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<dcvalue element="contributor" qualifier="author" language="es_ES">Corden, W. Max</dcvalue>
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<dcvalue element="title" qualifier="null" language="es_ES">Una zona de libre comercio en el Hemisferio Occidental: posibles implicancias para América Latina</dcvalue>
<dcvalue element="description" qualifier="null" language="es_ES">Incluye Bibliografía</dcvalue>
<dcvalue element="relation" qualifier="ispartof" language="es_ES">En: La liberalización del comercio en el Hemisferio Occidental - Washington, DC : BID/CEPAL, 1995 - p. 13-40</dcvalue>
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Nações Unidas 
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Investimentos transformadores 
para um estilo de 
desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push) para a sustentabilidade 
no Brasil
Camila Gramkow 
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Investimentos transformadores para um estilo 
de desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso (Big Push)
para a sustentabilidade no Brasil
Camila Gramkow 
Organizadora
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Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada
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cooperação
Rede Brasil
FRIEDRICH
EBERT
STIFTUNGalemãDEUTSCHE ZUSAMMENARBEIT
Este documento foi organizado por Camila Gramkow, Oficial de Assuntos Econômicos do Escritório no Brasil da 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), no âmbito das atividades do projeto CEPAL/Deutsche 
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ): “Sustainable development paths for middle-income countries 
under the 2030 Agenda for Sustainable Development in Latin America and the Caribbean”. Este documento também 
contou com o apoio da Friedrich-Ebert-Stiftung (FES), da Rede Brasil do Pacto Global e do Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (IPEA) para realização e divulgação da Chamada Aberta de Estudos de Casos de Investimentos 
para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil a partir da qual os capítulos foram produzidos e selecionados. 
Reconhecemos e agradecemos a colaboração dos membros do Comitê de Avaliação da referida chamada: 
Gustavo Fontenele e Silva (Ministério da Economia do Brasil), Julio César Roma (IPEA), Mauro Oddo Nogueira (IPEA), 
Luiz Fernando Krieger Merico (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Assentamentos Humanos) e 
Maria Luisa Marinho (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Social). Colaboraram com este documento, além dos autores 
e autoras que assinam seus capítulos, os assistentes de pesquisa e os estagiários da CEPAL em Brasília: Camila Leotti, 
Gabriel Belmino Freitas, Pedro Brandão da Silva Simões e Sofia Furtado. Contamos, também, com a contribuição do 
diretor da CEPAL em Brasília, Carlos Henrique Fialho Mussi, e de Maria Pulcheria Graziani do mesmo escritório.
As opiniões expressas neste documento, que não foi submetido à revisão editorial, são de exclusiva responsabilidade 
dos autores e autoras e podem não coincidir com as visões da CEPAL e das instituições a que os autores e autoras são 
filiados, nem com as das instituições que apoiaram este documento.
Publicação das Nações Unidas
LC/TS.2020/37
LC/BRS/TS.2020/1
Distribuição: L
Copyright © Nações Unidas, 2020 
Todos os direitos reservados
Impresso nas Nações Unidas, Santiago 
S.20-00209
Esta publicação deve ser citada como: Camila Gramkow (org.), “Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento 
sustentável: estudos de casos de grande impulso (Big Push) para a sustentabilidade no Brasil, Documentos de Projetos 
(LC/TS.2020/37; LC/BRS/TS.2020/1), Santiago, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), 2020.
A autorização para reproduzir total ou parcialmente esta obra deve ser solicitada à Comissão Econômica para a América Latina e 
o Caribe (CEPAL), Divisão de Publicações e Serviços Web, publicaciones.cepal@un.org. Os Estados-membros das Nações Unidas 
e suas instituições governamentais podem reproduzir essa obra sem autorização prévia. Solicita-se apenas que mencionem a fonte 
e informem à CEPAL de tal reprodução.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 3
Índice
Prefácio.......
Carlo Pereira
11
Apresentação
Alicia Bárcena
13
Introdução .........................................................................................................................
Carlos Mussi, Camila Gramkow
Companhia Siderúrgica do Pecém: o Big Push industrial do Estado do Ceará........
Alex Maia do Nascimento, Claudio Renato Chaves Bastos, Cristiane Peres, 
Emanuela Sousa de França, Italo Barreira Ribeiro, Leonardo Roger Silva Veloso, 
Livia Bizarria Prata, Marcelo Monteiro Baltazar, Ramyro Batista Araujo,
Ricardo Santana Parente Soares, Rodrigo Santos Almeida, Vanilson da Silva Benica 
Resumo ..................................................................................................................
Introdução......................................................................................................
O projeto sustentável da Companhia Siderúrgica do Pecém..........................
CSP - A sinergia cultural Brasil-Coréia do Sul.................................................
O Big Push industrial CSP - antes da operação..............................................
Conquistas durante a fase de operação da CSP.............................................
Considerações finais sobre o Big Push CSP....................................................
Bibliografia.............................................................................................................
Aumentando a resiliência climática e combate à pobreza rural por meio de ações 
emergenciais de combate à seca: o caso dos sistemas agroflorestais 
no Procase - FIDA..................................................................................................
Leonardo Bichara Rocha, Thiago César Farias da Silva, Donivaldo Martins 
Resumo..................................................................................................................
A. Introdução......................................................................................................
O FIDA e ações de combate aos efeitos da seca na Paraíba............................
Sistemas agroflorestais no contexto dos Planos Emergenciais......................
15
I. 23
II.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
23
24
26
27
28
32
43
45
47
B.
C.
47
48
48
50
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 4
III.
D.
E.
F.
IV.
54
54
55
57
59
A.
B.
C.
D.
E.
F.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
V.
A.
B.
C.
D.
E.
59
59
60
65
68
69
71
73
75
Assessoria técnica contínua e especializada.................................................................
Resultados e ODS.........................................................................................................
Conclusões e relação com o Big Push para a Sustentabilidade......................................
Bibliografia............................................................................................................................
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil: a contribuição dos Tûkûna 
do Médio Rio Juruá (AM).......................................................................................................
Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle, 
Tatiana Ribeiro Souza Brito 
Resumo.................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
Inventário etnográfico...................................................................................................
A construção de casas de farinha..................................................................................
Chamada pública para alimentação escolar..................................................................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade..............................
Conclusão......................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Polímeros Verdes: tecnologia para promoção do desenvolvimento sustentável...................
Adriana Mello, Jorge Soto, José Augusto Viveiro 
Resumo................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
O PE verde da Braskem.................................................................................................
Capacidade de mobilização de investimentos..............................................................
PE verde e o desenvolvimento sustentável...................................................................
PE verde e o Big Push para a Sustentabilidade..............................................................
Conclusões ....................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Assentamentos Sustentáveis na Amazônia: o desafio da produção familiar 
em uma economia de baixo carbono....................................................................................
Erika de Paula P. Pinto, Maria Lucimar de L. Souza, Alcilene M. Cardoso, 
Edivan S. de Carvalho, Denise R. do Nascimento, Paulo R. de Sousa Moutinho, 
Camila B. Marques, Valderli J. Piontekowski
Resumo .................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
As origens do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia................................
Estratégias integradas para a promoção de assentamentos sustentáveis na Amazônia
Incentivos econômicos para conservação e produção rural sustentável........................
Sistemas agroflorestais como estratégia de regularização ambiental 
e segurança alimentar...................................................................................................
Discussão sobre a iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade..........................
Bibliografia............................................................................................................................
Tecnologia de tratamento de esgoto: uma alternativa de saneamento básico 
rural e produção de água para reúso agrícola no Semiárido Brasileiro..................................
Mateus Cunha Mayer, Rodrigo de Andrade Barbosa, George Rodrigues Lambais, 
Salomão de Sousa Medeiros, Adrianus Cornelius Van Haandel, Silvânia Lucas dos Santos 
Resumo .................................................................................................................................
A. Introdução.....................................................................................................................
O desenvolvimento de tecnologias de saneamento básico rural de custo 
acessível no Semiário Brasileiro....................................................................................
VI.
F.
75
76
77
80
81
84
87
88
89
89
90
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92
95
B.
.. 97
..98
101
103
103
104
105
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 5
VII.
VIII.
IX.
C.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
A cultura da erva-mate no sul do Brasil e os desafios do cultivo em Machadinho ,
Benefícios ambientais...................................
SAF Cambona 4 e a neutralização de carbono
Relação do estudo de caso com o Big Push e a Agenda 2030....................
Conclusão.................................................................................................
Bibliografia........................................................................................................
Sistema Agroflorestal Cambona 4: um exemplo de impulso à sustentabilidade 
na Região Sul do Brasil......................................................................................
Airton José Morganti Júnior, José Lourival Magri, Selia Regina Felizari
Resumo ............................................................................................................
Introdução................................................................................................
1.
Sistema Agroflorestal Cambona 4..............................
SAF Cambona 4 e o desenvolvimento socioambiental
1.
2.
SAF Cambona 4 e o Big Push para a Sustentabilidade....................
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
Unidade de Cogeração Lages: um exemplo do potencial transformador 
da economia circular ..............................................................................
José Lourival Magri, Mario Wilson Cusatis
Resumo ..................................................................................................
Introdução......................................................................................
Descrição do projeto......................................................................
Destinação das cinzas de biomassa...............................................
Projeto comunitário.......................................................................
Tecnologia para melhor aproveitamento........................................
Impactos da iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade....
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
O modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes..........
Rogério Atem de Carvalho
Resumo..................................................................................................
Introdução......................................................................................
O modelo de ação do PICG............................................................
1.
2.
3.
4.
5.
6.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
G.
A.
B.
Linha 1: projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) 
Linha 2: projetos com comunidades e governos...........................
Linha 3: projetos de pesquisa aplicada e extensão tecnológica....
Linha 4: concepção e operação do campus...................................
Ações integrativas........................................................................
O PICG como parte de um ecossistema........................................
O ciclo virtuoso dos investimentos em inovação..................................
Impactos econômicos, sociais e ambientais..........................................
1.
2.
3.
C.
D.
E.
Dimensão econômica ................................................................................
Dimensão ambiental..................................................................................
Dimensão social.........................................................................................
A atuação do PICG à luz do Big Push para a Sustentabilidade e da Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável................................................................
Conclusões .........................................................................................................
Bibliografia.................................................................................................................
F.
.111
112
112
115
115 
116 
116 
.117 
119 
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127
127
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.137 
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149 
150 
151
151
153
153
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 6
X. Tecnologias sociais como impulso para o acesso à água e o desenvolvimento 
sustentável no meio rural brasileiro: a experiência do Programa Cisternas....
Vitor Leal Santana, Lilian dos Santos Rahal 
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Programa Cisternas: contexto, resultados e impactos............................
Relação do caso estudo com o Big Push para a Sustentabilidade...........
Considerações finais...............................................................................
Bibliografia.....................................................................................................
Programa de Restauração Ambiental da Suzano: lições aprendidas para 
investimentos em recuperação de pastagens degradadas no Brasil...............
Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli, Yugo Matsuda
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Estruturação de investimentos no âmbito da estratégia de conservação 
e do Programa de Restauração Ambiental da Suzano............................
1.
2.
3.
4.
155
XI.
XII.
XIII.
A.
B.
C.
D.
155 
156 
.157
165 
166 
167
171
A.
B.
C.
171
172
Métodos customizados......................................................................................
Gestão eficiente e parcerias...............................................................................
Capacidade de replicabilidade ..........................................................................
Processos inovadores em financiamento, gestão e tecnologia.........................
Os impactos do Programa de Restauração Ambiental no contexto do Big Push 
para a Sustentabilidade e da Agenda 2030................................................................
Conclusão..................................................................................................................
Bibliografia.........................................................................................................................
Política de conteúdo local e incentivos financeiros no mercado de energia eólica no Brasil 
Britta Rennkamp, Fernanda Fortes Westin, Carolina Grottera
Resumo .............................................................................................................................
Introdução.................................................................................................................
Fatores, atores e impactos das políticas de incentivo e conteúdo local 
no mercado de energia eólica no Brasil......................................................................
1.
2.
Capacidade tecnológica nacional e criação de emprego nas indústrias 
de energia eólica no Brasil...................................................................
Perspectivas futuras para o setor de energia eólica no Brasil...............
1.
2.
3.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
Requisitos de Conteúdo Local obrigatórios na tarifa feed-in.....
RCLs opcionais ligados ao financiamento de energia renovável
Expansão dos mercados eólicos na América Latina....................................
A energia eólica e a estratégia de desenvolvimento a longo prazo brasileira 
Análise à luz da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade................
Conclusão.............................................................................................................
Bibliografia...................................................................................................................
Anexo XII.1....................................................................................................................
Da subsistência ao desenvolvimento: o processo de construção da Associação 
de Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras - MG.....................................................
Eliane Oliveira Moreira, Jucilaine Neves Sousa Wivaldo 
Resumo.............................................................................................................................
A. Introdução.................................................................................................................
O material reciclável e o contexto brasileiro da década de 1990: breve histórico......
Uma construção social dialogada: o processo histórico inicial da ACAMAR e a FPDA
B.
C.
.173 
174 
. 177 
179 
179
180
183
184
185
185
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187
188
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194
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198
200
201
201
202
203
204
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 7
D. Desenvolvimento em perspectiva: desenvolvimento sustentável, a ACAMAR 
e o Big Push para a Sustentabilidade........................................................................
Considerações finais...................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
XIV. Projeto Tipitamba: transformando paisagens e compartilhando conhecimento 
na Amazônia ............................................................................................................
Osvaldo Ryohei Kato, Anna Christina M. Roffé Borges, Célia Maria B. Calandrini de Azevedo, 
Debora Veiga Aragão, Grimoaldo Bandeira de Matos, Lucilda Maria Sousa de Matos, 
Maurício Kadooka Shimizu, Steel Silva Vasconcelos, Tatiana Deane de Abreu Sá 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
O Projeto Tipitamba...................................................................................................
O potencial transformador dos investimentos no Sistema Tipitamba...................
Os impactos econômicos, sociais e ambientais do Projeto Tipitamba...................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade.......................
Conclusão ...................................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
Desenvolvimento sustentável e geração de impacto positivo: caso Natura e Amazônia 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
Modelo de negócio sustentável.................................................................................
1.
Estruturação de investimentos no âmbito do Programa Natura Amazônia
1.
2.
3.
E.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
XV.
A.
B.
Estudo de caso Ucuuba
C.
D.
E.
Ciência, tecnologia e inovação.....................................................
Fortalecimento institucional........................................................
Cadeias produtivas.......................................................................
Relação entre o estudo de caso e o Big Push para a Sustentabilidade
Conclusão .............................................................................................
Bibliografia ....................................................................................................
Anexo XV.1....................................................................................................
Tabelas
Tabela I.1
Tabela II.1
Tabela II.2
Tabela IV.1
Tabela VI.1
Tabela VIII.1
Tabela X.1
Tabela X.2
Tabela X.3
Tabela XII.1
Tabela XII.2
Tabela XV.1
Compromissos Ambientais CSP.............................................................................
Grupos de famílias atendidos pelo Plano Emergencial e assessoria
técnica do Procase...................................................................................................
Procase e ODS nos Planos Emergenciais..............................................................
Indicadores de Desenvolvimento Sustentável elencados pela CEPAL
e a aderência do PE Verde da Braskem..................................................................
Funções das unidades de tratamento e resultados esperados..............................
Histórico das emissões de RCE relativas ao Projeto MDL 0268 ...........................
Linhas de ação do Programa Cisternas..................................................................
Comparativo entre médias de indicadores populacionais e socioeconômicos....
Impactos do Programa Cisternas nas dimensões econômica, social e ambiental 
Projeção de geração de energia eólica em 2025....................................................
Lista de entrevistados/representantes das empresas do setor
de energia eólica .....................................................................................................
Principais diretrizes e compromissos do PAM.......................................................
207
210
211
213
213
214
214
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227
227
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232
233
234
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238
239
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158 
162 
164 
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200
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CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 8
Gráficos
Gráfico I.1
Gráfico I.2
Gráfico I.3
Gráfico I.4
Gráfico I.5
Gráfico I.6
Gráfico I.7
Gráfico I.8
Gráfico I.9
Gráfico III.1
Gráfico III.2
Gráfico IV.1
Gráfico V.1
Gráfico V.2
Gráfico VI.1
Gráfico VI.2
Gráfico VI.3
Gráfico VI.4
Gráfico XII.1
Gráfico XII.2
Gráfico XII.3
Produção de placas da CSP...............................................................................
Geração de empregos diretos e indiretos.........................................................
Participação em aços de alto valor agregado no portfólio da CSP..................
Empresas em SGA e Caucaia de 2010 a 2017....................................................
Exportações de produtos metalúrgicos em SGA.............................................
Exportação do Ceará .........................................................................................
Número de microempreendores individuais (MEI) instalados em SGA 
e Caucaia em 2010 e 2018.................................................................................
Salário médio mensal em SGA e Fortaleza......................................................
Empregos em SGA por gênero de 2010 a 2017.................................................
Impacto no orçamento anual com a compra de sacas de farinha nos 
grupos familiares das aldeias Beija-flor, Flecheira e Morada Nova.................
Impacto no orçamento mensal com a venda de uma saca de farinha 
nos grupos familiares das aldeias Beija-Flor, Flecheira e Morada Nova.........
Evolução da porcentagem de Fornecedores de Etanol da Braskem que 
se adequaram aos requisitos de Conformidade (obrigatórios) e
Excelência (pontos de melhoria contínua).......................................................
Representatividade do valor comercializado em relação à renda bruta 
antes (safra 2013-2014) e no final (safra 2015-2016) do período 
de vigência do projeto.......................................................................................
Renda Bruta no Período de Execução do PAS (2012 a 2017)...........................
Concentrações afluente e efluente de DBO5...................................................
Concentrações afluente e efluente de nitrogênio amoniacal..........................
Concentrações afluente e efluente de fósforo total........................................
Concentrações afluente e efluente de E. coli....................................................
Capacidade instalada, financiamento do BNDES e investimento total 
setor de energia eólica no Brasil, 2005-2014....................................................
Patentes registradas relacionadas à energia eólica no Brasil de acordo 
com o conteúdo tecnológico, 1991-2016.........................................................
Evolução dos preços dos leilões de energia eólica no Brasil (Proinfa), 2009-2018
33
34
35
38
39
39
40
41
43
66
67
82
.. 93 
.. 97 
109 
109 
110
110
191
193
193
Quadros
Quadro IX.i
Quadro XI.1
Breve histórico do PICG..............
Técnicas aplicadas à restauração
139
173
Mapas
Mapa V.1
Mapa X.1
Mapa XII.1
Mapa XV.1
Área de implementação da iniciativa Assentamentos Sustentáveis na Amazônia
Distribuição territorial das tecnologias apoiadas no âmbito do
Programa Cisternas ............................................................................................
Distribuição regional das principais montadoras de turbinas eólicas 
e principais fabricantes de turbinas eólicas no Brasil........................................
Famílias fornecedoras da sociobiodiversidade..................................................
93
160
190
239
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 9
Figuras
Figura I.1
Figura I.2
Figura I.3
Figura I.4
Figura I.5
Figura I.6
Figura I.7
Figura I.8
Figura I.9
Figura I.10
Figura I.11
Figura I.12
Figura II.1
Figura II.2
Figura II.3
Figura II.4
Figura III.1
Figura III.2
Figura III.3
Figura III.4
Figura III.5
Figura III.6
Figura III.7
Figura IV.1
Figura IV.2
Figura IV.3
Figura V.1
Figura V.2
Figura VI.1
Figura VI.2
Figura VI.3
Posição geográfica estratégica do CIPP em relação a Europa, Estados Unidos 
e África................................................................................................................
Correia transportadora enclausurada responsável pelo transporte das principais 
matérias-primas do Porto para CSP e placas da CSP no Porto do Pecém...........
ZPE Ceará...........................................................................................................
Vista superior CSP.............................................................................................
A CSP encontra-se entre os projetos com melhores indicadores 
de implantação do mundo................................................................................
Sementes coletadas e mudas de plantas nativas.............................................
Plantio de mudas e livro publicado pela CSP....................................................
Impermeabilização e aspersão de água do pátio de matérias primas.............
Cronologia da primeira estaca à primeira placa ...............................................
Do Ceará para o mundo.....................................................................................
Laboratórios CSP...............................................................................................
Termoeléctrica CSP...........................................................................................
Campo de palma irrigada em sistema emergencial/SAF recém 
implantado na Vila Lafayete, município de Monteiro......................................
Vista parcial do SAF do Assentamento Beira Rio, no município de Camalaú .. 
Implantação do SAF na comunidade do Riacho de Sangue, município 
de Barra de Santa Rosa......................................................................................
Sistema Agroflorestal na Comunidade Bom Sucesso, município de Sossego . 
Mandioca da variedade denominada pelos Tûkûna como Samaúma, 
aldeia Morada Nova...........................................................................................
Mandioca da variedade identificada como Cruvilha pelos Tûkûna, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Mandioca roxa doada por indígenas da aldeia Jarinal e colhida da roça 
de isolados da TI Vale do Javari, aldeia Beija-Flor.............................................
Roçado com algumas variedades da mandioca em consórcio com outras 
espécies e floresta, aldeia Beija-Flor.................................................................
Wadawi Gracinha Kanamari, durante a preparação do cipó Timbó para 
a fabricação de teçumes, aldeia Beija-Flor.......................................................
Djana Eraci Kanamari, durante a confecção de teçume feito de cipó timbó, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Novelo de fio de tucum produzido por Tsawi Dilce Kanamari........................
Esquema ilustrativo da análise de ciclo de vida do PE Verde da Braskem......
Estimativa do uso de terra agricultável para produção de matérias-primas 
renováveis para produção de produtos não energéticos e bioplásticos 
2018 e 2023 ........................................................................................................
Itens avaliados nos requisitos de Meio Ambiente e de Trabalhadores 
e Comunidade do pilar de Conformidade dentro do programa de
Compra Responsável de Etanol da Braskem ....................................................
Dimensões consideradas na definição dos 20 indicadores de sustentabilidade 
da iniciativa........................................................................................................
Critérios para repasse de PSA...........................................................................
Layout do sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar.................
Reator UASB projetado para o estudo.............................................................
Lagoas de polimento projetadas para o estudo...............................................
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82
84
..94 
. 96 
106
107 
107
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 10
Figura IX.1
Figura IX.2
Figura IX.3
Figura IX.4
Figura X.1
Figura XII.1
Figura XIV.1
Figura XIV.2
Figura XIV.3
Figura XIV.4
Figura XIV.5
Vista aérea do PICG ...............................................................................................
Alunos em atividade sobre mudas de árvores nativas.........................................
Módulo de controle de geração e consumo de energia fotovoltaica do I2S.......
Ciclo de investimentos...........................................................................................
Principais tipos de tecnologias implantadas........................................................
Produtos da cadeia de suprimento de acordo com o grau de conteúdo tecnológico 
Trituração da biomassa, cobertura morta, plantio direto e sistema de 
produção sem uso do fogo e opções de continuidade (sentido horário)............
Ações de capacitação e intercâmbio de agricultores...........................................
Minibibliotecas da Embrapa ..................................................................................
Sistema tradicional de derruba-e-queima e preparo de área sem queima 
do Sistema Tipitamba............................................................................................
Implantação de sistemas agroflorestais multiestratos em áreas preparadas 
e cultivo de plantas perenes em áreas preparadas com corte-e-trituração........
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145
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221
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 11
Prefácio
Grande impulso para 2030
Carlo Pereira.*
Diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.
Em 2015, a ONU propôs aos seus países membros uma nova agenda pelo desenvolvimento sustentável. 
Composta por 17 Objetivos Globais, a Agenda 2030 representa mais do que os desafios do presente, ela 
prevê oportunidades para o futuro. Só podemos atingir a prosperidade econômica se não deixarmos 
ninguém para trás, como pregam os ODS. E quando falamos em avançar sem aceitar retrocessos, 
fazemos referência às dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento, também 
abordadas pela ideia de Big Push para a Sustentabilidade, à qual esta publicação se refere.
Começando pela dimensão social, entendemos que erradicar a pobreza (ODS 1) e reduzir as 
desigualdades (ODS 10) são objetivos capazes de trazer ganhos econômicos para as empresas através 
da inclusão de quem atualmente se encontra à margem. Como exemplo, a igualdade de gênero (ODS 5) 
tem potencial de injetar US$ 5,8 trilhões na economia global, mas demoraria 257 anos para ser 
efetivada, se continuarmos no ritmo em que estamos. Quem agir primeiro, aproveitará da melhor forma 
as oportunidades da inclusão.
A dimensão econômica atravessa todos os ODS, mas é tema central de alguns, como o ODS 8 
—Trabalho decente e crescimento econômico (uma declaração de que um não existe sem o outro) e o 
ODS 9, que visa a promoção de uma industrialização inclusiva e sustentável, além do fomento à 
inovação. Já o ODS 12— Consumo e produção responsáveis, abre caminho para a integração sustentável 
entre economia e meio ambiente, de onde tiramos os recursos para a nossa sobrevivência no planeta.
Alguns pontos de vista ainda defendem ser necessário desconsiderar a dimensão ambiental do 
desenvolvimento, ignorando as oportunidades dela decorrentes. O ODS 15, por exemplo, visa a 
*
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 12
preservação da vida na terra, com o combate à desertificação e degradação do solo como metas. 
A preservação da terra permite a viabilidade econômica de empresas produtoras de alimento, que serão 
responsáveis pela subsistência de uma população mundial que chegará a 9.7 bilhões de pessoas em 2050 
(ODS 2 - Fome zero e agricultura sustentável). A sustentabilidade fornece terreno fértil para o 
crescimento econômico.
próximos 10 anos. No processo de pesquisa para construir nossas
atingido até 2030. Precisamos fazer mais, e não
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam questões atuais com impactos que 
podem ser positivos ou negativos nos próximos anos, a depender da forma como gerimos as soluções. 
A crise climática, por exemplo, não permite hesitações, requer ações ágeis pela prosperidade dos 
negócios, ecossistemas e pela humanidade (ODS 13). Por isso que, em 2020, a reunião do Fórum 
Econômico Mundial colocou as mudanças climáticas como o maior risco da década, à frente de crises 
financeiras. De acordo com o relatório Riscos Globais 2020, lançado pela instituição, o custo da inércia 
será de US$ 1 trilhão para as 200 maiores empresas do mundo.
A Rede Brasil do Pacto Global é a maior plataforma de promoção dos ODS junto ao setor 
empresarial no país. Em 2019, contamos com o apoio da consultoria Falconi para traçar nosso 
planejamento estratégico para os
metas, descobrimos que, no ritmo em que o Brasil se encontra, apenas o ODS 7 —Energia limpa e 
acessível, tem indicadores suficientes para ser 
conseguimos evoluir sozinhos.
Por isso, aplaudimos e apoiamos a iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o 
Caribe (CEPAL), de reconhecer as iniciativas que estão agindo por um Big Push de Sustentabilidade, que 
corresponde ao tipo de desenvolvimento econômico e socioambiental do qual somos porta-vozes. 
A CEPAL compreende a necessidade de alavancar investimentos nacionais e estrangeiros através da 
coordenação de políticas públicas e privadas para gerar um ciclo de crescimento econômico virtuoso, 
capaz de gerar emprego e renda, reduzir desigualdades e promover a sustentabilidade. Em suma, 
articular diversos atores (ODS 17) em prol do cumprimento da Agenda 2030.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a nossa década de “A Década da Ação. 
Muitos avanços já foram feitos, mas 
sustentável. No entanto, para chegarmos em 2030 com o cumprimento das metas dos ODS, precisamos 
fazer mais, precisamos de um big push. As soluções que necessitamos podem vir do exemplo. Aproveite 
a leitura para inspirar-se na experiência de iniciativas que já estão vivendo o hoje como se fosse 2030.
também alguns retrocessos, em busca de um futuro mais
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 13
Apresentação
Alicia Bárcena.*
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas recentemente 
completou 70 anos de existência, marcada por trabalhos seminais, abordagens inovadoras e 
direcionamentos de políticas orientados para o desenvolvimento com sustentabilidade e igualdade. 
Ao longo desse período, o pensamento cepalino renovou-se e atualizou-se à medida que as economias 
da região se transformaram. Ao mesmo tempo, a CEPAL reafirmou a sua abordagem teórica conforme 
as características estruturais do desenvolvimento da região, que foram reproduzidas nessas últimas 
décadas e em muitos casos aprofundadas.
A CEPAL identifica e analisa, desde o seu nascimento, as profundas brechas estruturais que 
persistem nas economias latino-americanas, tais como assimetrias competitivas e tecnológicas, os 
desafios para convergência com níveis de renda superiores, as ineficiências da desigualdade e as 
implicações da sobre-exploração dos recursos naturais. No campo propositivo, a CEPAL tem apontado 
direções para uma mudança estrutural progressiva, orientada pela visão de que um desenvolvimento 
econômico sustentável depende criticamente de um meio ambiente saudável e de uma sociedade 
construída sobre a base da igualdade. Nos últimos anos, temos nos empenhado para articular uma 
proposta renovada que reflita essa visão, articulada em torno de um grande impulso (big push) para a 
sustentabilidade, para promover a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável.
O Big Push para a Sustentabilidade é uma abordagem que a CEPAL vem desenvolvendo para 
apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais sustentáveis, baseada na 
coordenação de políticas para promover investimentos sustentáveis, que produzam um ciclo virtuoso 
de crescimento econômico, geração de emprego e renda e redução de desigualdades e lacunas 
estruturais, ao mesmo tempo que mantêm e regeneram a base de recursos naturais da qual o 
desenvolvimento depende. Viemos trabalhando nessa abordagem em um momento oportuno, no qual 
* Secretária-Executiva da CEPAL.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 14
a preocupação com a sustentabilidade ambiental, a igualdade e a retomada da atividade econômica se 
instalou na agenda internacional. Assim, em 2015, 193 países aprovaram a Agenda 2030 e seus 
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que norteiam uma transformação estrutural dos estilos 
de desenvolvimento em suas dimensões social, econômica e ambiental. Em conformidade com a 
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o Big Push para a Sustentabilidade não deixará 
ninguém para trás e deve servir para a erradicação da fome e da pobreza em todas as suas formas.
Nesse contexto, tenho o prazer de apresentar esta publicação, intitulada Investimentos 
transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável: Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push)para a sustentabilidade no Brasil, que traz estudos de casos concretos que não apenas ilustram 
a viabilidade, mas também nos apresentam as lições aprendidas, as oportunidades e os desafios para 
um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil. A publicação é fruto do esforço voluntário dos autores 
dos capítulos, de divers0s setores e áreas de formação, em registrar e dar visibilidade a experiências que 
podem se tornar exemplos a serem replicados, unindo teoria e prática.
O leitor interessado em exemplos de ações reais que têm sido bem-sucedidas em promover 
investimentos com impactos positivos nas três dimensões do desenvolvimento sustentável (social, 
econômica e ambiental) encontrará na seleção de capítulos reunidos na presente publicação um 
material de grande utilidade. Esta publicação apresenta um panorama das amplas possibilidades para 
a realização de investimentos sustentáveis em diversas escalas (em nível de empresas, de comunidades, 
de municípios, de regiões e nacional), em várias práticas e tecnologias sustentáveis (desde sistemas 
agroflorestais e de produtos da química verde até sistemas de saneamento básico rural e 
desenvolvimento da indústria eólica) e por meio de uma rica pluralidade de medidas, políticas, arranjos 
de governança e fontes de financiamento. Os estudos de casos retratados nesta publicação são luzes 
que podem nos orientar rumo a um futuro sustentável e igualitário.
O Brasil é o maior país e economia da América do Sul e tem sido objeto de análise da CEPAL 
quanto a suas experiências e políticas sustentáveis que possam contribuir para o desenvolvimento 
regional. Esta publicação vem demonstrar essa atenção da CEPAL para o Brasil, consolidando uma 
relação de cooperação e de estudos conjuntos de várias décadas.
Sem mais preâmbulos, convido cordialmente o leitor a mergulhar nestas páginas com o fim de 
ampliar sua compreensão sobre as complexidades, os desafios e, fundamentalmente, as possibilidades 
para um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil nos contextos atuais da sociedade, da economia e 
do meio ambiente, que claramente exigem um novo estilo de desenvolvimento com igualdade e 
sustentabilidade ambiental.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 15
Introdução
.*Carlos Mussi 
Camila Gramkow.* *
Diretor do Escritório da CEPAL no Brasil.
Oficial de Assuntos Econômicos, Escritório da CEPAL no Brasil.
limites planetários, a emergência climática
Os dias atuais são marcados por uma conjuntura de busca pela recuperação do vigor econômico no 
Brasil e no mundo. Essa recuperação toma contornos complexos, uma vez que, aos aspectos 
conjunturais, se somam os desafios estruturais dos quais depende a própria sustentabilidade da 
atividade econômica no longo prazo, incluindo os  e a 
ineficiência da desigualdade. O mundo no qual nos encontramos requer um novo estilo de 
desenvolvimento, em cujo centro estejam a igualdade e a sustentabilidade. É essa a visão desenvolvida 
pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas que define a 
abordagem para apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais 
sustentáveis, chamada Big Push para a Sustentabilidade. A Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) orienta e promove essa visão da CEPAL. Essa abordagem 
representa uma coordenação de políticas (públicas e privadas, nacionais e subnacionais, setoriais, 
fiscais, regulatórias, financeiras, de planejamento, etc.) que alavanquem investimentos nacionais e 
estrangeiros para produzir um ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de emprego e renda, 
redução de desigualdades e brechas estruturais e promoção da sustentabilidade ambiental. Assim, os 
volumosos investimentos necessários para a transição para um modelo econômico resiliente, de baixo 
carbono e sustentável são colocados como uma oportunidade de gerar um grande impulso (big push) 
para um novo ciclo de crescimento econômico e de promoção da igualdade, contribuindo para a 
construção de um desenvolvimento mais sustentável, no seu tripé econômico, social e ambiental.
Os delineamentos conceituais básicos do Big Push para a Sustentabilidade foram desenvolvidos 
pela CEPAL (CEPAL, 2016 e 2018). O elemento chave dessa abordagem são os investimentos, que são 
*
**
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 16
o principal elo entre o curto e o longo prazo. Os investimentos de hoje explicam a estrutura produtiva 
de amanhã, que por sua vez determina a competitividade, a produtividade e o tipo de inserção no 
comércio internacional. Além disso, ela também determina a capacidade de geração de empregos de 
qualidade com inclusão produtiva e se a atividade econômica será contaminante ou ecológica. 
Atualmente, é mais verdadeiro do que nunca afirmar que as economias que investem pouco tendem a 
se posicionar na periferia do sistema econômico global. Os investimentos são fundamentais para que 
as mudanças profundas e estruturais que já estão em curso, desde a revolução tecnológica 
(transformação digital da economia, bioeconomia, nanotecnologia, etc.) até a transição demográfica, 
tornem-se oportunidade para o desenvolvimento sustentável —e não novos desafios para a 
sobrevivência de nossas economias e sistemas sociopolíticos. Em suma, a qualidade de nosso futuro 
depende crucialmente do tipo de investimento que é realizado hoje.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, os investimentos devem ser orientados por 
uma tripla eficiência, para que sejam compatíveis com a construção de estilos de desenvolvimento 
sustentáveis. A primeira, é a eficiência schumpeteriana, segundo a qual uma matriz produtiva mais 
integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera externalidades positivas de aprendizagem e 
inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Estruturas produtivas que permitem acelerar o 
fluxo de informações e de conhecimentos tendem a ser economias mais eficientes, mais inovadoras e 
mais preparadas para se inserir competitivamente em mercados que remuneram melhor os bens e 
serviços produzidos. Essa é uma eficiência muito associada ao lado da oferta, ou seja, das capacidades 
produtivas e tecnológicas instaladas. A segunda eficiência é a keynesiana, que destaca que há ganhos 
de eficiência da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando 
efeitos multiplicadores e impactos positivos na economia e nos empregos. Economias que conseguem 
acessar mercados em expansão podem aumentar sua produção em uma velocidade maior do que 
aumentam seus custos (economias de escala) e, quando opera negócios diversos simultaneamente, 
pode aumentar a eficiência conjunta da produção, com consequente redução de custos e aumento da 
qualidade (economia de escopo). Essa segunda eficiência destaca elementos do lado da demanda que 
se reforçam, criando um círculo virtuoso de competitividade, inovação e produtividade. A eficiência 
keynesiana está muito relacionada com a eficiência schumpeteriana, uma vez que os mercados que 
mais crescem tendem a ser aqueles com maior dinamismo tecnológico e de inovação. Somadas, as 
eficiências schumpeteriana e keynesiana criam as condições para uma inserção competitiva favorável. 
Contudo, é necessária a terceira eficiência para garantir a sustentabilidade de longo prazo, que é a 
eficiência da sustentabilidade, a qual se relaciona com a clássica eficiência no tripé econômico, social e 
ambiental. Essa eficiência destaca que os investimentos devem ser economicamente viáveis, o que 
requer pensar sobre fontes de financiamento e origem dos recursos. No âmbito social, além de justiça 
social e promoção da igualdade, na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, também é 
necessário um sistema seguro e justo de arbitragem de conflitos, que não deixe ninguém para trás. O 
eixo ambiental da eficiência da sustentabilidade reforça que os investimentos sustentáveis devem 
diminuir a pegada ambiental e os impactos ambientais, ao mesmo tempo em que recupera a capacidade 
produtiva do capital natural. Juntas, as eficiência schumpeteriana, keynesiana e da sustentabilidade 
tornam-se pilares para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, a coordenação de políticas em torno da tripla 
eficiência é chave para destravar investimentos nacionais e estrangeiros, não apenas em práticas, 
tecnologias, cadeias de valor e infraestrutura sustentáveis, mas também em capacidades tecnológicas 
e educação para equipar a força de trabalho com as habilidades necessárias para o futuro. 
A coordenação é simultaneamente o desafio crítico e a principal oportunidade do Big Push para a 
Sustentabilidade. Se uma ampla gama de políticas (públicas e corporativas, nacionais e subnacionais, 
setoriais, tributárias, regulatórias, fiscais, financeiras, de planejamento, etc.) estiver alinhada e coesa 
com os pilares de um novo estilo de desenvolvimento, um ambiente favorável para mobilizar os 
investimentos necessários será estabelecido, ancorado em incertezas reduzidas, sinais de preços 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 17
corrigidos e um mix de políticas adequado. O consequente aumento dos investimentos sustentáveis 
leva, então, a um ciclo virtuoso de crescimento econômico, criação de empregos, desenvolvimento de 
cadeias produtivas, redução da pegada ambiental e impactos ambientais, ao mesmo tempo em que 
recupera a capacidade produtiva do capital natural.
A CEPAL iniciou uma discussão sobre as oportunidades e os desafios para um Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019). Dentre as oportunidades, destaca-se o grande potencial 
para os investimentos de baixo carbono no país, na ordem de US$ 1,3 trilhões até 2030 em setores tais 
como infraestrutura urbana (mobilidade, edificações, resíduos etc.), energias renováveis e indústria 
(IFC, 2016). Foram ressaltados também, os ganhos competitivos das firmas no Brasil que já investem 
em tecnologias sustentáveis (em termos de redução de custos, aumento de qualidade, aumento de 
market share, acesso a novos mercados etc.), a maior facilidade de acesso a financiamento para 
empresas que possuem uma governança ambiental e social e a existência de uma ampla base de 
capacidades produtivas e tecnológicas voltadas à sustentabilidade. Outro ponto identificado foi o 
oportuno momento atual, no qual se está discutindo caminhos para a recuperação da economia 
brasileira. Esse contexto pode ser uma oportunidade para o país direcionar esforços para acelerar os 
investimentos sustentáveis. A questão da coordenação é fundamental nessa discussão, já que foi 
identificado um potencial muito grande de destravar investimentos sustentáveis no país por meio de 
um esforço robusto e detalhado de coordenação de políticas, que remova sinais contraditórios e 
barreiras. Contudo, há também desafios para o Brasil, que incluem custos relativos ao carbon lock-in 
(relacionados à transição de paradigma tecnológico, especialmente nos setores mais poluentes), 
reduzido espaço fiscal para formulação de novas políticas —particularmente no contexto da Emenda 
Constitucional 95/2016— e o contexto federativo do país, que impõe necessidade de ampla 
coordenação entre os entes federativos.
Buscando aterrissar os delineamentos conceituais da abordagem do Big Push para a 
Sustentabilidade no mundo real, a CEPAL realizou uma Chamada Aberta de Estudos de Casos de 
Investimentos para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil, que contou com a parceria institucional 
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, 
bem como com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (Gesellschaft für Internationale 
Zusammenarbeit - GIZ) e da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES). A chamada, lançada em 8 de abril 
de 2019 na ocasião do lançamento do Relatório sobre Oportunidades e Desafios para o Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019) no Insper em São Paulo, convidou pesquisadores, 
profissionais do setor privado, empresários, representantes da sociedade civil, formuladores de políticas 
públicas e servidores públicos a enviar estudos de casos sobre investimentos com impacto para o 
desenvolvimento sustentável no Brasil, em linha com o Big Push para a Sustentabilidade. Encerrada em 
16 de agosto de 2019, foram recebidos um total de 131 estudos de casos. Houve uma grande diversidade 
de setores, pluralidade de atores, heterogeneidade de regiões e variedade de iniciativas entre os 
estudos enviados. Quanto aos setores, a maior parte dos casos é relacionada à Infraestrutura (30% do 
total de estudos), seguida por Agropecuária e Uso do Solo (28%), Indústria (13%), Reciclagem e 
Resíduos (11%) e outros. Sobre os tipos de iniciativas analisadas nos casos, nota-se que as principais 
foram relacionadas a políticas públicas (26% do total de estudos) e políticas corporativas (19%), 
seguidas por políticas de cooperação internacional (5%), medidas implementadas pelo Sistema S (2%) 
e combinações. Em termos de cobertura geográfica, a maior parte dos casos concentrou-se no nível 
nacional (28%), sendo que também houve estudos focados em áreas das regiões Sudeste (20%), 
Nordeste (17%), Sul (13%), Norte (12%), Centro-Oeste (8%) e combinações dessas.
A partir dos 131 estudos de casos recebidos, um Comitê de Avaliação, formado por especialistas 
em desenvolvimento sustentável do IPEA, do Governo Federal Brasileiro e da CEPAL, analisou os casos 
enviados. Desses, 66 estudos foram considerados elegíveis como casos de Big Push para a 
Sustentabilidade, sendo que o principal critério de elegibilidade foi que os estudos de caso 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 18
conseguissem reportar pelo menos um indicador de cada dimensão do desenvolvimento sustentável 
(econômico, social e ambiental), conforme estabelecido nas Regras da Chamada (CEPAL, 2019). Todos 
os 66 casos elegíveis estão disponíveis no “Repositório de casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade 
no Brasil, hospedado pela CEPAL (CEPAL, 2020). O repositório tem como objetivo dar visibilidade e 
oportunidade de showcase às experiências e iniciativas que geraram resultados concretos em direção à 
sustentabilidade do desenvolvimento. A partir delas, ficarão mais claros as oportunidades e os desafios 
para um Big Push para a Sustentabilidade no país.
O Comitê de Avaliação também selecionou os estudos de casos mais transformadores rumo ao 
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil e são esses estudos selecionados que compõem os 
15 capítulos da presente publicação. Os critérios para a seleção dos casos mais transformadores foram 
a quantidade dos indicadores reportados nas três dimensões (social, econômica e ambiental) e a análise 
dos vínculos do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade e a Agenda 2030 para o 
Desenvolvimento Sustentável, além de buscar representar a heterogeneidade e pluralidade de desafios 
e soluções para o Big Push para a Sustentabilidade no Brasil.
No primeiro capítulo, Alex Maia do Nascimento e coautores, todos funcionários da Companhia 
Siderúrgica do Pecém (CSP) relatam o caso do maior projeto de investimento privado realizado na 
história do Estado do Ceará, com valor superior a US$ 5 bilhões, que foi o estabelecimento da CSP. 
O caso da CSP ilustra como investimentos em uma siderúrgica moderna e integrada vem contribuindo 
para a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável localmente, por meio de adoção de 
tecnologias sustentáveis de ponta, recuperação florestal, capacitação de pessoas, geração de 
empregos, agregação de valor às exportações do país, etc. O segundo capítulo, de autoria de Leonardo 
Bichara Rocha (Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura - FIDA), Thiago César Farias 
da Silva (Procase, Paraíba) e Donivaldo Martins (FIDA), apresenta o caso do Projeto de Desenvolvimento 
Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú (Procase), apoiado pelo FIDA e pelo Estado da Paraíba. 
O estudo do Procase evidencia como investimentos no combate à desertificação do sistema Caatinga, 
por exemplo, em poços, barragens, dessalinizadores e sistemas agroflorestais (SAFs), podem contribuir 
para redução da pobreza, segurança hídrica e alimentar, redução de custos, geração de renda, 
diversificação produtiva etc.
No Capítulo III, assinado por Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle e 
Tatiana Ribeiro Souza Brito, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), relatam o caso de iniciativas 
realizadas na Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá, Sudoeste Amazônico. O estudo exemplifica que 
investimentos de baixo montante, por exemplo, da ordem de R$ 9 mil para construção de casas de 
farinha, podem estimular a reprodução do sistema agrícola indígena e reafirmar os saberes desses 
povos como uma capacidade tecnológica que agrega valor à farinha produzida nas aldeias e a diferencia 
das demais. O caso ressalta a importância dos saberes e tradições indígenas, da valorização do papel da 
mulher e da atuação de forma colaborativa para se pensar em soluções de desenvolvimento sustentável 
adaptadas ao contexto amazônico. O Capítulo IV, de autoria de Adriana Mello, Jorge Soto e José 
Augusto Viveiro, todos da Braskem, ilustra o potencial da química verde do futuro, a partir do estudo de 
caso do desenvolvimento do Polietileno Verde (PE Verde) pela Braskem. Esse caso exemplifica como a 
indústria química pode se tornar uma indústria sustentável, inclusiva e competitiva a partir do potencial 
transformativo da produção de polímeros de fontes renováveis, que são abundantes no país. O estudo 
evidencia a importância de uma trajetória consistente de investimentos em tecnologia e inovação, do 
processo de aprendizado e do compromisso de longo prazo da empresa com a sustentabilidade.
No Capítulo V, Erika de Paula P. Pinto e coautores, todos do Instituto de Pesquisa Ambiental da 
Amazônia (IPAM), apresentam o estudo de caso do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia, 
apoiado pelo Fundo Amazônia, que traz um exemplo de como podem ser realizados investimentos para 
a promoção de territórios rurais sustentáveis na região. O caso ilustra a importância de uma estratégia 
coordenada de ações (de assistência técnica e extensão rural a incentivos econômicos) a partir de uma 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 19
abordagem integrada de conservação e produção em territórios rurais ocupados pela agricultura 
familiar para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis, sem promover a derrubada de 
novas áreas de floresta. O Capítulo VI, assinado por Mateus Cunha Mayer (Instituto Nacional do 
Semiárido - INSA), Rodrigo de Andrade Barbosa (INSA), George Rodrigues Lambais (INSA), Salomão 
de Sousa Medeiros (INSA), Adrianus Cornelius Van Haandel (Universidade Federal de Campina Grande) 
e Silvânia Lucas dos Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), traz o estudo de caso do 
desenvolvimento de uma tecnologia de saneamento básico rural familiar, originalmente desenhada 
para o Seminário brasileiro. O caso trata de um sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar 
de fácil instalação e custo acessível que poderia alavancar a universalização do saneamento rural no 
Brasil, com benefícios diretos sobre a produção agrícola e indiretos sobre geração de renda, redução de 
pobreza e segurança alimentar.
O Capítulo VII, de autoria de Airton José Morganti Júnior (Consórcio Machadinho), José Lourival 
Magri (ENGIE Brasil Energia) e Selia Regina Felizari (Associação de Produtores de Erva-Mate de 
Machadinho - Apromate), apresenta o desenvolvimento e os resultados de um novo sistema produtivo 
da erva-mate no Estado do Rio Grande do Sul, que culminou na Cambona 4, uma variedade obtida a 
partir de melhoramento genético. Combinado com sistemas agroflorestais (SAFs), esse novo sistema 
produtivo restaurou e protegeu dezenas de nascentes, implantou sumidouros de carbono com 
reflorestamento e gerou aumento de renda para as famílias envolvidas no SAF, enquanto promoveu a 
industrialização na cadeia de valor e a maior rentabilidade da erva-mate. No Capítulo VIII, José Lourival 
Magri e Mario Wilson Cusatis, ambos da ENGIE Brasil Energia, estudam o caso da Unidade de Cogeração 
Lages (UCLA) em Santa Catarina a partir da ótica da economia circular. Esse caso ilustra como resíduos 
do setor madeireiro podem ser aproveitados para fins energéticos na UCLA e como as cinzas da 
biomassa da madeira geradas na UCLA podem ser aproveitadas para aumentar a produtividade e 
reduzir custos na agricultura, gerando redução de emissões de gases do efeito estufa que podem ser 
compensadas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Trata-se de um exemplo de como a 
economia circular pode gerar oportunidades para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.
No Capítulo IX, Rogério Atem de Carvalho (Polo de Inovação Campos dos Goytacazes) estuda o 
caso do modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes (PICG), do Instituto Federal 
Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. O caso ilustra um modelo capaz de coordenar e articular 
diversos atores (comunidade, pesquisadores de diferentes áreas de especialidade, setor produtivo, 
governos em vários níveis etc.) e tipos de financiamento (público e privado) para realização de 
investimentos em uma variedade de ações (projetos de PDI, parcerias, educação e capacitação, ações 
para gestão e operação do campus, dentre outras), que têm contribuído para um estilo de 
desenvolvimento sustentável. O Capítulo X, assinado por Vitor Leal Santana e Lilian dos Santos Rahal, 
ambos do Ministério da Cidadania, apresenta o caso do Programa Cisternas, que foca na construção de 
cisternas para captação e abastecimento de água para consumo humano e animal sob uma ótica de 
convivência com o Semiárido e respeito aos saberes e à cultura locais. O estudo exemplifica como 
investimentos, que somam mais de R$ 3,6 bilhões e beneficiaram mais de um milhão de famílias, em 
tecnologias sociais podem garantir o acesso à água no meio rural em regiões sujeitas à escassez hídrica, 
contribuindo para o enfrentamento da pobreza, a melhoria da saúde e da segurança alimentar e a 
estruturação de cadeias produtivas ambiental e socioeconomicamente sustentáveis.
O Capítulo XI, assinado por Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli e Yugo Matsuda, todos da 
Suzano, descreve como uma empresa que é líder mundial na produção de celulose de eucalipto vem 
estruturando uma estratégia de conservação da biodiversidade e de restauração ambiental, com foco 
em seu Programa de Restauração Ambiental. O estudo discorre sobre o desenvolvimento e o 
aprimoramento das ações da empresa em restauração ambiental e sobre como investir nessas ações 
faz sentido economicamente, já que seu core business depende criticamente de um capital natural 
saudável para alcançar seus altos índices de produtividade e mantê-los no longo prazo. O Capítulo XII, 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 20
de autoria de Britta Rennkamp (African Climate and Development Initiative, University of Cape Town), 
Fernanda Fortes Westin (Programa de Planejamento Energético, Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- 
Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro - PPE/COPPE/UFRJ) e 
Carolina Grottera (PPE/COPPE/UFRJ), apresenta o caso do vigoroso desenvolvimento da indústria de 
energia eólica no Brasil, com foco especial em Requisitos de Conteúdo Local (RCL). O estudo ilustra 
como a coordenação de diferentes políticas (tarifas feed-in, leilões, financiamento condicionado aos 
RCL através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, dentre outras) 
contribuiu para mobilizar investimentos para a construção de capacidades tecnológicas nacionais e para 
a expansão da energia eólica no país.
No Capítulo XIII, Eliane Oliveira Moreira e Jucilaine Neves Sousa Wivaldo discorrem sobre como 
demandas sociais locais e construídas por diferentes atores, como organizações sociais, setor público e 
universidades, podem gerar um grande impulso ao desenvolvimento local, a partir do estudo de caso da 
Associação de Catadores e Materiais Recicláveis (ACAMAR), no município de Lavras, Estado de Minas 
Gerais. O caso exemplifica a contribuição da dinâmica diferenciada da economia solidária, somada a 
investimentos de pequeno porte, para um melhor gerenciamento de resíduos sólicos e para a economia 
circular com geração de renda e empregos, melhoria das condições de trabalho, redução das brechas 
de gênero, dentre outros. O Capítulo XIV, assinado por Osvaldo Ryohei Kato e coautores, todos da 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), trata do estudo de caso do Sistema Tipitamba, 
que é uma tecnologia de corte-e-trituração desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental que pode 
substituir o sistema de derruba-e-queima tradicionalmente praticado na agricultura familiar na 
Amazônia. O estudo de caso do Sistema Tipitamba, baseado no manejo sustentável da capoeira como 
uma alternativa para recuperar áreas alteradas e antropizadas, evitar queimadas, expansão da fronteira 
agrícola e aumentar a fonte de renda do agricultor, ilustra como investimentos em pesquisa e 
desenvolvimento podem contribuir para soluções sustentáveis para a agricultura familiar na região.
Por último, e não menos importante, o Capítulo XV, desenvolvido pela Natura, discute a evolução 
da relação da empresa de cosméticos Natura S.A. com o desenvolvimento sustentável da região 
amazônica, tendo como base a sociobiodiversidade para composição dos produtos da companhia e 
estruturação de programas que contribuem para o manejo sustentável da floresta em pé. Esse estudo 
de caso ilustra como uma empresa pode fazer da sustentabilidade seu modelo de negócios, agregando 
valor ao vasto capital natural do país de forma competitiva domesticamente e nos mercados globais.
Os investimentos retratados nos diferentes capítulos da presente publicação são exemplos de 
transformações na economia em direção a um novo estilo de desenvolvimento sustentável. Essa 
publicação tem o objetivo de promover o debate de estilos de desenvolvimento, a partir das demandas 
e capacidades de todos, nos adequando às possibilidades do planeta e nos desafiando na construção de 
uma sociedade mais justa e próspera.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 21
Bibliografia
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) (2020), “Repositório de casos sobre o Big 
Push para a Sustentabilidade no Brasil [repositório online], Santiago, abril https://biblioguias.cepal. 
org/bigpushparaasustentabilidade [data de consulta: 28 de fevereiro de 2020].
(2019), “Regras da Chamada Aberta de Estudos de Casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade no 
Brasil [online], Brasília, abril https://www.cepal.org/sites/default/files/events/files/regras.pdf [data 
de consulta: 8 de abril de 2019].
(2018), La ineficiencia de la desigualdad (LC/SES.37/4), Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, 
N° de venda: S.18-00303.
(2016), Horizontes 2030: A igualdade no centro do desenvolvimento sustentável (LC/G.2660/SES.36/3), 
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(2019), “Big Push Ambiental: Investimentos coordenados para um estilo de desenvolvimento 
sustentável, Perspectivas, N° 20, (LC/BRS/TS.2019/1 e LC/TS.2019/14), São Paulo.
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Desenvolvimento Sustentável (A/ RES/70/1), Nova Iorque, Publicação das Nações Unidas.

CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 47
II. Aumentando a resiliência climática e combate à 
pobreza rural por meio de ações emergenciais 
de combate à seca: o caso dos sistemas 
agroflorestais no Procase - FIDA
.*
Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (FIDA).
Procase, Paraíba.
Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (FIDA).
Leonardo Bichara Rocha 
Thiago César Farias da Silva 
Donivaldo Martins***
**
Resumo
O Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú, Fundo Internacional para o 
Desenvolvimento da Agricultura (FIDA)/Estado da Paraíba —Procase— é um
apoiados por agências da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil no combate à desertificação 
do sistema Caatinga. Destaca-se por um forte componente de ação hídrica junto a milhares de 
agricultores familiares, conjugado a ações de geração de renda e preservação ambiental. O Projeto 
viabilizou a segurança hídrica e alimentar de mais de 22.000 famílias no semiárido paraibano, por meio 
de sistemas de produção inovadores —os sistemas agroflorestais, além de poços, barragens, 
dessalinizadores, irrigação com fontes de energia renováveis, entre outras. Os recursos do projeto 
foram financiados por meio de um contrato de empréstimo de 25 milhões de dólares entre o FIDA e o 
Governo da Paraíba, e contribuíram de forma destacada para o Big Push para a Sustentabilidade em 
uma das áreas de maior índice de pobreza rural do país. *
dos projetos referência
*
**
***
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 48
A. Introdução
O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é uma agência especializada do Sistema das 
Nações Unidas que, desde 1980, investe no desenvolvimento do semiárido do Brasil por meio de 
projetos em parceria com os governos federais e estaduais, concentrando na população rural de baixa 
renda e obtendo resultados expressivos com intervenções de acesso a água e infraestrutura hídrica e 
projetos de fomento à produção agropecuária, além capacitação de agricultores em produção agrícola 
e não agrícola para aumento de renda e ativos, comercialização e acesso a mercados.
Desde o início de suas operações no Brasil, os projetos apoiados pelo Fundo Internacional de 
Desenvolvimento Agrícola (FIDA) financiaram no País 12 projetos de empréstimo da ordem de 
860 milhões de dólares (incluindo contrapartida) e 26 doações na ordem de 40 milhões de dólares, 
perfazendo um total de 900 milhões de dólares. Entre 2012 e 2014, seis Projetos FIDA se tornaram 
efetivos no Brasil, fazendo com que a carteira FIDA no país se tornasse a maior da América Latina e 
Caribe. Em 2017 e 2018, o FIDA teve a maior carteira de projetos de uma agência da ONU no Brasil, 
totalizando cerca de 460 milhões de dólares, à frente da Organização Mundial da Saúde, com 
340 milhões de dólares, beneficiando cerca de 350 mil famílias pobres rurais. Entre os seis Projetos de 
empréstimo em execução, cinco projetos estão sendo implementados por governos estaduais, que são 
os mutuários, e um é implementado pelo Governo Federal por meio do Ministério da Agricultura.
Os projetos estaduais se concentram na região Nordeste, em particular na zona semiárida, 
cobrindo os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e 
Sergipe. O projeto federal cobre, além dos demais estados do Nordeste, a região semiárida de Minas 
Gerais e Espírito Santo. As avaliações independentes dos resultados dos projetos do FIDA realizadas até 
hoje destacam a importância da infraestrutura hídrica para o aumento da qualidade de vida dos 
agricultores familiares na região semiárida. Além disso, reconhecem a relevância do recebimento de 
Assessoria Técnica (AT) contínua e especializada para as famílias desenvolverem suas capacidades, 
informação e conhecimento sobre produção agropecuária, tecnologias, serviços financeiros e 
comercialização, além de permitir que acessassem políticas públicas. Juntas, a infraestrutura hídrica e a 
AT contribuem para o aumento da produtividade e redução significativa da mortalidade animal. No 
contexto das metas da ONU para o desenvolvimento sustentável (ONU, 2015), os projetos apoiados 
pelo FIDA contribuem significativamente para erradicação da pobreza (Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável - ODS 1), fome zero e agricultura sustentável (ODS 2), acesso à água (ODS 6), consumo e 
produção sustentáveis (ODS 12) e ação contra a mudança global do clima (ODS 13).
B. O FIDA e ações de combate aos efeitos da seca na Paraíba
O último período de estiagem (2012 a 2017) no semiárido nordestino foi um dos mais severos já 
registrados pelos órgãos de monitoramento climático. O Projeto de Desenvolvimento Sustentável do 
Cariri, Seridó e Curimataú (Procase), se destaca entre os demais apoiados pelo FIDA no Brasil por contar, 
em seu organograma, com um componente criado para trabalhar exclusivamente com acesso à água 
ligado à adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Através dele, várias ações foram 
sendo implementadas no desenvolvimento sustentável, segurança hídrica e alimentar das famílias 
rurais pobres da região semiárida. No total, as ações de acesso e usos sustentável da água atenderam 
todos os 56 municípios inserido no território do Procase, garantindo água de qualidade e produção para 
8.560 famílias. O projeto tem co-financiamento do FIDA e o Estado da Paraíba.
O bioma predominante na área do Procase é a Caatinga, possuindo remanescentes de Mata 
Atlântica em áreas mais altas, caracterizados assim por Andrade-Lima (1982) e Coimbra-Filho e Câmara 
(1996). Rodal, Barbosa e Thomas (2008) contestam a caracterização desta formação vegetacional, 
considerando-as como florestas secas serranas. Este bioma é considerado um dos mais vulneráveis em 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 49
o fomento à produção agropecuária
com
relação às mudanças climáticas no Brasil, sendo que a área, já carente em recursos hídricos, tende para 
uma diminuição do regime de chuvas, acarretando um aumento no número de dias consecutivos secos 
e na possibilidade de ocorrência de secas mais intensas e prolongadas. A degradação dos solos da 
Caatinga, decorrente tanto da variabilidade natural como das atividades antrópicas, tem como vetor 
principal a perda da cobertura vegetal nativa.
As ações de infraestrutura hídrica do Procase foram efetivadas por meio de planos emergenciais de 
instalação de poços e barragens subterrâneas conjugadas com  e 
diversificação no cultivo de espécies vegetais, fortalecidas pela construção de barragens de médio porte. 
O Programa objetivou a implantação de uma fonte de recurso hídrico no maior número de comunidades 
inseridas no território de sua atuação, associada a um campo de palma resistente a cochonilha (Opuntia 
ficus-indica L.P. Mill e Nopalea cochinilifera Salm Dyck) garantindo assim a permanência da população em 
suas comunidades de origem, evitando o êxodo rural. A adoção generalizada de práticas de produção e 
armazenamento de forragem entre os beneficiários contribuiu para a retenção de água no solo, 
diversificação da produção animal e implementação de sistemas agroflorestais.
As ações de combate aos efeitos da seca do Procase receberam respaldo legislativo por meio de 
um Decreto Estadual emergencial para amenizar os efeitos da estiagem no Cariri, Seridó, Curimataú e 
Médio Sertão) (Plano Emergencial, de junho de 2015, atualizado em janeiro de 2017), 
complementações no final de 2017 de novas ações acordadas entre o FIDA e o Estado da Paraíba.
Dentre as principais ações relacionadas ao Plano Emergencial de resiliência climática apoiado 
pelo FIDA e pelo Procase na Paraíba, cabe mencionar:
• Implementação de 539 poços perfurados e 222 barragens subterrâneas construídas, todos 
para irrigação com fontes renováveis de energia: solar (painéis) e eólica (cata-ventos);
• Construção de 4 barragens convencionais;
• Implementação de 31 Sistemas Agroflorestais (SAFs);
• Instalação de 61 dessalinazadores;
• Instalação de paines de energia solar em unidade de beneficiamento de alimentos de 
cooperativas da agricultura familiar.
Atuando em uma das regiões consideradas mais vulneráveis em relação às mudanças climáticas 
do Nordeste, o desenvolvimento das atividades do Procase tem mostrado resultados positivos com a 
implantação de infraestruturas que propiciam impactos ambientais positivos, ajudando a retardar na 
área do projeto principalmente a degradação dos solos. As barragens subterrâneas permitem a captura 
de água de escoamento e, juntamente com os poços tubulares para captação de água subterrânea 
viabilizam a implantação de campos de forragem, que, utilizando a palma forrageira (resistentes a 
cochonilha-do-carmim, dizimada em tempos recentes) consorciada com plantas adaptadas à região, 
aumentam a cobertura dos solos, além de reduzir a pressão do pastejo sobre a vegetação a partir da 
oferta maior de alimento para os animais. As bacias hidrográficas das barragens convencionais detêm 
planos para recuperação do entorno e mitigam a variabilidade na segurança da água, compensando as 
secas e inundações. A instalação dos poços segue a legislação estadual, sendo a perfuração precedida 
por requerimento de implantação à Agência Executiva de Gestão das Águas (AESA) e ao final, a outorga. 
Para o bombeamento da água dos poços, são utilizadas fontes renováveis de energia: solar (painéis) e 
eólica (cata-ventos).
O Plano Emergencial reduziu o abate de cactos nativos com técnicas de coleta rudimentares e 
diminuiu o risco de danos ambientais (queima de plantas para a redução de espinhos). O sistema de 
bombeamento é impulsionado pela energia eólica, o que garante a sustentabilidade através do uso de 
energia limpa. Foram plantadas 5.800.000 mudas de palma forrageira (2015-2018) nos campos, 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 50
produzindo uma biomassa estimada 64.680 toneladas, considerando que cada hectare de palma rende 
220 toneladas a cada dois anos.
No último ano de 2018 complementou-se esta importante ação de acesso a água com a 
instalação de 60 dessalinizadores com o objetivo de fornecer acesso a água potável para comunidades 
fora do sistema público de distribuição de água nas áreas rurais do estado da Paraíba. O resíduo 
resultante do processo de purificação é armazenado em uma bacia de decantação impermeável, 
evitando a contaminação do solo pelos resíduos do processo de produção.
C. Sistemas agroflorestais no contexto dos Planos Emergenciais
Como parte do eixo do Plano Emergencial, o Procase implantou no semiárido paraibano diversas 
unidades de Sistemas Agroflorestais (SAFs), um modelo de produção agropecuária que combina 
espécies frutíferas e/ou madeireiras, com cultivos agrícolas e/ou criação de animais, de forma 
simultânea ou em sequência temporal.
Os benefícios deste modelo de produção estão diretamente ligados à conservação dos recursos 
naturais e a convivência com o semiárido. Um dos pilares deste trabalho é a proteção do solo com 
matéria orgânica, o que garante a fertilidade e disponibilidade dos nutrientes e a umidade do solo. 
Dessa forma, obtém -se a conservação do solo, fixação de dióxido de carbono (CO2), redução do 
extrativismo não sustentável sobre a Caatinga (risco evitado), além dos ganhos no aspecto produtivo: 
segurança alimentar para as famílias agricultoras, aumento de produção de biomassa ofertada para os 
rebanhos, disponibilidade de recursos madeireiros e de subprodutos florestais não madeireiros (folhas, 
cascas, sementes, óleos essenciais, raízes, etc.).
Os campos de palma forrageira consorciados com plantas nativas aumentam a cobertura dos 
solos, além de reduzir a pressão do pastejo sobre a vegetação a partir da oferta maior de alimento para 
os animais. Por sua vez, os sistemas agroflorestais SAFs, implantados com recursos das atividades 
previstas para a recuperação das áreas de proteção das barragens convencionais, permitem a 
recuperação da vegetação nativa e servem de espaço de capacitação para os produtores, tornando-se 
referência para a região.
Os SAFs foram implantados no contexto do Plano Emergencial do Estado da Paraíba, em 
implementação desde 2015, que, com o apoio do Exército Brasileiro, perfurou centenas de poços em 
todos os 56 municípios do semiárido paraibano de atuação do projeto. Paralelo a estas perfurações, os 
moradores receberam milhares de raquetes de palma e sistemas de irrigação por gotejamento para o 
aproveitamento da água disponibilizada a partir do bombeamento utilizando energia solar ou eólica. 
Em vários destes Planos Emergenciais com plantio de palma, beneficiários incorporaram 
voluntariamente a plantação de frutíferas (figura II.1).
Com a intenção de associar aos campos de palma coletivos instalados pelo Plano Emergencial, 
utilizando do mesmo sistema de irrigação instalado e otimizando seu desenvolvimento e garantindo a 
produção agrícola, o Procase identificou algumas áreas e comunidades que pudessem receber as 
primeiras experiências em SAFs que surgissem, chamando este trabalho inicial de Unidades de 
Aprendizagem. Estas áreas normalmente estavam associadas a uma das 4 barragens convencionais que 
fazem parte do Plano Emergencial do projeto.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 51
Figura II.1
Campo de palma irrigada em sistema emergencial/SAF recém implantado na Vila Lafayete, município de Monteiro
Fonte: Procase/Florest.
Nota: Neste campo também foram plantadas diversas mudas de espécies arbóreas, principalmente forrageiras e frutíferas.
Figura II.2 
Vista parcial do SAF do Assentamento Beira Rio, no município de Camalaú
Fonte: Procase/Florest.
Nota: Observa-se a diversidade de espécies plantadas (incluindo algumas arbóreas), assim como o sistema de irrigação de gotejamento e o 
cata-vento.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 52
As Unidades foram instaladas com o auxílio dos consultores do projeto em áreas demarcadas 
dentro das comunidades beneficiárias. Os agricultores e agricultoras começaram a passar por 
capacitações sobre o assunto e iniciaram o trabalho em campo.
Na primeira etapa, foram implementados 31 SAFs com uma área média de 0,5 hectare, 
totalizando o plantio de 20.000 mudas, beneficiando diretamente 345 famílias. As famílias que 
receberam os sistemas e impulsionaram os cultivos começaram a ter diversos tipos de culturas que 
resultaram numa maior diversidade de alimentos agroecológicos dentro de casa, e excedente sendo 
vendido em feiras livres da região, impactando diretamente na renda de todas elas. O cultivo dos SAFs 
é efetuado aproveitando a infraestrutura hídrica realizada pelo Plano Emergencial (poços, barragens) e 
sua irrigação é realizada por gotejamento a partir do bombeamento que utiliza energias, painéis solares 
ou cata-ventos (figura II.2).
A implantação de sistemas agroflorestais permitiu o aumento de produtividade animal por bem- 
estar, e qualidade nutricional das pastagens, favorecendo a biodiversidade de forma geral. Dentro da 
perspectiva socioeconômica, o Sistema permitiu uma redução drástica de insumos e defensivos 
agrícolas —principais custos de produção— pois as 
reduzem o surgimento de pragas e carências nutricionais.
Cada um dos 31 SAFs foi implantado associado a um poço tubular ou por uma barragem 
subterrânea, tendo a sua manutenção realizada de forma coletiva pelos beneficiários do projeto, sem 
prejudicar seus demais afazeres.
Foram elaborados três modelos de SAF: forrageiro, frutífero e restauração. A definição do 
modelo foi baseada em um diagnóstico prévio que definiu o perfil produtivo de cada uma das 
comunidades a ser beneficiada. Em média, se implantaram cerca de 400 mudas por SAF, o que totalizou 
12.000 mudas plantadas (figura II.3).
relações ecológicas harmônicas que se geram
Figura II.3 
Implantação do SAF na comunidade do Riacho de Sangue, município de Barra de Santa Rosa
Fonte: Procase/Florest.
Nota: Beneficiários e técnicos do projeto SAF/Procase realizando a montagem do Sistema dentro dos princípios da agricultura sintrópica.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 53
Figura II.4 
Sistema Agroflorestal na Comunidade Bom Sucesso, município de Sossego
Fonte: Procase.
Nota: Acima: Área do SAF, com produção de plantas forrageiras. Abaixo: Produção de silagem a partir da biomassa cultivada no SAF 
(8 toneladas produzidas em 0,5 hectare).
Completado um ano desde a implementação dos SAFs, há vários resultados positivos. Em duas 
comunidades —Vila Lafaiete (município de Monteiro/PB) e Bom Sucesso (município de Sossego/PB)— 
houve a produção de 8 toneladas de biomassa pelas plantas forrageira (gramíneas e leguminosas) 
implantadas no SAF. Essa matéria verde incorporada a outras fontes de alimento garantiu a produção 
de silagem e a conservação de alimento aos rebanhos para a próxima estação seca (figura II.4).
Outro resultado do projeto SAF/Procase é a mudança de paradigma estabelecido nas comunidades 
quanto à forma de se relacionar com a paisagem natural, por meio da incorporação do modelo de 
agricultura sintrópica, definido como aquele onde atividade agrícola mimetiza os processos naturais de 
restauração. Por esta metodologia, os beneficiários e beneficiárias replicam em seus quintais produtivos 
e outras áreas de plantio com as mesmas técnicas aprendidas. Além disso, incorporam no dia-a-dia o 
enriquecimento da Caatinga, como por exemplo, em fundos de pasto utilizados pelos rebanhos de 
pequenos ruminantes, com espécies forrageiras adaptadas à floresta de sequeiro.
No total, já houve a transformação de 50 hectares para sistemas de intervenções agroflorestais, 
com um acréscimo de mais de 14.000 mudas, permitindo um estoque de carbono de aproximadamente 
480 toneladas por ano. Esta iniciativa atendeu 345 beneficiários, onde 32,46% são do sexo feminino.
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D. Assessoria técnica contínua e especializada
apoio às 450 comunidades de
Como em todos os projetos financiados pelo FIDA, a provisão de Assessoria Técnica Contínua (ATC) e 
especializada é imprescindível para a capacitação e apropriação das novas ferramentas de produção por 
parte dos agricultores familiares. Como ação do Plano Emergencial, o Procase contratou em 2015 o 
Instituto de Desenvolvimento Sustentável (IDS) como ATC para o 
agricultores beneficiados pelos investimentos e manejo do plantio de palma de variedades resistentes 
à cochonilha-do-carmim. Dentro do universo dos Planos Emergenciais, coube à outra empresa 
contratada (Florest) o desenvolvimento, treinamento e implantação dos SAFs, como parte da 
Assessoria Técnica Especializada (ATE) do Projeto.
Em agosto de 2017, o número de comunidades atendidas pelos Planos Emergenciais subiu para 
782. Duas novas entidades de ATC selecionadas —o PATAC, para o Cariri Oriental e Ocidental e a 
EMPAER-PB, para o Curimataú, Seridó e Médio Sertão— começaram a atual a partir de abril de 2018. 
Ao todo, são 5.564 famílias atendidas nesta modalidade (tabela II.1).
Tabela II.1
Grupos de famílias atendidos pelo Plano Emergencial e assessoria técnica do Procase
Território
Cariri Oriental
Cariri Ocidental
Curimataú
Seridó
Total
Plano Emergencial 2 + Novas Ações (2018-2019)
Com./grupos Famílias Provedor
184 1 309
219 1558
92 1 416
88 655
782 5 564
PATAC
EMPAER
Fonte: Procase.
E. Resultados e ODS
O FIDA, como agência do sistema de Desenvolvimento da ONU (UNDS), promove ativamente a Agenda 
2030 para o Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) em todos os seus projetos no País. Ao longo dos 
últimos dois anos, tem intensificado o seu trabalho interagencial no Brasil para harmonização dos 
processos das agências da ONU para a aceleração do alcance das metas e objetivos ODS. Um dos eixos 
de ação comum destas agências tem sido a abordagem MAPS (sigla em inglês para Mainstreaming, 
Acceleration and Policy Support, que significa em português Internalização, Aceleração e Apoio a 
Políticas, adotada pelo Grupo das Nações Unidas para o Desenvolvimento - UNDG). A missão MAPS 
no Brasil de 2018 teve como membros o PNUD, FIDA, UNESCO, UNICEF e ONU Mulheres.
Por meio do sistema de Monitoramento e Avaliação País, os projetos do FIDA monitoram a 
relação entre os resultados dos projetos, resultados econômicos e atingimento às metas ODS. 
Resultados preliminares apontam que uma amostra de planos emergenciais do Procase contribuiu para 
aumentar em 60% o número de famílias com produção de forragem para a produção de ovinos e 
caprinos. Além disso, gerou um aumento de 156% na produção e armazenamento de forragem para 
consumo animal. Finalmente, a tabela II.2 relaciona alguns indicadores das ações emergenciais do 
Procase aos ODS, como, por exemplo, à erradicação da pobreza (Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável - ODS 1), fome zero e agricultura sustentável (ODS 2), acesso a água (ODS 6), consumo e 
produção sustentáveis (ODS 12) e ação contra a mudança global do clima (ODS 13).
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 55
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Tabela II.2
Procase e ODS nos Planos Emergenciais
8.560 famílias
10% diminuição da desnutrição
55% lares chefiados 
por mulheres
8.560 famílias treinadas em 
tecnologias novas de acesso 
a água para produção
1.200 jovens treinandos para 
empreendedorismo
10% aumento na produção
450 famílias treinadas em 
técnicas de sistemas 
agroflorestais
761 instalações de aumento 
na segurança hídrica
50 representantes de 
cooperativas e associaçoes 
treinados e capacitados 
em gestão
120 funcionários públicos treinados 
em desenvolvimento sustentável
Fonte: Procase com base em Organização das Nações Unidas (ONU), UNCT Brazil SDG Action Plan, MAPS Brazil
Engagement Report, Nova Iorque, 2018.
F. Conclusões e relação com o Big Push para a Sustentabilidade
O Procase (Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú, FIDA/Estado da 
Paraíba) é um dos projetos referência apoiados por agências da ONU no Brasil no combate à 
desertificação do sistema Caatinga. O projeto se destaca por um forte componente de ação hídrica, 
conjugado a ações de geração de renda e preservação ambiental. Os Planos Emergenciais de combate 
à seca das ações do Procase incluíram a implementação de 53 hectares de sistemas agroflorestais, 
beneficiando 345 famílias; a instalação de 761 sistemas subterrâneos de extração de água associados ao 
plantio de palma forrageira resistente à cochonilha-do-carmim, como parte do Plano de Emergência da 
Água, totalizando cerca de 294 hectares e beneficiando 8.560 famílias; e a instalação de 61 
dessalinizadores, que beneficiaram 1.800 famílias (ONU Brasil, 2019).
aOs planos emergenciais e as obras de infraestrutura hídrica do Projeto potencializaram 
segurança hídrica e alimentar dos beneficiários, pelo plantio de palma forrageira para a alimentação 
animal e expansão do acesso a água a milhares de famílias pobres rurais. Neste contexto, e em uma 
amostra representativa deste universo, os beneficiários do Procase estão sendo treinados em técnicas 
de plantio de sistemas agroflorestais, aumentando a retenção de água e CO2 no solo, melhorando a 
qualidade nutricional das pastagens, e favorecendo a biodiversidade de forma geral. Além de SAFs 
naturais que surgiram dos campos de palma implantados com as obras hídricas, foram instaladas
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alinha com as eficiências keynesiana, schumpeteriana e da
refere à capacidade provocar efeitos multiplicadores
três pilares (econômico, social e
31 unidades demonstrativas de SAFs forrageiro e frutífero nas comunidades beneficiárias. Dentro da 
perspectiva socioeconômica, o modelo planejado permitiu uma redução drástica de adubos sintéticos 
e defensivos agrícolas, se utilizando de insumos locais (Miccolis e outros, 2016). Neste caso prático se 
aplicou 500 kg de esterco ovino/caprino por 0,5 hectare. Ao mesmo tempo, permite a recuperação da 
vegetação nativa e serve de espaço de capacitação para os produtores, tornando-se referência para a 
atividade produtiva agropecuária do Nordeste brasileiro, levando ao enriquecimento da Caatinga e ao 
desenvolvimento dos fundos de pasto utilizados pelos rebanhos de pequenos ruminantes com espécies 
forrageiras adaptadas à floresta de sequeiro.
Todas as ações descritas neste documento se alinham com a proposta do Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019). Em primeiro lugar, contribuem para a eliminação das 
brechas estruturais para o desenvolvimento sustentável por meio da promoção da segurança alimentar 
e hídrica em territórios de desenvolvimento nas zonas rurais do país, através de redução de assimetrias 
competitivas e tecnológicas dos agricultores familiares. Em segundo lugar, melhora o nível de 
governança local no uso de recursos públicos, por meio de treinamento e assessoria técnica contínua 
em gestão de recursos financeiros por associações de agricultores familiares. Em terceiro lugar, 
promovem crescimento econômico e geração de empregos, necessários para elevar o padrão de vida e 
reduzir desigualdades, complementando os investimentos públicos e privados em educação e infra­
estrutura. Em quarto lugar, promovem o uso de energias de fontes renováveis, eficiência energética e o 
uso sustentável de recursos naturais, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa.
A iniciativa também se
sustentabilidade, no marco da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade (CEPAL/FES, 2019). Em 
relação à eficiência keynesiana, que se  na 
economia, verifica-se que a iniciativa constrói uma infraestrutura energética e hídrica, que alavanca e 
viabiliza novos investimentos complementares. A eficiência schumpeteriana, relacionada às 
externalidades positivas de aprendizagem e inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor a partir 
de uma matriz produtiva mais integrada, complexa e intensiva em conhecimento, está presente por 
desenvolver uma nova tecnologia e demonstrar sua viabilidade em outras regiões similares, além de 
promover o desenvolvimento da agricultura para além da subsistencia. A eficiência da sustentabilidade, 
caracterizada pela clássica eficiência da sustentabilidade nos 
ambiental) apresenta-se claramente ao longo do caso estudo.
Nesse sentido, aumentam a resiliência climática das famílias que vivem na parte do semiárido 
brasileiro com o menor índice de pluviometria do Brasil, através do sequestro de carbono promovido pelas 
plantas inseridas nos sistemas agroflorestais e campos de palmas, como também, pelo uso de fontes de 
energia elétrica oriundas de fontes limpas e renováveis (eólica e fotovoltaica) nas atividades produtivas 
apoiadas. Finalmente, garantem o uso racional da água através dos poços, barragens subterrâneas e 
dessalinizadores. Toda esta concertação promove o manejo sustentável dos recursos naturais acoplado à 
geração de renda e diversificação produtiva de famílias pobres rurais brasileias, diminuindo o incentivo para 
a imigração rural-urbana e contribuindo para o desenvolvimento sustentável das comunidades beneficiadas 
e cumprimento direto de pelo menos 9 dos ODS da ONU, em especial a erradicação da pobreza (ODS 1), 
fome zero e agricultura sustentável (ODS 2), acesso a água (ODS 6), consumo e produção sustentáveis 
(ODS 12) e ação contra a mudança global do clima (ODS 13).
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