjos 
de governança e fontes de financiamento. Os estudos de casos retratados nesta publicação são luzes 
que podem nos orientar rumo a um futuro sustentável e igualitário.
O Brasil é o maior país e economia da América do Sul e tem sido objeto de análise da CEPAL 
quanto a suas experiências e políticas sustentáveis que possam contribuir para o desenvolvimento 
regional. Esta publicação vem demonstrar essa atenção da CEPAL para o Brasil, consolidando uma 
relação de cooperação e de estudos conjuntos de várias décadas.
Sem mais preâmbulos, convido cordialmente o leitor a mergulhar nestas páginas com o fim de 
ampliar sua compreensão sobre as complexidades, os desafios e, fundamentalmente, as possibilidades 
para um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil nos contextos atuais da sociedade, da economia e 
do meio ambiente, que claramente exigem um novo estilo de desenvolvimento com igualdade e 
sustentabilidade ambiental.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 15
Introdução
.*Carlos Mussi 
Camila Gramkow.* *
Diretor do Escritório da CEPAL no Brasil.
Oficial de Assuntos Econômicos, Escritório da CEPAL no Brasil.
limites planetários, a emergência climática
Os dias atuais são marcados por uma conjuntura de busca pela recuperação do vigor econômico no 
Brasil e no mundo. Essa recuperação toma contornos complexos, uma vez que, aos aspectos 
conjunturais, se somam os desafios estruturais dos quais depende a própria sustentabilidade da 
atividade econômica no longo prazo, incluindo os  e a 
ineficiência da desigualdade. O mundo no qual nos encontramos requer um novo estilo de 
desenvolvimento, em cujo centro estejam a igualdade e a sustentabilidade. É essa a visão desenvolvida 
pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas que define a 
abordagem para apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais 
sustentáveis, chamada Big Push para a Sustentabilidade. A Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) orienta e promove essa visão da CEPAL. Essa abordagem 
representa uma coordenação de políticas (públicas e privadas, nacionais e subnacionais, setoriais, 
fiscais, regulatórias, financeiras, de planejamento, etc.) que alavanquem investimentos nacionais e 
estrangeiros para produzir um ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de emprego e renda, 
redução de desigualdades e brechas estruturais e promoção da sustentabilidade ambiental. Assim, os 
volumosos investimentos necessários para a transição para um modelo econômico resiliente, de baixo 
carbono e sustentável são colocados como uma oportunidade de gerar um grande impulso (big push) 
para um novo ciclo de crescimento econômico e de promoção da igualdade, contribuindo para a 
construção de um desenvolvimento mais sustentável, no seu tripé econômico, social e ambiental.
Os delineamentos conceituais básicos do Big Push para a Sustentabilidade foram desenvolvidos 
pela CEPAL (CEPAL, 2016 e 2018). O elemento chave dessa abordagem são os investimentos, que são 
*
**
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 16
o principal elo entre o curto e o longo prazo. Os investimentos de hoje explicam a estrutura produtiva 
de amanhã, que por sua vez determina a competitividade, a produtividade e o tipo de inserção no 
comércio internacional. Além disso, ela também determina a capacidade de geração de empregos de 
qualidade com inclusão produtiva e se a atividade econômica será contaminante ou ecológica. 
Atualmente, é mais verdadeiro do que nunca afirmar que as economias que investem pouco tendem a 
se posicionar na periferia do sistema econômico global. Os investimentos são fundamentais para que 
as mudanças profundas e estruturais que já estão em curso, desde a revolução tecnológica 
(transformação digital da economia, bioeconomia, nanotecnologia, etc.) até a transição demográfica, 
tornem-se oportunidade para o desenvolvimento sustentável —e não novos desafios para a 
sobrevivência de nossas economias e sistemas sociopolíticos. Em suma, a qualidade de nosso futuro 
depende crucialmente do tipo de investimento que é realizado hoje.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, os investimentos devem ser orientados por 
uma tripla eficiência, para que sejam compatíveis com a construção de estilos de desenvolvimento 
sustentáveis. A primeira, é a eficiência schumpeteriana, segundo a qual uma matriz produtiva mais 
integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera externalidades positivas de aprendizagem e 
inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Estruturas produtivas que permitem acelerar o 
fluxo de informações e de conhecimentos tendem a ser economias mais eficientes, mais inovadoras e 
mais preparadas para se inserir competitivamente em mercados que remuneram melhor os bens e 
serviços produzidos. Essa é uma eficiência muito associada ao lado da oferta, ou seja, das capacidades 
produtivas e tecnológicas instaladas. A segunda eficiência é a keynesiana, que destaca que há ganhos 
de eficiência da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando 
efeitos multiplicadores e impactos positivos na economia e nos empregos. Economias que conseguem 
acessar mercados em expansão podem aumentar sua produção em uma velocidade maior do que 
aumentam seus custos (economias de escala) e, quando opera negócios diversos simultaneamente, 
pode aumentar a eficiência conjunta da produção, com consequente redução de custos e aumento da 
qualidade (economia de escopo). Essa segunda eficiência destaca elementos do lado da demanda que 
se reforçam, criando um círculo virtuoso de competitividade, inovação e produtividade. A eficiência 
keynesiana está muito relacionada com a eficiência schumpeteriana, uma vez que os mercados que 
mais crescem tendem a ser aqueles com maior dinamismo tecnológico e de inovação. Somadas, as 
eficiências schumpeteriana e keynesiana criam as condições para uma inserção competitiva favorável. 
Contudo, é necessária a terceira eficiência para garantir a sustentabilidade de longo prazo, que é a 
eficiência da sustentabilidade, a qual se relaciona com a clássica eficiência no tripé econômico, social e 
ambiental. Essa eficiência destaca que os investimentos devem ser economicamente viáveis, o que 
requer pensar sobre fontes de financiamento e origem dos recursos. No âmbito social, além de justiça 
social e promoção da igualdade, na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, também é 
necessário um sistema seguro e justo de arbitragem de conflitos, que não deixe ninguém para trás. O 
eixo ambiental da eficiência da sustentabilidade reforça que os investimentos sustentáveis devem 
diminuir a pegada ambiental e os impactos ambientais, ao mesmo tempo em que recupera a capacidade 
produtiva do capital natural. Juntas, as eficiência schumpeteriana, keynesiana e da sustentabilidade 
tornam-se pilares para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, a coordenação de políticas em torno da tripla 
eficiência é chave para destravar investimentos nacionais e estrangeiros, não apenas em práticas, 
tecnologias, cadeias de valor e infraestrutura sustentáveis, mas também em capacidades tecnológicas 
e educação para equipar a força de trabalho com as habilidades necessárias para o futuro. 
A coordenação é simultaneamente o desafio crítico e a principal oportunidade do Big Push para a 
Sustentabilidade. Se uma ampla gama de políticas (públicas e corporativas, nacionais e subnacionais, 
setoriais, tributárias, regulatórias, fiscais, financeiras, de planejamento, etc.) estiver alinhada e coesa 
com os pilares de um novo estilo de desenvolvimento, um ambiente favorável para mobilizar os 
investimentos necessários será estabelecido, ancorado em incertezas reduzidas, sinais de preços 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 17
corrigidos e um mix de políticas adequado. O consequente aumento dos investimentos sustentáveis 
leva, então, a um ciclo virtuoso de crescimento econômico, criação de empregos, desenvolvimento de 
cadeias produtivas, redução da pegada ambiental e impactos ambientais, ao mesmo tempo em que 
recupera a capacidade produtiva do capital natural.
A CEPAL iniciou uma discussão sobre as oportunidades e os desafios para um Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019). Dentre as oportunidades, destaca-se o grande potencial 
para os investimentos de baixo carbono no país, na ordem de US$ 1,3 trilhões até 2030 em setores tais 
como infraestrutura urbana (mobilidade, edificações, resíduos etc.), energias renováveis e indústria 
(IFC, 2016). Foram ressaltados também, os ganhos competitivos das firmas no Brasil que já investem 
em tecnologias sustentáveis (em termos de redução de custos, aumento de qualidade, aumento de 
market share, acesso a novos mercados etc.), a maior facilidade de acesso a financiamento para 
empresas que possuem uma governança ambiental e social e a existência de uma ampla base de 
capacidades produtivas e tecnológicas voltadas à sustentabilidade. Outro ponto identificado foi o 
oportuno momento atual, no qual se está discutindo caminhos para a recuperação da economia 
brasileira. Esse contexto pode ser uma oportunidade para o país direcionar esforços para acelerar os 
investimentos sustentáveis. A questão da coordenação é fundamental nessa discussão, já que foi 
identificado um potencial muito grande de destravar investimentos sustentáveis no país por meio de 
um esforço robusto e detalhado de coordenação de políticas, que remova sinais contraditórios e 
barreiras. Contudo, há também desafios para o Brasil, que incluem custos relativos ao carbon lock-in 
(relacionados à transição de paradigma tecnológico, especialmente nos setores mais poluentes), 
reduzido espaço fiscal para formulação de novas políticas —particularmente no contexto da Emenda 
Constitucional 95/2016— e o contexto federativo do país, que impõe necessidade de ampla 
coordenação entre os entes federativos.
Buscando aterrissar os delineamentos conceituais da abordagem do Big Push para a 
Sustentabilidade no mundo real, a CEPAL realizou uma Chamada Aberta de Estudos de Casos de 
Investimentos para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil, que contou com a parceria institucional 
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, 
bem como com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (Gesellschaft für Internationale 
Zusammenarbeit - GIZ) e da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES). A chamada, lançada em 8 de abril 
de 2019 na ocasião do lançamento do Relatório sobre Oportunidades e Desafios para o Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019) no Insper em São Paulo, convidou pesquisadores, 
profissionais do setor privado, empresários, representantes da sociedade civil, formuladores de políticas 
públicas e servidores públicos a enviar estudos de casos sobre investimentos com impacto para o 
desenvolvimento sustentável no Brasil, em linha com o Big Push para a Sustentabilidade. Encerrada em 
16 de agosto de 2019, foram recebidos um total de 131 estudos de casos. Houve uma grande diversidade 
de setores, pluralidade de atores, heterogeneidade de regiões e variedade de iniciativas entre os 
estudos enviados. Quanto aos setores, a maior parte dos casos é relacionada à Infraestrutura (30% do 
total de estudos), seguida por Agropecuária e Uso do Solo (28%), Indústria (13%), Reciclagem e 
Resíduos (11%) e outros. Sobre os tipos de iniciativas analisadas nos casos, nota-se que as principais 
foram relacionadas a políticas públicas (26% do total de estudos) e políticas corporativas (19%), 
seguidas por políticas de cooperação internacional (5%), medidas implementadas pelo Sistema S (2%) 
e combinações. Em termos de cobertura geográfica, a maior parte dos casos concentrou-se no nível 
nacional (28%), sendo que também houve estudos focados em áreas das regiões Sudeste (20%), 
Nordeste (17%), Sul (13%), Norte (12%), Centro-Oeste (8%) e combinações dessas.
A partir dos 131 estudos de casos recebidos, um Comitê de Avaliação, formado por especialistas 
em desenvolvimento sustentável do IPEA, do Governo Federal Brasileiro e da CEPAL, analisou os casos 
enviados. Desses, 66 estudos foram considerados elegíveis como casos de Big Push para a 
Sustentabilidade, sendo que o principal critério de elegibilidade foi que os estudos de caso 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 18
conseguissem reportar pelo menos um indicador de cada dimensão do desenvolvimento sustentável 
(econômico, social e ambiental), conforme estabelecido nas Regras da Chamada (CEPAL, 2019). Todos 
os 66 casos elegíveis estão disponíveis no “Repositório de casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade 
no Brasil, hospedado pela CEPAL (CEPAL, 2020). O repositório tem como objetivo dar visibilidade e 
oportunidade de showcase às experiências e iniciativas que geraram resultados concretos em direção à 
sustentabilidade do desenvolvimento. A partir delas, ficarão mais claros as oportunidades e os desafios 
para um Big Push para a Sustentabilidade no país.
O Comitê de Avaliação também selecionou os estudos de casos mais transformadores rumo ao 
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil e são esses estudos selecionados que compõem os 
15 capítulos da presente publicação. Os critérios para a seleção dos casos mais transformadores foram 
a quantidade dos indicadores reportados nas três dimensões (social, econômica e ambiental) e a análise 
dos vínculos do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade e a Agenda 2030 para o 
Desenvolvimento Sustentável, além de buscar representar a heterogeneidade e pluralidade de desafios 
e soluções para o Big Push para a Sustentabilidade no Brasil.
No primeiro capítulo, Alex Maia do Nascimento e coautores, todos funcionários da Companhia 
Siderúrgica do Pecém (CSP) relatam o caso do maior projeto de investimento privado realizado na 
história do Estado do Ceará, com valor superior a US$ 5 bilhões, que foi o estabelecimento da CSP. 
O caso da CSP ilustra como investimentos em uma siderúrgica moderna e integrada vem contribuindo 
para a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável localmente, por meio de adoção de 
tecnologias sustentáveis de ponta, recuperação florestal, capacitação de pessoas, geração de 
empregos, agregação de valor às exportações do país, etc. O segundo capítulo, de autoria de Leonardo 
Bichara Rocha (Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura - FIDA), Thiago César Farias 
da Silva (Procase, Paraíba) e Donivaldo Martins (FIDA), apresenta o caso do Projeto de Desenvolvimento 
Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú (Procase), apoiado pelo FIDA e pelo Estado da Paraíba. 
O estudo do Procase evidencia como investimentos no combate à desertificação do sistema Caatinga, 
por exemplo, em poços, barragens, dessalinizadores e sistemas agroflorestais (SAFs), podem contribuir 
para redução da pobreza, segurança hídrica e alimentar, redução de custos, geração de renda, 
diversificação produtiva etc.
No Capítulo III, assinado por Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle e 
Tatiana Ribeiro Souza Brito, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), relatam o caso de iniciativas 
realizadas na Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá, Sudoeste Amazônico. O estudo exemplifica que 
investimentos de baixo montante, por exemplo, da ordem de R$ 9 mil para construção de casas de 
farinha, podem estimular a reprodução do sistema agrícola indígena e reafirmar os saberes desses 
povos como uma capacidade tecnológica que agrega valor à farinha produzida nas aldeias e a diferencia 
das demais. O caso ressalta a importância dos saberes e tradições indígenas, da valorização do papel da 
mulher e da atuação de forma colaborativa para se pensar em soluções de desenvolvimento sustentável 
adaptadas ao contexto amazônico. O Capítulo IV, de autoria de Adriana Mello, Jorge Soto e José 
Augusto Viveiro, todos da Braskem, ilustra o potencial da química verde do futuro, a partir do estudo de 
caso do desenvolvimento do Polietileno Verde (PE Verde) pela Braskem. Esse caso exemplifica como a 
indústria química pode se tornar uma indústria sustentável, inclusiva e competitiva a partir do potencial 
transformativo da produção de polímeros de fontes renováveis, que são abundantes no país. O estudo 
evidencia a importância de uma trajetória consistente de investimentos em tecnologia e inovação, do 
processo de aprendizado e do compromisso de longo prazo da empresa com a sustentabilidade.
No Capítulo V, Erika de Paula P. Pinto e coautores, todos do Instituto de Pesquisa Ambiental da 
Amazônia (IPAM), apresentam o estudo de caso do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia, 
apoiado pelo Fundo Amazônia, que traz um exemplo de como podem ser realizados investimentos para 
a promoção de territórios rurais sustentáveis na região. O caso ilustra a importância de uma estratégia 
coordenada de ações (de assistência técnica e extensão rural a incentivos econômicos) a partir de uma 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 19
abordagem integrada de conservação e produção em territórios rurais ocupados pela agricultura 
familiar para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis, sem promover a derrubada de 
novas áreas de floresta. O Capítulo VI, assinado por Mateus Cunha Mayer (Instituto Nacional do 
Semiárido - INSA), Rodrigo de Andrade Barbosa (INSA), George Rodrigues Lambais (INSA), Salomão 
de Sousa Medeiros (INSA), Adrianus Cornelius Van Haandel (Universidade Federal de Campina Grande) 
e Silvânia Lucas dos Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), traz o estudo de caso do 
desenvolvimento de uma tecnologia de saneamento básico rural familiar, originalmente desenhada 
para o Seminário brasileiro. O caso trata de um sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar 
de fácil instalação e custo acessível que poderia alavancar a universalização do saneamento rural no 
Brasil, com benefícios diretos sobre a produção agrícola e indiretos sobre geração de renda, redução de 
pobreza e segurança alimentar.
O Capítulo VII, de autoria de Airton José Morganti Júnior (Consórcio Machadinho), José Lourival 
Magri (ENGIE Brasil Energia) e Selia Regina Felizari (Associação de Produtores de Erva-Mate de 
Machadinho - Apromate), apresenta o desenvolvimento e os resultados de um novo sistema produtivo 
da erva-mate no Estado do Rio Grande do Sul, que culminou na Cambona 4, uma variedade obtida a 
partir de melhoramento genético. Combinado com sistemas agroflorestais (SAFs), esse novo sistema 
produtivo restaurou e protegeu dezenas de nascentes, implantou sumidouros de carbono com 
reflorestamento e gerou aumento de renda para as famílias envolvidas no SAF, enquanto promoveu a 
industrialização na cadeia de valor e a maior rentabilidade da erva-mate. No Capítulo VIII, José Lourival 
Magri e Mario Wilson Cusatis, ambos da ENGIE Brasil Energia, estudam o caso da Unidade de Cogeração 
Lages (UCLA) em Santa Catarina a partir da ótica da economia circular. Esse caso ilustra como resíduos 
do setor madeireiro podem ser aproveitados para fins energéticos na UCLA e como as cinzas da 
biomassa da madeira geradas na UCLA podem ser aproveitadas para aumentar a produtividade e 
reduzir custos na agricultura, gerando redução de emissões de gases do efeito estufa que podem ser 
compensadas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Trata-se de um exemplo de como a 
economia circular pode gerar oportunidades para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.
No Capítulo IX, Rogério Atem de Carvalho (Polo de Inovação Campos dos Goytacazes) estuda o 
caso do modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes (PICG), do Instituto Federal 
Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. O caso ilustra um modelo capaz de coordenar e articular 
diversos atores (comunidade, pesquisadores de diferentes áreas de especialidade, setor produtivo, 
governos em vários níveis etc.) e tipos de financiamento (público e privado) para realização de 
investimentos em uma variedade de ações (projetos de PDI, parcerias, educação e capacitação, ações 
para gestão e operação do campus, dentre outras), que têm contribuído para um estilo de 
desenvolvimento sustentável. O Capítulo X, assinado por Vitor Leal Santana e Lilian dos Santos Rahal, 
ambos do Ministério da Cidadania, apresenta o caso do Programa Cisternas, que foca na construção de 
cisternas para captação e abastecimento de água para consumo humano e animal sob uma ótica de 
convivência com o Semiárido e respeito aos saberes e à cultura locais. O estudo exemplifica como 
investimentos, que somam mais de R$ 3,6 bilhões e beneficiaram mais de um milhão de famílias, em 
tecnologias sociais podem garantir o acesso à água no meio rural em regiões sujeitas à escassez hídrica, 
contribuindo para o enfrentamento da pobreza, a melhoria da saúde e da segurança alimentar e a 
estruturação de cadeias produtivas ambiental e socioeconomicamente sustentáveis.
O Capítulo XI, assinado por Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli e Yugo Matsuda, todos da 
Suzano, descreve como uma empresa que é líder mundial na produção de celulose de eucalipto vem 
estruturando uma estratégia de conservação da biodiversidade e de restauração ambiental, com foco 
em seu Programa de Restauração Ambiental. O estudo discorre sobre o desenvolvimento e o 
aprimoramento das ações da empresa em restauração ambiental e sobre como investir nessas ações 
faz sentido economicamente, já que seu core business depende criticamente de um capital natural 
saudável para alcançar seus altos índices de produtividade e mantê-los no longo prazo. O Capítulo XII, 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 20
de autoria de Britta Rennkamp (African Climate and Development Initiative, University of Cape Town), 
Fernanda Fortes Westin (Programa de Planejamento Energético, Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- 
Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro - PPE/COPPE/UFRJ) e 
Carolina Grottera (PPE/COPPE/UFRJ), apresenta o caso do vigoroso desenvolvimento da indústria de 
energia eólica no Brasil, com foco especial em Requisitos de Conteúdo Local (RCL). O estudo ilustra 
como a coordenação de diferentes políticas (tarifas feed-in, leilões, financiamento condicionado aos 
RCL através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, dentre outras) 
contribuiu para mobilizar investimentos para a construção de capacidades tecnológicas nacionais e para 
a expansão da energia eólica no país.
No Capítulo XIII, Eliane Oliveira Moreira e Jucilaine Neves Sousa Wivaldo discorrem sobre como 
demandas sociais locais e construídas por diferentes atores, como organizações sociais, setor público e 
universidades, podem gerar um grande impulso ao desenvolvimento local, a partir do estudo de caso da 
Associação de Catadores e Materiais Recicláveis (ACAMAR), no município de Lavras, Estado de Minas 
Gerais. O caso exemplifica a contribuição da dinâmica diferenciada da economia solidária, somada a 
investimentos de pequeno porte, para um melhor gerenciamento de resíduos sólicos e para a economia 
circular com geração de renda e empregos, melhoria das condições de trabalho, redução das brechas 
de gênero, dentre outros. O Capítulo XIV, assinado por Osvaldo Ryohei Kato e coautores, todos da 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), trata do estudo de caso do Sistema Tipitamba, 
que é uma tecnologia de corte-e-trituração desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental que pode 
substituir o sistema de derruba-e-queima tradicionalmente praticado na agricultura familiar na 
Amazônia. O estudo de caso do Sistema Tipitamba, baseado no manejo sustentável da capoeira como 
uma alternativa para recuperar áreas alteradas e antropizadas, evitar queimadas, expansão da fronteira 
agrícola e aumentar a fonte de renda do agricultor, ilustra como investimentos em pesquisa e 
desenvolvimento podem contribuir para soluções sustentáveis para a agricultura familiar na região.
Por último, e não menos importante, o Capítulo XV, desenvolvido pela Natura, discute a evolução 
da relação da empresa de cosméticos Natura S.A. com o desenvolvimento sustentável da região 
amazônica, tendo como base a sociobiodiversidade para composição dos produtos da companhia e 
estruturação de programas que contribuem para o manejo sustentável da floresta em pé. Esse estudo 
de caso ilustra como uma empresa pode fazer da sustentabilidade seu modelo de negócios, agregando 
valor ao vasto capital natural do país de forma competitiva domesticamente e nos mercados globais.
Os investimentos retratados nos diferentes capítulos da presente publicação são exemplos de 
transformações na economia em direção a um novo estilo de desenvolvimento sustentável. Essa 
publicação tem o objetivo de promover o debate de estilos de desenvolvimento, a partir das demandas 
e capacidades de todos, nos adequando às possibilidades do planeta e nos desafiando na construção de 
uma sociedade mais justa e próspera.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 21
Bibliografia
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) (2020), “Repositório de casos sobre o Big 
Push para a Sustentabilidade no Brasil [repositório online], Santiago, abril https://biblioguias.cepal. 
org/bigpushparaasustentabilidade [data de consulta: 28 de fevereiro de 2020].
(2019), “Regras da Chamada Aberta de Estudos de Casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade no 
Brasil [online], Brasília, abril https://www.cepal.org/sites/default/files/events/files/regras.pdf [data 
de consulta: 8 de abril de 2019].
(2018), La ineficiencia de la desigualdad (LC/SES.37/4), Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, 
N° de venda: S.18-00303.
(2016), Horizontes 2030: A igualdade no centro do desenvolvimento sustentável (LC/G.2660/SES.36/3), 
Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, N° de venda: S.16-00753.
CEPAL/FES (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe)/(Fundação Friedrich Ebert Stiftung) 
(2019), “Big Push Ambiental: Investimentos coordenados para um estilo de desenvolvimento 
sustentável, Perspectivas, N° 20, (LC/BRS/TS.2019/1 e LC/TS.2019/14), São Paulo.
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Desenvolvimento Sustentável (A/ RES/70/1), Nova Iorque, Publicação das Nações Unidas.

CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 185
XII. Política de conteúdo local e incentivos financeiros
no mercado de energia eólica no Brasil
.*  *
African Climate and Development Initiative, University of Cape Town.
Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (CentroClima), Programa de Planejamento Energético 
do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(PPE/COPPE/UFRJ).
Disclaimer: Este artigo deriva de um estudo comparativo entre os mecanismos de incentivo ao desenvolvimento da energia eólica 
no Brasil e na África do Sul, originalmente publicado em Zachmann, Georg e outros (2018), “Report on assessing the technology 
innovation implications of NDCs, technology portfolio choices, and international competitiveness in clean technologies”, Projeto 
COP21 RIPPLES - Results and Implications for Pathways and Policies for Low Emissions European Societies. O projeto COP21 RIPPLES 
recebeu financiamento da Comissão Europeia - Horizon 2020 Research and Innovation Programme (Grant Agreement No 730427). 
Alguns dados foram atualizados para conter informação mais recente quanto possível.
Britta Rennkamp 
Fernanda Fortes Westin
Carolina Grottera**
**
Resumo
Este estudo1 analisa o desenvolvimento da indústria de energia eólica no Brasil, com foco especial em 
Requisitos de Conteúdo Local (RCL). Políticas de conteúdo local são incentivos que visam melhorar o 
desenvolvimento tecnológico e industrial, ao condicionar a entrada em determinado mercado à utilização 
de bens e serviços fabricados nacionalmente. O programa brasileiro criou empregos na fabricação, 
instalação, operação e manutenção de componentes, ao mesmo tempo em que alcançou preços de energia 
muito competitivos por meio de um sistema de leilões. Uma análise de conteúdo qualitativa sobre os dados 
da indústria eólica foi realizada por meio de entrevistas com stakeholders do setor de energia eólica, além de 
documentos e notícias complementares. São discutidos os benefícios ambientais, econômicos e sociais 
proporcionados pelo desenvolvimento do setor eólico no Brasil, notadamente na geração de empregos, 
*
**
1
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 186
atração de investimentos, desenvolvimento regional, entre outros. As políticas de desenvolvimento do setor 
energia eólica no Brasil são analisadas à luz da abordagem cepalina do Big Push para a Sustentabilidade, ou 
seja, da possibilidade de que os investimentos no setor tenham contribuído para um grande impulso 
(Big Push) para um ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de empregos e redução dos impactos 
ambientais na produção de energia no Brasil.
A. Introdução
uma
para ofertá-las em mercados saturados, enquanto os países
a
subsidiárias locais país receptor, 
um 
em
A energia eólica tem desempenhado um papel importante na diversificação do mix de eletricidade 
internacionalmente. No Brasil, a crise de fornecimento de eletricidade no início da década passada 
reforçou a necessidade de novas fontes de geração elétrica. Medidas de incentivo e as políticas de 
requisitos de conteúdo local (RCL) tornaram-se parte integrante da formulação de políticas industriais 
de energia renovável em vários mercados emergentes.
Requisitos de Conteúdo Local (RCLs) são políticas impostas por governos que exigem que 
empresas utilizem produtos de fabricação nacional ou serviços fornecidos internamente para poder 
participar de um determinado mercado (OCDE, 2015). Existem diferentes formas de determinar o 
conteúdo local, que podem ser calculadas como a porcentagem do valor do projeto, o valor do 
equipamento tecnológico, a designação de componentes tecnológicos específicos ou 
porcentagem de seu peso. Se os requisitos de conteúdo visarem a produção a partir de processos 
industriais sofisticados, eles geralmente têm como alvo uma porcentagem do valor agregado, em vez 
de unidades físicas (Grossman, 1981). Especificar o conteúdo local é um ato de equilíbrio, já que definir 
um percentual muito alto pode dissuadir investidores e elevar os preços da tecnologia, ao passo que 
definir os requisitos muito baixos pode anular os efeitos desejados em termos de desenvolvimento 
tecnológico e geração de emprego.
A lógica dos requisitos de conteúdo local reside na tentativa de se extrair todos os benefícios da 
transferência de tecnologia e criação de empregos, podendo contribuir para reduzir a lacuna de 
capacidade tecnológica e oportunidades de mercado existente entre países desenvolvidos e em 
desenvolvimento. Em geral, empresas em países desenvolvidos têm tecnologias maduras, mas lutam 
em desenvolvimento têm tecnologias 
incipientes e oferecem novas oportunidades de mercado. Ademais, permitem aos governos corrigir a 
lacuna entre os custos e benefícios privados e sociais do investimento (Veloso, 2006). Essas lacunas 
podem tornar-se brechas profundas, estruturais de diferenças nos níveis de produtividade entre os 
países mais e aqueles menos desenvolvidos e também entre os setores mais modernos e mais primitivos 
nas economias em desenvolvimento. A coexistência dessas brechas marcadas e persistentes configura 
heterogeneidade estrutural, que representa a convivência de setores modernos e atrasados, 
dominados por relações formais e informais de trabalho (CEPAL, 2016). Somada à abundante 
disponibilidade da mão-de-obra, a heterogeneidade estrutural conforma o centro nevrálgico de 
assimetrias produtivas a partir do qual outras desigualdades irradiam-se e persistem.
Políticas de conteúdo nacional criam vencedores e perdedores. A imposição de produção local 
redireciona investimentos estrangeiros para empresas e  no 
potencialmente afetando os ganhos das empresas estrangeiras. Dessa forma, tornam-se 
instrumento por vezes controverso, que atrai majoritariamente governos dos países 
desenvolvimento. Por outro lado, vários autores discutem os benefícios das políticas de RCL, sendo os 
principais: (i) aprimoramento tecnológico, especificamente com relação à tecnologia fabricada 
localmente e ao domínio tecnológico das firmas (Qiu e Tao, 2001); (ii) a criação de “campeões 
nacionais, que se refere às empresas que fabricam localmente e eventualmente produzem para 
exportação (Han e outros, 2009) e iii) criação de empregos locais (Veloso, 2006; Lewis e Wiser, 2007). 
Quando bem desenhadas, as políticas de RCL podem ter um papel importante de reduzir a 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 187
heternogeneidade estrutural, ao desenvolver capacidades produtivas, tecnológicas e inovativas 
endógenas, além de contribuir com a promoção de investimentos sustentáveis.
Este artigo discute o desenvolvimento da indústria de energia eólica no Brasil, com foco especial 
em RCL e desenvolvimento tecnológico. Uma análise de conteúdo qualitativa sobre os dados da 
indústria eólica foi realizada por meio de 40 entrevistas realizadas com stakeholders do setor de energia 
eólica (ver Anexo): representantes governamentais, fabricantes internacionais de equipamentos 
(OEMs), desenvolvedores e empresas manufatureiras locais. As entrevistas ocorreram durante eventos 
setoriais, como as conferências Wind Power Brasil, AfriWEA e Windaba na África do Sul, bem como 
visitas individuais que foram complementadas com dados secundários de artigos de mídia e outros 
documentos. A evolução do setor de energia eólica no Brasil é discutida, com foco nos benefícios 
ambientais, sociais e econômicos proporcionados, à ótica da abordagem do Big Push para o 
Desenvolvimento Sustentável desenvolvido pela CEPAL (CEPAL/FES, 2019). Alguns dos impactos 
analisados são: maior inserção de fontes renováveis na geração elétrica, redução da tarifa de energia, 
atração de investimentos estrangeiros, geração de empregos, desenvolvimento regional, entre outros. 
Também são apresentadas perspectivas futuras de expansão do mercado, sobretudo na América Latina 
e o papel da fonte eólica para o cumprimento das metas anunciadas na Contribuição Nacionalmente 
Determinada (NDC, da sigla em inglês) do Brasil no âmbito do Acordo de Paris.
B. Fatores, atores e impactos das políticas de incentivo e conteúdo 
local no mercado de energia eólica no Brasil
A crise de escassez de energia elétrica ocorrida no Brasil em 2001 levou o governo federal a buscar uma 
maior diversificação de fontes primárias de energia e apoiar sistematicamente o desenvolvimento da 
energia eólica. Ainda assim, a evolução dos sistemas de incentivo de energia eólica no Brasil 
experimentou um início lento, dada a alta dependência do fornecimento de eletricidade em energia 
hidráulica. Os sistemas de incentivo a fontes renováveis tiveram início com a adoção de tarifas feed-in 
(Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica - PROINFA), criando as condições 
para o estabelecimento de um mercado para a energia eólica em um ritmo lento e um preço alto, com 
altos níveis de conteúdo local e lenta burocracia. O programa de incentivo evoluiu posteriormente para 
o programa de leilões competitivos, incluindo um leilão específico para energia eólica em 20092 *. Este 
movimento coincidiu com a crise econômica mundial e abriu o mercado para uma dúzia de Fabricantes 
de Equipamentos Originais (OEMs). Os requisitos de conteúdo local foram um ingrediente substancial 
do programa brasileiro de energia renovável desde seus 
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
As principais diferenças entre as tarifas feed-in e os sistemas de leilões são a flexibilidade no preço versus o tamanho do mercado. 
As tarifas feed-in estabelecem um valor fixo a ser pago pela energia e deixam a quantidade alocada flexível, enquanto os leilões 
competitivos operam sob um determinado tamanho de mercado, e os licitantes competem em preço.
A lei do Proinfa foi revisada e ajustada pela Lei n. 10.762, de 11.11.2003 e regulamentada por decretos brasileiros n. 4.541, de 2002 
e n. 5.025, de 2004.
O BNDES liberou R$ 5,5 bilhões para o PROINFA para transferências diretas e indiretas.
1. Requisitos de Conteúdo Local obrigatórios na tarifa feed-in
Após algumas tentativas malogradas de promover a energia eólica no Brasil (por exemplo, Programa 
Proeólica, de 2001 a 2003), o Programa de Incentivo a Energias Alternativas (PROINFA, lei n ° 10.438, 
de 26 de abril de 20 0 23) entrou em vigor para apoiar a implantação de energia renovável em Brasil na 
forma de uma tarifa feed-in, que definiu um percentual de 60% dos componentes locais necessários nas 
novas instalações eólicas4, visando o desenvolvimento da indústria local. O índice de localização foi 
calculado sobre o valor total do parque, considerando serviços e equipamentos. O principal objetivo 
primórdios, sob administração do Banco
2
3
4
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 188
dessa taxa de localização era fortalecer a indústria brasileira de geração de energia elétrica, 
desenvolvendo o campo da cadeia de suprimentos (MME, 2012).
O PROINFA visava promover 3.300 megawatts (MW) de capacidade de geração, compostos por 
36% de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), 43% de energia eólica e 21% de biomassa térmica. 
A concessionária central da Eletrobrás se comprometeu a comprar eletricidade de produtores de 
energia eólica durante 20 anos a uma tarifa ofertada de R$ 300 (R$ 128) por megawatt-hora (MWh), 
condicionada aos RCL.
Entretanto, na época, apenas um fabricante de energia eólica possuía capacidade tecnológica 
para produzir equipamentos locais no Brasil, operando desde 1996. A Wobben, subsidiária brasileira da 
alemã Enercon, já havia instalado os primeiros parques eólicos no Brasil, independentemente de 
qualquer política de incentivo5. A empresa conseguiu instalar a maior parte dos parques eólicos através 
do PROINFA, enquanto outras empresas enfrentavam dificuldades para cumprir os requisitos de 
conteúdo6. A demanda recém-criada por turbinas eólicas produzidas localmente foi maior do que aquilo 
que um único fabricante que poderia fornecer7, ocasionando atrasos significativos na instalação e altos 
preços de mercado. Em 2006, mesmo com apenas 6 das 75 turbinas eólicas inicialmente planejadas em 
operação, a capacidade instalada aumentou significativamente.
Entrevistas No. 1, 2, 37.
Entrevistas No. 12,13, 21.
Entrevistas No.1, 13.
Entrevistas No. 31, 35, 36.
Entrevistas No. 13, 2.
Taxa de juros de longo prazo (varia de 5 a 7,5%) + remuneração do banco (varia de 0,9 a 3,5%. Atualmente é 1,2%) + taxa de risco 
(até 2,87%), por ano.
Outros fatores contribuíram para o atraso na implementação dos requisitos de conteúdo local, 
tais como entraves burocráticos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (IBAMA), lentidão nas avaliações ambientais (processo de licenciamento) e na expansão da 
rede de distribuição (à época, não havia licitações combinadas para projetos de linhas de transmissão 
com usinas eólicas8). Entre 2006 e 2009, foi estabelecida uma supressão temporária das tarifas de 
importação para os componentes das turbinas eólicas, visando mitigar tais atrasos e reduzir os custos 
associados. Apesar dos atrasos, o PROINFA contribuiu para a instalação de 1,4 gigawatt (GW) de 
capacidade eólica no Brasil entre 2008 e 2013 (Eletrobrás, 2006).
2. RCLs opcionais ligados ao financiamento de energia renovável
Os atrasos acima descritos durante a implementação do PROINFA dissuadiram alguns investidores 
internacionais e privilegiaram aqueles que já haviam acumulado capacidade tecnológica no Brasil9. Isso 
levou o governo a buscar a modernização do marco regulatório, evoluindo então para o sistema de 
leilões. O Ministério de Minas e Energia introduziu seu programa de licitação competitiva na forma do 
chamado “Leilão de Energia de Reserva - LER (Decreto 6.353/2008) e outros tipos de leilões.
Os requisitos de conteúdo local foram formalmente abolidos, permanecendo obrigatórios 
exclusivamente para desenvolvedores que recorriam ao apoio financeiro do BNDES, a agência de 
implementação designada. O banco é responsável pela seleção de licitantes, pelo apoio financeiro e pela 
fiscalização do cumprimento dos requisitos. Ele pode financiar até 80% dos projetos de energia renovável, 
com uma taxa de juros anual de aproximadamente 10% (ou 0,97% ao mês)10, através do Financiamento de 
Máquinas e Equipamentos - FINAME. A partir de 2016, a linha de energia alternativa financia projetos com 
valor superior a 20 milhões de reais (6,3 milhões de dólares), com uma taxa de retorno de 16 anos.
5
6
7
8
9
10
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 189
Os mecanismos de apoio financeiro do BNDES criam um incentivo claro para o uso da energia 
eólica, apesar da obrigação de atender aos requisitos de conteúdo local. Na prática, os requisitos de 
conteúdo local permaneceram, visto que todos os projetos de parques eólicos foram desenvolvidos com 
o apoio do banco11.
Correspondências No 31, 33, 34.
Anteriormente ao estabelecimento destas regras, as empresas precisavam provar a origem, valor e peso de cada componente 
(máquinas e equipamentos). As principais peças produzidas sob esses requisitos são a nacele, as torres, as pás e os cubos. Portanto, 
uma torre (geralmente feita de concreto ou aço), que é 100% produzida localmente, poderia atender a 40% da localização de toda 
a turbina (Entrevistas No. 3 e 6).
Correspondências No. 33, 34.
Em 2013, o BNDES retirou temporariamente o credenciamento de cinco OEMs internacionais que falharam em demonstrar conformidade 
com os requisitos de conteúdo local. Este foi um sinal para a indústria de que o governo estava levando a questão a sério.
Na regra inicial para o financiamento do projeto, os fabricantes deviam atender no mínimo três 
dos quatro critérios (BNDES, 2016): (i) fabricação de torres no Brasil, com pelo menos 70% de chapas de 
aço produzidas no país ou concreto armado de origem nacional; (ii) fabricação de pás no Brasil em 
unidade própria ou de terceiros; (iii) montagem da nacele (parte principal da turbina eólica que abriga a 
caixa de multipicacão, rotor etc.) no Brasil, em unidade própria; e (iv) montagem do cubo (peça do rotor 
onde as pás são fixadas) no Brasil, com material fundido de origem nacional* 12.
A partir de 2012, o BNDES alterou a metodologia para avaliar os conteúdos locais para as turbinas 
eólicas visando melhorar o processo de acreditação. O BNDES também começou a oferecer um sistema de 
Credenciamento de Fornecedores Informatizados (CFI), onde os produtores podem consultar os produtos 
nacionais que estão listados no sistema e obter a certificação do índice de nacionalização, o que permite que 
as empresas vendam seus produtos como conteúdo doméstico. O BNDES se concentra no processo de 
produção da empresa e não se responsabiliza pela qualidade; apenas certifica a origem local13, 14.
C. Capacidade tecnológica nacional e criação de emprego 
nas indústrias de energia eólica no Brasil
A capacidade tecnológica, o tamanho da demanda, o diferencial salarial e os preços de tecnologia são 
considerados os principais fatores determinantes para a expansão do mercado de energia eólica no Brasil.
Os entrevistados desta pesquisa mostraram que os preços da eletricidade e o estado da indústria 
global também desempenharam um papel importante. Esta seção apresenta a análise do desenvolvimento 
tecnológico e industrial como uma contribuição dos requisitos de conteúdo local. Também estima impactos 
na criação de empregos, a despeito da falta de dados confiáveis. O sistema de leilões brasileiro não exige 
estimativas para a criação de empregos, como fazem os sistemas de outros países, como a África do Sul, 
onde os licitantes fornecem tais informações através de indicadores de desenvolvimento socioeconômico 
(Rennkamp e Westin, 2013). Portanto, apresentamos as estimativas existentes e nossos próprios dados, 
coletados por meio de entrevistas com especialistas do setor.
No Brasil, nove empresas de montagem de turbinas eólicas foram instaladas após os programas 
de incentivo, com as seguintes capacidades anuais: WEG (200 MW), Wobben/Enercon (500 MW), 
GE (1.000 MW), Alstom (400 MW), Gamesa (400 MW), Acciona (300 MW) e Vestas (400 MW) (ABDI, 
2014). Suzlon e Siemens não informaram suas capacidades anuais. A Suzlon deixou o mercado brasileiro 
em 2017 por não se enquadrar nas exigências de Conteúdo Local do BNDES (Costa, 2017). De acordo 
com Ferreira (2017), a Impsa entrou em processo de falência em 2014. Diversas alterações mais recentes 
ocorreram no mercado eólico brasileiro: Siemens e Gamesa bem como Acciona e Nordex fundiram suas 
atividades no setor, e novas empresas como Aeris e LM iniciaram atividades no setor de pás em 2013. 
Assim, há 6 fabricantes de aerogeradors credenciados no BNDES atualmente. O mapa XII.1 mostra a 
distribuição regional das montadoras de turbinas eólicas no Brasil.
11
12
13
14
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 190
Mapa XII.1 
Distribuição regional das principais montadoras de turbinas eólicas e principais fabricantes 
de turbinas eólicas no Brasil
Vestas
IMPSA
BA Gamesa
Alston
Acciona
Legenda:
SP GE
Turbina eólica sem caixa de velocidade acoplada
Turbina eólica com caixa de velocidade acoplada
Siemens
.sft:
Fabricantes de torres de concreto
Fabricantes de pás do rotor
RS
WEG
IMPSA
Wobben4:
Fonte: Adaptado pelos autores a partir de Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mapeamento da Cadeia Produtiva da Industria 
Eólica no Brasil, Brasília, Ministério da Indústria e Comércio Exterior, 2014; e Publicdomainvectors.org, “Domínio Público” [base de dados online], 
Mapa Brasil regiões (2400 px, png) http://publicdomainvectors.org/pt/dominio-publico/ [data de consulta: fevereiro de 2016], s/d.
Embora muitas empresas estejam instaladas nas regiões Sul e Sudeste (especialmente 
fornecedores de insumos para pás), onde a maior parte da infraestrutura industrial do Brasil está 
concentrada, cerca de 40%, investiu em filiais, fábricas ou mesmo sedes no Nordeste, visto que é onde 
a maioria de suas operações estão localizadas15. Atualmente a Wobben possui montadoras também no 
Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul (ABDI, 2017).
Entrevistas No. 6, 8, 12 e 21.
Os fornecedores de subcomponentes para itens como nacele, cubo e torre estão localizados nos 
estados de São Paulo (SP), Bahia (BA), Minas Gerais (MG), Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). 
Alguns fornecedores estão localizados próximos às montadoras, dependendo do tipo de cadeia de 
suprimentos (por exemplo, metal-mecânica para torres de concreto, muito desenvolvida no estado de 
São Paulo, assim como a cadeia de suprimento de resinas, fibras, fixadores e adesivos para lâminas). 
Segundo MME (2016), existem quatro fabricantes de lâminas com capacidade para produzir 
10.400 unidades/ano e 12 manufaturas com capacidade de 2.340 unidades/ano no Brasil, além de mais 
de 1000 fornecedores de outros componentes (ABDI, 2014).
O gráfico XII.1 mostra os investimentos crescentes verificados de 2005 até 2014 a respectiva 
capacidade instalada, com destaque para o financiamento realizado pelo BNDES, como principal ator 
viabilizador financeiro da implantação dos parques eólicos no país (financiando de 70,2 a 58% do valor 
total dos parques eólicos no período). De 2015 a 2017 houve lacuna de leilões, mas apesar do declínio 
nos investimentos, o setor eólico brasileiro se mantém como um dos maiores do mundo, sendo 
anunciados novos leilões para os próximos anos.
15
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 191
Gráfico XII.1 
Capacidade instalada, financiamento do BNDES e investimento total setor de energia eólica no Brasil, 2005-2014 
(Em dólares e megawatts)
9 000 000 -I 1- 2 000
8 000 000 -
7 000 000 -
6 000 000 -
w Z) 5 000 000 -
4 000 000 -
3 000 000 -
2 000 000 -
1 000 000 -
- 1 800
- 1 600
- 1 400
- 1 200
- 1 000
800
600
400
200
g 5
0 0
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
Capacidade (MW) Financiamento Investimento total
Fonte: Elaborado pelos autores com base em ABEEolica/BNEF apud Brasil Energia, “Cenários energia eólica anuário 2014/2016. Avanços na 
indústria eólica brasileira” [online], https://cenarioseolica.editorabrasilenergia.com.br/wp-content/uploads/sites/7/flips/1205/Cenarios 
Eolica2015/14/index.html [data de consulta: outubro de 2019], 2016.
Como resultado desse crescimento da capacidade instalada, os custos médios de equipamentos 
foram reduzidos de 4.800 R$/MW (1515 US$/MW) para cerca de 3.500 R$/MW (1.104 US$/MW) entre 
2009 e 2015, de acordo com informações dos leilões fornecidos pela EPE (2016). No Brasil, os RCL 
contribuíram principalmente para o desenvolvimento de produtos com baixo conteúdo tecnológico 
(produção de materiais e peças e componentes), o que é comum na maioria dos países em 
desenvolvimento, devido à dificuldade de transportar componentes pesados.
Somente em 2015, o setor eólico movimentou R$ 16,4 bilhões entre as 300 empresas que o 
compõem (Ferreira, 2017). Visto que o Nordeste brasileiro é responsável por 80% da produção de 
energia eólica no país, alguns casos de sucesso são destacados, a exemplo do município agrícola Gentio 
do Ouro (BA), que, com apenas 11,2 mil habitantes, teve seu PIB aumentado de 57,6 milhões para 
R$ 197,6 milhões de 2015 a 2016. No município de João Câmara (RN), o PIB aumentou 90% entre 2008 
e 2012 após o surgimento da atividade eólica, com 305 turbinas eólicas instaladas (IBGE, 2019). Em 
média, um parque eólico gera R$ 1.300,00 mensais pelo arrendamento da terra (pode variar de acordo 
com a produção de energia), representando uma renda importante para diversas famílias rurais (Canal 
Bioenergia, 2019).
A partir de dados da ABEEólica de produção e do valor da energia eólica gerada, estimou-se o 
valor adicionado de mais de R$ 3,5 bilhões em 2016, representando 0,056% do PIB deste ano 
(Bittencourt e outros 2017).
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 192
Figura XII.1 
Produtos da cadeia de suprimento de acordo com o grau de conteúdo tecnológico
Serviços especializados
f íT
Serviços de engenharia: 
Projeto e instalação
Manutenção, reparação e instalação de 
equipamentos eletrônicos e maquinária: 
Geradores, transformadores, motores, indutores, 
conversores e equipamento de controle
J V
Conteúdo tecnológico de turbinas eólicas
Produção de materiais: 
Estruturas de metal, polímeros, 
fibras de vidro, fibras de carbono
Partes e componentes: 
Fiação elétrica para instalação de 
redes e subestações e outros 
produtos de metal
Equipamento elétrico e eletrônico 
(componentes mecânicos): 
Turbogeradores de corrente direta 
e alternada, partes e acessórios, 
geradores, transformadores, 
motores elétricos, baterias, 
controladores de carga
jk jk
Conteúdo tecnológico baixo e médio: 
Torre, fundação e fixação de pás, cubo, rotor e nacele.
Conteúdo tecnológico alto: 
Sensor de detecção de vento, controlador de operação 
automático, eixos de alta e baixa velocidade, caixa de 
engrenagem, freios.
Fonte: Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mapeamento da Cadeia Produtiva da Industria Eólica no Brasil, Brasília, 
Ministério da Indústria e Comércio Exterior, 2014.
Desde 1991, 46 patentes de energia eólica foram registradas no Brasil, das quais 34 se referiam a 
conteúdo tecnológico baixo ou médio e 12 a conteúdo tecnológico incorporado alto (gráfico XII.2). 
A predominância de componentes de baixa e média tecnologia é explicada pela necessidade de adaptar 
as turbinas às condições locais (especialmente relacionadas ao projeto de pás), onde os ventos são 
geralmente mais constantes (em velocidade e duração) do que em outros grandes países produtores na 
Europa e na China. Dado que a maior parte dos parques eólicos no Brasil está localizada ao longo da costa, 
faz-se também necessário o desenvolvimento de novos materiais e componentes elétricos capazes de 
suportar umidade, sal e areia, que podem erodir as lâminas e danificar os componentes elétricos.
A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) estima a criação de 15 empregos por MW 
instalado, totalizando 157,5 mil empregos diretos e indiretos criados entre 2009 e 2017. Aproximadamente 
280.000 empregos são estimados até 2020, correspondendo a 18,6 GW de capacidade eólica 
(ABEEólica, 2015).
Brown (2011) investigou os impactos do desenvolvimento no estado do Ceará, que hospeda a 
maior concentração de parques eólicos, somando 5,7 GW. O autor estima a criação de 10 a 50 empregos 
temporários durante a construção por projeto no nível local, além do aumento da atividade em negócios 
locais (ex: hotéis e restaurantes). Há estimativa de 0,5 empregos gerados por MW no setor de 
manufatura, e entre 3 e 3,5 empregos no setor de construção, contabilizando mais de 50.000 empregos 
gerados (sendo 85% na construção e manutenção e 15% na manufatura com mão-de-obra qualificada).
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 193
Gráfico XII.2
Patentes registradas relacionadas à energia eólica no Brasil de acordo com o conteúdo tecnológico, 1991-2016 
(Em número de patentes)
7 T
6 -■
5 -■
4 ...
3 -■
2
1
0
1991 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
im
2013 2014 2015 2016
■ Baixo ou médio «Alto
Fonte: Elaborado pelos autores com base em European Patent Office, “PATSTAT Database [base de dados online], https://www.epo.org/ 
searching-for-patents/business/patstat.html#tab-i. [data de consulta: julho de 2018], 2018.
Gráfico XII.3 
Evolução dos preços dos leilões de energia eólica no Brasil (Proinfa), 2009-2018 
(Em US$/MWh)
400
350
300
250
200
150
100
♦
50
0
o 
tL
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CM

LO
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CO

O
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CD

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o
CM
CO
o
CM
CD

Fonte: Elaborado pelos autores com base em Empresa de Pesquisa Energética (EPE), “Leilões [online] http://www.epe.gov.br/
leiloes/Paginas/default.aspx. [data de consulta: agosto de 2019], s/d.
Nota: Os dados do gráfico acima são referentes à taxa de câmbio de dezembro de 2018.
O déficit de trabalhadores qualificados fomentou ainda o mercado para cerca de uma dúzia de 
empresas especializadas em treinamento de técnicos no local. Atualmente, as empresas oferecem 
cursos de capacitação para diversos níveis (Brasil Energia, 2014). A ausência de laboratórios 
especializados segue como um dos principais gargalos ao desenvolvimento tecnológico, o que requer 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 194
maior investimento em PD para universidades e centros de pesquisa em conjunto com empresas para 
fomentar o setor (CGEE, 2012).
Os preços da eletricidade se mostraram um fator determinante para investimentos em indústrias 
locais no Brasil. O sistema de leilão brasileiro tornou o setor mais dinâmico, levando à acentuada queda 
dos preços ofertados entre 2009, quando ocorreu o primeiro Leilão de Energia de Reserva (LER) e 2018.
D. Perspectivas futuras para o setor de energia eólica no Brasil
A recente crise político-econômica e a recessão resultante levaram a uma interrupção na aquisição de 
novos projetos de energia entre 2016 e 2017, impactando negativamente a expansão da energia eólica. 
Diante das perspectivas de menor demanda de energia, o Decreto 9.019, de março de 2017, permitiu a 
revogação dos contratos de energia previamente definidos. Por meio da previsão de um mecanismo 
competitivo operando sob uma lógica semelhante às licitações, um leilão realizado em agosto de 2017 
resultou no cancelamento de 183,2 MW médios (dos quais 16 parques e 9 usinas fotovoltaicas) e o 
reembolso de R$ 105,9 milhões da Conta de Energia de Reserva (CONER) (Costa e Samora, 2017). 
Entretanto, um novo leilão ocorreu em abril de 2018, evidenciando que as perspectivas para a energia 
eólica no Brasil seguem fortes. Novos projetos eólicos somaram 114,4 MW, com tarifa média de 
67,6 R$/MWh, contra 97 R$/MWh em 2017. Esta seção discute futuras perspectivas para a energia eólica 
no Brasil, com foco em possibilidades de financiamento e comércio, desenvolvimento tecnológico e no 
cumprimento das metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira.
1. Expansão dos mercados eólicos na América Latina
Atualmente, os fabricantes de componentes de turbinas eólicas que operam no Brasil somam 4 GW de 
capacidade de produção anual (ABDI, 2014). O fornecimento doméstico de eletricidade depende 
principalmente de leilões públicos e a produção nacional excede a demanda, de modo que as 
possibilidades de exportação são fundamentais à sustentabilidade dos negócios.
Atualmente, o Brasil exporta mais de 15 tipos de componentes, que em 2014 somaram um bilhão de 
reais. Em 2015, US$ 428 milhões em equipamentos eólicos foram exportados para o Canadá, EUA e Europa 
apenas pela Tecsis. A empresa investiu mais de 200 milhões de reais para expandir sua produção anual de 
2.700 para 7.500 lâminas, enquanto a Aeris planeja aumentar sua produção de 1.550 para 1.800 lâminas por ano.
Além dos mercados tradicionais, o aumento da oferta de energia renovável no Cone Sul cria 
novas possibilidades para a indústria brasileira. A Argentina, o Chile e o Uruguai têm indústrias de 
componentes eólicos pouco desenvolvidas, abrindo novas possibilidades de mercado para a 
consolidada indústria brasileira. A seguir, três principais fatores colocam o Brasil como um proeminente 
exportador para os parceiros do Cone Sul:
o baixo grau (ou mesmo a inexistência) de desenvolvimento de fabricantes eólicos locais 
nesses países;
a capacidade de produção da indústria eólica brasileira, que supera o mercado interno;
as condições de financiamento a custos competitivos nos mercados internacionais, sendo o 
BNDES um dos poucos financiadores de longo prazo da América Latina.
em condições favoráveis, o BNDES custeia vários
projetos de infraestrutura na América Latina. Ademais, ele oferece linhas de financiamento à 
exportação específicas para empresas brasileiras, como “Exim Pré-Embarque (para financiar produção 
destinada a mercados externos) e Pós-Embarque (para financiar a comercialização de produtos no 
exterior). No entanto, como aponta Gaylord (2017), mudanças recentes nos esquemas de financiamento 
do BNDES, agora mais próximos das condições de mercado, podem afetar as decisões dos investidores. 
i)
ii)
iii)
Além de financiar a produção doméstica
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 195
É provável que taxas de juros mais altas aumentem os custos de fabricação, especialmente se os RCL 
permanecerem inalterados. Gaylord (2017) defende que essas condições devem contar com mais 
flexibilidade (por exemplo, em peças custosas e obrigatórias), assegurando a competitividade das 
exportações e preços domésticos razoáveis nos leilões de energia.
2. A energia eólica e a estratégia de desenvolvimento a longo prazo brasileira
Perspectivas positivas para a energia eólica provavelmente atuarão como um importante fator para o 
cumprimento das metas estabelecidas na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) no âmbito 
do Acordo de Paris, tanto no Brasil quanto em seus parceiros comerciais. A NDC brasileira (Brasil, 2015) 
estabelece um aumento no uso sustentável de fontes renováveis, excluindo a energia hidrelétrica, para 
pelo menos 23% da geração de eletricidade até 2030.
Estimativas do Plano Decenal de Expansão de Energia 2026 (PDE 2026) da EPE (2017) mostram 
que o desenvolvimento eólico provavelmente superará as metas de NDC, mesmo em um cenário de 
menor atividade econômica. A tabela XII.1 compara as projeções do PDE 2026 com a meta 
intermediária brasileira da NDC para 2025.
Tabela XII.1
Projeção de geração de energia eólica em 2025
Tipo
Capacidade instalada
Geração de eletricidade
NDC Brasileira
24 GW
11% do mix de eletricidade
92 TWh
11% do mix de eletricidade
PDE 2026
27 GW
14% do mix de eletricidade
104 TWh
12% do mix de eletricidade
Fonte: Elaborado pelos autores com base em Brasil, Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada para Consecução do Objetivo da 
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Brasília, República Federativa do Brasil, 2015; e Mauricio T. Tolmasquim 
(coord.), Energia Renovável: Hidráulica, biomassa, eólica, solar e oceânica, Rio de Janeiro, Empresa de Pesquisa Energética, 2016.
Além da política climática, a expansão da energia eólica apresenta inúmeros pontos de contato 
com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU, 2015), mais especificamente com os 
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os aspectos descritos neste estudo se comunicam 
com vários dos 17 ODS, notadamente:
a erradicação da pobreza (ODS 1) e redução das desigualdades (ODS 10), por contribuir para a 
redução das disparidades regionais e a geração de renda em regiões historicamente carentes;
saúde e bem-estar (ODS 3) e energia limpa e acessível (ODS 7), por ser uma fonte de geração 
elétrica renovável e que não emite gases de efeito estufa (GEE) nem poluentes atmosféricos locais;
indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9), por promover a industrialização inclusiva e 
sustentável e fomentar a inovação;
ação contra a mudança global do clima (ODS 17), por contribuir para o cumprimento dos 
compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris, como descrito acima.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 196
3. Análise à luz da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade
Nessa seção, faz-se uma análise da política de RCL sob a ótica da abordagem desenvolvida pela CEPAL 
do Big Push para a Sustentabilidade (CEPAL/FES, 2019). Segundo essa abordagem, a articulação e a 
coordenação de políticas é chave para a promoção de investimentos sustentáveis, os quais podem 
contribuir para um novo ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de empregos, 
desenvolvimento de cadeias produtivas, diminuição da pegada ambiental e dos impactos ambientais, 
ao mesmo tempo em que recupera a capacidade produtiva do capital natural (ibid.).
Um dos principais conceitos no marco do Big Push para a Sustentabilidade é a chamada tripla 
eficiência. A primeira é a eficiência schumpeteriana, segunda a qual uma matriz produtiva mais 
integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera externalidades positivas de aprendizagem e 
inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Observa-se claramente a relação do caso estudado 
com essa eficiência, na medida em que as políticas de RCL contribuem diretamente para a construção 
de capacidades inovativas e tecnológicas, contribuindo para a difusão de conhecimentos e capacidades 
produtivas ao conjunto da economia, em linha com a eficiência schumpeteriana (CEPAL/FES, 2019).
Com a expansão da energia eólica e sua cadeia produtiva no Brasil, houve necessariamente 
grande investimento em capacitação da mão de obra, expansão da indústria nacional, assim como dos 
serviços no setor eólico, com a criação de clusters setoriais regionais. Atualmente, são 77 itens 
produzidos na cadeia de energia eólica, abrangendo 131 fabricantes no Brasil.
A segunda é a eficiência keynesiana, que destaca que há ganhos crescentes de escala e de escopo 
da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando efeitos 
multiplicadores e impactos significativos na economia e nos empregos (CEPAL/FES, 2019).
Estima-se que mais de 4.000 famílias recebam mais de R$ 1o milhões em arrendamentos de terra, 
sem contar os investimentos de 0,5 a 1,0% do valor do projeto na região de implantação de um novo 
empreendimento de acordo com a ABEEólica (2018). Essa eficiência também é abordada no presente 
estudo, uma vez que os leilões representaram uma típica política de fomento à demanda, de forma a 
desenvolver um mercado para o setor, gerar escala mínima para a indústria nascente e desenvolver o 
setor de energia eólica. A coordenação entre políticas de oferta (de RCL) e de demanda (de leilões) 
ilustra como as políticas públicas podem se articular para promover o desenvolvimento integral de um 
setor, ou seja, das capacidades produtivas e tecnológicas industriais à sua aplicação em maior escala, 
em praticamente uma década. A empresa WEG, de origem nacional, por exemplo já amplia suas 
atividades para fora do país (unidade indiana fornecerá equipamentos com capacidade de 
250 MW/ano), de acordo com a ABDI (2018), atendendo à demanda por expansão das atividades 
brasileiras no setor.
Por fim, a eficiência da sustentabilidade diz respeito aos clássicos três pilares do desenvolvimento 
sustentável, quais sejam: viabilidade econômica (a economia em escala proporcionada pelas políticas 
de conteúdo local permite o barateamento do preço da energia eólica), justiça social (geração de 
empregos e receitas) e sustentabilidade ambiental (em 2017, houve redução de emissões de Gases de 
Efeito Estufa na geração de energia limpa, com cerca de 21 milhões de CO2 evitados (ABEEólica, 2018)). 
Essas três dimensões também são claramente relacionadas com o caso estudado.
Concomitante a isso, vale ressaltar também que em 2018 o Brasil foi o segundo maior emisor de 
Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-RECs) no mundo, detendo o maior número de usinas 
eólicas certificadas (102 usinas), (Brasil Energia, 2019). Esses certificados demonstram o alto valor 
agregado de sustentabilidade, visto que possibilitam a comprovação do consumo de energia elétrica 
advindas de fontes limpas e renováveis por parte de empresas que estão cada vez mais preocupadas 
com as questões ambientais.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 197
E. Conclusão
A despeito das controvérsias em torno dos Requisitos de Conteúdo Local (ver OCDE, 2015), estes têm 
atuado como um importante instrumento, sobretudo em países em desenvolvimento. A opção por RCL 
permite que, ao menos no curto prazo, governos combinem diversos objetivos que englobam política 
industrial, geração de empregos, desenvolvimento tecnológico, entre outros.
Durante as últimas décadas, o setor de energia eólica no Brasil se desenvolveu vigorosamente a 
partir de diversos esforços governamentais. A garantia de demanda ocasionada pela adoção de uma 
tarifa feed-in, apesar do alto preço da tarifa, foi importante para consolidar o mercado nacional e 
permitir que a indústria se desenvolvesse, levando à imediata redução de custos da geração por energia 
eólica nos anos subsequentes.
Destaca-se a relevância da coordenação de investimentos e políticas, que é um dos elementos 
centrais do Big Push para a Sustentabilidade, uma vez que foi instituído um forte mandato centralizado 
ao BNDES, responsável pelo financiamento condicionado aos RCL, pela certificação e aprovação dos 
projetos, a dinamização do mercado proporcionada pela transição para o sistema de leilões ficou a cargo 
da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia (MME). Leilões específicos 
de energia renovável e até exclusivamente de energia eólica ocorreram entre 2009 e 2011.
Para além da evidente contribuição para a redução das emissões de GEE e menor intensidade de 
carbono da economia, o crescimento da fonte eólica no Brasil trouxe diversos outros benefícios 
econômicos e sociais. A atração de empresas estrangeiras fomentou a atividade de Pesquisa e 
Desenvolvimento, especialmente em função da necessidade de adaptar a tecnologia existente às 
condições específicas do Brasil. Visto que muitas destas empresas se instalaram na região Nordeste, 
onde se encontra o maior potencial eólico do país, é inegável a contribuição do setor eólico para o 
desenvolvimento regional. O Nordeste abriga muitos dos municípios mais carentes e de menor Índice 
de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. A geração de emprego e receitas por meio do 
arrendamento de terras sem dúvida contribuiu para a redução das disparidades regionais no
A inclusão social é um dos maiores potenciais no que se refere ao potencial dinamismo da economia, 
por isso a adoção da energia eólica em regiões carentes gera mudanças não apenas sustentáveis, como 
também no sentido de um desenvolvimento socioeconômico da região.
Em 2018, o Brasil foi classificado como o sexto país no ranking mundial de capacidade eólica onshore 
instalada elaborado pelo Global Wind Energy Council (GWEC) e quinto em volume de novos investimentos 
(GWEC, 2018). Muito embora a fabricação de componentes foque naqueles de baixa e média tecnologia, o 
mercado brasileiro já é considerado maduro e um importante player, com perspectivas de exportações para 
novos mercados e grande potencial para incentivar a integração regional na América Latina.
O caso estudado é simbólico do Big Push para a Sustentabilidade, pois ilustra um exemplo 
concreto de como a articulação de políticas pode acelerar os investimentos sustentáveis (nesse caso, 
em energia eólica), gerando resultados socioeconômicos e ambientais positivos simultaneamente.
Como lições aprendidas, destaca-se que, apesar das dificuldades da implantação dos requisitos 
de conteúdo local, os ajustes realizados (como a evolução gradual da nacionalização dos equipamentos) 
a partir da consulta às empresas envolvidas se fez relevante. Esses ajustes são fundamentais, pois 
demonstram a capacidade de aprendizado e de flexibilidade dos próprios atores que estão conduzindo 
a política pública, frente, entre outros, às mudanças de conjuntura que determinaram esse período.
Junto aos incentivos fiscais, os RCL propiciaram o desenvolvimento da tecnologia nacional, 
promovendo um adensamento da cadeia de fornecedores do setor eólico especialmente no Nordeste e 
Sul do país. Foram atraídas cerca de 300 empresas, o custo médio dos equipamentos foi reduzido em 
27% e foram criados cerca de 158 mil empregos de 2009 a 2017. Além do fomento a uma cadeia de 
país.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 198
produção de maior conteúdo tecnológico e mão-de-obra especializada, o desafio atual é manter a 
expansão do setor em um momento de economia desaquecida, situação que levou à fusão de algumas 
empresas do setor na tentativa de superar a crise brasileira. Nesse sentido, os leilões de energia se 
fazem um importante instrumento para o planejamento e sustentação do setor eólico.
Este estudo analisou como a coordenação de políticas de diferentes naturezas foi capaz de fomentar 
com sucesso a expansão da energia eólica no Brasil. Na esfera governamental, a conciliação de aspectos de 
diferentes naturezas, como fiscal regulatória, de financiamento e industrial, foi capaz de atrair investimentos 
em capacidade instalada para geração de energia. Ademais, contribuiu para promover a inovação e gerar 
economias de escala e escopo no setor manufatureiro que permitiram uma substancial redução no preço da 
tarifa de energia eólica. Isto contribuiu, por sua vez, para que os princípios norteadores do setor elétrico 
fossem respeitados e reforçados, quais sejam modicidade tarifária, acesso universal e garantia do 
suprimento. A cadeia de valor do setor eólico tem relativo alto grau de conhecimento específico, além de 
estar instalada majoritariamente em regiões mais desfavorecidas, nas quais a geração de renda e emprego 
tem efeito multiplicador notável. Os investimentos no setor também permitiram que o Brasil desenvolvesse 
uma série de vantagens competitivas que se traduzem em oportunidades de exportação, sobretudo para os 
parceiros comerciais na América Latina, gerando um ciclo virtuoso de inovação e crescimento no Brasil e na 
região, promovendo o desenvolvimento sustentável de longo prazo, como orientam os princípios do Big 
Push para a Sustentabilidade.
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Anexo XII.1
Tabela XII.2
Lista de entrevistados/representantes das empresas do setor de energia eólica
Correspondência No. Entrevistado/Correspondente Organização
1 Ex-funcionário
2 Diretor
Wobben, Enercon
Wobben Brasil
3
4
5
6
Representante
Representante
Representante
Diretor
Alstom Brasil
Siemens Brasil
Siemens South Africa
Acciona Brasil
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Representante
Diretor - Indústrias de Energias Renováveis
Diretor - Localização de Tecnologia
Diretor Geral Adjunto
Pesquisador
Representante
Diretor
Acciona
IMPSA Brasil
WEG
GE
ABB
Vestas
Gamesa
Sinovel
Sinovel
Sinovel
Goldwind
Iberdrola
Conco
LM Windpower
Suzlon Brasil
Suzlon South Africa
Darling Windfarm
Nordex
Department of Trade and Industry, SA
Department of Science and Technology, SA
Department of Energy, SA
Council for Scientific and Industrial Research
DTI TIPS
31 Diretor
South African Wind Energy Association
ABEEólica
32 Diretor
33
34
35
36
37
38
Representante
Representante
Representante
Pesquisador
Pesquisador
Representante
Global Wind Energy Council
BNDES
BNDES
Energy Research Enterprise
COPPE/UFRJ
UFRJ
Green Cape
39
40
Representante
Representante
German International Cooperation Brazil
German International Cooperation SA
Fonte: Elaborado pelos autores com base em entrevistas realizadas pessoalmente ou por telefone.

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