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<dcvalue element="contributor" qualifier="author" language="es_ES">Corden, W. Max</dcvalue>
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<dcvalue element="title" qualifier="null" language="es_ES">Una zona de libre comercio en el Hemisferio Occidental: posibles implicancias para América Latina</dcvalue>
<dcvalue element="description" qualifier="null" language="es_ES">Incluye Bibliografía</dcvalue>
<dcvalue element="relation" qualifier="ispartof" language="es_ES">En: La liberalización del comercio en el Hemisferio Occidental - Washington, DC : BID/CEPAL, 1995 - p. 13-40</dcvalue>
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<dcvalue element="identifier" qualifier="uri" language="">http://hdl.handle.net/11362/1510</dcvalue>
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Nações Unidas 
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Documentos de Projetos
Investimentos transformadores 
para um estilo de 
desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push) para a sustentabilidade 
no Brasil
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Investimentos transformadores para um estilo 
de desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso (Big Push)
para a sustentabilidade no Brasil
Camila Gramkow 
Organizadora
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Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada
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C?
cooperação
Rede Brasil
FRIEDRICH
EBERT
STIFTUNGalemãDEUTSCHE ZUSAMMENARBEIT
Este documento foi organizado por Camila Gramkow, Oficial de Assuntos Econômicos do Escritório no Brasil da 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), no âmbito das atividades do projeto CEPAL/Deutsche 
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ): “Sustainable development paths for middle-income countries 
under the 2030 Agenda for Sustainable Development in Latin America and the Caribbean”. Este documento também 
contou com o apoio da Friedrich-Ebert-Stiftung (FES), da Rede Brasil do Pacto Global e do Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (IPEA) para realização e divulgação da Chamada Aberta de Estudos de Casos de Investimentos 
para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil a partir da qual os capítulos foram produzidos e selecionados. 
Reconhecemos e agradecemos a colaboração dos membros do Comitê de Avaliação da referida chamada: 
Gustavo Fontenele e Silva (Ministério da Economia do Brasil), Julio César Roma (IPEA), Mauro Oddo Nogueira (IPEA), 
Luiz Fernando Krieger Merico (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Assentamentos Humanos) e 
Maria Luisa Marinho (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Social). Colaboraram com este documento, além dos autores 
e autoras que assinam seus capítulos, os assistentes de pesquisa e os estagiários da CEPAL em Brasília: Camila Leotti, 
Gabriel Belmino Freitas, Pedro Brandão da Silva Simões e Sofia Furtado. Contamos, também, com a contribuição do 
diretor da CEPAL em Brasília, Carlos Henrique Fialho Mussi, e de Maria Pulcheria Graziani do mesmo escritório.
As opiniões expressas neste documento, que não foi submetido à revisão editorial, são de exclusiva responsabilidade 
dos autores e autoras e podem não coincidir com as visões da CEPAL e das instituições a que os autores e autoras são 
filiados, nem com as das instituições que apoiaram este documento.
Publicação das Nações Unidas
LC/TS.2020/37
LC/BRS/TS.2020/1
Distribuição: L
Copyright © Nações Unidas, 2020 
Todos os direitos reservados
Impresso nas Nações Unidas, Santiago 
S.20-00209
Esta publicação deve ser citada como: Camila Gramkow (org.), “Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento 
sustentável: estudos de casos de grande impulso (Big Push) para a sustentabilidade no Brasil, Documentos de Projetos 
(LC/TS.2020/37; LC/BRS/TS.2020/1), Santiago, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), 2020.
A autorização para reproduzir total ou parcialmente esta obra deve ser solicitada à Comissão Econômica para a América Latina e 
o Caribe (CEPAL), Divisão de Publicações e Serviços Web, publicaciones.cepal@un.org. Os Estados-membros das Nações Unidas 
e suas instituições governamentais podem reproduzir essa obra sem autorização prévia. Solicita-se apenas que mencionem a fonte 
e informem à CEPAL de tal reprodução.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 3
Índice
Prefácio.......
Carlo Pereira
11
Apresentação
Alicia Bárcena
13
Introdução .........................................................................................................................
Carlos Mussi, Camila Gramkow
Companhia Siderúrgica do Pecém: o Big Push industrial do Estado do Ceará........
Alex Maia do Nascimento, Claudio Renato Chaves Bastos, Cristiane Peres, 
Emanuela Sousa de França, Italo Barreira Ribeiro, Leonardo Roger Silva Veloso, 
Livia Bizarria Prata, Marcelo Monteiro Baltazar, Ramyro Batista Araujo,
Ricardo Santana Parente Soares, Rodrigo Santos Almeida, Vanilson da Silva Benica 
Resumo ..................................................................................................................
Introdução......................................................................................................
O projeto sustentável da Companhia Siderúrgica do Pecém..........................
CSP - A sinergia cultural Brasil-Coréia do Sul.................................................
O Big Push industrial CSP - antes da operação..............................................
Conquistas durante a fase de operação da CSP.............................................
Considerações finais sobre o Big Push CSP....................................................
Bibliografia.............................................................................................................
Aumentando a resiliência climática e combate à pobreza rural por meio de ações 
emergenciais de combate à seca: o caso dos sistemas agroflorestais 
no Procase - FIDA..................................................................................................
Leonardo Bichara Rocha, Thiago César Farias da Silva, Donivaldo Martins 
Resumo..................................................................................................................
A. Introdução......................................................................................................
O FIDA e ações de combate aos efeitos da seca na Paraíba............................
Sistemas agroflorestais no contexto dos Planos Emergenciais......................
15
I. 23
II.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
23
24
26
27
28
32
43
45
47
B.
C.
47
48
48
50
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 4
III.
D.
E.
F.
IV.
54
54
55
57
59
A.
B.
C.
D.
E.
F.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
V.
A.
B.
C.
D.
E.
59
59
60
65
68
69
71
73
75
Assessoria técnica contínua e especializada.................................................................
Resultados e ODS.........................................................................................................
Conclusões e relação com o Big Push para a Sustentabilidade......................................
Bibliografia............................................................................................................................
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil: a contribuição dos Tûkûna 
do Médio Rio Juruá (AM).......................................................................................................
Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle, 
Tatiana Ribeiro Souza Brito 
Resumo.................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
Inventário etnográfico...................................................................................................
A construção de casas de farinha..................................................................................
Chamada pública para alimentação escolar..................................................................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade..............................
Conclusão......................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Polímeros Verdes: tecnologia para promoção do desenvolvimento sustentável...................
Adriana Mello, Jorge Soto, José Augusto Viveiro 
Resumo................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
O PE verde da Braskem.................................................................................................
Capacidade de mobilização de investimentos..............................................................
PE verde e o desenvolvimento sustentável...................................................................
PE verde e o Big Push para a Sustentabilidade..............................................................
Conclusões ....................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Assentamentos Sustentáveis na Amazônia: o desafio da produção familiar 
em uma economia de baixo carbono....................................................................................
Erika de Paula P. Pinto, Maria Lucimar de L. Souza, Alcilene M. Cardoso, 
Edivan S. de Carvalho, Denise R. do Nascimento, Paulo R. de Sousa Moutinho, 
Camila B. Marques, Valderli J. Piontekowski
Resumo .................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
As origens do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia................................
Estratégias integradas para a promoção de assentamentos sustentáveis na Amazônia
Incentivos econômicos para conservação e produção rural sustentável........................
Sistemas agroflorestais como estratégia de regularização ambiental 
e segurança alimentar...................................................................................................
Discussão sobre a iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade..........................
Bibliografia............................................................................................................................
Tecnologia de tratamento de esgoto: uma alternativa de saneamento básico 
rural e produção de água para reúso agrícola no Semiárido Brasileiro..................................
Mateus Cunha Mayer, Rodrigo de Andrade Barbosa, George Rodrigues Lambais, 
Salomão de Sousa Medeiros, Adrianus Cornelius Van Haandel, Silvânia Lucas dos Santos 
Resumo .................................................................................................................................
A. Introdução.....................................................................................................................
O desenvolvimento de tecnologias de saneamento básico rural de custo 
acessível no Semiário Brasileiro....................................................................................
VI.
F.
75
76
77
80
81
84
87
88
89
89
90
91
92
95
B.
.. 97
..98
101
103
103
104
105
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 5
VII.
VIII.
IX.
C.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
A cultura da erva-mate no sul do Brasil e os desafios do cultivo em Machadinho ,
Benefícios ambientais...................................
SAF Cambona 4 e a neutralização de carbono
Relação do estudo de caso com o Big Push e a Agenda 2030....................
Conclusão.................................................................................................
Bibliografia........................................................................................................
Sistema Agroflorestal Cambona 4: um exemplo de impulso à sustentabilidade 
na Região Sul do Brasil......................................................................................
Airton José Morganti Júnior, José Lourival Magri, Selia Regina Felizari
Resumo ............................................................................................................
Introdução................................................................................................
1.
Sistema Agroflorestal Cambona 4..............................
SAF Cambona 4 e o desenvolvimento socioambiental
1.
2.
SAF Cambona 4 e o Big Push para a Sustentabilidade....................
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
Unidade de Cogeração Lages: um exemplo do potencial transformador 
da economia circular ..............................................................................
José Lourival Magri, Mario Wilson Cusatis
Resumo ..................................................................................................
Introdução......................................................................................
Descrição do projeto......................................................................
Destinação das cinzas de biomassa...............................................
Projeto comunitário.......................................................................
Tecnologia para melhor aproveitamento........................................
Impactos da iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade....
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
O modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes..........
Rogério Atem de Carvalho
Resumo..................................................................................................
Introdução......................................................................................
O modelo de ação do PICG............................................................
1.
2.
3.
4.
5.
6.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
G.
A.
B.
Linha 1: projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) 
Linha 2: projetos com comunidades e governos...........................
Linha 3: projetos de pesquisa aplicada e extensão tecnológica....
Linha 4: concepção e operação do campus...................................
Ações integrativas........................................................................
O PICG como parte de um ecossistema........................................
O ciclo virtuoso dos investimentos em inovação..................................
Impactos econômicos, sociais e ambientais..........................................
1.
2.
3.
C.
D.
E.
Dimensão econômica ................................................................................
Dimensão ambiental..................................................................................
Dimensão social.........................................................................................
A atuação do PICG à luz do Big Push para a Sustentabilidade e da Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável................................................................
Conclusões .........................................................................................................
Bibliografia.................................................................................................................
F.
.111
112
112
115
115 
116 
116 
.117 
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127
127
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.137 
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147 
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149 
150 
151
151
153
153
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 6
X. Tecnologias sociais como impulso para o acesso à água e o desenvolvimento 
sustentável no meio rural brasileiro: a experiência do Programa Cisternas....
Vitor Leal Santana, Lilian dos Santos Rahal 
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Programa Cisternas: contexto, resultados e impactos............................
Relação do caso estudo com o Big Push para a Sustentabilidade...........
Considerações finais...............................................................................
Bibliografia.....................................................................................................
Programa de Restauração Ambiental da Suzano: lições aprendidas para 
investimentos em recuperação de pastagens degradadas no Brasil...............
Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli, Yugo Matsuda
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Estruturação de investimentos no âmbito da estratégia de conservação 
e do Programa de Restauração Ambiental da Suzano............................
1.
2.
3.
4.
155
XI.
XII.
XIII.
A.
B.
C.
D.
155 
156 
.157
165 
166 
167
171
A.
B.
C.
171
172
Métodos customizados......................................................................................
Gestão eficiente e parcerias...............................................................................
Capacidade de replicabilidade ..........................................................................
Processos inovadores em financiamento, gestão e tecnologia.........................
Os impactos do Programa de Restauração Ambiental no contexto do Big Push 
para a Sustentabilidade e da Agenda 2030................................................................
Conclusão..................................................................................................................
Bibliografia.........................................................................................................................
Política de conteúdo local e incentivos financeiros no mercado de energia eólica no Brasil 
Britta Rennkamp, Fernanda Fortes Westin, Carolina Grottera
Resumo .............................................................................................................................
Introdução.................................................................................................................
Fatores, atores e impactos das políticas de incentivo e conteúdo local 
no mercado de energia eólica no Brasil......................................................................
1.
2.
Capacidade tecnológica nacional e criação de emprego nas indústrias 
de energia eólica no Brasil...................................................................
Perspectivas futuras para o setor de energia eólica no Brasil...............
1.
2.
3.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
Requisitos de Conteúdo Local obrigatórios na tarifa feed-in.....
RCLs opcionais ligados ao financiamento de energia renovável
Expansão dos mercados eólicos na América Latina....................................
A energia eólica e a estratégia de desenvolvimento a longo prazo brasileira 
Análise à luz da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade................
Conclusão.............................................................................................................
Bibliografia...................................................................................................................
Anexo XII.1....................................................................................................................
Da subsistência ao desenvolvimento: o processo de construção da Associação 
de Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras - MG.....................................................
Eliane Oliveira Moreira, Jucilaine Neves Sousa Wivaldo 
Resumo.............................................................................................................................
A. Introdução.................................................................................................................
O material reciclável e o contexto brasileiro da década de 1990: breve histórico......
Uma construção social dialogada: o processo histórico inicial da ACAMAR e a FPDA
B.
C.
.173 
174 
. 177 
179 
179
180
183
184
185
185
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187
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194
194
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198
200
201
201
202
203
204
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 7
D. Desenvolvimento em perspectiva: desenvolvimento sustentável, a ACAMAR 
e o Big Push para a Sustentabilidade........................................................................
Considerações finais...................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
XIV. Projeto Tipitamba: transformando paisagens e compartilhando conhecimento 
na Amazônia ............................................................................................................
Osvaldo Ryohei Kato, Anna Christina M. Roffé Borges, Célia Maria B. Calandrini de Azevedo, 
Debora Veiga Aragão, Grimoaldo Bandeira de Matos, Lucilda Maria Sousa de Matos, 
Maurício Kadooka Shimizu, Steel Silva Vasconcelos, Tatiana Deane de Abreu Sá 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
O Projeto Tipitamba...................................................................................................
O potencial transformador dos investimentos no Sistema Tipitamba...................
Os impactos econômicos, sociais e ambientais do Projeto Tipitamba...................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade.......................
Conclusão ...................................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
Desenvolvimento sustentável e geração de impacto positivo: caso Natura e Amazônia 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
Modelo de negócio sustentável.................................................................................
1.
Estruturação de investimentos no âmbito do Programa Natura Amazônia
1.
2.
3.
E.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
XV.
A.
B.
Estudo de caso Ucuuba
C.
D.
E.
Ciência, tecnologia e inovação.....................................................
Fortalecimento institucional........................................................
Cadeias produtivas.......................................................................
Relação entre o estudo de caso e o Big Push para a Sustentabilidade
Conclusão .............................................................................................
Bibliografia ....................................................................................................
Anexo XV.1....................................................................................................
Tabelas
Tabela I.1
Tabela II.1
Tabela II.2
Tabela IV.1
Tabela VI.1
Tabela VIII.1
Tabela X.1
Tabela X.2
Tabela X.3
Tabela XII.1
Tabela XII.2
Tabela XV.1
Compromissos Ambientais CSP.............................................................................
Grupos de famílias atendidos pelo Plano Emergencial e assessoria
técnica do Procase...................................................................................................
Procase e ODS nos Planos Emergenciais..............................................................
Indicadores de Desenvolvimento Sustentável elencados pela CEPAL
e a aderência do PE Verde da Braskem..................................................................
Funções das unidades de tratamento e resultados esperados..............................
Histórico das emissões de RCE relativas ao Projeto MDL 0268 ...........................
Linhas de ação do Programa Cisternas..................................................................
Comparativo entre médias de indicadores populacionais e socioeconômicos....
Impactos do Programa Cisternas nas dimensões econômica, social e ambiental 
Projeção de geração de energia eólica em 2025....................................................
Lista de entrevistados/representantes das empresas do setor
de energia eólica .....................................................................................................
Principais diretrizes e compromissos do PAM.......................................................
207
210
211
213
213
214
214
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227
227
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232
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238
239
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158 
162 
164 
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200
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CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 8
Gráficos
Gráfico I.1
Gráfico I.2
Gráfico I.3
Gráfico I.4
Gráfico I.5
Gráfico I.6
Gráfico I.7
Gráfico I.8
Gráfico I.9
Gráfico III.1
Gráfico III.2
Gráfico IV.1
Gráfico V.1
Gráfico V.2
Gráfico VI.1
Gráfico VI.2
Gráfico VI.3
Gráfico VI.4
Gráfico XII.1
Gráfico XII.2
Gráfico XII.3
Produção de placas da CSP...............................................................................
Geração de empregos diretos e indiretos.........................................................
Participação em aços de alto valor agregado no portfólio da CSP..................
Empresas em SGA e Caucaia de 2010 a 2017....................................................
Exportações de produtos metalúrgicos em SGA.............................................
Exportação do Ceará .........................................................................................
Número de microempreendores individuais (MEI) instalados em SGA 
e Caucaia em 2010 e 2018.................................................................................
Salário médio mensal em SGA e Fortaleza......................................................
Empregos em SGA por gênero de 2010 a 2017.................................................
Impacto no orçamento anual com a compra de sacas de farinha nos 
grupos familiares das aldeias Beija-flor, Flecheira e Morada Nova.................
Impacto no orçamento mensal com a venda de uma saca de farinha 
nos grupos familiares das aldeias Beija-Flor, Flecheira e Morada Nova.........
Evolução da porcentagem de Fornecedores de Etanol da Braskem que 
se adequaram aos requisitos de Conformidade (obrigatórios) e
Excelência (pontos de melhoria contínua).......................................................
Representatividade do valor comercializado em relação à renda bruta 
antes (safra 2013-2014) e no final (safra 2015-2016) do período 
de vigência do projeto.......................................................................................
Renda Bruta no Período de Execução do PAS (2012 a 2017)...........................
Concentrações afluente e efluente de DBO5...................................................
Concentrações afluente e efluente de nitrogênio amoniacal..........................
Concentrações afluente e efluente de fósforo total........................................
Concentrações afluente e efluente de E. coli....................................................
Capacidade instalada, financiamento do BNDES e investimento total 
setor de energia eólica no Brasil, 2005-2014....................................................
Patentes registradas relacionadas à energia eólica no Brasil de acordo 
com o conteúdo tecnológico, 1991-2016.........................................................
Evolução dos preços dos leilões de energia eólica no Brasil (Proinfa), 2009-2018
33
34
35
38
39
39
40
41
43
66
67
82
.. 93 
.. 97 
109 
109 
110
110
191
193
193
Quadros
Quadro IX.i
Quadro XI.1
Breve histórico do PICG..............
Técnicas aplicadas à restauração
139
173
Mapas
Mapa V.1
Mapa X.1
Mapa XII.1
Mapa XV.1
Área de implementação da iniciativa Assentamentos Sustentáveis na Amazônia
Distribuição territorial das tecnologias apoiadas no âmbito do
Programa Cisternas ............................................................................................
Distribuição regional das principais montadoras de turbinas eólicas 
e principais fabricantes de turbinas eólicas no Brasil........................................
Famílias fornecedoras da sociobiodiversidade..................................................
93
160
190
239
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 9
Figuras
Figura I.1
Figura I.2
Figura I.3
Figura I.4
Figura I.5
Figura I.6
Figura I.7
Figura I.8
Figura I.9
Figura I.10
Figura I.11
Figura I.12
Figura II.1
Figura II.2
Figura II.3
Figura II.4
Figura III.1
Figura III.2
Figura III.3
Figura III.4
Figura III.5
Figura III.6
Figura III.7
Figura IV.1
Figura IV.2
Figura IV.3
Figura V.1
Figura V.2
Figura VI.1
Figura VI.2
Figura VI.3
Posição geográfica estratégica do CIPP em relação a Europa, Estados Unidos 
e África................................................................................................................
Correia transportadora enclausurada responsável pelo transporte das principais 
matérias-primas do Porto para CSP e placas da CSP no Porto do Pecém...........
ZPE Ceará...........................................................................................................
Vista superior CSP.............................................................................................
A CSP encontra-se entre os projetos com melhores indicadores 
de implantação do mundo................................................................................
Sementes coletadas e mudas de plantas nativas.............................................
Plantio de mudas e livro publicado pela CSP....................................................
Impermeabilização e aspersão de água do pátio de matérias primas.............
Cronologia da primeira estaca à primeira placa ...............................................
Do Ceará para o mundo.....................................................................................
Laboratórios CSP...............................................................................................
Termoeléctrica CSP...........................................................................................
Campo de palma irrigada em sistema emergencial/SAF recém 
implantado na Vila Lafayete, município de Monteiro......................................
Vista parcial do SAF do Assentamento Beira Rio, no município de Camalaú .. 
Implantação do SAF na comunidade do Riacho de Sangue, município 
de Barra de Santa Rosa......................................................................................
Sistema Agroflorestal na Comunidade Bom Sucesso, município de Sossego . 
Mandioca da variedade denominada pelos Tûkûna como Samaúma, 
aldeia Morada Nova...........................................................................................
Mandioca da variedade identificada como Cruvilha pelos Tûkûna, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Mandioca roxa doada por indígenas da aldeia Jarinal e colhida da roça 
de isolados da TI Vale do Javari, aldeia Beija-Flor.............................................
Roçado com algumas variedades da mandioca em consórcio com outras 
espécies e floresta, aldeia Beija-Flor.................................................................
Wadawi Gracinha Kanamari, durante a preparação do cipó Timbó para 
a fabricação de teçumes, aldeia Beija-Flor.......................................................
Djana Eraci Kanamari, durante a confecção de teçume feito de cipó timbó, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Novelo de fio de tucum produzido por Tsawi Dilce Kanamari........................
Esquema ilustrativo da análise de ciclo de vida do PE Verde da Braskem......
Estimativa do uso de terra agricultável para produção de matérias-primas 
renováveis para produção de produtos não energéticos e bioplásticos 
2018 e 2023 ........................................................................................................
Itens avaliados nos requisitos de Meio Ambiente e de Trabalhadores 
e Comunidade do pilar de Conformidade dentro do programa de
Compra Responsável de Etanol da Braskem ....................................................
Dimensões consideradas na definição dos 20 indicadores de sustentabilidade 
da iniciativa........................................................................................................
Critérios para repasse de PSA...........................................................................
Layout do sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar.................
Reator UASB projetado para o estudo.............................................................
Lagoas de polimento projetadas para o estudo...............................................
24
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29
29
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61
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62
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79
82
84
..94 
. 96 
106
107 
107
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 10
Figura IX.1
Figura IX.2
Figura IX.3
Figura IX.4
Figura X.1
Figura XII.1
Figura XIV.1
Figura XIV.2
Figura XIV.3
Figura XIV.4
Figura XIV.5
Vista aérea do PICG ...............................................................................................
Alunos em atividade sobre mudas de árvores nativas.........................................
Módulo de controle de geração e consumo de energia fotovoltaica do I2S.......
Ciclo de investimentos...........................................................................................
Principais tipos de tecnologias implantadas........................................................
Produtos da cadeia de suprimento de acordo com o grau de conteúdo tecnológico 
Trituração da biomassa, cobertura morta, plantio direto e sistema de 
produção sem uso do fogo e opções de continuidade (sentido horário)............
Ações de capacitação e intercâmbio de agricultores...........................................
Minibibliotecas da Embrapa ..................................................................................
Sistema tradicional de derruba-e-queima e preparo de área sem queima 
do Sistema Tipitamba............................................................................................
Implantação de sistemas agroflorestais multiestratos em áreas preparadas 
e cultivo de plantas perenes em áreas preparadas com corte-e-trituração........
140
142
145
149
159
192
216
218
218
220
221
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 11
Prefácio
Grande impulso para 2030
Carlo Pereira.*
Diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.
Em 2015, a ONU propôs aos seus países membros uma nova agenda pelo desenvolvimento sustentável. 
Composta por 17 Objetivos Globais, a Agenda 2030 representa mais do que os desafios do presente, ela 
prevê oportunidades para o futuro. Só podemos atingir a prosperidade econômica se não deixarmos 
ninguém para trás, como pregam os ODS. E quando falamos em avançar sem aceitar retrocessos, 
fazemos referência às dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento, também 
abordadas pela ideia de Big Push para a Sustentabilidade, à qual esta publicação se refere.
Começando pela dimensão social, entendemos que erradicar a pobreza (ODS 1) e reduzir as 
desigualdades (ODS 10) são objetivos capazes de trazer ganhos econômicos para as empresas através 
da inclusão de quem atualmente se encontra à margem. Como exemplo, a igualdade de gênero (ODS 5) 
tem potencial de injetar US$ 5,8 trilhões na economia global, mas demoraria 257 anos para ser 
efetivada, se continuarmos no ritmo em que estamos. Quem agir primeiro, aproveitará da melhor forma 
as oportunidades da inclusão.
A dimensão econômica atravessa todos os ODS, mas é tema central de alguns, como o ODS 8 
—Trabalho decente e crescimento econômico (uma declaração de que um não existe sem o outro) e o 
ODS 9, que visa a promoção de uma industrialização inclusiva e sustentável, além do fomento à 
inovação. Já o ODS 12— Consumo e produção responsáveis, abre caminho para a integração sustentável 
entre economia e meio ambiente, de onde tiramos os recursos para a nossa sobrevivência no planeta.
Alguns pontos de vista ainda defendem ser necessário desconsiderar a dimensão ambiental do 
desenvolvimento, ignorando as oportunidades dela decorrentes. O ODS 15, por exemplo, visa a 
*
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 12
preservação da vida na terra, com o combate à desertificação e degradação do solo como metas. 
A preservação da terra permite a viabilidade econômica de empresas produtoras de alimento, que serão 
responsáveis pela subsistência de uma população mundial que chegará a 9.7 bilhões de pessoas em 2050 
(ODS 2 - Fome zero e agricultura sustentável). A sustentabilidade fornece terreno fértil para o 
crescimento econômico.
próximos 10 anos. No processo de pesquisa para construir nossas
atingido até 2030. Precisamos fazer mais, e não
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam questões atuais com impactos que 
podem ser positivos ou negativos nos próximos anos, a depender da forma como gerimos as soluções. 
A crise climática, por exemplo, não permite hesitações, requer ações ágeis pela prosperidade dos 
negócios, ecossistemas e pela humanidade (ODS 13). Por isso que, em 2020, a reunião do Fórum 
Econômico Mundial colocou as mudanças climáticas como o maior risco da década, à frente de crises 
financeiras. De acordo com o relatório Riscos Globais 2020, lançado pela instituição, o custo da inércia 
será de US$ 1 trilhão para as 200 maiores empresas do mundo.
A Rede Brasil do Pacto Global é a maior plataforma de promoção dos ODS junto ao setor 
empresarial no país. Em 2019, contamos com o apoio da consultoria Falconi para traçar nosso 
planejamento estratégico para os
metas, descobrimos que, no ritmo em que o Brasil se encontra, apenas o ODS 7 —Energia limpa e 
acessível, tem indicadores suficientes para ser 
conseguimos evoluir sozinhos.
Por isso, aplaudimos e apoiamos a iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o 
Caribe (CEPAL), de reconhecer as iniciativas que estão agindo por um Big Push de Sustentabilidade, que 
corresponde ao tipo de desenvolvimento econômico e socioambiental do qual somos porta-vozes. 
A CEPAL compreende a necessidade de alavancar investimentos nacionais e estrangeiros através da 
coordenação de políticas públicas e privadas para gerar um ciclo de crescimento econômico virtuoso, 
capaz de gerar emprego e renda, reduzir desigualdades e promover a sustentabilidade. Em suma, 
articular diversos atores (ODS 17) em prol do cumprimento da Agenda 2030.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a nossa década de “A Década da Ação. 
Muitos avanços já foram feitos, mas 
sustentável. No entanto, para chegarmos em 2030 com o cumprimento das metas dos ODS, precisamos 
fazer mais, precisamos de um big push. As soluções que necessitamos podem vir do exemplo. Aproveite 
a leitura para inspirar-se na experiência de iniciativas que já estão vivendo o hoje como se fosse 2030.
também alguns retrocessos, em busca de um futuro mais
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 13
Apresentação
Alicia Bárcena.*
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas recentemente 
completou 70 anos de existência, marcada por trabalhos seminais, abordagens inovadoras e 
direcionamentos de políticas orientados para o desenvolvimento com sustentabilidade e igualdade. 
Ao longo desse período, o pensamento cepalino renovou-se e atualizou-se à medida que as economias 
da região se transformaram. Ao mesmo tempo, a CEPAL reafirmou a sua abordagem teórica conforme 
as características estruturais do desenvolvimento da região, que foram reproduzidas nessas últimas 
décadas e em muitos casos aprofundadas.
A CEPAL identifica e analisa, desde o seu nascimento, as profundas brechas estruturais que 
persistem nas economias latino-americanas, tais como assimetrias competitivas e tecnológicas, os 
desafios para convergência com níveis de renda superiores, as ineficiências da desigualdade e as 
implicações da sobre-exploração dos recursos naturais. No campo propositivo, a CEPAL tem apontado 
direções para uma mudança estrutural progressiva, orientada pela visão de que um desenvolvimento 
econômico sustentável depende criticamente de um meio ambiente saudável e de uma sociedade 
construída sobre a base da igualdade. Nos últimos anos, temos nos empenhado para articular uma 
proposta renovada que reflita essa visão, articulada em torno de um grande impulso (big push) para a 
sustentabilidade, para promover a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável.
O Big Push para a Sustentabilidade é uma abordagem que a CEPAL vem desenvolvendo para 
apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais sustentáveis, baseada na 
coordenação de políticas para promover investimentos sustentáveis, que produzam um ciclo virtuoso 
de crescimento econômico, geração de emprego e renda e redução de desigualdades e lacunas 
estruturais, ao mesmo tempo que mantêm e regeneram a base de recursos naturais da qual o 
desenvolvimento depende. Viemos trabalhando nessa abordagem em um momento oportuno, no qual 
* Secretária-Executiva da CEPAL.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 14
a preocupação com a sustentabilidade ambiental, a igualdade e a retomada da atividade econômica se 
instalou na agenda internacional. Assim, em 2015, 193 países aprovaram a Agenda 2030 e seus 
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que norteiam uma transformação estrutural dos estilos 
de desenvolvimento em suas dimensões social, econômica e ambiental. Em conformidade com a 
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o Big Push para a Sustentabilidade não deixará 
ninguém para trás e deve servir para a erradicação da fome e da pobreza em todas as suas formas.
Nesse contexto, tenho o prazer de apresentar esta publicação, intitulada Investimentos 
transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável: Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push)para a sustentabilidade no Brasil, que traz estudos de casos concretos que não apenas ilustram 
a viabilidade, mas também nos apresentam as lições aprendidas, as oportunidades e os desafios para 
um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil. A publicação é fruto do esforço voluntário dos autores 
dos capítulos, de divers0s setores e áreas de formação, em registrar e dar visibilidade a experiências que 
podem se tornar exemplos a serem replicados, unindo teoria e prática.
O leitor interessado em exemplos de ações reais que têm sido bem-sucedidas em promover 
investimentos com impactos positivos nas três dimensões do desenvolvimento sustentável (social, 
econômica e ambiental) encontrará na seleção de capítulos reunidos na presente publicação um 
material de grande utilidade. Esta publicação apresenta um panorama das amplas possibilidades para 
a realização de investimentos sustentáveis em diversas escalas (em nível de empresas, de comunidades, 
de municípios, de regiões e nacional), em várias práticas e tecnologias sustentáveis (desde sistemas 
agroflorestais e de produtos da química verde até sistemas de saneamento básico rural e 
desenvolvimento da indústria eólica) e por meio de uma rica pluralidade de medidas, políticas, arranjos 
de governança e fontes de financiamento. Os estudos de casos retratados nesta publicação são luzes 
que podem nos orientar rumo a um futuro sustentável e igualitário.
O Brasil é o maior país e economia da América do Sul e tem sido objeto de análise da CEPAL 
quanto a suas experiências e políticas sustentáveis que possam contribuir para o desenvolvimento 
regional. Esta publicação vem demonstrar essa atenção da CEPAL para o Brasil, consolidando uma 
relação de cooperação e de estudos conjuntos de várias décadas.
Sem mais preâmbulos, convido cordialmente o leitor a mergulhar nestas páginas com o fim de 
ampliar sua compreensão sobre as complexidades, os desafios e, fundamentalmente, as possibilidades 
para um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil nos contextos atuais da sociedade, da economia e 
do meio ambiente, que claramente exigem um novo estilo de desenvolvimento com igualdade e 
sustentabilidade ambiental.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 15
Introdução
.*Carlos Mussi 
Camila Gramkow.* *
Diretor do Escritório da CEPAL no Brasil.
Oficial de Assuntos Econômicos, Escritório da CEPAL no Brasil.
limites planetários, a emergência climática
Os dias atuais são marcados por uma conjuntura de busca pela recuperação do vigor econômico no 
Brasil e no mundo. Essa recuperação toma contornos complexos, uma vez que, aos aspectos 
conjunturais, se somam os desafios estruturais dos quais depende a própria sustentabilidade da 
atividade econômica no longo prazo, incluindo os  e a 
ineficiência da desigualdade. O mundo no qual nos encontramos requer um novo estilo de 
desenvolvimento, em cujo centro estejam a igualdade e a sustentabilidade. É essa a visão desenvolvida 
pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas que define a 
abordagem para apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais 
sustentáveis, chamada Big Push para a Sustentabilidade. A Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) orienta e promove essa visão da CEPAL. Essa abordagem 
representa uma coordenação de políticas (públicas e privadas, nacionais e subnacionais, setoriais, 
fiscais, regulatórias, financeiras, de planejamento, etc.) que alavanquem investimentos nacionais e 
estrangeiros para produzir um ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de emprego e renda, 
redução de desigualdades e brechas estruturais e promoção da sustentabilidade ambiental. Assim, os 
volumosos investimentos necessários para a transição para um modelo econômico resiliente, de baixo 
carbono e sustentável são colocados como uma oportunidade de gerar um grande impulso (big push) 
para um novo ciclo de crescimento econômico e de promoção da igualdade, contribuindo para a 
construção de um desenvolvimento mais sustentável, no seu tripé econômico, social e ambiental.
Os delineamentos conceituais básicos do Big Push para a Sustentabilidade foram desenvolvidos 
pela CEPAL (CEPAL, 2016 e 2018). O elemento chave dessa abordagem são os investimentos, que são 
*
**
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 16
o principal elo entre o curto e o longo prazo. Os investimentos de hoje explicam a estrutura produtiva 
de amanhã, que por sua vez determina a competitividade, a produtividade e o tipo de inserção no 
comércio internacional. Além disso, ela também determina a capacidade de geração de empregos de 
qualidade com inclusão produtiva e se a atividade econômica será contaminante ou ecológica. 
Atualmente, é mais verdadeiro do que nunca afirmar que as economias que investem pouco tendem a 
se posicionar na periferia do sistema econômico global. Os investimentos são fundamentais para que 
as mudanças profundas e estruturais que já estão em curso, desde a revolução tecnológica 
(transformação digital da economia, bioeconomia, nanotecnologia, etc.) até a transição demográfica, 
tornem-se oportunidade para o desenvolvimento sustentável —e não novos desafios para a 
sobrevivência de nossas economias e sistemas sociopolíticos. Em suma, a qualidade de nosso futuro 
depende crucialmente do tipo de investimento que é realizado hoje.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, os investimentos devem ser orientados por 
uma tripla eficiência, para que sejam compatíveis com a construção de estilos de desenvolvimento 
sustentáveis. A primeira, é a eficiência schumpeteriana, segundo a qual uma matriz produtiva mais 
integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera externalidades positivas de aprendizagem e 
inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Estruturas produtivas que permitem acelerar o 
fluxo de informações e de conhecimentos tendem a ser economias mais eficientes, mais inovadoras e 
mais preparadas para se inserir competitivamente em mercados que remuneram melhor os bens e 
serviços produzidos. Essa é uma eficiência muito associada ao lado da oferta, ou seja, das capacidades 
produtivas e tecnológicas instaladas. A segunda eficiência é a keynesiana, que destaca que há ganhos 
de eficiência da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando 
efeitos multiplicadores e impactos positivos na economia e nos empregos. Economias que conseguem 
acessar mercados em expansão podem aumentar sua produção em uma velocidade maior do que 
aumentam seus custos (economias de escala) e, quando opera negócios diversos simultaneamente, 
pode aumentar a eficiência conjunta da produção, com consequente redução de custos e aumento da 
qualidade (economia de escopo). Essa segunda eficiência destaca elementos do lado da demanda que 
se reforçam, criando um círculo virtuoso de competitividade, inovação e produtividade. A eficiência 
keynesiana está muito relacionada com a eficiência schumpeteriana, uma vez que os mercados que 
mais crescem tendem a ser aqueles com maior dinamismo tecnológico e de inovação. Somadas, as 
eficiências schumpeteriana e keynesiana criam as condições para uma inserção competitiva favorável. 
Contudo, é necessária a terceira eficiência para garantir a sustentabilidade de longo prazo, que é a 
eficiência da sustentabilidade, a qual se relaciona com a clássica eficiência no tripé econômico, social e 
ambiental. Essa eficiência destaca que os investimentos devem ser economicamente viáveis, o que 
requer pensar sobre fontes de financiamento e origem dos recursos. No âmbito social, além de justiça 
social e promoção da igualdade, na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, também é 
necessário um sistema seguro e justo de arbitragem de conflitos, que não deixe ninguém para trás. O 
eixo ambiental da eficiência da sustentabilidade reforça que os investimentos sustentáveis devem 
diminuir a pegada ambiental e os impactos ambientais, ao mesmo tempo em que recupera a capacidade 
produtiva do capital natural. Juntas, as eficiência schumpeteriana, keynesiana e da sustentabilidade 
tornam-se pilares para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, a coordenação de políticas em torno da tripla 
eficiência é chave para destravar investimentos nacionais e estrangeiros, não apenas em práticas, 
tecnologias, cadeias de valor e infraestrutura sustentáveis, mas também em capacidades tecnológicas 
e educação para equipar a força de trabalho com as habilidades necessárias para o futuro. 
A coordenação é simultaneamente o desafio crítico e a principal oportunidade do Big Push para a 
Sustentabilidade. Se uma ampla gama de políticas (públicas e corporativas, nacionais e subnacionais, 
setoriais, tributárias, regulatórias, fiscais, financeiras, de planejamento, etc.) estiver alinhada e coesa 
com os pilares de um novo estilo de desenvolvimento, um ambiente favorável para mobilizar os 
investimentos necessários será estabelecido, ancorado em incertezas reduzidas, sinais de preços 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 17
corrigidos e um mix de políticas adequado. O consequente aumento dos investimentos sustentáveis 
leva, então, a um ciclo virtuoso de crescimento econômico, criação de empregos, desenvolvimento de 
cadeias produtivas, redução da pegada ambiental e impactos ambientais, ao mesmo tempo em que 
recupera a capacidade produtiva do capital natural.
A CEPAL iniciou uma discussão sobre as oportunidades e os desafios para um Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019). Dentre as oportunidades, destaca-se o grande potencial 
para os investimentos de baixo carbono no país, na ordem de US$ 1,3 trilhões até 2030 em setores tais 
como infraestrutura urbana (mobilidade, edificações, resíduos etc.), energias renováveis e indústria 
(IFC, 2016). Foram ressaltados também, os ganhos competitivos das firmas no Brasil que já investem 
em tecnologias sustentáveis (em termos de redução de custos, aumento de qualidade, aumento de 
market share, acesso a novos mercados etc.), a maior facilidade de acesso a financiamento para 
empresas que possuem uma governança ambiental e social e a existência de uma ampla base de 
capacidades produtivas e tecnológicas voltadas à sustentabilidade. Outro ponto identificado foi o 
oportuno momento atual, no qual se está discutindo caminhos para a recuperação da economia 
brasileira. Esse contexto pode ser uma oportunidade para o país direcionar esforços para acelerar os 
investimentos sustentáveis. A questão da coordenação é fundamental nessa discussão, já que foi 
identificado um potencial muito grande de destravar investimentos sustentáveis no país por meio de 
um esforço robusto e detalhado de coordenação de políticas, que remova sinais contraditórios e 
barreiras. Contudo, há também desafios para o Brasil, que incluem custos relativos ao carbon lock-in 
(relacionados à transição de paradigma tecnológico, especialmente nos setores mais poluentes), 
reduzido espaço fiscal para formulação de novas políticas —particularmente no contexto da Emenda 
Constitucional 95/2016— e o contexto federativo do país, que impõe necessidade de ampla 
coordenação entre os entes federativos.
Buscando aterrissar os delineamentos conceituais da abordagem do Big Push para a 
Sustentabilidade no mundo real, a CEPAL realizou uma Chamada Aberta de Estudos de Casos de 
Investimentos para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil, que contou com a parceria institucional 
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, 
bem como com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (Gesellschaft für Internationale 
Zusammenarbeit - GIZ) e da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES). A chamada, lançada em 8 de abril 
de 2019 na ocasião do lançamento do Relatório sobre Oportunidades e Desafios para o Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019) no Insper em São Paulo, convidou pesquisadores, 
profissionais do setor privado, empresários, representantes da sociedade civil, formuladores de políticas 
públicas e servidores públicos a enviar estudos de casos sobre investimentos com impacto para o 
desenvolvimento sustentável no Brasil, em linha com o Big Push para a Sustentabilidade. Encerrada em 
16 de agosto de 2019, foram recebidos um total de 131 estudos de casos. Houve uma grande diversidade 
de setores, pluralidade de atores, heterogeneidade de regiões e variedade de iniciativas entre os 
estudos enviados. Quanto aos setores, a maior parte dos casos é relacionada à Infraestrutura (30% do 
total de estudos), seguida por Agropecuária e Uso do Solo (28%), Indústria (13%), Reciclagem e 
Resíduos (11%) e outros. Sobre os tipos de iniciativas analisadas nos casos, nota-se que as principais 
foram relacionadas a políticas públicas (26% do total de estudos) e políticas corporativas (19%), 
seguidas por políticas de cooperação internacional (5%), medidas implementadas pelo Sistema S (2%) 
e combinações. Em termos de cobertura geográfica, a maior parte dos casos concentrou-se no nível 
nacional (28%), sendo que também houve estudos focados em áreas das regiões Sudeste (20%), 
Nordeste (17%), Sul (13%), Norte (12%), Centro-Oeste (8%) e combinações dessas.
A partir dos 131 estudos de casos recebidos, um Comitê de Avaliação, formado por especialistas 
em desenvolvimento sustentável do IPEA, do Governo Federal Brasileiro e da CEPAL, analisou os casos 
enviados. Desses, 66 estudos foram considerados elegíveis como casos de Big Push para a 
Sustentabilidade, sendo que o principal critério de elegibilidade foi que os estudos de caso 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 18
conseguissem reportar pelo menos um indicador de cada dimensão do desenvolvimento sustentável 
(econômico, social e ambiental), conforme estabelecido nas Regras da Chamada (CEPAL, 2019). Todos 
os 66 casos elegíveis estão disponíveis no “Repositório de casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade 
no Brasil, hospedado pela CEPAL (CEPAL, 2020). O repositório tem como objetivo dar visibilidade e 
oportunidade de showcase às experiências e iniciativas que geraram resultados concretos em direção à 
sustentabilidade do desenvolvimento. A partir delas, ficarão mais claros as oportunidades e os desafios 
para um Big Push para a Sustentabilidade no país.
O Comitê de Avaliação também selecionou os estudos de casos mais transformadores rumo ao 
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil e são esses estudos selecionados que compõem os 
15 capítulos da presente publicação. Os critérios para a seleção dos casos mais transformadores foram 
a quantidade dos indicadores reportados nas três dimensões (social, econômica e ambiental) e a análise 
dos vínculos do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade e a Agenda 2030 para o 
Desenvolvimento Sustentável, além de buscar representar a heterogeneidade e pluralidade de desafios 
e soluções para o Big Push para a Sustentabilidade no Brasil.
No primeiro capítulo, Alex Maia do Nascimento e coautores, todos funcionários da Companhia 
Siderúrgica do Pecém (CSP) relatam o caso do maior projeto de investimento privado realizado na 
história do Estado do Ceará, com valor superior a US$ 5 bilhões, que foi o estabelecimento da CSP. 
O caso da CSP ilustra como investimentos em uma siderúrgica moderna e integrada vem contribuindo 
para a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável localmente, por meio de adoção de 
tecnologias sustentáveis de ponta, recuperação florestal, capacitação de pessoas, geração de 
empregos, agregação de valor às exportações do país, etc. O segundo capítulo, de autoria de Leonardo 
Bichara Rocha (Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura - FIDA), Thiago César Farias 
da Silva (Procase, Paraíba) e Donivaldo Martins (FIDA), apresenta o caso do Projeto de Desenvolvimento 
Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú (Procase), apoiado pelo FIDA e pelo Estado da Paraíba. 
O estudo do Procase evidencia como investimentos no combate à desertificação do sistema Caatinga, 
por exemplo, em poços, barragens, dessalinizadores e sistemas agroflorestais (SAFs), podem contribuir 
para redução da pobreza, segurança hídrica e alimentar, redução de custos, geração de renda, 
diversificação produtiva etc.
No Capítulo III, assinado por Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle e 
Tatiana Ribeiro Souza Brito, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), relatam o caso de iniciativas 
realizadas na Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá, Sudoeste Amazônico. O estudo exemplifica que 
investimentos de baixo montante, por exemplo, da ordem de R$ 9 mil para construção de casas de 
farinha, podem estimular a reprodução do sistema agrícola indígena e reafirmar os saberes desses 
povos como uma capacidade tecnológica que agrega valor à farinha produzida nas aldeias e a diferencia 
das demais. O caso ressalta a importância dos saberes e tradições indígenas, da valorização do papel da 
mulher e da atuação de forma colaborativa para se pensar em soluções de desenvolvimento sustentável 
adaptadas ao contexto amazônico. O Capítulo IV, de autoria de Adriana Mello, Jorge Soto e José 
Augusto Viveiro, todos da Braskem, ilustra o potencial da química verde do futuro, a partir do estudo de 
caso do desenvolvimento do Polietileno Verde (PE Verde) pela Braskem. Esse caso exemplifica como a 
indústria química pode se tornar uma indústria sustentável, inclusiva e competitiva a partir do potencial 
transformativo da produção de polímeros de fontes renováveis, que são abundantes no país. O estudo 
evidencia a importância de uma trajetória consistente de investimentos em tecnologia e inovação, do 
processo de aprendizado e do compromisso de longo prazo da empresa com a sustentabilidade.
No Capítulo V, Erika de Paula P. Pinto e coautores, todos do Instituto de Pesquisa Ambiental da 
Amazônia (IPAM), apresentam o estudo de caso do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia, 
apoiado pelo Fundo Amazônia, que traz um exemplo de como podem ser realizados investimentos para 
a promoção de territórios rurais sustentáveis na região. O caso ilustra a importância de uma estratégia 
coordenada de ações (de assistência técnica e extensão rural a incentivos econômicos) a partir de uma 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 19
abordagem integrada de conservação e produção em territórios rurais ocupados pela agricultura 
familiar para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis, sem promover a derrubada de 
novas áreas de floresta. O Capítulo VI, assinado por Mateus Cunha Mayer (Instituto Nacional do 
Semiárido - INSA), Rodrigo de Andrade Barbosa (INSA), George Rodrigues Lambais (INSA), Salomão 
de Sousa Medeiros (INSA), Adrianus Cornelius Van Haandel (Universidade Federal de Campina Grande) 
e Silvânia Lucas dos Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), traz o estudo de caso do 
desenvolvimento de uma tecnologia de saneamento básico rural familiar, originalmente desenhada 
para o Seminário brasileiro. O caso trata de um sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar 
de fácil instalação e custo acessível que poderia alavancar a universalização do saneamento rural no 
Brasil, com benefícios diretos sobre a produção agrícola e indiretos sobre geração de renda, redução de 
pobreza e segurança alimentar.
O Capítulo VII, de autoria de Airton José Morganti Júnior (Consórcio Machadinho), José Lourival 
Magri (ENGIE Brasil Energia) e Selia Regina Felizari (Associação de Produtores de Erva-Mate de 
Machadinho - Apromate), apresenta o desenvolvimento e os resultados de um novo sistema produtivo 
da erva-mate no Estado do Rio Grande do Sul, que culminou na Cambona 4, uma variedade obtida a 
partir de melhoramento genético. Combinado com sistemas agroflorestais (SAFs), esse novo sistema 
produtivo restaurou e protegeu dezenas de nascentes, implantou sumidouros de carbono com 
reflorestamento e gerou aumento de renda para as famílias envolvidas no SAF, enquanto promoveu a 
industrialização na cadeia de valor e a maior rentabilidade da erva-mate. No Capítulo VIII, José Lourival 
Magri e Mario Wilson Cusatis, ambos da ENGIE Brasil Energia, estudam o caso da Unidade de Cogeração 
Lages (UCLA) em Santa Catarina a partir da ótica da economia circular. Esse caso ilustra como resíduos 
do setor madeireiro podem ser aproveitados para fins energéticos na UCLA e como as cinzas da 
biomassa da madeira geradas na UCLA podem ser aproveitadas para aumentar a produtividade e 
reduzir custos na agricultura, gerando redução de emissões de gases do efeito estufa que podem ser 
compensadas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Trata-se de um exemplo de como a 
economia circular pode gerar oportunidades para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.
No Capítulo IX, Rogério Atem de Carvalho (Polo de Inovação Campos dos Goytacazes) estuda o 
caso do modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes (PICG), do Instituto Federal 
Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. O caso ilustra um modelo capaz de coordenar e articular 
diversos atores (comunidade, pesquisadores de diferentes áreas de especialidade, setor produtivo, 
governos em vários níveis etc.) e tipos de financiamento (público e privado) para realização de 
investimentos em uma variedade de ações (projetos de PDI, parcerias, educação e capacitação, ações 
para gestão e operação do campus, dentre outras), que têm contribuído para um estilo de 
desenvolvimento sustentável. O Capítulo X, assinado por Vitor Leal Santana e Lilian dos Santos Rahal, 
ambos do Ministério da Cidadania, apresenta o caso do Programa Cisternas, que foca na construção de 
cisternas para captação e abastecimento de água para consumo humano e animal sob uma ótica de 
convivência com o Semiárido e respeito aos saberes e à cultura locais. O estudo exemplifica como 
investimentos, que somam mais de R$ 3,6 bilhões e beneficiaram mais de um milhão de famílias, em 
tecnologias sociais podem garantir o acesso à água no meio rural em regiões sujeitas à escassez hídrica, 
contribuindo para o enfrentamento da pobreza, a melhoria da saúde e da segurança alimentar e a 
estruturação de cadeias produtivas ambiental e socioeconomicamente sustentáveis.
O Capítulo XI, assinado por Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli e Yugo Matsuda, todos da 
Suzano, descreve como uma empresa que é líder mundial na produção de celulose de eucalipto vem 
estruturando uma estratégia de conservação da biodiversidade e de restauração ambiental, com foco 
em seu Programa de Restauração Ambiental. O estudo discorre sobre o desenvolvimento e o 
aprimoramento das ações da empresa em restauração ambiental e sobre como investir nessas ações 
faz sentido economicamente, já que seu core business depende criticamente de um capital natural 
saudável para alcançar seus altos índices de produtividade e mantê-los no longo prazo. O Capítulo XII, 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 20
de autoria de Britta Rennkamp (African Climate and Development Initiative, University of Cape Town), 
Fernanda Fortes Westin (Programa de Planejamento Energético, Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- 
Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro - PPE/COPPE/UFRJ) e 
Carolina Grottera (PPE/COPPE/UFRJ), apresenta o caso do vigoroso desenvolvimento da indústria de 
energia eólica no Brasil, com foco especial em Requisitos de Conteúdo Local (RCL). O estudo ilustra 
como a coordenação de diferentes políticas (tarifas feed-in, leilões, financiamento condicionado aos 
RCL através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, dentre outras) 
contribuiu para mobilizar investimentos para a construção de capacidades tecnológicas nacionais e para 
a expansão da energia eólica no país.
No Capítulo XIII, Eliane Oliveira Moreira e Jucilaine Neves Sousa Wivaldo discorrem sobre como 
demandas sociais locais e construídas por diferentes atores, como organizações sociais, setor público e 
universidades, podem gerar um grande impulso ao desenvolvimento local, a partir do estudo de caso da 
Associação de Catadores e Materiais Recicláveis (ACAMAR), no município de Lavras, Estado de Minas 
Gerais. O caso exemplifica a contribuição da dinâmica diferenciada da economia solidária, somada a 
investimentos de pequeno porte, para um melhor gerenciamento de resíduos sólicos e para a economia 
circular com geração de renda e empregos, melhoria das condições de trabalho, redução das brechas 
de gênero, dentre outros. O Capítulo XIV, assinado por Osvaldo Ryohei Kato e coautores, todos da 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), trata do estudo de caso do Sistema Tipitamba, 
que é uma tecnologia de corte-e-trituração desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental que pode 
substituir o sistema de derruba-e-queima tradicionalmente praticado na agricultura familiar na 
Amazônia. O estudo de caso do Sistema Tipitamba, baseado no manejo sustentável da capoeira como 
uma alternativa para recuperar áreas alteradas e antropizadas, evitar queimadas, expansão da fronteira 
agrícola e aumentar a fonte de renda do agricultor, ilustra como investimentos em pesquisa e 
desenvolvimento podem contribuir para soluções sustentáveis para a agricultura familiar na região.
Por último, e não menos importante, o Capítulo XV, desenvolvido pela Natura, discute a evolução 
da relação da empresa de cosméticos Natura S.A. com o desenvolvimento sustentável da região 
amazônica, tendo como base a sociobiodiversidade para composição dos produtos da companhia e 
estruturação de programas que contribuem para o manejo sustentável da floresta em pé. Esse estudo 
de caso ilustra como uma empresa pode fazer da sustentabilidade seu modelo de negócios, agregando 
valor ao vasto capital natural do país de forma competitiva domesticamente e nos mercados globais.
Os investimentos retratados nos diferentes capítulos da presente publicação são exemplos de 
transformações na economia em direção a um novo estilo de desenvolvimento sustentável. Essa 
publicação tem o objetivo de promover o debate de estilos de desenvolvimento, a partir das demandas 
e capacidades de todos, nos adequando às possibilidades do planeta e nos desafiando na construção de 
uma sociedade mais justa e próspera.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 21
Bibliografia
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) (2020), “Repositório de casos sobre o Big 
Push para a Sustentabilidade no Brasil [repositório online], Santiago, abril https://biblioguias.cepal. 
org/bigpushparaasustentabilidade [data de consulta: 28 de fevereiro de 2020].
(2019), “Regras da Chamada Aberta de Estudos de Casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade no 
Brasil [online], Brasília, abril https://www.cepal.org/sites/default/files/events/files/regras.pdf [data 
de consulta: 8 de abril de 2019].
(2018), La ineficiencia de la desigualdad (LC/SES.37/4), Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, 
N° de venda: S.18-00303.
(2016), Horizontes 2030: A igualdade no centro do desenvolvimento sustentável (LC/G.2660/SES.36/3), 
Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, N° de venda: S.16-00753.
CEPAL/FES (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe)/(Fundação Friedrich Ebert Stiftung) 
(2019), “Big Push Ambiental: Investimentos coordenados para um estilo de desenvolvimento 
sustentável, Perspectivas, N° 20, (LC/BRS/TS.2019/1 e LC/TS.2019/14), São Paulo.
IFC (International Financial Corporation) (2016), Climate investment opportunities in emerging markets: an IFC 
analysis, Washington, DC.
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Desenvolvimento Sustentável (A/ RES/70/1), Nova Iorque, Publicação das Nações Unidas.

CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 155
X. Tecnologias sociais como impulso para o acesso à 
água e o desenvolvimento sustentável no meio rural 
brasileiro: a experiência do Programa Cisternas
.*
Ministério da Cidadania.
Vitor Leal Santana 
Lilian dos Santos RahaL,*
Resumo
O objetivo desse estudo é analisar e discutir os resultados de uma das ações do governo brasileiro para 
garantir o acesso à água no meio rural e sua relação com a abordagem desenvolvida pela CEPAL 
Big Push para a Sustentabilidade. Há quase duas décadas vem sendo apoiada a implementação de 
tecnologias sociais como alternativa para o abastecimento de água de populações rurais pobres 
localizadas em regiões afetadas pela seca ou pela dificuldade de acesso à água, materializada no 
Programa Cisternas. As tecnologias têm como foco a captação e armazenamento de água de chuva, 
buscando garantir o acesso à água para consumo humano e a produção de alimentos. Já foram 
beneficiadas mais de 1 milhão de famílias e quase 7 mil escolas, localizados em sua maior parte na região 
semiárida brasileira. Os resultados e impactos observados até o momento apontam para a importância 
dos investimentos nessa ação para o enfrentamento da pobreza, para a melhoria da saúde e da 
segurança alimentar, bem como para a processos adaptativos de populações em situação de 
vulnerabilidade socioeconómica e climática.
*
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 156
A. Introdução
A água constitui elemento central para o desenvolvimento econômico e social e possui incidência direta 
sobre o bem-estar, a saúde e os meios de subsistência pessoal. Apesar de direito humano básico, o 
acesso adequado à água potável é uma realidade distante para mais de 660 milhões de pessoas no 
mundo, das quais 522 milhões vivem em áreas rurais, conforme recente relatório divulgado pela 
WaterAid (WaterAid, 2017). Variações climáticas que afetam a disponibilidade de água, a poluição de 
fontes hídricas disponíveis, conjugadas com uma reduzida oferta da rede pública de abastecimento de 
água na zona rural são apenas alguns dos fatores que explicam esse cenário. Não por acaso, a água tem 
sido considerada necessária para alcançar boa parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 
(ODS) da Agenda 2030 (ONU, 2015)1.
Discurso de Karin Lexén, diretor da World Water Week, em evento realizado entre os dias 27 de agosto e 1° de setembro de 2016 
em Estocolmo, na Suécia.
No Brasil, as desigualdades de renda se refletem também no acesso adequado à água. Enquanto 
85% da população brasileira como um todo possui acesso à rede pública de abastecimento, apenas 73% 
dos domicílios com renda de até 1 salário mínimo possuem o mesmo acesso. No meio rural, 31% dos 
domicílios estão ligados à rede geral com canalização interna, mas para aqueles com renda até 1 salário 
mínimo esse acesso está limitado a 20% da população (IBGE, 2016). Da mesma forma, as desigualdades 
regionais também se refletem no acesso à água, uma vez que na região Sudeste 92% da população 
possui acesso à água por meio da rede geral de abastecimento, enquanto nas regiões Norte e Nordeste 
esse acesso se restringe a 59% e 78% da população, respectivamente.
Outro aspecto importante a ser mencionado diz respeito à própria solução de abastecimento que 
muitas vezes é considerada a mais adequada. Para o contexto urbano, há vantagens evidentes de se 
instalar um sistema que interligue os domicílios, promovendo ganhos de escala que tornam essa solução 
muito mais eficiente do que processos individualizados. No meio rural, sobretudo em regiões com baixa 
densidade demográfica e com problemas de escassez de fontes superficiais e subterrâneas, a instalação 
de estruturas coletivas de abastecimento de água muitas vezes é inviável económicamente (Moura 
Raid, 2017), não havendo incentivos para o investimento público ou 
onde é possível a instalação de sistemas coletivos, muitas vezes são necessárias soluções adaptadas às 
condições socioeconómicas da comunidade, como forma de se garantir sua sustentabilidade no tempo.
Existem dimensões complexas a serem consideradas, para as quais muitas vezes são exigidas 
soluções tratadas como não convencionais. Como política de saneamento básico, é evidente o enorme 
déficit de atendimento da população localizada na zona rural, déficit esse que é praticamente inviável 
de ser eliminado apenas com a concepção utilizada de sistema de abastecimento de água, com a 
infraestrutura necessária para tanto. Sob o ponto de vista da política de segurança alimentar e da saúde, 
por outro lado, a perspectiva seria garantir pelo menos um acesso básico à água de qualidade, como 
elemento para a garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável e à sobrevivência em 
condições dignas, buscando romper com as assimetrias tecnológicas e socioeconómicas entre o campo 
e a cidade.
privado. Mesmo em áreas rurais
Ressalta-se que mesmo regiões com elevada disponibilidade hídrica no Brasil, como é o caso da 
Amazônia, enfrentam dificuldades diversas, associadas principalmente à potabilidade da água (Giatti, 
2007; Bordalo, 2017).
Ademais, entende-se que a garantia da segurança hídrica, além de impactar diretamente na 
qualidade de vida, tem potencial para tornar as comunidades mais resilientes a situações extremas de 
clima e mais capazes de desenvolver atividades produtivas que agreguem valor ao seu trabalho, 
contribuindo para a redução das brechas estruturais do desenvolvimento, tais como a desigualdade e a 
1
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 157
heterogeneidade estrutural (ou seja, as marcadas e persistentes diferenças de produtividade entre 
setores da economia considerados primitivos e modernos) (CEPAL, 2016). Aqueles que vivem em áreas 
rurais e que dependem da agricultura para viver, especialmente agricultores familiares pobres, estão 
entre os mais afetados pelas alterações climáticas, considerando que a elevação das temperaturas 
tende a desertificar áreas de produção, tornando difícil o cultivo, bem como a alimentação dos animais, 
com forte impacto na segurança alimentar (Andrade, Silva e Souza, 2014).
É nesse contexto que atua o Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e Outras 
Tecnologias Sociais —Programa Cisternas, política pública instituída por meio da Lei n° 12.873/2013, 
regulamentada atualmente pelo Decreto n° 9.606/2018, e que tem por objetivo a promoção do acesso 
à água para consumo humano e para a produção de alimentos às famílias pobres e escolas públicas 
localizadas no meio rural e atingidas pela seca ou falta regular de água no Brasil. A proposta é apoiar a 
implementação de tecnologias sociais, sendo essas intervenções simples e de baixo custo, adaptadas a 
contextos de vulnerabilidade social e ambiental e que buscam oferecer soluções efetivas para que 
famílias e comunidades isoladas possam acessar água de qualidade e em quantidade adequadas.
A implantação dessas tecnologias, em especial as cisternas, tem sido apoiada como ação do governo 
brasileiro pelo menos desde 2002, sendo que a partir de 2004 ela é inserida como parte da estratégia para 
superação da pobreza, garantia da segurança alimentar e convivência/adaptação climática.
Nesse contexto, o método para a apresentação do estudo de caso se baseia na descrição do contexto 
e da metodologia de implementação do programa, com informações sobre os resultados obtidos e as 
evidências sobre os impactos econômicos, sociais e ambientais desta intervenção governamental ao longo 
dos anos, com insights sobre sua importância no âmbito do Big Push para a Sustentabilidade.
B. Programa Cisternas: contexto, resultados e impactos
Equipamentos e sistemas descentralizados para a captação e o armazenamento de água tem amplo 
potencial para o atendimento da demanda por água em regiões com grande escassez hídrica, 
principalmente para o consumo humano, sendo que muitas vezes a única alternativa viável são 
tecnologias sociais que permitam a captação de águas pluviais.
A importância da utilização dessas tecnologias tem sido reforçada em algumas edições do Fórum 
Mundial da Água. Na 3° edição desse Fórum, realizada em Quioto em 2003, o Diretor do Centro de 
Tecnologias Ambientais do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Steve Hall, 
já declarava que, apesar de a captação e armazenamento de água de chuva não ser uma inovação ou 
uma ideia tão atraente como grandes projetos de abastecimento de água, “se introduzida em larga 
escala pode aumentar o abastecimento a um custo relativamente baixo e passar para as comunidades 
a responsabilidade de gerenciar seu próprio abastecimento de água (Hall, 2003).
Em evento paralelo à III Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para Combate 
à Desertificação (COP 3), realizada em 1999 em Recife (PE), organizações da sociedade civil se reuniram 
e fundaram a Articulação do Semiárido (ASA), contando com a participação de organizações populares, 
entre elas organizações não governamentais, sindicatos, cooperativas, associações e igrejas. 
O movimento organizado em torno desse evento foi o ponto de partida para a elaboração, pela 
sociedade civil, do Programa Um Milhão de Cisternas —P1MC, proposto para ser executado de maneira 
descentralizada, sob o paradigma da convivência com o semiárido, respeitando os saberes e a cultura 
locais das populações residentes nas áreas rurais do bioma caatinga. Esse programa foi a primeira 
iniciativa para inserir na agenda pública a 
características, por meio de soluções estruturantes para um problema presente na realidade 
socioeconómica e climática da região, contrariando as soluções paliativas de combate à seca vigentes 
na região até então.
ideia da convivência com a região semiárida e suas
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 158
Tendo em vista a experiência positiva das primeiras ações desenvolvidas a partir dessa articulação, 
em 2004 o governo federal destaca orçamento específico para a construção de reservatórios para captação 
e armazenamento de água da chuva. Tal ação tem desde então contado com significativos aportes de 
recursos, na perspectiva de garantir o acesso à água potável para populações rurais pobres. Sob a 
denominação de Programa Cisternas, o mesmo tem sido implementado a partir de um arranjo que envolve 
principalmente a parceria do governo federal com governos estaduais, municipais, consórcios públicos de 
municípios e com organizações da sociedade civil, utilizando o Cadastro Único para Programas Sociais do 
Governo Federal —CadÚnico para sua focalização.
O processo para a implementação das tecnologias do Programa integra, além da construção de 
uma estrutura de captação e armazenamento de água, atividades de mobilização social e capacitações 
para o manejo e a gestão da água e da própria tecnologia. Essas atividades complementares constituem 
elementos definidores do projeto, parte integrante do processo que caracteriza as referidas tecnologias 
não como obra de engenharia, mas como tecnologias sociais, passíveis de serem implantadas a partir 
de ação direta das famílias ou comunidades a serem atendidas.
De uma forma geral, são soluções simples, de baixo custo e de fácil apropriação, resultado de um 
processo social de aprendizado sobre os meios de convivência climática.
Tabela X.1
Linhas de ação do Programa Cisternas
Objetivo
Acesso à água para 
consumo humano
Acesso à água para 
produção de alimentos e 
dessedentação animal
Tecnologia
Principal tecnologia é a cisterna de placas de 16 mil litros, composta por um reservatório de placas 
de alvenaria, interligado a um sistema de calhas para a captação da água de chuva do telhado do 
domicílio. Outros tipos de tecnologias também já têm sido apoiadas, a exemplo dos sistemas 
pluviais multiuso, adaptados para a realidade da Amazônia, e das cisternas de 52 mil litros para 
escolas rurais.______________________________________________________________________
São diversas tecnologias apoiadas, sendo a mais comum a cisterna de 52 mil litros, cuja água de 
chuva armazenada no reservatório pode ser captada a partir de uma área concretada próxima 
(calçadão) ou do próprio solo a partir de um leito de enxurrada. O procedimento de instalação é 
similar ao da tecnologia de água para consumo, sendo que o reservatório atende principalmente a 
produção familiar de quintal, em geral hortaliças e frutas, e a criação de pequenos animais. Dentre 
outras tecnologias apoiadas estão a barragem subterrânea e o barreiro trincheira.
Fonte: Brasil, “Sistema de Informações Gerenciais do Programa Cisternas [online], Ministério da Cidadania aplicacoes.mds.gov.br/ 
programaicsternas [data de consulta: 21 de maio de 2019], 2019.
A importância da utilização desse tipo de tecnologia, tanto para oferecer água para consumo 
humano, em uma perspectiva de direito básico, quanto para estruturar cadeias produtivas ambiental e 
socioeconomicamente sustentáveis, dentro de uma lógica de emancipação, geração de renda e 
agregação de valor, tem sido reforçada pelo governo brasileiro ao longo dos anos.
No período de 2003 a 2018 foram investidos mais de R$ 3,6 bilhões (cerca de US$ 900 milhões), 
beneficiando diretamente mais de 1,2 milhão de famílias, sendo 1 milhão com tecnologias voltadas para 
a captação e armazenamento de água para consumo humano, principalmente as cisternas de placas de 
16 mil litros, cerca de 200 mil com tecnologias que viabilizam a produção de alimentos e a criação de 
pequenos animais, além de 6,8 mil escolas públicas rurais (Brasil, 2019b).
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 159
Figura X.1 
Principais tipos de tecnologias implantadas
Cisterna de placas de 16 mil litros Cisterna calçadão de 52 mil litros
Cisterna de enxurradas de 52 mil litros
Barreiro trincheira Cisterna escolar
Fonte: Brasil, “Portal do Desenvolvimento Social” [base de dados online], http://www.desenvolvimentosocial.gov.br [data de consulta: 21 de 
maio de 2019], 2019.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 160
realidade, foram pensados outros formatos de tecnologias, ancorados também em
Concentrada no território do semiárido (majoritariamente ocupado pela vegetação característica 
do bioma Caatinga), que abrange atualmente 1.262 municípios de 10 estados brasileiros, a partir de 
2012 houve um movimento de expansão da ação para outras regiões, cuja população rural pobre 
também enfrenta dificuldades diversas de acesso à água, associadas muitas vezes à potabilidade da 
água. Para essa 
estruturas descentralizadas de abastecimento de água com participação social.
Atualmente, são apoiados 27 tipos de tecnologias, adaptadas a diversos biomas, condições de 
solo e tamanho da propriedade. A perspectiva é garantir que as soluções adotadas sejam adaptadas a 
cada condição ambiental e climática e que as próprias comunidades se apropriem e promovam a 
sustentabilidade dessas tecnologias, ampliando de forma mais eficaz e efetiva o direito de acesso à água 
com custos relativamente reduzidos de implantação e de manutenção, incluindo captação, reservação 
e distribuição, garantindo, consequentemente, os ganhos sociais e econômicos que estão associados 
(Brasil, 2019a).
Nesse contexto, no período de 2003 a 2018 já são 1.352 municípios atendidos, dos quais 
1.113 integram a região delimitada como semiárido, conforme ilustrado na Mapa X.1 (Brasil, 2019b).
Mapa X.1 
Distribuição territorial das tecnologias apoiadas no âmbito do Programa Cisternas
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1 a 2S0 Familias  (381 Municipios)
2S1 a SÛÛ Famílias - (247 Municipios]
SOI a 1-000 Famílias - (32 Municipios) 
1.001 a 2.000 Famílias - (273 Municípios] 
Mais tie 2.000 de Famílias • ( 122 Municipios)
^5
Fonte: Elaboração própria a partir de dados disponibilizados pelo Ministério da Cidadania do Brasil.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 161
A importância da caracterização da cisterna como tecnologia social de acesso à água se reflete na 
definição legal do conceito a partir do Decreto n° 8.038/2013 (substituído pelo Decreto n° 9.606/2018). 
A partir desse normativo, e com base no acúmulo prático e teórico sobre o processo, definiu-se que a 
implementação desse tipo de tecnologia deve necessariamente envolver um conjunto de técnicas e 
métodos aplicados para captação, uso e gestão da água, desenvolvidos a partir da interação entre 
conhecimento local e técnico, apropriados e implementados com a participação da comunidade.
Ao se caracterizar a cisterna como tecnologia social, e não como obra de engenharia civil, atribui- 
se protagonismo aos processos participativos e aos atores sociais. Essa caracterização foi crucial para 
que o Programa Cisternas alcançasse escala, com eficácia, efetividade e eficiência, e com resultados 
positivos comprovados junto um público isolado e com pouco acesso a recursos de maneira geral, 
especialmente às políticas públicas. Os resultados mensurados impactam diretamente na qualidade de 
vida, com melhoria de indicadores socioeconómicos e na capacidade adaptativa às mudanças do clima 
dos beneficiários e comunidade atendidas.
A partir da oferta de uma água de melhor qualidade para consumo, existem evidências que 
atestam que as tecnologias reduzem a ocorrência de doenças de veiculação hídrica e de mortalidade 
infantil decorrente destas. Alguns estudos demonstram que a ocorrência de diarreia, incluindo 
episódios e duração da doença, foram consistentemente menores entre os residentes de domicílios com 
cisternas, sendo fator de proteção ainda maior para crianças, mais vulneráveis para esse tipo de 
ocorrência (Joventino e outros, 2010; Luna, 2011; Fonseca, 2012). Ainda em relação aos benefícios para 
a saúde, Silva (2015) demonstrou a redução no médio prazo de até 69% na taxa de mortalidade infantil 
em decorrência de diarreia em municípios atendidos por cisternas.
Outros trabalhos verificaram ainda o impacto positivo da cisterna sobre a autonomia do 
beneficiário, que estaria menos sujeito ao clientelismo político (Bobonis e outros, 2019), a partir de uma 
troca direta do voto por água, como historicamente foi marcada a política na região do semiárido 
brasileiro. O processo de educação e implantação participativa das tecnologias promove também o 
empoderamento dos beneficiários, com maior envolvimento e engajamento na busca por novas 
conquistas (Pontes, 2012), além do questionamento e reivindicação por novas oportunidades 
(Nascimento, 2016). Com isso, promove-se a cidadania no sentido de reforçar direitos civis e sociais que 
muitas vezes não são de conhecimento de populações mais vulneráveis.
Há evidências que apontam, ainda, para a redução no tempo gasto para buscar água em até 90% 
(Gertler e Navarro, 2015; Gomes e Heller, 2016), aumentando consequentemente o tempo para lazer e 
educação de mulheres e crianças, a quem a tarefa de buscar água é tradicionalmente atribuída no 
semiárido rural (Pontes, 2012). De acordo com estudo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban, 
2007), observa-se o aumento de 7,5% da frequência escolar de crianças apenas com a implantação da 
cisterna no domicílio, o que implica ainda em uma taxa de retorno económico do investimento estimado 
em pelo menos 4,8% ao ano.
No caso do atendimento de escolas, a partir da oferta de uma água de melhor qualidade para 
consumo de alunos e professores, essas tecnologias contribuem para o adequado funcionamento das 
unidades, permitindo o preparo da merenda e oferta de alimentação durante o ano letivo, também com 
potencial incidência positiva na frequência escolar.
A água armazenada nas cisternas permite ainda o desenvolvimento de subsistemas produtivos 
até então limitados pela escassez hídrica, proporcionando condições objetivas para ampliação da 
produção agroalimentar. O volume de água captado e armazenado potencializa o quintal produtivo dos 
beneficiários, com maior diversificação dos alimentos produzidos, proporcionando, assim, o acesso 
regular e permanente a alimentos saudáveis, a geração de renda adicional (monetária e não monetária) 
e a melhoria na qualidade de vida (Borges Filho, 2015; Souza e outros, 2016), inclusive com potencial 
redução na migração das famílias do campo para as cidades. Análise económica realizada pelo Instituto 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 162
Nacional do Semiárido (INSA) em 2016 apontou para uma ampliação da renda de 82% quando 
comparadas famílias com cisternas com aquelas que não haviam sido atendidas (INSA, 2016).
A valiações realizadas pelo Tribunal de Contas da União (órgão de controle externo no Brasil), em 
2006 e 2007 (TCU, 2006 e 2007), e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária —Embrapa, em 
2009 (Embrapa, 2009), corroboram parte desses resultados e a importância que as tecnologias 
assumem, que se reflete no alto grau de satisfação das famílias com o programa.
Na dimensão econômica, um aspecto importante da implementação do Programa é que todo 
recurso repassado pelo governo federal é aplicado no município atendido, gerando demanda crescente 
por produtos e serviços em nível local. Com isso, resultado indireto decorre da própria execução, que 
está orientada a causar efeitos de otimização das potencialidades locais, seja na compra dos materiais, 
que representa 70% do valor total, ou na contratação da mão-de-obra para a construção. Além disso, 
parte dos recursos aplicados são direcionados para a contratação de técnicos de campo para a execução 
das atividades de mobilização, capacitações ou acompanhamento das famílias.
Esse resultado se torna evidente quando se constata que a maioria dos municípios atendidos são 
de pequeno porte (menos de 20 mil habitantes), dependentes quase que exclusivamente do repasse de 
recursos da União, por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), com baixo dinamismo 
econômico, que se reflete na alta participação da administração pública no Produto Interno Bruto —PIB 
local, e nos menores índices de desenvolvimento humano do país (Atlas Brasil, 2013). Além disso, 
mesmo sendo localidades predominantemente rurais, observa-se uma pequena participação da 
agricultura no PIB, sobressaindo uma agricultura familiar de baixo rendimento.
Dados
Número de municípios
População
% População rural
Tabela X.2
Comparativo entre médias de indicadores populacionais e socioeconômicos
Municípios atendidos pelo 
Programa Cisternas
1 352
24 471
47,1
% População em situação de pobreza ou extrema pobreza 65,7
IDH 0,594
Renda per capita 281,56
PIB (R$ 1.000) R$ 252 633,83
% Participação da administração pública no PIB 50,5
% Participação da agricultura no PIB 11,5
Municípios brasileiros
5 570
34 191
37,5
44,1
0,659
491,46
R$ 1 125 171,45
33,1
20,8
Fonte: Atlas Brasil, “Atlas dos Municípios Brasileiros” [online], http://atlasbrasil.org.br/2013/pt/download/ [data de consulta: 21 de maio de 
2019], 2013.
Importante destacar que o investimento do Programa por família chega a R$ 276,50, o que 
representa aproximadamente a renda per capita média mensal nos municípios atendidos pelo 
Programa, conforme informação apresentada na tabela X.2. Em alguns municípios, o investimento 
realizado ao longo dos últimos anos alcança mais de cinco vezes a renda per capita média mensal em 
um ano, o que oferece uma dimensão do potencial efeito multiplicador dos recursos do Programa sobre 
o produto interno bruto dessas localidades.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 163
Além disso, os cursos de formação da mão-de-obra para a construção das cisternas, promovidos 
também com recursos do Programa, têm gerado uma nova força de trabalho nessas localidades. São 
agricultores familiares das próprias comunidades que passam por um processo de treinamento teórico 
e prático. Ao longo de todo o período de implementação do Programa, foram pelo menos 20 mil pessoas 
capacitadas para a construção dos equipamentos (Brasil, 2019b). Boa parte deles continua construindo 
cisternas e outra parte importante é incorporada a outros projetos públicos ou privados de construção 
civil, ampliando suas perspectivas de trabalho e complementando a renda da família.
Destaca-se que a ampliação gradual das ações do Programa, fruto de uma interação dinâmica 
entre o poder público e a sociedade civil, tem resultado ainda na construção de capacidades 
tecnológicas e inovadoras, que se reflete no aperfeiçoamento contínuo e no desenho de novas soluções 
a serem disponibilizadas. Trata-se de um processo bottom-up na essência, visto que as melhorias 
tecnológicas resultam em sua maior parte da prática das organizações locais ou de pesquisas 
desenvolvidas em institutos ou universidades no território. Para se ter uma ideia dessa interação, 
levantamento recente apontava para a existência de pelo menos 60 estudos de avaliação qualitativa ou 
quantitativa do Programa.
Por fim, diversas pesquisas têm buscado associar sistemas de captação e armazenamento de 
água de chuva, tais como as cisternas e outras tecnologias sociais, aos processos de adaptação climática 
(Kahinda e outros, 2010; Ventura e outros, 2013; Gnadlinger, 2014; Angelotti, Fernandes Jr e Bezerra de 
Sá, 2015; Lindoso e outros, 2018). Nesse contexto, Andrade e outros (2015) apresentam as cisternas, 
tecnologias adaptadas à realidade local, como um elemento de gestão de risco da escassez hídrica e de 
crise de abastecimento, contribuindo de forma inquestionável para a redução da vulnerabilidade social 
e como medida de adaptação às mudanças climáticas.
Do ponto de vista ambiental, ressalta-se ainda a potencial redução na pressão sobre recursos naturais, 
uma vez que o armazenamento e uso de água de chuva limita a necessidade de captação de outras fontes 
para o abastecimento emergencial. Aqui, mais uma vez, a contraposição da cisterna com o carro pipa é 
importante, uma vez que em tempos de estiagem prolongada, o volume possível de ser armazenado no 
reservatório da cisterna (16 mil litros) reduz a demanda imediata de uso intensivo desse tipo de solução 
(Brasil, 2019a). Ao otimizar o uso da água com a captação da água da chuva, promove-se a redução da 
demanda de água de mananciais superficiais e subterrâneos, fontes a partir das quais o carro pipa distribui 
água, ampliando o capital natural de territórios em estágio avançado de degradação ambiental.
Ademais, avalia-se que as trocas de experiências entre os beneficiários e seu aprendizado nos 
cursos de capacitação também possuem importante papel para a melhoria da eficiência no uso de 
insumos e recursos naturais no território. Esses cursos são parte do processo de implementação das 
tecnologias, e representam um momento no qual as famílias atendidas refletem sobre estratégias e 
técnicas de manuseio e gestão da água, além de serem orientadas sobre técnicas de produção 
agroecológica (incluindo adubos orgânicos, compostagem e uso de defensivos naturais) e de 
conservação do solo, sobre planejamento integrado da produção e uso das tabelas de consumo de água 
pelas diferentes atividades desenvolvidas, o uso e montagem de tecnologias sociais de produção 
(canteiros econômicos, canteiros elevados, cobertura seca, sombreamento), além da prática de 
irrigação simplificada, sobretudo a partir do uso de gotejamento.
Não por acaso, em 2017 o Programa foi eleito uma das melhores políticas de combate à 
desertificação do mundo, prêmio concedido pelo Comitê de Combate à Desertificação da ONU, em 
parceria com o World Future Council, no âmbito do Future Policy Award.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 164
Tabela X.3 
Impactos do Programa Cisternas nas dimensões econômica, social e ambiental
Dimensão Impactos
Econômica
Social
Ambiental
Potencial efeito multiplicador sobre o PIB, possível de ser captado na relação entre o investimento e a renda 
per capita média
Criação de novos empregos (ampliação no número de pedreiros, sendo 20 mil treinados até o momento, 
técnicos de campo e instrutores de cursos) e ampliação da capacidade de produção de alimentos, 
especialmente por meio da introdução de práticas agroecológicas
Inovações tecnológicas que são resultado da interação com a sociedade civil, institutos de pesquisas 
e universidades no território
Geração de renda (monetária e não monetária) para os beneficiários, com ampliação de 82% após 
o atendimento com as tecnologias.
Maior quantidade e diversificação de alimentos produzidos e consumidos
Melhoria nas condições de saúde, com redução na incidência de doenças, principalmente as de veiculação 
hídrica, sendo de até 69% no caso de mortalidade infantil
Ampliação da cidadania e da autonomia dos indivíduos, resultado da redução na troca clientelista 
(água por voto)
Redução no tempo para buscar água em até 90%, especialmente por parte das mulheres, 
que é redirecionado para maior lazer, educação e/ou trabalho.
Melhoria da disponibilidade e qualidade da água, com impacto positivo para adaptação climática
Melhoria da eficiência no uso da água, com redução de pressão decorrente da captação de outras fontes 
(sobretudo por caminhões pipa)
Recuperação e melhor gestão da vegetação nativa, de solos e pastagens a partir da limitação do uso de 
defensivos agrícolas e práticas de manejo adequado decorrentes de técnicas agroecológicas de produção
Fonte: Elaboração própria com base em Paul Gertler e Marco Gonzales Navarro, Avaliação de impacto de cisternas pluviais residenciais no 
semiárido brasileiro, Agencia Espanhola de Cooperación Internacional para el Desarollo - AECID, 2015; Uende Aparecida Figueiredo Gomes e Léo 
Heller, “Acesso à água proporcionado pelo Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semiárido: Um Milhão de 
Cisternas Rurais: combate à seca ou ruptura da vulnerabilidade?”, Engenharia Sanitária Ambiental, vol. 21, N° 3, 2016; Instituto Nacional do 
Semiárido (INSA), Sistemas agrícolas familiares resilientes a eventos ambientais extremos no contexto do Semiárido brasileiro: alternativas para 
enfrentamento aos processos de desertificação e mudanças climáticas, Campina Grande, 2016; Jacqueline Evangelista Fonseca, “Implantação de 
cisternas para armazenamento de água de chuva e seus impactos na saúde infantil: um estudo de coorte em Berilo e Chapada do Norte”, 
dissertação de mestrado, Belo Horizonte, Programa de Pós-Graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Universidade 
Federal de Minas Gerais, 2012; Emanuella Silva Joventino e outros, “Comportamento da diarreia infantil antes e após consumo de água pluvial 
em município do semiárido Brasileiro”, Texto Contexto Enfermagem, vol. 19, N° 4, Florianópolis, 2010; Gustavo Bobonis e outros, “Vulnerability 
and clientelism”, NBER Working Paper, N° 23589, National Bureau of Economic Research, 2019; Brasil, “Sistema de Informações Gerenciais do 
Programa Cisternas” [online], Ministério da Cidadania aplicacoes.mds.gov.br/programaicsternas [data de consulta: 21 de maio de 2019], 2019; 
Lucas Emanuel Silva, “O impacto de cisternas rurais sobre a saúde infantil: uma avaliação do Programa 1 Milhão de Cisternas, 2000-2010”, 
dissertação de mestrado, Recife, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal de Pernambuco, 2015; Carlos Feitosa Luna, 
“Avaliação do impacto do Programa Um Milhão de Cisternas Rurais (P1MC) na saúde: ocorrência de diarreia no Agreste Central de Pernambuco”, 
tese de doutorado, Recife, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz, 2011.
categoria Uso Racional de Recursos Hídricos. Em 2008, também foi
Destaca-se que, além das evidências e dos impactos mensurados, o Programa também obteve 
reconhecimento institucional em outras esferas. Em 2005, a iniciativa recebeu o Prêmio ODM, organizado 
pelo governo federal, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD Brasil) e pelo 
Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade. Em 2006, o Programa foi reconhecido em Prêmio da 
Agência Nacional de Águas, na 
concedido o Prêmio Josué de Castro de Boas Práticas em Gestão de Projetos de Segurança Alimentar e 
Nutricional para a Associação Programa Um Milhão de Cisternas, principal parceira do governo federal na 
execução do Programa. No âmbito internacional, o Programa ganhou o Prêmio Sementes 2009, da 
Organização das Nações Unidas (ONU), concedido a projetos de países em desenvolvimento feitos em 
parceria entre organizações não-governamentais, comunidades e governos. Em 2011 o Programa Cisternas 
recebeu o Prêmio Água e Saneamento, patrocinado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) 
e pela entidade Fomento Econômico Mexicano (Femsa).
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 165
programas sociais de maior
Em 2015 o Programa Cisternas integrou a lista de vencedores do 20° Concurso Inovação na 
Gestão Pública, realizado pela Escola de Administração Pública do Brasil, pela inovação nas regras e nos 
processos para implementação das tecnologias e atendimento de populações em nível extremo de 
vulnerabilidade. Importante destacar também que, para além dessas premiações, o Programa Cisternas 
também foi recentemente mencionado pela FAO/ONU entre os 
importância para superação da fome e da pobreza no Brasil, conforme destacado no relatório “O Estado 
da Alimentação e Agricultura 2015 (FAO, 2015).
Tendo em vista essas múltiplas dimensões do processo de implementação das cisternas, 
observa-se uma relação direta dos impactos observados com o Big Push para a Sustentabilidade. 
Conforme discutido acima e resumido na tabela X.3, os investimentos no Programa resultam direta e 
indiretamente em um ciclo virtuoso de desenvolvimento social e econômico em escala territorial, 
associado ainda à redução na pressão sobre os recursos naturais e à redução de impactos ambientais 
decorrentes da má utilização da água e do solo, principalmente.
As ações desenvolvidas no âmbito do Programa Cisternas representam hoje um importante 
exemplo de como é possível promover o acesso à água, incidindo direta ou indiretamente sobre outros 
objetivos de desenvolvimento sustentável, sendo estratégia para reduzir a pobreza, alcançar a 
segurança alimentar, promover o bem-estar da população e reforçar a resiliência e capacidade de 
adaptação a riscos relacionados ao clima e combater a desertificação. Além disso, busca-se um diálogo 
próximo com a promoção da recuperação, conservação e preservação do meio ambiente e com a 
garantia de outros direitos difusos e coletivos, em especial a proteção e inclusão de pessoas em situação 
de vulnerabilidade social.
Conforme demonstram os resultados apresentados, existe uma interação direta com a Agenda 
2030 (ONU, 2015) e boa parte de seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma vez que 
o Programa Cisternas tem contribuído diretamente para o alcance do ODS 6, que aborda a 
disponibilidade e gestão sustentável da água para todos, mas possui incidência também sobre o 
enfrentamento da pobreza em uma perspectiva multidimensional (ODS 1) e das desigualdades 
(ODS 10), sobre o enfrentamento da fome, na perspectiva de alcançar a segurança alimentar e a 
melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável (ODS 2), além de combater as mudanças 
climáticas (ODS 13), reforçando a resiliência e a capacidade de adaptação de populações em situação 
de risco climático.
C. Relação do caso estudo com o Big Push para a Sustentabilidade
O caso estudado no presente capítulo pode ser analisado à luz da abordagem cepalina do Big Push para 
a Sustentabilidade (CEPAL/FES, 2019). Em termos simples, o Big Push para a Sustentabilidade 
representa um arcabouço conceitual para analisar a articulação e coordenação de políticas (públicas, 
corporativas e comunitárias, nacionais, regionais e locais, setoriais, tributárias, regulatórias, fiscais, de 
financiamento, de planejamento, de inovação, de capacitação, etc.) que alavanquem investimentos 
(nacionais e estrangeiros) para produzir um ciclo virtuoso de crescimento econômico, gerador de 
emprego e renda, redutor de desigualdades e de brechas estruturais e promotor da sustentabilidade 
ambiental, social e econômica. No presente estudo, fica nítido que os recursos alocados ao Programa 
Cisternas foram efetivos em difundir essa tecnologia social, gerando um ciclo virtuoso de resultados 
socioeconômicos e ambientais positivos na região do semiárido brasileiro.
A abordagem do Big Push se orienta por três eficiências. A primeira é a eficiência schumpeteriana, 
segundo a qual uma matriz produtiva mais integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera 
externalidades positivas de aprendizagem e inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. 
O caso estudado demonstra uma clara articulação com a eficiência schumpeteriana ao se basear em 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 166
uma inovação desenvolvida a partir de tecnologias sociais, as cisternas. Todo ou a maior parte do capital 
gerado decorre de aprendizados ou inovações desenvolvidas em nível comunitário ou pela sociedade 
civil, em interação constante com o setor público. O Programa se baseia fortemente na construção de 
capacidades tecnológicas, inovativas, produtivas e humanas, o que simboliza sua contribuição para um 
estilo de desenvolvimento intensivo em aprendizado e conhecimentos.
A segunda é a eficiência keynesiana, que destaca que há ganhos crescentes de escala e de escopo 
da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando efeitos 
multiplicadores e impactos significativos na economia e nos empregos. O Programa Cisternas é um 
exemplo típico de eficiência keynesiana, na medida em que a população e o Estado identificaram um 
investimento sustentável com grande potencial de benefício público a um custo relativamente baixo e, 
assim, o Estado criou políticas que gerassem demanda por esses investimentos, particularmente 
investimentos diretamente financiados e aplicados à escala com
Estado teve o papel fundamental de criar a demanda através do Programa Cisternas, de forma que os 
investimentos associados à implementação das tecnologias viabilizaram a expansão de um conjunto de 
serviços, com impacto direto e indireto no desenvolvimento econômico local, o que não teria ocorrido 
na sua ausência. Esse caso destaca a centralidade do papel do Estado com respeito à eficiência 
keynesiana, particularmente no contexto de investimentos sustentáveis cuja demanda não ocorre 
espontaneamente no mercado.
Por fim, a terceira e última eficiência é a da sustentabilidade, que diz respeito à eficiência no 
marco do clássico tripé do desenvolvimento sustentável (social, econômico e ambiental). A tabela X.3 
resume os impactos do Programa Cisternas nessas três dimensões.
A análise do caso estudo permite concluir que o Programa Cisternas é um exemplo de um Big Push para 
a Sustentabilidade no seminárido brasileiro, pois os investimentos sustentáveis promovidos pelo Programa 
efetivamente contribuíram para transformar o estilo de desenvolvimento local rumo à sustentabilidade.
financiamento público. Ou seja, o
D. Considerações finais
O Programa Cisternas se consolidou ao longo dos últimos anos como uma das principais políticas públicas 
para o desenvolvimento rural sustentável no Brasil, com impactos sociais, econômicos e ambientais que 
vão muito além de seu objetivo central de garantir o acesso à água para população rural de baixa renda. 
O entendimento de seu alcance proporciona lições importantes para casos de aplicação da abordagem do 
Big Push para a Sustentabilidade, uma vez que essa intervenção tem sido capaz de articular um conjunto 
de políticas voltadas a populações vulneráveis no Brasil, mobilizando investimentos significativos para 
promover mobilização e aprendizado sociais, além de impulsos significativos para o desenvolvimento 
socioeconômico e para a capacidade de adaptação climática em nível local.
Apesar de estar inserida no âmbito da estratégia brasileira para superação da pobreza e da 
extrema pobreza no meio rural, o Programa Cisternas tem sido o fio condutor de um processo de 
inclusão social e produtiva rural, que passa por políticas de transferência de renda, a exemplo do Bolsa 
Família, e envolve ainda crédito subsidiado e recursos não reembolsáveis para o fomento produtivo, 
assistência técnica, além de mecanismos para compra de produtos da agricultura familiar, 
potencializados a partir do Programa de Aquisição de Alimentos.
Em regiões com elevado estresse hídrico, como é o caso do semiárido brasileiro, a articulação 
dessas políticas em torno do Programa Cisternas se torna ainda mais relevante, tendo em vista que a 
inclusão produtiva no meio rural, em geral, exige o acesso adequado à água em quantidade e qualidade 
suficientes para o desenvolvimento de atividades econômicas. Essa integração de políticas públicas para 
a superação da pobreza foi conduzida inicialmente no âmbito do Plano Brasil Sem Miséria, e de certa 
forma permanece como eixo condutor das políticas sociais para o campo no Brasil nos últimos anos.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 167
Ao mesmo tempo em que o semiárido tem se deparado ano após ano com os efeitos da crise 
climática, a disponibilidade de água viabilizada a partir do Programa tem sido capaz de manter a 
resiliência das pulações rurais beneficiadas, ou mesmo desenvolver novas práticas agrícolas adequadas 
ao semiárido e à realidade das próprias famílias, sendo fundamental para aliviar a pobreza e garantir a 
segurança alimentar.
A disseminação das tecnologias sociais apoiadas no âmbito do Programa Cisternas gerou 
oportunidades de se pensar em um modelo mais inclusivo de desenvolvimento social, ao envolver os 
beneficiários em praticamente todas as etapas de implementação e gerar resultados significativos em 
diversos aspectos sociais, econômicos e ambientais. Além disso, a atuação governamental tem se dado 
em um contexto de ampla parceria com a sociedade civil, parceria essa institucionalizada no modelo de 
execução da política, o que constitui um dos elementos de maior importância para os resultados 
alcançados. Assim, 0 Programa Cisternas busca romper com assimetrias tecnológicas e brechas 
socioeconómicas estruturais, desde a redução da desigualdade de renda (monetária e não monetária) e 
de acesso à infraestrutura hídrica entre o campo e a cidade e entre regiões até a diminuição da 
vulnerabilidade à crescente escassez de água devido ao aquecimento global e a uma gestão mais 
eficiente e equitativa dos recursos hídricos.Com isso, a atuação do Estado brasileiro no enfrentamento 
da pobreza e das desigualdades, na garantia da saúde e da segurança alimentar, na promoção da 
cidadania e nos processos de adaptação climática, em especial no meio rural, encontra no Programa 
Cisternas um dos mecanismos mais efetivos.
No entanto, o contexto de restrição fiscal do Estado brasileiro tem colocado barreiras para a 
continuidade do processo de expansão da ação tanto no semiárido como em outras regiões vulneráveis. 
A enorme demanda potencial ainda existente, sendo apenas no semiárido estimada atualmente em 600 
mil famílias (Brasil, 2019a), e os impactos e resultados já mensurados, constituem elementos 
importantes para viabilizar uma coordenação mais ampla de atores públicos e privados, em um esforço 
para ampliar os investimentos e consolidar essa política como parte de um processo de mudança 
estrutural rumo a um estilo de desenvolvimento sustentável no meio rural brasileiro.
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