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        <dc:creator>Corden, W. Max</dc:creator>
        <dc:contributor>Corden, W. Max</dc:contributor>
        <dcterms:title>Una zona de libre comercio en el Hemisferio Occidental: posibles implicancias para América Latina</dcterms:title>
        <dcterms:isPartOf>En: La liberalización del comercio en el Hemisferio Occidental - Washington, DC : BID/CEPAL, 1995 - p. 13-40</dcterms:isPartOf>
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(
,
5
6

(

109

medio ambiente y desarrollo

O

sistema municipal e o
combate à pobreza no Brasil
Beatriz Azeredo
Thereza Lobo

División de Desarrollo Sostenible y
Asentamientos Humanos

Santiago de Chile, octubre del 2005

Este documento foi elaborado por Beatriz Azeredo, Diretora do Centro de
Estudos de Políticas Públicas (CEPP) e professora do Instituto de Economia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e Thereza Lobo,
Superintendente Executiva da Comunitas-Parceira para o Desenvolvimento
Solidário e Diretora do Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP).
Trabalho preparado para o projeto financiado pela Conta para o
desenvolvimento das Nações Unidas “Pobreza urbana: estrategia orientada a la
acción para los gobiernos e instituciones municipales de América Latina y el
Caribe” (ROA/28), desenvolvido pela Divisão de Desenvolvimento Sustentável
e Assentamentos Humanos da CEPAL. Pesquisa e estadísticas a cargo de Ângela
Nogueira, do Centro de Estudos de Políticas Públicas (CEPP).
As opiniões aqui expressas são de inteira responsabilidade dos autoras, não
refletindo, necessariamente, a posição da CEPAL. Este documento não foi
submetido a revisão editorial.

Publicação das Nações Unidas
ISSN versão impressa 1654-4189
ISSN versão eletrônica 1680-8886
ISBN: 92-1-322759-0
LC/L.2379-P
N° de venta: P.05.II.G.123
Copyright © Nações Unidas, octubre de 2005. Todos os direitos reservados
Impresso nas Nações Unidas, Santiago Chile
A autorização para reproduzir total ou parcialmente esta obra debe ser solicitada ao
Secretário da Junta de Publicações, Sede das Nações Unidas, Nova Lorque, N.Y.
10017, Estados Unidos. Os Estados membros e as suas instituições governamentais
podem reproduzir esta obra sem autorização prévia. Só se solicita que mencionem a
fonte e informem as Nações Unidas de tal reprodução.

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Índice

Resumo
........................................................................................ 5
I. Marco referencial de combate à pobreza:
a gestão municipal ................................................................... 7
1. O sistema federativo .............................................................. 7
2. Cénario municipal: heterogeneidade e desigualdade........... 10
II. O financiamento das políticas sociais no Brasil:
o papel dos municípios .................................................. 17
1. Evolução e estrutura das receitas fiscais e do gasto social
no Brasil ............................................................................... 17
2. Financiamento externo......................................................... 24
III. O processo de descentralização ................................... 27
1. As políticas setoriais: relações inter-governamentais.......... 27
1.1 Ensino fundamental...................................................... 27
1.2 Sistema único de saúde / SUS ...................................... 28
1.3 Rede de proteção social................................................ 29
1.4 Políticas públicas de emprego ...................................... 31
1.5 Políticas urbanas........................................................... 33
2. Relações estado e sociedade civil ........................................ 34
2.1 Os conselhos................................................................. 35
2.2 Inovações em gestão pública........................................ 35
2.3 O programa brasileiro de combate à AIDS .................. 36
IV. Considerações finais ............................................................. 39
Bibliografía ............................................................................ 43
Anexos ................................................................................... 45
Serie medio ambiente y desarrollo:
números publicados ...................................................................... 53

3

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Índice de quadros
Quadro 1.1
Quadro 1.2
Quadro 1.3
Quadro 1.4
Quadro 1.5
Quadro 2.1
Quadro 2.2
Quadro 2.3
Quadro 2.4
Quadro 3.1

Distribução das competências entre os três níveis de governo-segundo a
Constitução Federal de 1998 ........................................................................................8
Distribução do número de municípios e da população 2000......................................10
Distribução da população rural e urbana 2000 Brasil ................................................11
Indicadores socioeconômicos selecionados em 2002.................................................11
Evolução dos indicadores socioeconômicos selecionados 1992-2004.......................12
Receita disponível pelas esferas de governo 1985-2003 ............................................17
Receitas tributárias disponíveis nos municípios.........................................................18
Evolução da receita tributária por nível de governo 1960-2004.................................19
Receita tributária própia e de transferência per capita. Segundo o porte
dos municípios 2002 ...................................................................................................20
Ações sociais do governo federal em parceira com outros governos-2003................30

Índice de gráficos
Gráfico 2.1
Gráfico 2.2

4

Crescimento das receitas tributárias própias em municípios
selecionados, PMAT...................................................................................................22
Estrutura da despesa dos municípios por função-2003...............................................23

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Resumo

Os municípios, em especial os das capitais e aqueles de médio e
grande porte, vêm assumindo crescente importância nas estratégias de
combate à pobreza no Brasil. A descentralização fiscal, a partir da
Constituição de 1988, a recuperação da capacidade de gasto das
prefeituras, a modernização das administrações municipais, e a
responsabilidade crescente sobre o gasto social compõem este cenário.
A descentralização de atribuições ocorreu de fato em áreas
como a educação e a saúde. E novos programas federais, como os de
transferência de renda, abriram espaços importantes para experiência
locais inovadoras.
Os municípios também vêm assumindo novos desafios, em
especial, na política urbana, com abordagens criativas frente aos
bolsões de miséria nas cidades e mobilização de fontes internas e
externas de recursos. A capacidade de intervenção dos municípios na
área social tem sido fortalecida, ademais, pelas parcerias com
organizações da sociedade civil na elaboração e execução do
programas.
Os desafios a este processo são também apontados, referentes à
enorme heterogeneidade dos municípios e às profundas desigualdades
inter e intra-regionais, tornando ainda mais complexo o enfrentamento
da pobreza no país.

5

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

I.

Marco referencial de combate à
pobreza: a gestão municipal

1.

O sistema federativo

O ano de 1988 é considerado consensualmente um marco
histórico na trajetória do Federalismo no Brasil. A nova Constituição
então promulgada buscou organizar a Federação de forma mais clara.
Alguns pontos merecem ser lembrados:
• Os municípios foram reconhecidos, pela primeira vez
explicitamente, como unidades de governo do Estado
Nacional, com autonomia política, administrativa e
financeira.
• A descentralização fiscal abriu espaço para o fortalecimento
da capacidade de financiamento dos governos subnacionais,
redistribuindo receitas.
• A descentralização de responsabilidades foi apenas esboçada
e gerou ambigüidades e obstáculos a um processo ordenado.
Alguns problemas já existentes em versões anteriores da
Constituição permaneceram e outros foram criados pelo novo texto
constitucional (ver no quadro 1.1). De forma breve, pode-se enumerar:
• As chamadas competências comuns ou concorrentes
continuaram a existir, em especial na área social: redes
paralelas de prestação de serviços (educação e saúde),

7

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

gerando impossibilidade de responsabilização de governos por negligência ou
inexistência de determinados serviços (“quando todo mundo pode tudo, ninguém se
responsabiliza por nada”). O parágrafo único do art. 23, prevendo a fixação de regras para
a articulação intergovernamental, nunca foi regulamentado.
• Aos estados a Constituição continuou reservando a chamada “competência residual”; ou
seja, responsabilidades que não estejam explicitamente vedadas no texto legal. Essa
vedação nunca ficou suficientemente esclarecida e, agregada às competências
concorrentes, resultou em grande ambigüidade.
• Os municípios tiveram que se defrontar com a atribuição de prover serviços públicos de
“interesse local”. A definição do que significa tal expressão nunca ocorreu, e passou a
compor o cenário de dificuldades quanto à responsabilização pela prestação de serviços.
Quadro 1.1

DISTRIBUIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS ENTRE OS TRÊS NÍVEIS DE GOVERNO-SEGUNDO A
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1998
União

Competências para
(art. 21):
Planejar e promover defesa
contra calamidades
públicas
Definir diretrizes para
desenvolvimento urbano,
inclusive habitação,
saneamento básico e
transportes urbanos.
Competências privativas
para legislar (art. 22):
Diretrizes política nacional
de transportes;
Seguridade social;
Diretrizes e bases da
educação nacional.

União, Estados e
Municípios
Competências para
(art. 23):
Saúde, assistência pública
e proteção à portadores de
deficiência;
Cultura, educação e
ciência;
Meio ambiente;
Fomento agropecuária e
organização do
abastecimento alimentar;
Habitação e saneamento;
Obs:
Lei complementar fixará
normas para cooperação
entre os diferentes níveis
de governo, com vistas ao
equilíbrio do
desenvolvimento nacional.

Estados

Municípios

(art.25)

(art. 30)

Competência residual.
Estados podem instituir (lei
complementar) regiões
metropolitanas,
aglomerações urbanas e
microrregião, tendo em
vista funções públicas de
interesse comum.

Educação pré-escolar e
ensino fundamental;
Saúde:
Serviços públicos de
interesse local com caráter
essencial, inclusive
transporte coletivo;
Planejamento da ocupação
do solo urbano: plano
diretor como instrumento
básico da política de
desenvolvimento urbano.

Competências para
legislar concorrentemente
sobre (art. 24):
Meio ambiente;
Educação e cultura;
Previdência e saúde;
Proteção à infância,
juventude e portadores de
deficiência.
Fonte: feito pelas autoras.
Notas:
1
Saúde: previsão de sistema único, regionalizado, hierarquizado, descentralizado, com direção única em cada esfera de
governo (art. 198);
2
Assistência Social: descentralização política-administrativa; esfera federal; coordenação e normas gerais; estados,
municípios e ent. beneficentes coordenação e execução (art. 204);
3
Educação: União responsável pela organização e financiamento do sistema federal de ensino e o dos Territórios e
prestação de assistência técnica e financeira a Estados, DF e municípios; municípios com atuação prioritária no ensino
fundamental e pré-escolar (art. 211).

8

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

De 1988 até agora, com especial ênfase na metade da década de 90 em diante, vários avanços
foram experimentados. As áreas que mais progrediram no ordenamento da distribuição de
responsabilidades foram a educação, a saúde e a assistência social. Mais adiante este trabalho
detalha a situação atual desses setores.
Mesmo levando em conta as mudanças ocorridas ao longo do tempo, ainda persistem
conseqüências da Constituição, de natureza mais global. Pedindo licença para utilizar expressões
metafóricas, e aparentemente paradoxais, ousa-se dizer que restou um cenário de “desordem
organizada”. Desordem, porque as atribuições de cada nível de governo ficaram sem planejamento,
não havendo acordo político suficiente por muito tempo. Organizada porque não houve caos,
tampouco interrupção da prestação de serviços. Alguma organização prevaleceu e foi sendo
progressivamente conquistada, em especial nos setores acima mencionados.
No que respeita aos três níveis de governo, as imagens projetadas são, sem intuito de
qualquer generalização absoluta:
• “Esquizofrenia responsável” como uma característica do governo federal: duas tendências
se degladiam no plano federal. A primeira é defendida e operacionalizada por aqueles
que, mesmo que não se expressem desta maneira, ainda acreditam e defendem políticas e
programas centralizadores. A segunda busca, cada vez mais, os melhores e mais efetivos
caminhos para uma real descentralização. E boa parte da máquina de governo transita
entre as duas tendências, procurando se equilibrar de forma responsável, sem deixar que
haja solução de continuidade na prestação dos serviços.
• Governos estaduais pairando num “limbo politizado”: resultado das competências
concorrentes e da competência residual, os governos estaduais não ficam nem no céu nem
no inferno (limbo). Mas não se trata de um limbo neutro. É um limbo politizado porque
os governadores estaduais são atores políticos de suma importância no país. Basta ver
quantas vezes são acionados para sustentar ou se opor a uma política emanada do governo
federal.
• O comportamento dos municípios pode ser identificado como de “adolescentes velhos”.
Adolescentes, porque acreditam, muitas vezes, que tudo podem, pois assim lhes foi dito
pela Constituição, ao lhes atribuir plena autonomia. Velhos, porque muitos ainda não se
livraram das antigas e tradicionais práticas de governar – sempre à espera de algum
benefício que lhes caia às mãos oriundo do governo federal, sem falar no clientelismo e
assistencialismo nas políticas sociais, que ainda persistem al muitas delas.
Tudo isso, entretanto, não obscurece o fato de que os municípios brasileiros participam de
forma crescente, e cada vez mais relevante, na vida do país, em particular na provisão de serviços
sociais básicos. Enfrentam dificuldades de caráter estrutural que, de forma isolada, não conseguem
superar. Além disso, vale ressaltar que a própria Constituição estabelece como princípio a gestão
descentralizada e democrática, além da participação da comunidade. Esse princípio tem seu
rebatimento direto na legislação infra-constitucional que resultou na proliferação de conselhos nos
três níveis de governo em todas as áreas: educação, saúde, assistência social, previdência, trabalho,
atenção à criança e adolescente.

9

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

2.

Cenário municipal: heterogeneidade e desigualdade

Embora não seja peculiaridade brasileira, a heterogeneidade entre os municípios é grande no
país. Alguns aspectos são ilustrativos dessa heterogeneidade: o porte, o grau de urbanização, a
capacidade de financiamento e a participação nos gastos sociais.
O quadro abaixo, com base nos dados censitários de 2000, indica a diversidades dos
municípios no que respeita ao tamanho da população. Percebe-se que cerca de 40% da população
brasileira ainda vivem em municípios de até 50 mil habitantes. Nesta categoria se enquadram 90%
dos municípios brasileiros.
Quadro 1.2
Ã

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE MUNICÍPIOS E DA POPULAÇÃO 2000
BRASIL
Municípios
Faixas
Até 20 mil

População

Número

Percentual

Número

Percentual

4 022

73,0

33 437 404

20,0

De 20 a 50 mil

958

17,0

28 832 600

17,0

De 50 a 100 mil

303

6,0

20 958 128

12,0

De 100 a 300 mil

158

3,0

26 455 991

16,0

De 300 a 500 mil

35

0,6

13 172 014

8,0

De 500 mil a 1 milhão

18

0,3

12 583 713

7,0

Acima de 1 milhão

13

0,2

34 389 320

20,0

5 507

100,0

169 829 170

100,0

Total

Fonte: IBGE – Censo 2000.

Nos municípios grandes, acima de 300 mil habitantes, estão localizados cerca de 35% da
população. Mas são apenas 1,1% do total de 5.507 municípios, sendo que apenas 13 cidades
concentram populações acima de 1 milhão de habitantes.
A região Sudeste é aquela que se distancia das demais no que respeita ao tamanho dos
municípios e a concentração da população. Pouco mais da metade da população (58%) habita em
36 municípios de mais de 300 mil habitantes, sendo que 27% se concentram em 4 municípios de
mais de 1 milhão de habitantes.
A região Sul é a que apresenta população menos concentrada. Cerca de 20% da população
moram em 8 municípios grandes e apenas dois municípios com mais de 1 milhão de habitantes
abrigam 12% da população sulista. Duas outras regiões – Norte e Nordeste têm 25% da população
em municípios acima de 300 mil habitantes, distribuídos em 4 e 13 municípios respectivamente. A
região Centro-Oeste chega a ter 40% da população nessa categoria, concentrada em apenas 5
municípios.
O tratamento das questões sociais que afetam a população certamente é afetado por esses
diferenciais de porte do município. Agregue-se ao tamanho do município o seu grau de urbanização
e um novo cenário aparece.

1

10

Os quadros 1 a 5, em anexo, apresentam a distribuição do número de municípios e da população por região.

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Quadro 1.3

DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO RURAL E URBANA 2000 BRASIL
Faixas de
População

Urbano
Número

Rural

Percentual

Número

Total
Percentual

Número

Até 20 mil

18 415 230

55

15 022 174

45

33 437 404

De 20 a 50 mil

19 097 894

66

9 734 706

34

28 832 600

De 50 a 300 mil

41 662 849

88

5 721 270

12

47 384 119

Acima de 300 mil

58 777 986

98

1 367 061

2

60 145 047

137 953 959

81

31 845 211

19

169 799 170

Total

Fonte: Censo IBGE – 2000.

A população brasileira vive majoritariamente nas cidades (81%). Quando observamos essa
distribuição rural e urbana da população por tamanho dos municípios, no entanto, aparecem
importantes diferenças. Nas cidades até 20 mil habitantes, por exemplo, quase a metade vive na
área rural. Já nos municípios entre 20 mil e 50 mil habitantes a população rural atinge um terço do
total. Essa proporção é decrescente quanto maior é a população do município, como esperado, até
atingir 98% de habitantes nas cidades acima de 300 mil habitantes. Aí se localiza a concentração da
pobreza, em termos absolutos.
À heterogeneidade soma-se outra questão: as desigualdades inter e intrarregionais. Estudo
recente desenvolvido pelo Instituto de Estudos sobre Trabalho e Sociedade (IETS) em 2004, a
partir de dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD) aponta observações
importantes sobre as desigualdades interregionais (IETS, 2004). Estas são muito mais conhecidas e
discutidas que as disparidades intrarregionais.
O quadro abaixo denuncia a persistente desigualdade histórica entre os estados mais ricos,
nas regiões Sul e Sudeste, e os mais pobres, no Nordeste. Os indicadores sócio-econômicos aí
descritos são auto-explicativos.
Quadro 1.4

INDICADORES SOCIOECONÔMICOS SELECIONADOS EM 2002
Região/
Estado

Renda
p.cap.
(US$)
Dada pela
renda
domiciliar
per cápita

Pobreza
Estimada como
a proporção de
pobres, a partir
da linha de
pobreza
estipulada pelo
IPEA

Desemprego
Taxa de
desemprego
aberto

Escolaridade
Número de
anos de
estudo
completos da
população
com mais de
25 anos

Analfabetismo

a/

Atraso Escolar Telefones

Proporção de
Taxa de crianças (10 a
analfabe- 14 anos) com
pelo menos
tismos da
população dois anos de
defasagem
com 15
série-idade
anos ou
mais

Proporção
de
domicílios
que
possuem
telefones
fixos

Nordeste
Alagoas

64

63,5

8.5

4,0

31,2

35,8

24,8

Rio Grande
do Norte

82

49,3

6,7

5,2

22,7

23,7

32,9

126

23,9

6,0

12,6

12,6

41,0

Centro-Oeste
Mato Grosso

6,5

(continúa)

11

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Quadro 1.4 (conclusão)
Região/
Estado

Renda
p.cap.
(US$)
Dada pela
renda
domiciliar
per cápita

Pobreza
Estimada como
a proporção de
pobres, a partir
da linha de
pobreza
estipulada pelo
IPEA

Desemprego

Escolaridade
Número de
anos de
estudo
completos da
população
com mais de
25 anos

Taxa de
desemprego
aberto

Analfabetismo
Taxa de
analfabetismos da
população
com 15
anos ou
mais

Atraso Escolar Telefones
Proporção de Proporção
de
crianças (10 a
14 anos) com domicílios
que
pelo menos
dois anos de possuem
defasagem telefones
fixos
série-idade

SudesteÃ
Rio de
Janeiro

179

19,6

11,6

7,4

2,6

12,6

63,8

São Paulo

184

19,5

11,4

7,2

4,5

4,5

71,2

Minas
Gerais

119

24,8

8,7

5,8

9,0

9,0

53,9

Sul
Paraná

142

24,9

6,9

6,3

6,9

6,9

60,2

Santa
Catarina

153

14,5

4,4

6,6

7,6

7,6

61,2

Brasil

131

32,9

9,1

6,1

16,1

16,1

52,8

Fonte: IETS, a partir de tabulações especiais da PNAD/IBGE; Tabela citada no Policy Paper no 4 – Desenvolvimento
com justiça social: uma agenda para os Municípios, IETS, janeiro de 2004, coordenação de André Urani e José
Guilherme dos Reis.
a/
Todos os valores em reais apresentados no texto foram convertidos para dólar americano, considerando a PTAXBACEN média do mês ou do ano, conforme o caso. As tabelas com valores em reais encontram-se no Anexo.

Tirando o desemprego, cujas taxas mais elevadas se encontram no Rio de Janeiro e São
Paulo, inclusive acima da média brasileira, e o atraso escolar, para o Rio de Janeiro e Mato Grosso,
todos os demais indicadores são desfavoráveis para os estados do Nordeste.
É nestes estados que se concentra a maior percentual de pobres e onde se registram os piores
indicadores relativos à educação: índices de analfabetismo (um terço da população acima de 15
anos em Alagoas); escolaridade e atraso escolar (quase 40% das crianças entre 10 e 14 anos com
pelo menos dois anos de defasagem série-idade, também em Alagoas).
As disparidades ao longo de uma década, descritas no quadro abaixo, mostram a
complexidade da situação.
Quadro 1.5

EVOLUÇÃO DOS INDICADORES SOCIOECONÔMICOS SELECIONADOS
b/
1992-2004
(Percentuais)
Região/ Estado

Renda p. cap.

Desigualdade

Pobreza

Indigência

Desemprego

4,87

0,07

2,37

-2,22

-3,90

-23,17

-36,57

-12,10

-38,00

-46,26

26,96

Nordeste
Alagoas
Rio Grande do Norte

8,80
31,15

Centro-Oeste
Mato Grosso

69,64

10,82

(continúa)

12

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Quadro 1.5 (conclusão)
Região/ Estado

Renda p. cap.

Desigualdade

Pobreza

Indigência

Desemprego

Sudeste
Rio de Janeiro

23,63

0,39

-26,24

-32,19

71,13

São Paulo

29,97

6,88

-15,59

-18,48

38,78

Minas Gerais

35,46

-0,97

-30,29

-46,46

46,26

33,56

Sul
Paraná

56,58

-1,34

-41,18

-56,81

Santa Catarina

22,85

-13,06

-45,53

-64,05

16,82

Brasil

30,86

1,23

-19,42

-30,87

41,83

Fonte: IETS (2004).
b/
As linhas de pobreza e de indigência são aquelas estimadas pelo IPEA; Pobreza e a indigência: proporção
de pessoas vivendo nestas situações; Desigualdade: medida pelo índice de Gini.

O crescimento da renda per capita domiciliar, 31%, e o aumento da desigualdade, 1% pelo
índice de Gini, mostram que não necessariamente aumentar a renda disponível à população
significa diminuir a desigualdade. O caso de Mato Grosso mostra que, mesmo tendo a renda per
capita crescido mais do que o dobro da média nacional, a desigualdade teve a maior elevação da
década no país. Por sua vez, Santa Catarina apresentou um crescimento da renda bem abaixo da
média nacional e a maior queda na desigualdade. Não por casualidade, é nesse Estado que a
diminuição da pobreza e da indigência é a mais elevada do país, muito acima da média nacional.
No que respeita ao desemprego, o Rio de Janeiro foi o campeão no período. Embora
apresentasse um índice de desigualdade mais baixo dentre os estados considerados, as taxas de
pobreza e de indigência se aproximam da média nacional.
Desequilíbrios interregionais, todavia, não são suficientes para explicar uma situação que se
apresenta como estrutural no Brasil. Os desequilíbrios atingem o plano municipal de uma forma
incontestável. Segundo o estudo já mencionado do IETS de 2004, dados do Censo indicam que dos
550 municípios mais ricos do país, em termos de renda per capita mensal, apenas 13 se localizam
nas regiões Norte e Nordeste (IETS, 2004). Por outro lado, dos 550 mais pobres, apenas 10 estão
fora do Nordeste, exatamente na região mais pobre de Minas Gerais, o Vale do Jequitinhonha, área
reconhecida oficialmente como inserida no Polígono da Seca.
A mesma base de dados vai além. O município com renda per capita mais elevada, cerca de
1.000 reais (US$ 548), fica em São Paulo (Águas de São Pedro). A renda mais baixa, apenas 30
reais (US$ 16,4) mensais se localiza no Maranhão (Centro do Guilherme).
A desigualdade não se restringe às regiões ou mesmo aos municípios. A pobreza não está
circunscrita à região geográfica mais ampla. A disparidade intrarregional, ou melhor intraestadual,
também é parte do cenário. O Estado de Minas Gerais na região Sudeste, por exemplo, apresenta o
Vale do Jequitinhonha mencionado acima, com indicadores comparáveis aos dos municípios mais
pobres do Nordeste. A renda per capita de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais era de R$ 557
(US$ 304) em 2000, enquanto que a do município de Bonito de Minas – a mais baixa do estado –
era de R$ 49 (US$ 27). A rigor estas enormes discrepâncias entre a renda per capita dos municípios
são registrados em todos os estados, independente de estarem em regiões mais desenvolvidas.2
O próprio Estado de São Paulo não é uma ilha de riqueza. Dados do Governo do Estado,
levando em conta indicadores de riqueza, longevidade e escolaridade, agrupados no Índice Paulista

2

O Quadro 9 no Anexo apresenta informações sobre renda per capita por estado, destacando os municípios da capital, o município de
menor renda per capita e quando for o caso, os muncípios com renda per capita superior à da capital.

13

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

de Responsabilidade Social,3 apontam para 5 grupos de municípios, dos mais ricos aos mais pobres.
Os primeiros incluem 81 municípios na região metropolitana e concentram 62% da população do
Estado, inclusive a capital (Grupo 1). O grupo de municípios mais pobres (Grupo 5) se localiza na
Região Administrativa de Registro incluindo o Vale do Ribeira, principalmente, com 114
municípios, em geral de pequeno porte, concentrando um total de 2 milhões de pessoas (SEADE,
2004).
Alguns indicadores dão evidências das disparidades entre estes dois grupos de municípios.4
• Riqueza: o consumo anual de energia elétrica por ligação nos três setores no Grupo 1 é
de 21,8 Mw, enquanto no Grupo 5 é de 6,5 Mw, bem abaixo da média do Estado. Para o
consumo por ligação residencial estes números variam de 3 Mw a 1,8 Mw. Ainda neste
indicador, o rendimento médio de emprego formal no Grupo 1 era de R$ 932,00 (US$
509) em 2000, pouco mais do que o dobro do rendimento dos trabalhadores do Grupo 5.
• Longevidade: a taxa de mortalidade infantil (por mil nascidos vivos) é de 19,7 no Grupo
5, bem acima da média do Estado e bem maior que a do Grupo 1 (16,9).
• Escolaridade: no que respeita aos jovens, são 66% da faixa de 15 a 19 anos no Grupo 1
que completaram o Ensino Fundamental (até a 8ª. Série), proporção que cai para 55% no
Grupo de municípios mais pobres. Na faixa dos 20 aos 24 anos, 46% dos jovens da região
metropolitana de São Paulo completaram o Ensino Médio, enquanto no Grupo 5 esta
proporção chega a apenas um terço dos jovens.
O caso do Estado do Rio de Janeiro reforça o cenário das disparidades intrarregionais (Perro,
Valeria e Quintaes Giovani e Arnon Andréia ,2004). À Região Metropolitana do Rio de Janeiro,
mais rica (456 reais de renda per capita –US$ 249–, a mais alta do Estado) e com menores
proporções de pobres e indigentes em 2000 (18 e 8%), contrapõem-se as regiões do Norte e do
Noroeste Fluminense, com muito baixa renda per capita (240 e 261 reais, ou 131 e 143 dólares
respectivamente) e elevado porcentual de pobres e indigentes, 29 e 10% respectivamente.
Os grandes centros urbanos, por sua vez, expressam também de forma dramática as
desigualdades sociais do país. Estas cidades apresentam crescentes parcelas da população vivendo
em condições extremamente precárias e praticamente excluídas da vida da cidade. Nessas favelas e
periferias urbanas, os indicadores sociais –condições de moradia, analfabetismo, baixa
escolaridade, desemprego e subemprego, mortalidade infantil e desnutrição– comparam-se aos
piores do país.
A complexidade da questão da pobreza nos grandes centros urbanos, portanto, representa
hoje um dos principais desafios para as políticas públicas.
Um exercício feito para a cidade do Rio de Janeiro com base no Relatório de
Desenvolvimento Humano exemplifica esta questão: mantidos os padrões atuais de investimentos,
um bairro pobre precisará de 100 anos para alcançar o nível de qualidade de vida de um bairro rico
com IDH similar a de países desenvolvidos (IETS, 2004).
Já o comportamento dos indicadores da região metropolitana de São Paulo, que inclui os
municípios mais ricos do Estado, como apontado acima, reflete um quadro de agravamento das
desigualdades sociais e do aumento da pobreza. Considerando o ranking das regiões metropolitanas
do Brasil feito a partir do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), observa-se que
a grande São Paulo, nos últimos 10 anos, saiu da terceira posição para o sétimo lugar. A proporção
dos que vivem com menos de meio salário mínimo de renda mensal aumentou de 9,4% para 14%
3

4

14

Índice elaborado em 2000 pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE), por solicitação da Assembléia
Legislativa do Estado, a partir da adaptação do IDH às condições particulares do Estado de São Paulo.
Dados para o ano de 2000, segundo SEADE (2004).

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N° 109

entre 1991 e 2000.5 Mesmo no município da capital, que concentra quase 60% da população da
região metropolitana, este indicador aumentou de 8% para 12% no período.6 É também na cidade
de São Paulo que o número de pessoas vivendo em favelas alcança 11% da população total. Por
fim, considerando os 20% mais pobres da região metropolitana, registra-se uma queda da renda per
capita de 26%, enquanto para os 10% mais ricos verificou-se um aumento de 11%.
Esse conjunto de heterogeneidades e desigualdades tem um rebatimento lógico na
capacidade de financiamento dos municípios brasileiros e na gestão das políticas sociais. Este é o
objeto da seção seguinte deste trabalho, que traz uma análise do papel dos municípios no
financiamento das políticas sociais.

5
6

O salário mínimo hoje é de R$ 260,00, o equivalente a US$ 89,3 à taxa média de setembro de 2004.
Segundo o “Dossiê Estado”, caderno especial do Jornal o Estado de São Paulo, publicado em 26 de setembro de 2004, com base em
pesquisa realizada pelo IETS.

15

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

II. O financiamento das políticas
sociais no Brasil: o papel dos
municípios

1.

Evolução e estrutura das receitas fiscais e
do gasto social no Brasil

Um outro fator indicativo da heterogeneidade dos municípios se
refere à sua capacidade de financiamento. O quadro abaixo deixa bem
claro que a descentralização fiscal aconteceu de verdade a partir da
Constituição de 1988, gerando aumento expressivo de receita para os
municípios brasileiros.
Quadro 2.1

RECEITA DISPONÍVEL PELAS ESFERAS DE GOVERNO 1985-2003
(em percentual do PIB)
Anos

União

Estados

Municípios

Total

1985

14,2

5,3

2,9

22,3

1990

16,1

7,4

4,9

28,3

1995

16,0

7,5

4,9

28,4

2000

19,4

8,2

4,9

32,5

2001

20,1

8,7

5,1

33,8

2002

20,7

9,1

5,9

35,7

2003

21,2

8,9

5,8

35,9

Fonte: Ministério da Fazenda – Secretaria do Tesouro Nacional;
Tabela citada no Policy Paper no 4 – Desenvolvimento com justiça
social: uma agenda para os municípios, IETS, janeiro de 2004,
coordenação de André Urani e José Guilherme dos Reis.

17

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

A receita disponível apresentada é composta da arrecadação própria dos municípios
(impostos sobre serviços, sobre propriedade territorial urbana, transmissão de bens imóveis, taxas e
contribuições de melhoria) e as receitas de transferências constitucionais, advindas dos governos
federal e estadual.7
Essas transferências, a despeito da sua natureza, são sempre realizadas do maior para o
menor nível de governo. No caso dos municípios, as partilhas de receitas são as seguintes:
Provenientes da união:
(i) 22,5% do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e 22,5% do imposto de renda
(IR), que compõem o Fundo de Participação dos Municípios (FPM);
(ii) 70% do imposto sobre operações financeiras (IOF-Ouro);
(iii) 50% do imposto territorial rural (ITR).
Provenientes dos estados:
(iv) 25% do imposto sobre circulação de mercadorias de bens e serviços (ICMS – imposto
sobre valor adicionado);
(v) 50% do imposto sobre a propriedade de veículos (IPVA);
Além dessas partilhas de receitas tributárias, foi criado em 1996 o Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e valorização do Magistério (FUNDEF) Este fundo é
formado pelas seguintes vinculações das transferências constitucionais: 15% das parcelas estadual
e municipal do ICMS; 15% do Fundo de Participação dos Municípios/FPM; 15% do Fundo de
Participação dos Estados/FPE,8 15% das parcelas dos municípios e dos Estados do Fundo de
Compensação pela Exportação de Produtos Industriais/FPEx. Esse novo mecanismo de
financiamento à educação será tratado em maiores detalhes na seção 1 cap. III deste trabalho.
O quadro a seguir aponta a importância das transferências para as receitas disponíveis nos
municípios: em 2003 as receitas tributárias próprias das prefeituras representavam 1,63% do PIB,
enquanto as transferências da União e dos Estados atingiram 4,15% do PIB.
Quadro 2.2

RECEITAS TRIBUTÁRIAS DISPONÍVEIS NOS MUNICÍPIOS
2003
US$
Bilhão
GDP

Percentual
Total

493,3

Total

Percentual
do PIB

2002
US$
Bilhão

Percentual
do PIB

Percentual
Total

459,4

28,5

5,77

100,0

27,2

5,92

100,0

Receitas Tribut.
Próprias

8,0

1,63

28,1

7,7

1,68

28,3

Transferências

20,5

4,15

71,9

19,5

4,25

71,7

União para
Municípios

8,0

1,63

28,2

8,1

1,76

29,7

Tax-shared base

6,3

1,29

22,3

6,4

1,39

23,5

FPM

6,3

1,28

22,1

6,3

1,38

23,3
(continúa)

7

8

18

O Quadro 10 em Anexo apresenta a arrecadação tributária direta por nível de governo, e o Quadro 11 detalha todos os tributos por
categoria.
O Fundo de Participação dos estados é composto por parcelas do IPI e do IR, ambos de competência da União.

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N° 109

Quadro 2.2 (conclusão)
2003
US$
Bilhão

Percentual
do PIB

2002
Percentual
Total

US$
Bilhão

Percentual
do PIB
0,01

0,2

Percentual
Total

ITR

0,0

0,01

0,2

0,0

IOF-Ouro

0,0

0,00

0,0

0,0

0,0

0,0

Outros

1,7

0,34

6,0

1,7

0,37

6,2

ICMS

0,3

0,06

1,0

0,3

0,06

1,0

FUNDEF
Estados para
Municípios

1,4

0,29

5,0

1,4

0,31

5,2

12,4

2,52

43,6

11,4

2,49

42,0

Tax-shared base

9.6

1,94

33,5

8,9

1,93

32,6

ICMS

8,3

1,68

29,1

7,7

1,67

28,2
4,4

IPVA

1,3

0,26

4,4

1,2

0,26

Outros

2,9

0,58

10,1

2,5

0,55

9,4

FPEx

0,1

0,03

0,4

0,1

0,03

0,5

Fundef

2,7

0,56

9,6

2,4

0,53

8,9

Fonte: Afonso, José Roberto R. e Araújo, Érika Amorim 2004. “Local Government Organizations and Finance:
Brasil” – fontes primárias: STN, Confaz e IBGE.

Embora a receita disponível global como proporção do PIB tenha crescido significativamente
(de 22% em 1985 para 36% em 2003), comparando-se o período pré e pós Constituição de 1988,
percebe-se que os municípios foram os mais beneficiados. Foram esses entes de governo que
apresentaram maior percentual de crescimento (84%) face aos governos estaduais (68%) e ao
governo federal (53%) no período em consideração. O quadro a seguir aponta que a participação
dos municípios na receita tributária disponível passa de 11% para 17% do total no período
1998/2002.
Quadro 2.3

EVOLUÇÃO DA RECEITA TRIBUTÁRIA POR NÍVEL DE GOVERNO 1960 - 2004

(Percentuais)
Conceito/Ano

União

Estados

Municípios

Total

1960

64,0

31,3

4,8

100,0

1980

75,1

22,0

2,9

100,0

1988

70,5

26,5

2,9

100,0

2002

68,7

26,6

4,7

100,0

2003

68,8

26,6

4,5

100,0

1960

59,4

34,0

6,6

100,0

1980

69,2

22,2

8,6

100,0

1988

62,3

26,9

10,8

100,0

2002

57,9

25,5

16,7

100,0

2003

59,0

24,9

16,1

100,0

Arrecadação Direta

Receita Disponível

Fonte: Afonso, José Roberto R. 2004. “Brasil, um caso à parte” – fontes primárias:
FGV/IBGE, Contas nacionais, STN, SRF, MPAS, CEF, CONFAZ e FINBRA/STN.

19

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

A estrutura da receita per capita disponível aos governos municipais, a grosso modo
distribuída entre receita própria e receita advinda das transferências, reforça o argumento da
heterogeneidade. O quadro abaixo mostra que quanto maior é o município, mais elevada é a receita
própria e mais baixa é a proporção da receita por via de transferências.
Quadro 2.4

RECEITA TRIBUTÁRIA PRÓPRIA E DE TRANSFERÊNCIA PER CAPITA. SEGUNDO O PORTE DOS
MUNICÍPIOS 2002
a

Receita Tributária Própria
Faixas de população

Valor

Percentual

(Valor em US$ Milhões)

Receita das transferências
Valor

Total

Percentual

Valor

Até 50 000

8,96

2,98

292,12

97,02

301,08

De 5 001 a 10 000

9,89

4,90

191,75

95,10

201,64

De 10 001 a 20 000

9,09

5,46

157,37

95,54

166,46

De 20 001 a 50 000

13,33

8,74

139,23

91,26

152,56

De 50 001 a 100 000

22,88

14,75

132,28

85,26

155,17

De 100 001 a 500 000

40,06

23,38

131,32

76,62

171,38

De 500 001 a 1 000 000

46,10

26,05

130,87

73,95

176,97

De 1 000 001 a 2 000 000

65,78

32,36

137,48

67,64

203,26

113,59

46,05

133,09

53,95

246,67

Acima de 2 000 000

Fonte: Ministério da Fazenda – Secretaria do Tesouro – FINBRA 2002;Tabela citada no Policy Paper no 4 –
Desenvolvimento com justiça social: uma agenda para os Municípios, IETS, Janeiro de 2004, coordenação
de André Urani e José Guilherme dos Reis.
a
Valores calculados ao dólar médio do ano de 2002.

Apesar do aumento significativo das receitas tributárias municipais disponíveis, permanece a
dependência dos pequenos municípios das transferências oriundas dos governos federal e estadual.
Nos municípios até 50 mil habitantes a receita tributária própria per capita em 2002 chegava a
apenas 27 reais (US$ 9), meros 3% das receitas per capita disponíveis. Já nos municípios acima de
500 mil habitantes o valor dessa receita varia entre 135 e 332 reais (US$ 46 e US$ 113), chegando
a quase 50% da receita total, indicando um grau de dependência de transferências muito mais
baixo.
Quando se considera a receita tributária per capita dos municípios, observa-se, como seria de
se esperar, valores mais elevados em regiões de maior renda e nas cidades de maior porte. Estudo
feito com uma amostra de 4.630 municípios para 1996, indica que, excluindo as capitais, e
considerando as prefeituras com mais de 100 mil habitantes, 60% da receita tributária provêm das
regiões Sul e Sudeste (Afonso e outros 1999). Além disso, destaca-se nesta amostra um conjunto de
80 municípios –a maioria da Região Nordeste– com população entre 50 mil e 100 mil habitantes
que não arrecadam R$ 10,00 per capital.
O fato concreto da dependência municipal das transferências não tem impedido um processo
nítido de esforço por parte dos governos locais de aumentar suas receitas próprias. Na primeira
década de vigência da nova Constituição (1988/1998) o volume de recursos próprios municipais
teve um acréscimo de aproximadamente 197%. Comparando com os demais níveis de governo,
observa-se que o crescimento médio anual destas receitas foi duas vezes maior que o dos tributos
estaduais e cerca de três vezes o dos federais (Afonso e Araujo, 2000). E, ainda que exista uma
concentração da arrecadação tributária própria municipal, vale ressaltar informações da Secretaria
do Tesouro Nacional que apontavam já em 1997 a quase totalidade dos municípios coletando

20

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

alguma receita tributária própria, sendo que entre 90% e 95% dos municípios cobravam impostos
sobre serviços (ISS), sobre propriedade territorial urbana (IPTU) e taxas.9
Mais recentemente, a partir do final da década de noventa, registra-se um volume crescente
de investimentos municipais voltados para a modernização da gestão nas áreas tributária, financeira
e administrativa e nos setores sociais básicos. A prefeituras, principalmente as das capitais e
aquelas de médio e grande portes, têm buscado explorar seu potencial de geração de receitas
próprias, através da ampliação e atualização de sua base tributária, da melhoria dos lançamentos
dos tributos e da ação fiscalizadora, da cobrança mais eficiente de débitos em atraso, da
modernização da legislação, rotinas e processos, além de ações voltadas à melhoria do atendimento
ao contribuinte.
Vale lembrar a edição da chamada Lei de Responsabilidade Fiscal no ano de 2000, que
promoveu uma mudança estrutural do regime fiscal brasileiro. A introdução de conceitos e práticas
de responsabilidades e transparência e a harmonização de diferentes normas para o ordenamento e
o equilíbrio das finanças públicas, compuseram um quadro favorável para o movimento dos
municípios em busca de um novo patamar de organização e capacidade de intervenção na vida das
cidades.
As necessidades de investimentos daí decorrentes têm sido viabilizadas por linhas de
financiamento que vêm sendo ofertadas aos municípios. A principal delas refere-se ao chamado
Programa de Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básicos
(PMAT) ofertada através do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Outra linha de financiamento vem sendo ofertada através do PNAFEM (Programa Nacional de
Apoio a Administração Fiscal dos Municípios), administrado pelo Ministério da Fazenda, a partir
de um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID ao Governo Brasileiro.
Uma avaliação do PMAT divulgada pelo BNDES em janeiro de 2003 apontava que a adesão
ao Programa já atingia 10% dos municípios brasileiros. Tais municípios representavam 66% da
receita tributária própria municipal do país e 24% da população total. Considerando as estimativas
de crescimento das receitas tributárias próprias a partir destes programas de modernização,
observa-se que, em média, tais municípios projetavam aumentar sua arrecadação em cerca de 50%
(BNDES, 2002a).
Vale apontar, também, alguns resultados de municípios selecionados na avaliação divulgada
pelo BNDES.10 O Gráfico a seguir aponta os ganhos de arrecadação, a partir dos investimentos em
modernização da gestão, em oito municípios. Mesmo em prefeituras com um elevado patamar de
organização, como Rio de Janeiro, Curitiba, Vitória e Belo Horizonte - todos na região Sudeste – os
aumentos de receitas em quatro anos são expressivos, ficando entre 24% e quase 40%. Destaca-se,
neste conjunto, a prefeitura de São Luiz, na região Nordeste, que apresentou um ganho de
arrecadação da ordem de 114%. Já dois municípios da região Norte - Belém e Manaus - também
obtiveram expressivos ganhos de receitas próprias: 86% e 47%, respectivamente.

9
10

Estes dados são apresentados em Afonso e Araújo (2000), pág. 3. As estatísticas referem-se a uma amostra de 5.046 municípios.
Uma análise detalhada das primeiras experiências municipais no âmbito do PMAT pode ser vista em BNDES (2002b).

21

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Gráfico 2.1

CRESCIMENTO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS PRÓPRIAS EM MUNICÍPIOS SELECIONADOS, PMAT
(Valores em R$ 1.000,00)

10000

1997

2001

1935
1503

1000
316
88
100
25 30

85 105

143
77

112

434

547

165

41

29%
37%

10

421

114%

24%

86%

47%

Vitória

Belém

Manaus

30%

24%
1

Ipatinga

São Luis

Curitiba

Belo
Horizonte

Rio de
Janeiro

Fonte: Informações de outubro de 2002 obtidas em BNDES (2002a), pág. 33.

Algumas das principais medidas adotadas por estas prefeituras a partir de seus investimentos
na administração tributária são apresentadas a seguir, a título de ilustração:
• o processo de recadastramento econômico feito no Município de São Luiz, levando a um
incremento de 220% na base cadastral;
• a implantação do cadastro multifinalitário em Belém, integrando as bases cadastrais do
município, que além dos ganhos em termos de racionalização, permitiu avanços na
promoção da justiça fiscal. O aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização e
cobrança geraram um impacto de 232% de crescimento na cobrança da dívida ativa no
período 1997/2001;
• os investimentos em cadastro e tecnologia da informação, que propiciaram um
crescimento de quase 50% do Imposto Territorial Urbano, na cidade de Belo Horizonte,
em quatro anos;
• a otimização da cobrança da dívida ativa no Rio de Janeiro, que gerou aumentos de 117%
na recuperação anual no período 1996/2001.
Esta linha de financiamento para investimentos em modernização tributária continua a ser
bastante procurada, consolidando a tendência de fortalecimento financeiro das administrações
municipais. Até julho de 2004, o BNDES já havia contratado 297 operações desta natureza com os
governos municiais, em um total de R$ 590 milhões (US$ 195 milhões).11 Considerando ainda os
projetos já aprovados e em fase de contratação, a carteira deste Programa apontava neste período
para um total de 443 projetos de melhoria da arrecadação, envolvendo investimentos da ordem de
R$ 713 milhões (US$ 235 milhões).
Tudo isto, naturalmente, não elimina os fatos de que a receita tributária própria e o processo
de modernização tributária ainda estejam bastante concentrados nos municípios de médio e grande
portes e nas capitais dos Estados. Tampouco minimiza o fato de que há ainda um enorme potencial
tributário a ser explorado por todos os municípios, independente de porte ou região.
11

22

Dados do BNDES, de julho de 2004, utilizada a PTAX do Banco Central de 30/07/2004 (3,0268).

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N° 109

A vigorosa descentralização dos recursos tributários em favor dos municípios, consagrada na
Constituição de 1988, resultou em um aumento da importância deste nível de governo na
administração pública nacional. Segundo os dados das contas nacionais, em 1998 os municípios
foram responsáveis por 19% da folha de pagamentos dos funcionários públicos ativos do país, por
39% das compras de bens e serviços para custeio e por cerca da metade da formação bruta de
capital fixo dos governos. Quando se considera o gasto público social, os municípios já respondiam
por quase um terço das despesas com educação e saúde (Afonso e Araújo, 2000).
Do ponto de vista do gasto, componente fundamental da capacidade de financiamento dos
municípios, há que primeiro levantar um conjunto de questões que até hoje suscita dúvidas. O que
se entende por gasto social? Que setores estão aí incluídos? E quando se agrega o combate à
pobreza, alarga-se ou diminui-se o conceito de gasto social? Este trabalho não tem como objetivo
responder essas questões, mas sim trazê-las à luz e relativizar as informações apresentadas.
O gráfico abaixo mostra como se distribuíram os gastos dos governos municipais no ano de
2003, e as interpretações podem variar, segundo a definição que se dê para gasto social.
Gráfico 2.2

ESTRUTURA DA DESPESA DOS MUNICÍPIOS POR FUNÇÃO – 2003
3%

3%

3%

19%

13%
1%
8%
25%
25%

Legislativa

Planejam ento

Assistência e Previdência

Educação e Cultura

Saúde e Saneam ento

Segurança Pública

Habitação e Urbanism o
Dem ais

Transporte

Fonte: Ministério da Fazenda – Secretaria do Tesouro Nacional.

Num conceito de gasto social estrito, incluindo-se os tradicionalmente aceitos como
educação, saúde e assistência/previdência, percebe-se que pouco mais da metade dos gastos vai
para estes três importantes setores (58%). Eles estão diretamente associados à população pobre que
frequenta a escola pública, é atendida nos postos de saúde municipais e recebe os benefícios de
programas de assistência social.
Se avançarmos no conceito, agregando habitação/urbanismo e transporte, chega-se a 72% do
gasto total. Cabe ressaltar que urbanismo e transporte em geral são entendidos como infraestrutura. Mas há que levar em conta que os pobres são possivelmente os maiores beneficiários dos
transportes de massa e da melhoria das vias públicas em suas áreas de moradia. No que tange à
habitação, programas subsidiados fortemente pelos governos municipais são em geral dirigidos à
população de mais baixa renda.
Qualquer que seja a interpretação, um fato permanece como importante. O gasto com o
aparato do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) nos municípios é menor que o gasto social,
estrito ou ampliado.
23

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

2.

Financiamento externo12

No financiamento das políticas públicas municipais, em especial aquelas dirigidas ao
combate à pobreza, cabe destacar o papel dos organismos multilaterais, em especial o Banco
Mundial/BIRD e o Banco Interamericano de Desenvolvimento/BID.
Vale começar falando da relação FMI e Banco Mundial. Trata-se, como sabido, de uma
aliança de caráter o mais amplo possível, que propicia uma influência globalizada, por meio de uma
modelagem de políticas macro-econômicas. O efeito dessa aliança político-financeira, sobre países
em desenvolvimento e pobres, é bastante conhecido.
As políticas sociais no Brasil sofreram conseqüências negativas dessa política globalizada.
Durante muito tempo estes setores foram, e em alguns casos ainda são, vistos como gastadores e se
encontram submetidos a determinações de políticas macro-econômicas. Na década de 90
intensificaram-se os financiamentos na área social, face à permanência das condições de pobreza e
principalmente das desigualdades de renda, sob o argumento da necessidade de investimentos em
capital humano e social. O Banco Mundial assumiu como bandeira a luta contra a pobreza, da
mesma forma que o FMI também reviu seu discurso tradicional, na mesma direção.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento/BID, com atuação limitada ao âmbito regional,
durante muito tempo foi considerado o primo pobre dos organismos multilaterais, pelo pouco
recurso disponível para investimentos, se comparado ao Banco Mundial. Na década de 90, após
significativo aporte de recursos do governo americano, cresce o papel do BID no Continente. Eis aí
um ponto comum entre o FMI, o Banco Mundial e o BID, qual seja a importância das decisões
sobre as políticas interna e externa americana para a atuação desses organismos. Os Estados Unidos
representam 30% do capital votante do BID.
Duas outras características comuns ao Banco Mundial e ao BID podem ser acrescentadas. A
primeira delas diz respeito à prioridade absoluta a empréstimos. E não poderia ser diferente dada
sua inserção no mercado financeiro. Embora as condições financeiras sejam distintas em termos de
taxas de juros, prazo de carência, tempo de amortização, no caso brasileiro ainda interessa ter
nestes bancos uma fonte de captação de recursos. As taxas de juros aplicadas, mesmo que
variáveis, são mais atraentes que as praticadas no mercado interno brasileiro. Uma outra
similaridade remete à importância que vem sendo dada ao desenvolvimento institucional das
agências executoras dos programas de investimento, desde o início dos anos 90. Sem dúvida, esse é
um papel importante para os governos tomadores, de todos os níveis, uma vez que, especialmente
nas áreas sociais, por muito tempo negligenciaram a necessidade de modernização da gestão social.

O Banco Mundial
O Banco Mundial inicia sua atuação no Brasil em 1949, com um projeto nas áreas de energia
e comunicações, à época setores privados. Durante 30 anos, incluindo o período em que o Banco
paralisou suas atividades frente à moratória decretada pelo país (1959 a 1965), apenas um projeto
foi dirigido à área social, no caso educação, assinado em 1971 no valor de US$ 8,4 milhões. Por
muito tempo o país foi um dos maiores tomadores de empréstimos do Banco, perdendo apenas para
China e Índia. A ênfase da atuação do Banco a investimentos em infra-estrutura, como visto,
privilegiou a forma centralizada (governo federal) e setorializada (saneamento, transportes,
moradia, educação, saúde). Isso trouxe conseqüências para as políticas de investimento no país,
principalmente na área social, onde a dificuldade de trabalhar de forma integrada persiste até hoje.
12

24

Informações obtidas a partir dos documentos “O Banco Mundial no Brasil: Uma parceria de Resultados” e de projetos
disponibilizados nos sites www.bancomundial.org.br e www.iadb.org.

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Somente no fim da década de 80, já em pleno período de redemocratização e de progresso na
descentralização, esse esquema é desafiado, partindo a inovação da área de desenvolvimento
urbano. Introduz-se a intersetorialidade nos programas; o processo de descentralização é
reconhecido e governos estaduais passam a ser grandes tomadores; torna-se generalizada a
promoção do fortalecimento institucional de governos estaduais e municipais; critérios objetivos
são exigidos para a alocação de recursos. Programas no Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul,
Ceará, Minas Gerais e Bahia são exemplos daqueles que romperam os esquemas tradicionais. As
áreas de educação e saúde também devem ser mencionadas, dado que o Banco vem apoiando
inovações em alguns governos estaduais e municipais e mesmo no governo federal. Os melhores
exemplos em educação, no âmbito estadual, são os programas de Minas Gerais e do Paraná.
Em meados da década de 90 o Banco Mundial começa a perder espaço para o BID na área
social do Brasil, face à expansão da atuação deste último e ao aperto das condicionalidades do
FMI. A isso deve-se agregar o fato do Banco Mundial não ter emprestado diretamente a municípios
por um longo tempo, ao contrário do BID, no momento em que este nível de governo tornou-se
responsável por boa parte do gasto na área social.
Pode-se ilustrar a importância dos recursos do Banco Mundial para os municípios, mesmo
com a interveniência dos governos federal e estadual, com alguns exemplos de projetos aprovados
a partir de 2000, nas áreas de educação, saúde e desenvolvimento urbano.
Na área de educação tem-se como exemplo o Fundo de Fortalecimento da
Escola/FUNDESCOLA, no âmbito do Ministério da Educação. A sua terceira versão foi aprovada
em 2003 com um total de US$ 176 milhões. Voltado exclusivamente para 19 estados das regiões
Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o Fundescola tem como objetivo melhorar a freqüência dos alunos
e seu rendimento escolar. Embora beneficie administrações estaduais e municipais, o Projeto
reforça estratégia federal até 2002 de transferir recursos diretamente para as escolas, numa
radicalização da descentralização.
No que tange à saúde, vale resslatar os Programa de Combate à DST/AIDS e o Programa de
Saúde da Família, mais adiante mencionados. O primeiro está desde 2003 em sua terceira versão e
beneficia diretamente 411 municípios. Por sua vez, o Saúde da Família transfere US$ 56 milhões,
de um total de US$ 136 milhões, para os municípios promovendo treinamento de profissionais na
área de atenção à saúde e a instituição de sistemas de avaliação e treinamento. São dois casos de
programas federais que, com recursos externos, possibilitam um bom aporte de recursos adicionais
aos municípios.
Como visto, o desenvolvimento urbano é um setor onde o Banco Mundial contribuiu para a
introdução de novas formas de gestão. O Projeto Desenvolvimento Urbano e Gestão de Recursos
Hídricos/PROURB, no Ceará, seguiu a linha de outros já implementados em três estados no Sul do
Brasil. Durante um longo período, de 1995 a 2003, US$ 140 milhões foram investidos pelo BIRD,
sendo uma parte destinada à criação de Fundo de Desenvolvimento Municipal. Tal instrumento
serviu para criar uma fonte autônoma e regular de recursos para os municípios, com critérios
transparentes de distribuição.
Ainda em desenvolvimento urbano tem-se o Projeto Metrópole atualmente sendo
implementado em Pernambuco com financiamento externo de US$ 84 milhões. Embora a gerência
do Projeto esteja nas mãos do governo estadual, por meio da Fundação de Desenvolvimento
Municipal, dois municípios são os principais beneficiários – Recife, a capital, e Olinda, município
importante da região metropolitana. Trata-se de um típico projeto de melhoramento de favelas e
áreas irregulares, além do fortalecimento institucional das instâncias governamentais.
O último exemplo refere-se a empréstimo tomado pela Prefeitura de Betim, município da
região metropolitana de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, representando uma
25

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

nova fase do Banco Mundial de trabalhar diretamente com os governos locais. Já existem alguns
casos dessa natureza, em geral capitais de estados. O projeto de betim envolve US$ 59 milhões do
Banco Munidal e está voltado à redução da pobreza e melhoria da qualidade de vida na cidade.
Como o nome indica – Projeto Integrado de Desenvolvimento Municipal, várias ações são previstas
em infra-estrutura e serviços sociais, agregadas novamente ao fortalecimento institucional dos
órgãos envolvidos.

Banco Interamericano de Desenvolvimento
Criado em plena Guerra Fria, 1959, o BID se destaca entre os bancos de desenvolvimento
regional existentes no mundo. Depois dos Estados Unidos, o Brasil (11% do poder de voto) e a
Argentina são os maiores acionistas. À semelhança do Banco Mundial, a primeira operação do BID
no Brasil, em 1961, beneficiou uma empresa privada da área de celulose e papel. No mesmo ano, os
demais empréstimos foram destinados principalmente à infra-estrutura, executados por empresas
públicas o privadas.
O BID apresentou desde sua implantação um aspecto facilitador de suas intervenções – uma
maior compreensão e aproximação dos problemas nacionais, com mais quadros técnicos de origem
local. Isso ajudou em muito a expansão de sua atuação no Brasil, tal como já mencionado, após o
aumento do aporte de capital americano.
Pode-se atribuir ao BID, à semelhança do Banco Mundial, um apoio importante a programas
inovadores, seja no que respeita à reestruturação do Estado ou à área social. Como exemplo podem
ser citados programas de ensino médio no Paraná; violência, despoluição da Baía da Guanabara e
reurbanização de favelas no Rio de Janeiro, além do Programa de Apoio à Administração Fiscal
mencionado anteriormente.
O Programa Favela-Bairro, da Prefeitura do Rio de Janeiro, é considerado exemplar. Em
processo de término de sua segunda versão, com um investimento do BID da ordem de US$ 180
milhões, o projeto beneficia a população de baixa renda vivendo em áreas marginalizadas da
cidade. Trata-se também de um projeto integrado onde múltiplas intervenções buscam articulação:
infra-estrutura básica, atenção a crianças e jovens, trabalho e geração de renda. O componente de
fortalecimento institucional aí está presente. O êxito do projeto se expressa na proposta da
Prefeitura ao BID para uma terceira expansão, ora em negociação.
Embora no âmbito estadual, alguns outros projetos beneficiam diretamente municípios. Um
exemplo é o Projeto de Saneamento, no Ceará, iniciado em 2003. Um total de US$ 100 milhões do
BID deverá ser investido na capital do Estado, Fortaleza, e em outros 19 municípios do interior.
Com vistas à melhoria da oferta e da qualidade da água e esgoto, o projeto vai promover a
expansão dos serviços de coleta e tratamento, a melhoria das condições sanitárias de comunidades
entre 15 e 100 mil habitantes, além de fortalecimento institucional.
No outro extremo do país, o Projeto Paraná Urbano segue a trilha de outros projetos do BID
e do Banco Mundial. Em sua segunda versão, dá continuidade a investimentos anteriores da ordem
de US$ 250 milhões, gastos entre 1996 e 2001, em cerca de 400 municípios, envolvendo serviços
urbanos e sociais; pequenos e médios produtores agrícolas, além da promoção de fortalecimento
institucional de município, suas associações. A expansão do Paraná Urbano prevê novo aporte do
BID de US$ 180 milhões.
Voltando ao Nordeste, pode-se mencionar o Projeto Desenvolvimento Sustentável da Zona
da Mata/PROMATA, Pernambuco, iniciado em 2001, também sob a gestão estadual. Os
municípios da região estão sendo beneficiados com recursos direcionados à gestão municipal;
educação; saúde e saneamento; estradas; diversificação econômica; gestão e proteção ambiental.

26

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

III. O processo de descentralização

1.

As políticas setoriais: relações intergovernamentais

Se as mudanças no Sistema Tributário brasileiro atribuíram um
papel estratégico aos municípios no terreno das políticas sociais, as
mudanças ocorridas no plano das relações intergovernamentais, a
partir de meados da década de noventa, vieram reforçar este novo
papel assumido pelos governos sub-nacionais.
Tais mudanças, que serão apresentadas a seguir, referem-se, em
primeiro lugar, à redefinição de formas de financiamento nas áreas de
saúde e educação, implicando em repasses regulares e volumosos de
recursos da União para os municípios. Também na área de assistência
social e das políticas públicas de emprego registraram-se processos
vigorosos de descentralização. Além disso, o Governo Federal passou
a estabelecer parcerias na execução de programas de transferência de
renda - muitos deles com espaço para gestões municipais bastante
criativas - voltados para a parcela mais pobre da população.

1.1 Ensino fundamental
Criado em 1996 por meio de Emenda Constitucional, o Fundo
de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e
Valorização do Magistério - FUNDEF promove a cooperação
financeira intergovernamental, alterando a sistemática de
financiamento do ensino fundamental. Na prática, o FUNDEF cumpre
de certa forma a falta de regulamentação do artigo 23 da Constituição
27

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Federal, tal como observado em seção anterior deste trabalho.
O Fundo é formado por vinculação de percentual das transferências constitucionais,
possibilitando a garantia de um piso mínimo de gasto por aluno da rede pública do ensino
fundamental. O piso mínimo estipulado em 1998, abrangendo o conjunto de alunos do ensino
fundamental, era de 315 reais (US$ 271). Em 2002 houve alteração nos cálculos e diferenciação
por série, chegando a 418 reais (US$ 143) para alunos de 1ª a 4ª séries e 439 reais (US$ 150) para
alunos de 5ª a 8ª séries. Para 2004 esses valores passam para 538 reais (US$ 181) e 565 reais (US$
190), respectivamente.13 As fontes de recursos que compõem o FUNDEF são: 15% das parcelas
estadual e municipal do ICMS; 15% do Fundo de Participação dos Municípios/FPM; 15% do
Fundo de Participação dos Estados/FPE; 15% das parcelas dos municípios e dos Estados do Fundo
de Compensação pela Exportação de Produtos Industriais/FPE-EX.
A distribuição de recursos do Fundo se faz com base no número de alunos matriculados em
escolas estaduais e municipais. Além disso, o FUNDEF determina que, caso os recursos
arrecadados não sejam suficientes para garantir o piso mínimo de gastos, o governo federal se
responsabiliza pelas transferências complementares.
Estudo recente dá evidências de uma redistribuição de recursos de estados para municípios.
O rápido avanço do processo de municipalização do ensino fundamental talvez seja um dos
resultados mais visíveis das mudanças provocadas pelo FUNDEF (Afonso, José Roberto, 2004).
Em 1997, antes da aplicação generalizada do Fundo, as prefeituras detinham 41% do total de
matrículas. Em 2003 essa proporção havia subido para 57%.
Outros dados são significativos: em 2003, recursos da ordem de 25 bilhões de reais (US$
8,13 bilhões) compuseram o FUNDEF, representando 11% da receita disponível aos governos
subnacionais. Os municípios ficaram com 51% do total redistribuído. Os efeitos redistributivos
aparecem no favorecimento das regiões menos desenvolvidas. No Nordeste os municípios tiveram
um aumento de 15% na sua receita disponível, proporção que cai para 6% nas regiões Sul e
Sudeste, mais ricas.
Com respeito à valorização do magistério, parte essencial do FUNDEF, estudo de
Semeghini14 mostra que anteriormente ao FUNDEF somente 23% das redes de ensino aplicavam
recursos na formação de professores não habilitados, sendo que em 2000 esse percentual atingia
73%. O efeito redistributivo do Fundo também aí aparece, pois houve uma redução expressiva do
número de professores com baixa qualificação, exatamente nas regiões Norte e Nordeste,
respectivamente 51 e 45%, aquelas com mais altos índices desse tipo de educadores. O aumento da
remuneração dos professores seguiu também o padrão redistributivo. O maior aumento de
remuneração se deu no Nordeste, com uma taxa média de 60%. Já nas regiões mais ricas, Sul e
Sudeste, o acréscimo da remuneração média atingiu 22 e 24%.

1.2 O sistema único de saúde / SUS
A Constituição de 1988 determinou o acesso universal à saúde pública, por meio do Sistema
Único e Descentralizado da Saúde/SUS. Atualmente, cerca de 30% da população, certamente a
mais pobre do país, utiliza exclusivamente o SUS para o atendimento de suas necessidades de
saúde (Afonso, José Roberto R., 2004a). Essa proporção dobra quando se trata daquelas pessoas
que usam o SUS e algum outro tipo de sistema, em geral privado. Apenas 9% da população nunca
se beneficiaram do SUS.

13
14

28

Dados obtidos a partir do site do Ministério da Educação (www.mec.gov.br) - Legislação.
Semeghini, Ulysses. FUNDEF: Uma Revolução Silenciosa (www.mec.gov.br/sef/fundef), p. 16.

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Conforme previsto, a política de descentralização, mais ainda de municipalização, se
consolidou com o SUS. A chamada gestão plena, controle absoluto e exclusivo do atendimento à
saúde, atinge cerca de 600 municípios brasileiros. Vale lembrar, entretanto que existem 16 estados,
do total de 26, que ainda mantém a maior parte da rede pública sobre sua responsabilidade. No que
respeita à atenção básica, porta de entrada no sistema, a quase totalidade dos municípios (5000) a
controlam.
Em 2000 verificou-se mudança importante nas regras de financiamento da saúde. Por meio
de Emenda Constitucional, foi instituída a vinculação de receitas tributárias próprias para o SUS.
Lei Complementar definiu que o gasto federal com o SUS deveria ser corrigido pela variação
nominal do PIB e estabeleceu um cronograma de crescente vinculação dos impostos estaduais e
municipais até 12 e 15% respectivamente, a partir de 2004. Tal vinculação assume características
diferentes daquelas referentes ao FUNDEF, na medida em que o critério de cálculo da aplicação de
recursos não está inserido no texto constitucional e não houve alteração dos critérios de rateio.
Em 2002 foram transferidos 8 bilhões de reais (US$ 2,73 bilhões) para os governos
subnacionais, representando 4% da receita tributária disponível e 15% do total dos impostos
federais repartidos. A municipalização da saúde se revela em alguns números: 80% dos recursos
são transferidos para os municípios. Isso significa 30% de sua arrecadação própria e 38% do que é
recebido por meio do Fundo de Participação dos Municípios/FPM.
Outro programa de atenção à saúde, e executado exclusivamente pelos municípios, merece
atenção: Programa de Saúde da Família/PSF. Em 1991 cria-se o Programa de Agentes
Comunitários de Saúde/PACS que, a partir de 1994 se transforma no Programa Saúde da Família,
incorporando e ampliando a atuação dos agentes comunitários que são responsáveis por um grupo
de famílias na própria localidade onde vivem. Além dos agentes comunitários, o PSF é executado
por equipes que incluem médico, enfermeira e atendentes em postos de saúde e por especialistas
em saúde bucal.
Informações do Ministério da Saúde,15 para junho de 2004, apontam para um total de 191 mil
agentes comunitários no país e 21 mil equipes de Saúde da Família. As equipes de saúde bucal
ainda são em menor número, cerca de 8 mil. Os agentes comunitários estão hoje em 93% dos
municípios brasileiros, acompanhando 97 milhões de pessoas. Por sua vez as equipes do Programa
Saúde da Família podem ser encontradas em 84% dos municípios, responsáveis por 67 milhões de
habitantes. Ainda segundo o Ministério da Saúde, a atuação das equipes consegue resolver cerca de
85% dos problemas de saúde das comunidades, evitando internações. A queda da mortalidade
infantil é um dos principais resultados dessas intervenções, caindo de 34/1000 nascidos vivos em
1994 para 28/1000 em 2001.

1.3 Rede de proteção social
Desde o início da década da 90 começou-se a criar no Brasil um conjunto de programas que
deram origem à chamada Rede de Proteção Social. Sua característica básica é a descentralização
dos programas de assistência social voltados à população em situação de risco social, pobres e
indigentes, preconizada pela Lei Orgânica da Assistência Social/LOAS promulgada em 1993 e
posta em prática a partir de 1995.
Com base no Orçamento da Seguridade Social, definido pela Constituição de 88, o
financiamento das atividades passa pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Social que transfere
os recursos de forma automática para fundos subnacionais. Arranjo institucional importante se

15

Informações obtidas no site www.saude.gov.br/siab

29

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

revela no Conselho Nacional de Assistência Social, instância colegiada, que encontra também seu
rebatimento nas instâncias subnacionais.
O quadro abaixo mostra os principais aspectos do conjunto de Programas da Rede de
Proteção Social.
Quadro 3.1

AÇÕES SOCIAIS DO GOVERNO FEDERAL EM PARCEIRA COM OUTROS GOVERNOS – 2003
Ações
governam.

Ministério

Público Alvo

Tipo de
benefício

Número de
beneficários

Gastos a/
(R$ milhões)

Rede de proteção
Bolsa Escola

Educação

Crianças de 6 a 15
anos em famílias com
até ½ salário mínimo
per capita

R$ 15,00 (US$
4,9) por criança,
até o limite de 3
crianças por
família

10,2 milhões

Auxílio-gás

Minas Energia

Famílias com renda
per capitã máxima de
1/a salário mínimo

R$ 7,50 (US$
2,45) por família

7,9 milhões

Bolsa
Alimentação

Saúde

Crianças até 6 anos,
gestantes e nutrizes,
em famílias com até
½ salário mínimo per
capita

R$ 15,00 (US$
4,9) por criança,
até o limite de 3
crianças por
família

2 milhões

Erradicação
do Trabalho
Infantil – PETI

Desenvolvimento
Social

Crianças de 7 a 14
anos em trabalho
insalubre, penoso ou
degradante, em
famílias com até ½
salário mínimo per
capita

R$ 25,00 (US$
8,1) por criança
na área rural e
R$ 40 (US$ 13)
na área urbana

841 mil

183,4
(US$ 59,7)

Agente Jovem
de Desenvolvimento

Desenvolvimento
Social

Jovens de 15 a 17
anos residentes em
comunidades de baixa
renda cuja renda
familiar per capitã seja
inferior a ½ salário
mínimo
Outros

R$ 65,00 (US$
21,1) por jovem

52 mil

29,5
(US$ 9,6)

Merenda:
Alimentação
Escolar

Educação

Alunos da pré-escola
e do ensino
fundamental, em
escolas públicas e
filantrópicas

R$ 0,60 por
aluno da préescola e R$
0,13 do ensino
fundamental

36,9 milhões

895,1
(US$ 291,2)

Medicamentos

Saúde

População carente de
acesso aos
medicamentos
estratégicos e
excepcionais

Distribuição de
remédios

152 mil (AIDS)
59,2 milhões
(tuberculo-se,
malária,
diabetes)
214 mil
(neurológ.)

1.148,3
(US$ 373,5)

Livro Didático

Educação

Escolas do ensino
fundamental da rede
pública

Distribuição de
livros

111 milhões

50,8
(US$ 16,5)

Fome Zero:
Cartão
Alimentação

Presidência

Famílias de baixa
renda, inicialmente da
região do semi-árido
do Nordeste

R$ 50,00 (US$
16,3) por família

2,5 milhões

259,5
(US$ 84,4)

1.264,2
(US$ 411,2)

695,2
(US$ 226,1)
264,4
(US$ 86)

Fonte: Tabela extraída do texto “Brasil, Um Caso à Parte”, de José Roberto Rodrigues Afonso, XVI Regional Seminar
Of Fiscal Policy - CEPAL/ILPES, Santiago de Chile, 29.01.2004.
a/
Valores em dólares convertidos à taxa média de 2003.

30

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Todos os programas aí inseridos originaram-se na administração federal no período 19952002. A diferença se dá pelo agrupamento de todos, antes localizados em vários ministérios, em um
único Programa – Bolsa-Família, agora sob responsabilidade do Ministério de Desenvolvimento
Social. Trata-se de transferência de renda para famílias com renda per capita de até 100 reais (US$
33,6). Essas transferências são compostas de um valor fixo de R$ 50,00 (US$ 16,3) e um variável
de R$ 15,00 (US$ 4,9) por criança, limitado a 3 crianças. Foram mantidos os mesmos critérios e
contrapartidas exigidas nos programas antes gerenciados pelos respectivos ministérios (frequência
escolar, cartão de vacinação de crianças, acompanhamento pré-natal de gestantes). O
acompanhamento destas últimas, entretanto, não tem recebido a devida importância.
Os municípios desempenham um papel fundamental no processo. São eles os responsáveis
pelo cadastramento das famílias e pelas ações complementares a elas dirigidas. Aos estados e
municípios é facultado o direito de aumentar o volume de recursos destinados às famílias e oferecer
outros serviços também complementares. Em 2003, o Bolsa Família já se encontrava na quase
totalidade dos municípios brasileiros (5.466), atingindo 4,5 milhões de famílias, aportando um total
de 313 milhões de reais (US$101,8 milhões). A meta para dezembro de 2006 é cobrir todo o
universo dos 112 milhões de famílias pobres.
Informações levantadas em estudo recente apontam para a relação entre as transferências do
Bolsa Família e aquelas referentes ao FPM, indicando diferenças regionais importantes. Na região
Nordeste, para 60% dos municípios esse recursos representam pelo menos um terço do total de
transferências constitucionais. No Sudeste, essa relação cai para apenas 6% (Cohn Amélia, 2004).

1.4 Políticas públicas de emprego
A Constituição de 1988 abriu o caminho para a constituição das políticas públicas de
emprego. A partir da definição de uma fonte específica de recursos –uma antiga contribuição social
sobre faturamento– foi criado o Fundo de Amparo ao Trabalhador–FAT. Com isso, organizou-se,
pela primeira vez no país, um efetivo Programa de Seguro–Desemprego e destinou-se recursos para
ações de intermediação e qualificação do trabalhador, nos moldes do que já vinha sendo
historicamente praticado nos países desenvolvidos, no interior de seus sistemas de proteção social.
A legislação infra-constitucional que regulamentou estes programas, seguindo as diretrizes
de descentralização e participação estabelecidas para as políticas sociais, estabeleceu a criação de
conselhos tripartites –governo, trabalhadores e empregadores– e paritários nos três níveis de
governo. Esta rede de instâncias de representação foi efetivamente criada e vem desempenhando
um papel ativo principalmente nas ações relativas a qualificação profissional.
Isto foi feito através do Plano de Qualificação do Trabalhador-PLANFOR, criado em 1995
pelo Ministério do Trabalho. Dois mecanismos foram criados para a oferta de serviços de educação
profissional: os Planos Estaduais de Qualificação e as Parcerias Nacionais e Regionais. Pelos
primeiros, os governos estaduais definiam sua oferta de serviços e a participação dos municípios no
processo. E por meio das parcerias, organizações da sociedade civil, inclusive sindicatos,
desenvolviam projetos especiais e focalizados em determinados grupos populacionais.
Vale ressaltar que o processo de descentralização que foi desenhado e implementado para os
serviços de qualificação profissional, se diferencia das demais áreas sociais. Enquanto na saúde e
na educação, conforme visto anteriormente, esta dinâmica foi marcada pela municipalização, com
volumosas transferências de recursos para as prefeituras, neste campo o repasse de receitas e
também o poder decisório se limitou aos estados. Coube a este nível de governo toda a gestão
financeira do Plano, bem como o papel de contratação de serviços para sua execução. Às
prefeituras, em parceria com os conselhos municipais, restou apenas o papel secundário de
planejamento, levantamento das demandas e acompanhamento das ações.
31

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

É certo que o tema de geração de ocupação e renda era muito novo no terreno da gestão das
políticas públicas, tanto no nível estadual como no nível municipal, onde havia reduzida
experiência e, via de regra, sequer existia uma secretaria específica para cuidar do assunto. O fato
de que esta prática ainda estava para ser construída, certamente explica a opção do Governo
Federal de promover uma estadualização em um primeiro momento. Mas daí a tratar todos os
municípios de forma igualmente marginal neste processo vai certamente um equívoco, num
contexto de fortalecimento das prefeituras, principalmente aquelas das capitais e as de grande e
médio portes, conforme mencionado anteriormente.
Entre 1995 e 200116 foram treinados 15,3 milhões de trabalhadores, numa progressão que
iniciou com 153 mil em 1995 e pulou para cerca de 4 milhões apenas no ano de 2001. O volume de
recursos aí investido subiu de 28 milhões de reais em 1995 para 493 milhões em 2001 (US$ 535 e
US$ 209,6 milhões respectivamente). A partir daí, houve uma redução no volume total de recursos,
que passou para R$ 153 milhões em 2002 (US$ 52,2 milhões).
A nova administração federal extingue o PLANFOR em 2003 e cria o Plano Nacional de
Qualificação-PNQ, com um orçamento de R$ 184 milhões (US$ 59,8 milhões). Do total de
recursos, no máximo 80% vão para estados e municípios e o restante para projetos especiais de
qualificação. À semelhança da estratégia anterior, exige-se a preparação de planos e projetos para
acessar os recursos (Planos Territoriais de Qualificação - PlanTeQs e Projetos Especiais de
Qualificação- ProEsQs).
Com relação ao processo de descentralização deste Programa, observa-se no discurso oficial,
uma preocupação em garantir um papel mais ativo aos municípios antes excluídos. As regras
anunciadas indicam como gestores e co-financiadores dos Planos Territoriais de Qualificação os
Governos Estaduais (Secretarias de Trabalho) e Municipais, neste caso envolvendo as secretarias
municipais ou arranjos institucionais municipais. Tais arranjos são entidades jurídicas legalmente
constituídas envolvendo: municípios com mais de um milhão de habitantes; municípios de uma
microrregião dentro de um estado; e municípios de uma mesorregião, localizados em dois ou mais
estados.
Segundo informações do Ministério do Trabalho e do Emprego-MTE, de agosto de 2004, no
âmbito dos Planos Territoriais já foram assinados convênios com todos os estados da Federação,
em um total de R$ 51 milhões(US$ 17,13 milhões). Considerando as contrapartidas locais, o total
destes convênios alcança o valor de R$ 61 milhões (US$ 20,5 milhões). Foram também firmados
convênios com nove municípios de capitais e um município do Estado de São Paulo, no valor de
R$ 5 milhões (US$ 1,7 milhões) totalizando com as contrapartidas, R$ 6 milhões17 (US$ 2
milhões). Além disso, foram repassados recursos do FAT (R$ 608 mil, ou US$ 204 mil)) para dois
consórcios municipais, um deles no Estado do Mato Grosso do Sul, na região Centro-Oeste do país,
e outro no chamado Grande ABC, no Estado de São Paulo, este último envolvendo 2,3 milhões de
habitantes, em sete municípios, que concentram importantes indústrias nos ramos de material de
transporte, material elétrico, meta-mecânico e químico.18
Estes convênios ainda representam cifras bastante reduzidas, principalmente quando
comparadas com o PLANFOR período 1995/2002, conforme apontado anteriormente. Entretanto,
vale ressaltar a possibilidade que se abriu neste novo Plano Nacional de Qualificação para o
estabelecimento de parcerias diretamente com os municípios, ou com os consórcios municipais. Os
16
17

18

32

Ver site www.trabalho.gov.br
O município paulista é o de Guarulhos, com 1,072 milhão de habitantes. São os seguintes os municípios das capitais: na Região
Norte, Belém-Pará e Manaus-Amazonas; na Região Nordeste, Fortaleza-Ceará e Salvador-Bahia; na Região Sudeste, Rio de JaneiroRJ, Belo Horizonte-Minas Gerais e São Paulo-SP; e na Região Sul, Porto Alegre-Rio Grande do Sul.
Os municípios do Grande ABC de São Paulo são: Santo André; São Bernardo; São Caetano do Sul; Diadema; Mauá; Ribeirão Pires;
e Rio Grande da Serra.

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N° 109

convênios firmados até o momento já indicam um novo caminho de autonomia para as prefeituras
de capitais e aquelas de grande porte na gestão de seus programas de qualificação profissional. Isto
deve possibilitar maior eficiência e eficácia dos mesmos, além de sua integração com os demais
programas da Política Pública de Emprego, como o Seguro-Desemprego, os serviços de
intermediação da mão-de-obra e os programas de crédito ao pequeno produtor.

1.5 Políticas urbanas
Na área urbana, diferentemente das demais políticas, como saúde, educação, e mesmo as
Políticas Públicas de Emprego, não se observa uma política claramente estabelecida, no nível
federal, em termos de fontes de financiamento, atribuições de papéis para os três níveis de governo
e arranjos institucionais.
O que se destaca neste campo nos últimos anos é a iniciativa de prefeituras, em particular
aquelas das capitais, voltada para os bolsões de miséria que se proliferam nas grandes cidades. São
espaços caracterizados pela baixa presença do Estado, sem condições mínimas de habitabilidade, e
com acesso bastante precário aos serviços sociais básicos, resultando em indicadores sociais
comparáveis aos piores do país.
Para isto as Prefeituras vêm organizando os chamados programas multissetoriais de
investimentos, que abrangem, desde intervenções em urbanização, meio ambiente, saneamento,
melhorias habitacionais, transporte, passando por saúde, educação e lazer, até a abertura de
oportunidades de ocupação e geração de renda.
São projetos, em geral, de grande complexidade, na medida em que essas áreas não
comportam soluções padronizadas e exigem levar em conta desde os aspectos físicos e ambientais,
até os relativos à sua história e formação sócio-econômica. O trabalho com a comunidade em todas
as etapas do processo –diagnóstico, discussão dos investimentos e gestão e manutenção dos
equipamentos sociais– é também característica destas iniciativas. Por tudo isto, são projetos
extremamente desafiantes para as gestões municipais, tradicionalmente organizadas em secretarias
setoriais que, via de regra, atuam de forma isolada e fragmentada.
Além disso, trata-se de investimentos vultosos, que exigem para a sua concretização um
enorme esforço de mobilização de recursos. Em primeiro lugar, prefeituras que vêm trilhando este
caminho já percorreram –ou pelo menos iniciaram– o processo de modernização da administração
tributária mencionado anteriormente. Com isto se fortalecem financeiramente para fazer frente aos
investimentos e, principalmente, às necessidades de custeio daí decorrentes. Além de recuperar sua
capacidade de endividamento para acessar as fontes de financiamento de longo prazo disponíveis,
através de instituições financeiras oficiais federais –Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social-BNDES e Caixa Econômica Federal-CEF– e também das organizações
multilaterais, como o BID e BIRD.
Destaca-se, neste contexto, a iniciativa do BNDES, a partir da formulação, em 1997, de uma
linha de financiamento para prefeituras, intitulada Projetos Multissetoriais Integrados.19 A
formulação deste Programa teve por objetivo estimular as prefeituras a incorporar em suas decisões
de investimento uma visão de longo prazo e uma ação sistemática nas favelas e bairros das
periferias.
Vale ressaltar, neste conjunto, três prefeituras que já tiveram projetos financiados pelo
BNDES, cuja implementação atravessou mais de um mandato da gestão municipal.
19

Uma apresentação detalhada deste Programa consta do capítulo 2, de autoria de Ana Christina Moreno Maia Barbosa, do BNDES
no 7, “A Experiência da Área de Desenvolvimento Social no Período 1996/2002”. Vale registrar a experiência anterior do BNDES
na década de 80 com o Projeto Ilha de Santana em Olinda-Pernambuco.

33

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Em Teresina, no Piauí, considerada a capital mais pobre do Nordeste, a Prefeitura vem
implementando o Projeto Vila-Bairro, com o objetivo de transformar as 155 vilas da periferia da
cidade, onde moram cerca de 116 mil pessoas, em 50 bairros, dotados de infra-estrutura básica,
equipamentos sociais e programas de geração de trabalho e renda.20 O projeto conta também com
recursos da Caixa Econômica Federal-CEF, e do Governo Federal, através do Pró-Infra e do
Habitar-Brasil, este último com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID. Vale
destacar, além dosinvestimentos, um conjunto de programas voltados para crianças e jovens, a
participação da comunidade na gestão de equipamentos sociais, e, ainda, a preocupação com a
geração de renda, através da incorporação da mão de obra local no Projeto, bem como a construção
de hortas e lavanderias comunitárias.
O Linhão do Emprego, por sua vez, implementado pela prefeitura de Curitiba, capital do
Paraná, compreende intervenções em um conjunto de bairros da periferia da cidade, beneficiando
um total de 500 mil pessoas. Neste caso, a questão da inserção econômica da população, integrada
às vocações da região, ganhou destaque especial. Assim, ao lado dos investimentos em
urbanização, saneamento, saúde e educação, foram realizados investimentos em espaços públicos
específicos voltados para a geração de renda, tais como: o Centro de Design, Empório Curitibano,
Barracão Comunitário, Liceus de Ofício, Centro de Orientação Empresarial, Vilas de Ofício, e
Centro Comercial e de Serviços, entre outros.
Por fim, o Projeto Terra, em Vitória, capital do Espírito Santo, contempla a intervenção em
11 áreas de encostas e manguezais em Vitória, onde vive uma população de 73 mil pessoas. Além
dos recursos do Habitar Brasil, através do Governo Federal, a Prefeitura conseguiu articular as
linhas de crédito individuais da CEF para os moradores, para a realização de melhorias
habitacionais. Este Projeto é um desdobramento de experiência anterior –o Projeto São Pedro– que
promoveu investimentos junto a cerca de 15 mil famílias. Tal iniciativa foi premiada em 1996 no
Programa Gestão Pública e Cidadania, iniciativa da Fundação Ford e da Fundação Getúlio Vargas
em São Paulo, com o apoio do BNDES, que anualmente seleciona 20 experiências locais
inovadoras.21
Segundo informações do BNDES referentes a agosto 2004 são doze prefeituras que
atualmente estão recebendo financiamento do Banco, ou que tiveram seus projetos aprovados e
aguardam contratação. Ressalta-se neste último conjunto, o projeto da Prefeitura de Belo
Horizonte, capital de Minas Gerais, voltado para a maior favela da cidade, formada por seis
comunidades, com um total de 46 mil habitantes. Outro destaque refere-se à Prefeitura de Mogi das
Cruzes, localizada na região leste da chamada Grande São Paulo. Os investimentos serão dirigidos
às duas comunidades mais pobres o município.

2.

Relações estado e sociedade civil

Nas ultimas décadas, após a redemocratização, o país vem experimentando uma
reaproximação entre o Estado e a Sociedade. Por muito tempo distanciados e isolados durante o
período autoritário, esse atores voltam a dialogar e mesmo trabalhar em parceria. O fortalecimento
da sociedade civil no Brasil é um dado de realidade. Essa aproximação é particularmente
verdadeira na área social e tem sua expressão mais visível no plano local. A descentralização não
parou no governo municipal. Entende-se hoje a descentralização como um movimento que
extrapola o âmbito do Estado. O conceito de esfera pública de atuação vai mais além do Estado,
incorporando também Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e mesmo o setor privado. Daí a
20

21

34

O Vila-Bairro teve início em 1997 e contou com recursos do BNDES a partir de 1999. Posteriormente, já no seguinte mandato da
Prefeitura, o Projeto teve continuidade, o que resultou na concessão de um segundo financiamento do BNDES.
Programa Gestão Pública e Cidadania 1996-1998, Fundação Getúlio Vargas-SP, Fundação Ford e BNDES.

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importância de determinados aspectos como os conselhos setoriais e as inovações na gestão
pública. Ainda nessa seção descreve-se brevemente um exemplo concreto do Programa de Combate
à AIDS que engloba todos esses temas.

2.1 Os conselhos
Produto importante da regulamentação das normas constitucionais relativas à área social
refere-se à criação de conselhos setoriais, com atuação especialmente importante nos governos
subnacionais, onde as políticas são implementadas. Os conselhos são instrumentos de gestão
pública, funcionando como canais de comunicação entre o governo e a sociedade e buscando a
aproximação com os usuários do serviço.
São vários tipos de conselhos espalhados por todo o país: de políticas, temáticos e de
programas. Os conselhos de políticas públicas são exigidos em lei e encontram-se na maioria dos
municípios brasileiros. Como exemplo têm-se os conselhos de saúde, de educação, de assistência
social, de cultura, transportes, entre outros. Por sua vez, os conselhos temáticos criam-se com base
em recomendações do governo federal e possibilitam canalização de recursos. Assim ocorre com
temas como populações negras, mulheres, indígenas, pessoas com necessidades especiais. Os
conselhos de programa são condições exigidas pelo governo federal para o recebimento de recursos
em determinadas áreas como emprego, desenvolvimento rural e moradia.
Os conselhos desempenham múltiplas funções. Uma das mais debatidas e perseguidas é o
controle social, a possibilidade de acompanhar a execução das ações públicas. A melhor articulação
e integração entre agências públicas e os atores locais, públicos ou privados, possibilitando diálogo
permanente é outra objetivo a ser encaminhado. A representação e a defesa do interesse coletivo
tem nos conselhos um espaço importante. Finalmente, função importante dos conselhos, e que
atravessa todas as demais, refere-se ao apoio à gestão dos programas públicos. Abre-se nos
conselhos a possibilidade de melhorar a implementação dos programas sociais com a construção de
acordos e compromissos políticos.
O maior ou menor grau de controle social e da implementação de suas funções vai depender
de sua característica básica, se consultivo ou deliberativo. Os últimos, como seria de esperar, detêm
maior possibilidade de intervenção que os primeiros, limitados a um papel de escuta e de
vocalização de interesses. Em geral os conselhos têm composição paritária, sendo que em alguns
casos chega a ser tripatite, à exemplo das políticas públicas de emprego, agregando governo,
sociedade civil e usuários, ou empresários. Aspecto importante refere-se à capacidade de
convocatória dos conselhos, no sentido de chamar à mesa de discussão atores isolados do processo,
organizados ou não.
O desempenho dos conselhos não é unanimemente satisfatório. Sua capacidade de resposta
aos desafios varia muito, sem haver suficiente informação sistematizada que identifique as razões
para indicar como e porque uns avançam mais que outros. Sabe-se apenas que determinados tipos
de conselho municipal conseguem ser legítimos e efetivos interlocutores do poder público e
cumprem suas funções com resultados favoráveis, a exemplo dos conselhos municipais de combate
à AIDS. Outros, entretanto, burocratizam-se facilmente e comportam-se como meros ratificadores
das decisões governamentais, ou passam a defender interesses corporativos. De qualquer forma, é
um instrumento fundamental para maior efetividade e democratização das políticas sociais, em
especial as de combate à pobreza.

2.2 Inovações em gestão pública
Na última década os processos de democratização e descentralização se conformaram como
grandes propulsores de revisão das formas de governar na esfera subnacional, em especial nos
35

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

municípios brasileiros. Mais responsabilidades, mais recursos financeiros, maior aproximação com
a sociedade civil, como visto contribuíram para esse processo de mudança nas administrações
municipais. Isso não quer dizer que desapareceram algumas formas tradicionais de governar,
herdadas do período autoritário. O clientelismo e o assistencialismo, por exemplo, ainda são
ingredientes pesados na implementação de políticas públicas no Brasil.
Estudo discutindo diferentes tendências em novas formas de atuar nos governos municipais,
com base na experiência do Programa Gestão Pública e Cidadania promovido pela Fundação
Getúlio Vargas/SP e Fundação Ford, com apoio do BNDES, destaca aquelas referentes às relações
entre governos municipais e sociedade civil (Lobo, Thereza e Farah, Marta Ferreira S., 1997). Em
1997, cerca de 43% dos projetos analisados indicavam a formação de parcerias com a sociedade
civil para a sua implementação. Essa proporção permanece praticamente a mesma em 2003.22
Algumas características desses programas merecem ser mencionadas, pois acredita-se que
elas estejam presentes em muitos outros municípios:
• criatividade com base em programas federais descentralizados: programas tais como
Saúde da Família e Erradicação do Trabalho Infantil têm servido como estímulo à gestão
municipal para um enfrentamento inovador da provisão de serviços
• estruturação em redes: mobilização de várias entidades, públicas e privadas, em torno de
um interesse comum, possibilitando o incremento do capital social na região
• provisão compartilhada de serviços: governo municipal, OSCs e empresas privadas
participando de forma articulada da prestação dos serviços
• maior participação de cidadãos na formulação, implementação e avaliação das políticas
públicas: criação de fóruns permanentes de debate com envolvimento das pessoas na
discussão de problemas da cidade. Bem conhecidas são as experiências de orçamento
participativo e de elaboração de planos diretores
• disponibilização de informações a cidadãos: divulgação regular de informações à
população sobre os serviços prestados pela prefeitura e OSCs em diferentes áreas de
atuação
• integração espacial de atendimento direto ao cidadão: criação de espaços próprios
integrando os diversos serviços de atendimento ao cidadão
• adequação de políticas a público-alvo: focalização de programas a grupos em risco social,
em especial mulheres, portadores de deficiência, crianças e adolescentes.

2.3 O programa brasileiro de combate à AIDS
O Programa Brasileiro de Combate ao HIV/AIDS tem reconhecimento nacional e
internacional (Lobo, Thereza, 2003). Entre 1997 e 2001 foram evitadas 360 mil internações e
economizados cerca de US$ 1 bilhão para os cofres públicos.
A opinião é unânime entre os diversos atores envolvidos no Programa: a participação da
sociedade civil foi definitiva para os avanços alcançados. Um detalhe histórico é importante: a
inserção do combate à epidemia na agenda governamental foi resultado da pressão exercida pela
sociedade civil, especificamente grupos gays em São Paulo no início da década de 80. Os números
são expressivos: entre 1999 e 2002 foram implementados cerca de 200 projetos em parceria com a
sociedade civil, envolvendo 31 milhões de dólares.

22

36

Ver site http://inovando.fgvsp.br/conteudo/dados/default.asp

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A chamada Política de Incentivos, implementada a partir de 2003, que promove a
descentralização dos recursos para governos estaduais e para 411 municípios que cobrem 95% dos
casos identificados fez com que a relação com as OSCs fosse melhor ordenada. Embora sejam os
estados que promovem a convocatória pública dos projetos, os municípios têm assento nos comitês
de definição de critérios e de seleção de projetos. Entre meados de 2003 até julho de 2004 foram
repassados um total de 8,3 milhões de reais (US$ 2,7 milhões) para 171 projetos a serem
implementados por OSCs.
Cabe destacar a inserção do tema cidadania e direitos humanos como uma questão
transversal a todas as ações públicas desde o início do Programa. E isso se deveu basicamente à
pressão das OSCs. O governo foi provocado a ter um olhar distinto sobre questões tais como
vulnerabilidade, convivência com diferenças e sexualidade, indo muito mais além de um
atendimento à saúde da população.
Também há um consenso entre os vários atores envolvidos no combate à epidemia; as OSCs
conseguem entrar em espaços onde o governo tem pouco ou nenhum trânsito ou experiência.
Menciona-se, em particular os chamados grupos vulneráveis – usuários de drogas injetáveis,
profissionais do sexo, homossexuais, mulheres, população confinada, extrema pobreza. Além disso,
o exercício do controle social, seja via conselhos ou OSCs tem sido mais efetivo no Programa de
AIDS, mesmo no âmbito do setor em geral.
Um outro ponto a considerar, e relacionado à questão acima, refere-se à criação e expansão
de espaços de negociação. Cronogramas de reuniões periódicas e regulares abrem oportunidades de
discussão contínua com os níveis de governo. Além dos Fóruns Estaduais de ONGs/AIDS, muitos
municípios criaram seus próprios Fóruns. Em São Paulo, além do Fórum Municipal, assume
importância o Movimento Paulistano de Luta contra AIDS que se reúne mensalmente com a
Prefeitura Paulista.
Uma preocupação relevante atravessa toda a política contra a epidemia de HIV/AIDS: o
fortalecimento institucional dos agentes públicos e das OSCs. Uma estratégia de capacitação de
OSCs é encontrada em várias administrações municipais, em geral tratando de temas tais como
gestão, questões jurídicas e acesso a fontes de financiamento. A Prefeitura de São Paulo, por
exemplo, tem um setor dedicado exclusivamente a Treinamento e Desenvolvimento que inclui no
seu público-alvo, além de seus próprios funcionários, as OSCs e uma programação ao redor de
temas considerados estruturantes: as relações com o Sistema Único de Saúde, a priorização da
prevenção à epidemia e a humanização da assistência aos portadores do vírus (Lobo Thereza,
2004).
As parcerias com as OSCs muito vêm sendo aprimoradas por meio da adoção do
planejamento estratégico nos governos estaduais e municipais. Análises epidemiológicas, por
exemplo, possibilitam melhor alocação de recursos e focalização mais adequada na própria cidade.
Os mapeamentos epidemiológicos não se restringem ao território mais amplo do estado. Os
municípios já têm como prática identificar os vazios no atendimento de sua localidade e os utilizam
para adequar o relacionamento entre a Prefeitura e as OSCs. Dois casos são ilustrativos.
A Prefeitura de Porto Alegre disponibiliza o chamado Balcão de Projetos que apóia as OSCs
que desejam montar projetos que sejam aderentes à ação municipal. Por sua vez, o município do
Rio de Janeiro montou o Banco de Parcerias visando potencializar projetos dirigidos a
determinadas populações e espaços até então não suficientemente atendidos pelas atividades de
prevenção à epidemia.
As tensões existem, entretanto, e não estão encobertas. Um exemplo bem corrente até à
descentralização mais efetiva dos recursos se percebia entre a Coordenação Nacional do Programa
e os governos subnacionais. Estes últimos se ressentiam do contato direto da primeira com as
37

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

OSCs, se sentindo atropeladas no processo. Tal situação foi revertida com as mudanças recentes
dirigidas à descentralização. Os estados decidem a alocação de recursos em conjunto com os
municípios.
Um outro tipo de tensão, ainda muito mais presente, refere-se à relação das OSCs com as
Comissões Municipais de AIDS. A Prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, se ressente de
mudanças no comportamento das OSCs participantes da Comissão. São acusadas de terem
transformado a Comissão em um espaço unicamente de denúncias pelas OSCs contra o poder
público. Em assim fazendo, estariam perdendo a oportunidade de ocupar um espaço importante de
participação na política municipal.
Mesmo levando em consideração esses e outro tipos de tensão, há que valorizar a
manutenção da autonomia das OSCs frente ao Estado. A negação de uma possível submissão é
unânime entre elas. Mesmo que estejam sendo beneficiárias de um fluxo constante de recursos.
Com certeza, o acolhimento da participação das OSCs no processo de elaboração do planejamento
das ações de combate à epidemia configura-se como uma forma importante do estreitamento das
relações com o poder público.

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IV. Considerações finais

Esse trabalho possibilita chegar a algumas considerações de
caráter geral a respeito do papel desempenhado pelos municípios na
luta contra a pobreza no Brasil. Merecem destaque alguns pontos:
• Os municípios, principalmente os das capitais e aqueles de
médio e grande portes, aproveitaram as oportunidades
abertas pelo processo de descentralização. Reafirmam sua
importância crescente na distribuição da receita fiscal e, mais
ainda, na responsabilidade sobre o gasto social. O combate à
pobreza no Brasil, passa necessariamente, pelos governos
municipais.
• A descentralização fiscal é um fato concreto após a
Constituição de 1988. Foram os governos municipais os que
mais se beneficiaram na redistribuição das receitas
tributárias, com expressivos aumentos na receita disponível
nos últimos 15 anos. As evidências indicam, entretanto, que
quanto maior o município, maior é a receita própria.
Permanece, assim a dependência dos pequenos municípios às
transferências advindas dos governos federal e estadual.
• Destaca-se o esforço fiscal que as prefeituras vêm
desenvolvendo ao longo dos anos. Nos primeiros dez anos
após a nova Constituição, o volume de recursos próprios
municipais cresceu cerca de 200%. Os municípios, não
apenas passaram a cobrar os tributos de sua competência,
como investiram crescentemente em projetos voltados à
modernização da gestão tributário, financeira e
administrativa. O retorno desses investimentos aparece no
39

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

aumento da capacidade de gasto e na recuperação da margem de endividamento, frente às
instituições financeiras nacionais e internacionais, fundamentais para o enfrentamento da
pobreza.
• O processo de descentralização tem seu rebatimento também na importância da instância
municipal de governo na estrutura do gasto público. Em 1998 os municípios já
respondiam por cerca de ¼ da folha de pagamento de funcionários públicos do país, 40%
das compras de bens e serviços e 50% da formação bruta de capital fixo dos governos. Na
área social, neste período, os municípios já eram responsáveis por cerca de 1/3 das
despesas com educação e saúde.
• A estrutura do gasto das prefeituras expressa o seu papel estratégico na gestão da políticas
sociais: em 2003 cerca de 60% dos gastos municipais foram para educação, saúde e
assistência/previdência. Essa proporção sobe para 70% do gasto total quando se agregam
as despesas com habitação/urbanismo e transporte, setores importantes para a população
de baixa renda.
• No conjunto das fontes de recursos disponíveis aos municípios merece atenção o papel
dos organismos multilaterais. Programas nas áreas de combate à pobreza –em particular,
educação, saúde e desenvolvimento urbano– têm contribuído para o aumento da
capacidade de intervenção dos municípios, além do seu fortalecimento institucional.
• Nas políticas setoriais o movimento mais forte da descentralização se deu na educação e
na saúde. O impulso foi dado pela criação de formas inovadoras de transferências de
recursos, federais e estaduais, que possibilitaram uma progressiva responsabilidade dos
municípios pela prestação de serviços. Na educação percebe-se efeito adicional
importante de caráter redistributivo. As regiões mais pobres do país foram as mais
beneficiadas em termos de, por exemplo, remuneração e qualificação de professores. Na
saúde, por sua vez, a municipalização foi acompanhada do reforço à atenção básica e da
disseminação do Programa Saúde da Família.
• A rede de proteção social – composta por um conjunto de programas de transferência de
renda voltados especificamente à população de extrema pobreza - foi se consolidando ao
longo da década de noventa. Esses programas federais abriram espaço para que os
municípios desenvolvessem experiências criativas, aperfeiçoando a Rede de Proteção
Social e reafirmando o seu papel na gestão das políticas sociais. Mudanças recentes na
forma de gerenciar esta Rede, com o não acompanhamento das contrapartidas municipais,
colocam em risco a sua efetividade.
• Na área urbana, apesar da ausência de um processo de descentralização impulsionado
pelo Governo Federal, à semelhança da educação e da saúde, os municípios tomaram a
iniciativa. As prefeituras das cidades capitais e de médio porte, voltaram-se para
intervenções inovadoras nos bolsões de miséria aí localizados. Os investimentos
multissetoriais abriram um novo terreno nas políticas sociais, inclusive no que diz
respeito às fontes de financiamento. A magnitude e complexidade destes projetos
demandaram uma composição de recursos próprios, de crédito interno e externo e mesmo
de crédito à população.
• As políticas públicas de emprego tiveram no país uma constituição tardia. Daí porque o
processo de descentralização chegou no máximo ao plano estadual. Os municípios
tiveram que se submeter aos programas definidos pelo governo estadual e apenas
recentemente abriu-se um espaço maior para prefeituras de capitais ou arranjos
municipais.
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CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

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• O cenário de democratização e descentralização configurado no país nas últimas décadas
é fortalecido pela maior aproximação entre o Estado e a sociedade civil. Isso é
particularmente percebido nas administrações municipais, em especial na execução de
suas políticas sociais. Proliferação de conselhos em todas as áreas, inovações em gestão e
parcerias com organizações da sociedade civil para execução de programas são
expressões de um novo potencial de intervenção dos municípios.
• Todo o avanço e renovação experimentados pelas prefeituras encontram limites em
situações estruturais reconhecidas historicamente no país. A heterogeneidade dos
municípios é marcante, em termos de porte, urbanização, capacidade de financiamento e
participação nos gastos sociais. A isto somam-se desigualdades inter e intra-regionais,
que tornam ainda mais complexo o enfrentamento da pobreza. Além das já conhecidas
disparidades entre regiões, os bolsões de pobreza nos grandes centros urbanos,
principalmente nas regiões mais ricas, se apresentam como crescentes desafios às
administrações municipais.
• Finalmente, o pano de fundo de uma discussão do papel dos municípios no combate à
pobreza, no caso brasileiro, é o sistema federal de governo. O país ainda está longe de um
federalismo cooperativo, caracterizando muito mais um federalismo competitivo. Neste
cenário os municípios ainda sofrem os efeitos de uma herança histórica de dependência,
assistencialismo e clientelismo na execução das políticas sociais.

41

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

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43

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Capítulo 2 da Publicação “Análise do Rio de Janeiro a partir do Atlas de Desenvolvimento Humano
(IPEA/PNUD), IETS, Rio de Janeiro.
SEADE. (2004), (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) “Diagnóstico dos Municípios - índice
paulista de responsabilidade social – IRPS”, São Paulo: site da Assembléia Legislativa do Estado de São
Paulo.
Ulisses Cidade Smeghini, “FUNDEF: Uma Revolução Silenciosa”. (Texto elaborado para apresentação na
Organização das Nações Unidas), site do Ministério da Educação (www.mec.gov.br/sef/fundef/resul.shtm).
Urani, André e José Guilherme Reis, (2004), “Policy Paper no 4 – Desenvolvimento com justiça social: uma
agenda para os municípios”, IETS, Rio de Janeiro.

44

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Anexos

45

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Anexo
Quadro A.1
Ã

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE MUNICÍPIOS E DA POPULAÇÃO – 2000
REGIÃO NORTE
Municípios
Faixas

Número

População
Número

Percentual

Até 20 000

302

Percentual
67,26

2 549 592

19,76

De 20 000 a 50 000

103

22,94

3 128 580

24,25

De 50 000 a 100 000

30

6,68

2 029 414

15,73

De 100 000 a 300 000

10

2,23

1 778 439

13,79

De 300 000 a 500 000

2

0,45

728 230

5,64

De 500 000 a 1 000 000

-

-

-

-

Acima de 1 000 000

2

0,45

2 686 449

20,82

449

100

12 900 704

100

Total

Fonte: IBGE – Censo 2000.

Quadro A.2
Ã

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE MUNICÍPIOS E DA POPULAÇÃO – 2000
REGIÃO NORDESTE
Municípios
Faixas

Número

Percentual

1 250

69,95

12 237 418

25,63

De 20 000 a 50 000

394

22,05

11 721 169

24,55

De 50 000 a 100 000

97

5,53

6 410 217

13,43

De 100 000 a 300 000

33

1,85

5 424 823

11,36

De 300 000 a 500 000

4

0,22

1 665 716

3,49

De 500 000 a 1 000 000

6

0,34

4 274 954

8,95

Acima de 1 000 000

3

0,17

6 007 414

12,58

1 787

100

47 741 711

100

Até 20 000

Total

Número

População

Percentual

Fonte: IBGE – Censo 2000.

Quadro A.3
Ã

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE MUNICÍPIOS E DA POPULAÇÃO – 2000
REGIÃO CENTRO-OESTE
Municípios
Faixas

População

Número

Percentual

355

79,60

2 722 926

23,40

De 20 000 a 50 000

62

13,90

1 867 763

16,05

De 50 000 a 100 000

17

3,81

1 236 588

10,63

De 100 000 a 300 000

7

1,57

1 181 939

10,16

De 300 000 a 500 000

2

0,45

819 738

7,04

Até 20 000

Número

Percentual

(continúa)

47

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Quadro A.3 (conclusão)
Municípios
Faixas

População

Número

Percentual

De 500 000 a 1 000 000

1

0,22

663 621

5,70

Acima de 1 000 000

2

0,45

3 144 153

27,02

446

100

11 636 728

100

Total

Número

Percentual

Fonte: IBGE – Censo 2000.

Quadro A.4
Ã

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE MUNICÍPIOS E DA POPULAÇÃO – 2000
REGIÃO SUDESTE
Municípios
Faixas

População

Número

Percentual

Número

Percentual

1 180

70,83

9 175 286

12,67

De 20 000 a 50 000

267

16,03

8 071 942

11,15

De 50 000 a 100 000

106

6,36

7 598 508

10,45

De 100 000 a 300 000

77

4,62

12 598 462

17,40

De 300 000 a 500 000

21

1,26

7 749 676

10,70

De 500 000 a 1 000 000

11

0,66

7 645 138

10,56

4

0,24

19 603 399

27,07

1 666

100

72 442 411

100

Até 20 000

Acima de 1 000 000
Total

Fonte: IBGE – Censo 2000.

Quadro A.5
Ã

DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE MUNICÍPIOS E DA POPULAÇÃO – 2000
REGIÃO SUL
Municípios
Faixas

Número

População

Percentual

Número

Percentual

Até 20 000

935

80,67

6 752 182

26,89

De 20 000 a 50 000

132

11,39

4 043 146

16,10

De 50 000 a 100 000

53

4,57

3 683 401

14,67

De 100 000 a 300 000

31

2,67

5 472 328

21,80

De 300 000 a 500 000

6

0,52

2 208 654

8,80

De 500 000 a 1 000 000

0

0

0

0

2

0,18

2 947 905

11,74

1 159

100

25 107 616

100

Acima de 1 000 000
Total

Fonte: IBGE – Censo 2000.

48

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Quadro A.6

RECEITA TRIBUTÁRIA PRÓPRIA E DE TRANSFERÊNCIA PER CAPITA
SEGUNDO O PORTE DOS MUNICÍPIOS, 2002
(Valor em R$ Milhões)
Receita Tributária
Própria

Receita das
transferências

Total

Faixas

Valor

Percentual

Valor

Percentual

Valor

Até 50 000

26,27

2,98

856,18

97,02

882,45

De 5 001 a 10 000

28,98

4,90

562,00

95,10

590,98

De 10 001 a 20 000

26,64

5,46

461,24

95,54

487,89

De 20 001 a 50 000

39,07

8,74

408,07

91,26

447,14

De 50 001 a 100 000

67,07

14,75

387,70

85,26

454,78

De 100 001 a 500 000

117,42

23,38

384,88

76,62

502,30

De 500 001 a 1 000 000

135,11

26,05

383,57

73,95

518,68

De 1 000 001 a 2 000 000

192,79

32,36

402,95

67,64

595,74

Acima de 2 000 000

332,92

46,05

390,06

53,95

722,97

Fonte: Ministério da Fazenda – Secretaria do Tesouro – FINBRA 2002.
Tabela citada no Policy Paper no 4 – Desenvolvimento com justiça social: uma agenda para osmunicípios,
IETS, Janeiro de 2004, coordenação de André Urani e José Guilherme dos Reis.
Quadro A.7

INDICADORES SOCIOECONÔMICOS SELECIONADOS EM 2002
Região/ Estado

Renda
p.cap.

Pobreza

Desemprego Escolaridade Analfabetismo

Atraso
Escolar

23

Telefones

(R$)

Norte
Alagoas

188

63,5

8.5

4,0

31,2

35,8

24,8

Rio Grande do
Norte

240

49,3

6,7

5,2

22,7

23,7

32,9

370

23,9

6,5

6,0

12,6

12,6

41,0

524

19,6

11,6

7,4

2,6

12,6

63,8

Centro-Oeste
Mato Grosso
Sudeste
Rio de Janeiro
São Paulo

537

19,5

11,4

7,2

4,5

4,5

71,2

Minas Gerais

347

24,8

8,7

5,8

9,0

9,0

53,9

Paraná

416

24,9

6,9

6,3

6,9

6,9

60,2

Santa Catarina

448

14,5

4,4

6,6

7,6

7,6

61,2

Brasil

383

32,9

9,1

6,1

16,1

16,1

52,8

Sul

Fonte: IETS, a partir de tabulações especiais da PNAD/IBGE.
Tabela citada no Policy Paper no 4 – Desenvolvimento com justiça social: uma agenda para os Municípios, IETS,
janeiro de 2004, coordenação de André Urani e José Guilherme dos Reis.

23

Renda: dada pela renda domiciliar per capita em reais de setembro de 2002;
Pobreza: estimada como a proporção de pobres, a partir da linha de pobreza estipulada pelo IPEA;
Desemprego: taxa de desemprego aberto;
Escolaridade: número de anos de estudos completos da população com mais de 25 anos;
Analfabetismo: taxa de analfabetismos da população com 15 anos ou mais;
Atraso escola: proporção de crianças entre 10 e 14 anos que possuem pelo menos dois anos de defasagem série-idade;
Telefones: proporção de domicílios que possuem telefones fixos.

49

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Quadro A.8

RENDA PER CAPITA – DISPARIDADES REGIONAIS
Região/ Estado e Municípios
Brasil

Renda per capita
(US$)

Renda per capita
(R$)

131

383

Norte

273

Belém

274
214

Nordeste
Alagoas

64

188

Maceió

248

Bahia

213

RM Salvador

311

Ceará

212

Fortaleza

253

Maranhão
Centro do Guilherme

175
16

Grande São Luís

30
229

Paraíba

231

Pernambuco

238

Recife

281

Piauí

209

Rio Grande do Norte

82

Natal

240
277

Sergipe

235

Centro-Oeste

428

Distrito Federal

739

Goiás

351

Goiânia

403

Mato Grosso do Sul
Mato Grosso

381
126

370
480

Sudeste
Espírito Santo

381

Vale do Aço

287

Grande Vitória

368

Minas Gerais

119

347

Rio de Janeiro

179

524

Região metropolitana do Rio de Janeiro

249

456

São Paulo

184

537

Belo Horizonte

394

Região metropolitana de São Paulo

508

Baixada Santista

437

Campinas
Águas de São Pedro

479
548

444

Sul
Paraná

1.000

142

416

Curitiba

457

Londrina

388

Maringá

369

Rio Grande do Sul

468

Porto Alegre

456
(continúa)

50

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Quadro 8 (conclusão)
Região/ Estado e Municípios

Renda per capita
(US$)

Renda per capita
(R$)

153

Santa Catarina

448

Região metropolitana de Florianópolis

521

Região metropolitana Carbonífera

352

Região metropolitana Tubarão

344

Região metropolitana Foz do Rio Itajaí

406

Região metropolitana Vale do Itajaí

430

Região metropolitana Norte/Noroeste Catarinense

396

Fonte: Elaborado pelo IETS com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
Notas:
1
Devido a um problema na amostra, os dados dos estados do Norte não são apresentados. Os dados
da região Norte incluem apenas a área urbana dos sete estados e a área rural de Tocantins.
2
Valores expressos em Reais de setembro de 2002.
3
Valores em US$ convertidos á taxa de setembro de 2002.
Quadro A.9

ARRECADAÇÃO DIRETA POR NÍVEL DE GOVERNO – 2003/2003
2003
Percentual
PIB
PIB (US$ Bilhão)

2002
Percentual
Total

493,3

Percentual PIB

Percentual
Total

459,4

Total

35,8

100

35,6

100

União

24,7

68,8

24,5

68,7

IR

5,4

15,2

5,6

15,7

IPI

1,2

3,3

1,4

3,8

IOF

0,3

0,8

0,3

0,8

Impostos/ comércio exterior

0,5

1,5

0,6

1,7

ITR

0,0

0,0

0,0

0,0

Taxas

0,1

0,4

0,1

0,4

Seguridade Social

5.3

14.9

5.3

14.8

11,7

32,7

11,2

31,5

Estados

9,5

26,2

9,5

26,6

ICMS

7,9

22,0

7,8

21,9

IPVA

0,5

1,4

0,5

1,5

ITCD

0,1

0,2

0,0

0,1

Taxas

0,2

0,6

0,2

0,6

Seguridade social

0,3

1,0

0,3

1,0

Outros

0,5

1,5

0,5

1,5

Municípios

1,6

4,5

1,7

4,7

ISS

0,5

1,5

0,5

1,5

IPTU

0,4

1,2

0,5

1,3

ITBI

0,1

0,3

0,1

0,3

Taxas

0,2

0,5

0,2

0,5

Seguridade sócia

0,1

0,4

0,1

0,4

Outros

0,2

0,7

0,3

0,7

Outras contribuições sociais

Fonte: Afonso, José Roberto R. e Araújo, Érika Amorim 2004. “Local Government Organizations and
Finance: Brasil” – fontes primárias: MINIFAZ/STN, MPAS, CEF, Confaz e ABARSF, IBGE.

51

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

Quadro A.10

TRIBUTOS POR NÍVEL DE GOVERNO E CATEGORIA
Categoria
Comércio
Exterior

Governo
União

Tributos
Impostos sobre importações – II
Imposto sobre exportações – IE

União

Imposto de renda – IR
Imposto territorial rural – ITR

Ativo e receitas
líquidas

Estados

Imposto sobre a propriedade de veículos automotivos – IPVA
Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer
Bens ou Direitos – ITCD

Municípios

Imposto predial e territorial urbano – IPTU
Imposto de transmissão sobre bens imóveis - inter vivos – ITBI

União

Imposto sobre produtos industrializados – IPI
Imposto sobre operações financeiras – IOF

Contribuições
sociais

Estados

Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços – ICMS

Municípios

Produção e
circulação

Imposto sobre serviços – ISS

União

Sobre salários – empregador/empregado
Sobre o faturamento das empresas – Cofins
Sobre a receita operacional das empresas – PIS/PASEP
Sobre movimentos financeiros – CPMF
Sobre o lucro líquido - CSLL
Fonte: Elaborado pelas autoras.

52

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Serie

medio ambiente y desarrollo
Números publicados
1.
2.
3.
4.
5.
6.

7.

8.

9.

10.

11.

12.

13.
14.

15.

16.

Las reformas del sector energético en América Latina y el Caribe (LC/L.1020), abril de 1997. E-mail:
fsanchez@eclac.cl, haltomonte@eclac.cl
Private participation in the provision of water services. Alternative means for private participation in the
provision of water services (LC/L.1024), May, 1997. E-mail: ajoravlev@eclac.cl
Management procedures for sustainable development (applicable to municipalities, micro region and river
basins) (LC/L.1053), August, 1997. E-mail: adourojeanni@eclac.cl, rsalgado@eclac.cl
El Acuerdo de las Naciones Unidas sobre pesca en alta mar: una perspectiva regional a dos años de su
firma (LC/L.1069), septiembre de 1997. E-mail: rsalgado@eclac.cl
Litigios pesqueros en América Latina (LC/L.1094), febrero de 1998. E-mail: rsalgado@eclac.cl
Prices, property and markets in water allocation (LC/L1097), febrero de 1998. E-mail: tlee@eclac.cl,
ajouralev@eclac.cl. Los precios, la propiedad y los mercados en la asignación del agua (LC/L.1097),
October, 1998. E-mail: tlee@eclac.cl, ajouralev@eclac.cl
Sustainable development of human settlements: Achievements and challenges in housing and urban policy
in Latin America and the Caribbean (LC/L.1106), March, 1998. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
Desarrollo sustentable de los asentamientos humanos: Logros y desafíos de las políticas habitacionales y
urbanas de América Latina y el Caribe (LC/L.1106), octubre de 1998. dsimioni@eclac.cl 
Hacia un cambio de los patrones de producción: Segunda Reunión Regional para la Aplicación del
Convenio de Basilea en América Latina y el Caribe (LC/L.1116 y LC/L.1116 Add/1), vols. I y II, en
edición. E-mail: cartigas@eclac.cl, rsalgados@eclac.cl
La industria del gas natural y las modalidades de regulación en América Latina, Proyecto
CEPAL/Comisión Europea “Promoción del uso eficiente de la energía en América Latina” (LC/L.1121),
abril de 1998. E-mail fsanchez@eclac.cl 
Guía para la formulación de los marcos regulatorios, Proyecto CEPAL/Comisión Europea “Promoción
del uso eficiente de la energía en América Latina” (LC/L.1142), agosto de 1998. E-mail:
fsanchez@eclac.cl 
Panorama minero de América Latina: la inversión en la década de los noventa, Proyecto
CEPAL/Comisión Europea “Promoción del uso eficiente de la energía en América Latina” (LC/L.1148),
octubre de 1998. E-mail: fsanchez@eclac.cl 
Las reformas energéticas y el uso eficiente de la energía en el Perú, Proyecto CEPAL/Comisión Europea
“Promoción del uso eficiente de la energía en América Latina” (LC/L.1159), noviembre de 1998. E-mail:
fsanchez@eclac.cl 
Financiamiento y regulación de las fuentes de energía nuevas y renovables: el caso de la geotermia
(LC/L.1162) diciembre de 1998. E-mail: mcoviello@eclac.cl 
Las debilidades del marco regulatorio eléctrico en materia de los derechos del consumidor. Identificación
de problemas y recomendaciones de política, Proyecto CEPAL/Comisión Europea “Promoción del uso
eficiente de la energía en América Latina” (LC/L.1164), enero de 1999. E-mail: fsanchez@eclac.cl 
Primer Diálogo Europa-América Latina para la Promoción del Uso Eficiente de la Energía, Proyecto
CEPAL/Comisión Europea “Promoción del uso eficiente de la energía en América Latina” (LC/L.1187),
marzo de 1999. E-mail: fsanchez@eclac.cl 
Lineamientos para la regulación del uso eficiente de la energía en Argentina, Proyecto CEPAL/Comisión
Europea “Promoción del uso eficiente de la energía en América Latina” (LC/L.1189), marzo de 1999. Email: fsanchez@eclac.cl 

53

O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

17. Marco legal e institucional para promover el uso eficiente de la energía en Venezuela, Proyecto

18.

19.

20.

21.

22.

CEPAL/Comisión Europea “Promoción del uso eficiente de la energía en América Latina” (LC/L.1202),
abril de 1999. E-mail: fsanchez@eclac.cl 
Políticas e instituciones para el desarrollo sostenible en América Latina y el Caribe, José Antonio
Ocampo (LC/L.1260-P), Nº de venta: S.99.II.G.37 (US$ 10.00), septiembre de 1999. E-mail:
jocampo@eclac.cl 
Impactos ambientales de los cambios en la estructura exportadora en nueve países de América Latina y el
Caribe: 1980-1995, Marianne Schaper (LC/L.1241/Rev.1-P), Nº de venta: S.99.II.G.44 (US$ 10.00),
octubre de 2000. E-mail: mschaper@eclac.cl 
Marcos regulatorios e institucionales ambientales de América Latina y el Caribe en el contexto del
proceso de reformas macroeconómicas: 1980-1990, Guillermo Acuña (LC/L.1311-P), Nº de venta:
S.99.II.G.26 (US$ 10.00), diciembre de 1999. E-mail: gacuna@eclac.cl 
Consensos urbanos. Aportes del Plan de Acción Regional de América Latina y el Caribe sobre
Asentamientos Humanos, Joan MacDonald y Daniela Simioni (LC/L.1330-P), Nº de venta: S.00.II.G.38
(US$ 10.00), diciembre de 1999. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
Urban consensus. Contributions from the Latin America and the Caribbean Regional Plan of Action on
Human Settlements, Joan MacDonald y Daniela Simioni (LC/L.1330-P), Sales Nº: E.00.II.G.38
(US$ 10.00), June, 2000. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
Contaminación industrial en los países latinoamericanos pre y post reformas económicas, Claudia Schatan
(LC/L.1331-P), Nº de venta: S.00.II.G.46 (US$ 10.00), diciembre de 1999. E-mail: mschaper@eclac.cl

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23. Trade liberation and industrial pollution in Brazil, Claudio Ferraz and Carlos E.F. Young (LC/L.1332-P),

Sales Nº: E.00.II.G.47 (US$ 10.00), December, 1999. E-mail: mschaper@eclac.cl 

24. Reformas estructurales y composición de las emisiones contaminantes industriales. Resultados para

México, Fidel Aroche Reyes (LC/L.1333-P), Nº de venta: S.00.II.G.42 (US$ 10.00), mayo de 2000. Email: mschaper@eclac.cl 
25. El impacto del programa de estabilización y las reformas estructurales sobre el desempeño ambiental de
la minería de cobre en el Perú: 1990-1997, Alberto Pascó-Font (LC/L.1334-P), Nº de venta: S.00.II.G.43,
(US$ 10.00), mayo de 2000. E-mail: mschaper@eclac.cl 
26. Servicios urbanos y equidad en América Latina. Un panorama con base en algunos casos, Pedro Pírez
(LC/L.1320-P), Nº de venta: S.00.II.G.95 (US$ 10.00), septiembre de 2000. E-mail: dsimioni@eclac.cl

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27. Pobreza en América Latina: Nuevos escenarios y desafíos de políticas para el hábitat urbano, Camilo

28.
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31.

32.

33.

Arraigada (LC/L.1429-P), Nº de venta: S.00.II.G.107, (US$ 10.00), octubre de 2000. E-mail:
dsimioni@eclac.cl 
Informalidad y segregación urbana en América Latina. Una aproximación, Nora Clichevsky (LC/L.1430P), Nº de venta: S.99.II.G.109 (US$ 10.00), octubre de 2000. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
Lugares o flujos centrales: los centros históricos urbanos, Fernando Carrión (LC/L.1465-P), Nº de venta:
S.01.II.G.6 (US$ 10.00), diciembre de 2000. E-mail: rjordan@eclac.cl 
Indicadores de gestión urbana. Los observatorios urbano-territoriales para el desarrollo sostenible.
Manizales, Colombia, Luz Stella Velásquez (LC/L.1483-P), Nº de venta: S.01.II.G.24 (US$ 10.00), enero
de 2001. E-mail: rjordan@eclac.cl 
Aplicación de instrumentos económicos en la gestión ambiental en América Latina y el Caribe: desafíos y
factores condicionantes, Jean Acquatella (LC/L.1488-P), Nº de venta: S.01.II.G.28 (US$ 10.00), enero de
2001. E-mail: jacquatella@eclac.cl 
Contaminación atmosférica y conciencia ciudadana. El caso de la ciudad de Santiago, Cecilia Dooner,
Constanza Parra y Cecilia Montero (LC/L.1532-P), Nº de venta: S.01.II.G.77 (US$ 10.00), abril de 2001.
E-mail: dsimioni@eclac.cl 
Gestión urbana: plan de descentralización del municipio de Quilmes, Buenos Aires, Argentina, Eduardo
Reese (LC/L.1533-P), Nº de venta: S.01.II.G.78 (US$ 10.00), abril de 2001. E-mail: rjordan@eclac.cl

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34. Gestión urbana y gobierno de áreas metropolitanas, Alfredo Rodríguez y Enrique Oviedo (LC/L.1534-P),

Nº de venta: S.01.II.G.79 (US$ 10.00), mayo de 2001. E-mail: rjordan@eclac.cl 

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CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

35. Gestión urbana: recuperación del centro de San Salvador, El Salvador. Proyecto Calle Arce, Jaime Barba

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y Alma Córdoba (LC/L.1537-P), Nº de venta: S.01.II.G.81 (US$ 10.00), mayo de 2001. E-mail:
rjordan@eclac.cl 
Consçiêcia dos cidadãos o poluição atmosférica na região metropolitana de São Paulo - RMSP, Pedro
Roberto Jacobi y Laura Valente de Macedo (LC/L.1543-P), Nº de venta: S.01.II.G.84 (US$ 10.00), mayo
de 2001. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
Environmental values, valuation methods, and natural damage assessment, Cesare Dosi (LC/L.1552-P),
Sales Nº: E.01.II.G.93 (US$ 10.00), June, 2001. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
Fundamentos económicos de mecanismos de flexibilidad para la reducción internacional de emisiones en
el marco de la Convención de cambio Climático (UNFCCC), Jean Acquatella (LC/L.1556-P), Nº de
venta: S.01.II.G.101 (US$ 10.00), julio de 2001. E-mail: jacquatella@eclac.cl 
Fundamentos territoriales y biorregionales de la planificación, Roberto Guimarães (LC/L.1562-P), Nº de
venta: S.01.II.G.108 (US$ 10.00), julio de 2001. E-mail: rguimaraes@eclac.cl 
La gestión local, su administración, desafíos y opciones para el fortalecimiento productivo municipal en
Caranavi, Departamento de La Paz, Bolivia, Jorge Salinas (LC/L.1577-P), Nº de venta: S.01.II.G.119
(US$ 10.00), agosto de 2001. E-mail: jsalinas@eclac.cl 
Evaluación ambiental de los acuerdos comerciales: un análisis necesario, Carlos de Miguel y Georgina
Núñez (LC/L.1580-P), Nº de venta: S.01.II.G.123 (US$ 10.00), agosto de 2001. E-mail:
cdemiguel@eclac.cl y gnunez@eclac.cl 
Nuevas experiencias de concentración público-privada: las corporaciones para el desarrollo local,
Constanza Parra y Cecilia Dooner (LC/L.1581-P), Nº de venta: S.01.II.G.124 (US$ 10.00), agosto de
2001. E-mail: rjordan@eclac.cl 
Organismos genéticamente modificados: su impacto socioeconómico en la agricultura de los países de la
Comunidad Andina, Mercosur y Chile, Marianne Schaper y Soledad Parada (LC/L.1638-P), Nº de venta:
S.01.II.G.176 (US$ 10.00), noviembre de 2001. E-mail: mschaper@eclac.cl 
Dinámica de valorización del suelo en el área metropolitana del Gran Santiago y desafíos del
financiamiento urbano, Camilo Arraigada Luco y Daniela Simioni (LC/L.1646-P), Nº de venta:
S.01.II.G.185 (US$ 10.00), noviembre de 2001. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
El ordenamiento territorial como opción de políticas urbanas y regionales en América Latina y el Caribe,
Pedro Felipe Montes Lira (LC/L.1647-P), Nº de venta: S.01.II.G.186, (US$ 10.00), diciembre de 2001.
E-mail: rjordan@eclac.cl 
Evolución del comercio y de las inversiones extranjeras e industrias ambientalmente sensibles:
Comunidad Andina, Mercosur y Chile (1990-1999), Marianne Schaper y Valerie Onffroy de Vèréz
(LC/L.1676-P), Nº de venta: S.01.II.G.212 (US$ 10.00), diciembre de 2001. E-mail: mschaper@eclac.cl

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47. Aplicación del principio contaminador-pagador en América Latina. Evaluación de la efectividad

ambiental y eficiencia económica de la tasa por contaminación hídrica en el sector industrial colombiano,
Luis Fernando Castro, Juan Carlos Caicedo, Andrea Jaramillo y Liana Morera (LC/L.1691-P), Nº de
venta: S.02.II.G.15, (US$ 10.00), febrero de 2002. E-mail: jacquatella@eclac.cl 
48. Las nuevas funciones urbanas: gestión para la ciudad sostenible (varios autores) (LC/L.1692-P), Nº de
venta: S.02.II.G.32 (US$ 10.00), abril de 2002. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
49. Pobreza y políticas urbano-ambientales en Argentina, Nora Clichevsky (LC/L.1720-P), Nº de venta:
S.02.II.G.31 (US$ 10.00), abril de 2002. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
50. Políticas públicas para la reducción de la vulnerabilidad frente a los desastres naturales, Jorge Enrique
Vargas (LC/L.1723-P), Nº de venta: S.02.II.G.34 (US$ 10.00), abril de 2002. E-mail: dsimioni@eclac.cl

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51. Uso de instrumentos económicos para la gestión ambiental en Costa Rica, Jeffrey Orozco B. y Keynor

Ruiz M. (LC/L.1735-P), Nº de venta: S.02.II.G.45 (US$ 10.00), junio de 2002. E-mail:
jacquatella@eclac.cl 
52. Gasto, inversión y financiamiento para el desarrollo sostenible en Argentina, Daniel Chudnovsky y
Andrés López (LC/L.1758-P), Nº de venta: S.02.II.G.70 (US$ 10.00), octubre de 2002. E-mail:
cdemiguel@eclac.cl 
53. Gasto, inversión y financiamiento para el desarrollo sostenible en Costa Rica, Gerardo Barrantes
(LC/L.1760-P), Nº de venta: S.02.II.G.74 (US$ 10.00), octubre de 2002. E-mail: cdemiguel@eclac.cl

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O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

54. Gasto, inversión y financiamiento para el desarrollo sostenible en Colombia, Francisco Alberto Galán y

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Francisco Javier Canal (LC/L.1788-P), Sales Nº: S.02.II.G.102 (US$ 10.00), noviembre de 2002. E-mail:
cdemiguel@eclac.cl 
Gasto, inversión y financiamiento para el desarrollo sostenible en México, Gustavo Merino y Ramiro
Tovar (LC/L.1809-P) NÛ GH YHQWD 6,,* 86  QRYLHPEUH GH  (-mail:
cdemiguel@eclac.cl 
Expenditures, Investment and Financing for Sustainable Development in Trinidad and Tobago, Desmond
Dougall and Wayne Huggins (LC/L.1795-P), Sales Nº: E.02.II.G.107 (US$ 10.00), November, 2002. Email: cdemiguel@eclac.cl 
Gasto, inversión y financiamiento para el desarrollo sostenible en Chile, Francisco Brzovic (LC/L.1796P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86  QRviembre de 2002. E-mail: cdemiguel@eclac.cl 
Expenditures, Investment and Financing for Sustainable Development in Brazil, Carlos E. F. Young and
Carlos A. Roncisvalle (LC/L.1797-P), Sales Nº: E.02.II.G.109 (US$ 10.00), November, 2002. E-mail:
cdemiguel@eclac.cl 
La dimensión espacial en las políticas de superación de la pobreza urbana, Rubén Kaztman (LC/L.1790P) Nº de venta: S.02.II.G.104 (US$ 10.00), mayo de 2003. E-mail: dsimioni@eclac.cl 
Estudio de caso: Cuba. Aplicación de Instrumentos económicos en la política y la gestión ambiental, Raúl
J. Garrido Vázquez (LC/L.1791-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86  PD\R GH  (-mail:
jacquatella@eclac.cl 
Necesidades de bienes y servicios ambientales en las micro y pequeñas empresas: el caso mexicano, Lilia
Domínguez Villalobos (LC/L.1792-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86  PD\R GH  (-mail:
mschaper@eclac.cl 
Gestión municipal para la superación de la pobreza: estrategias e instrumentos de intervención en el
ámbito del empleo, a partir de la experiencia chilena, Daniel González Vukusich (LC/L.1802-P), NÛ GH
venta: S.02.II.G.115 (US$ 10.00), abril de 2003. E-mail: rjordan@eclac.cl 
Necesidades de bienes y servicios para el mejoramiento ambiental de las pyme en Chile. Identificación de
factores críticos y diagnóstico del sector, José Leal (LC/L.1851-P), NÛ GH YHQWD 6,,*
(US$ 10.00), marzo de 2003. E-mail: mailto:mschaper@eclac.cl 
A systems approach to sustainability and sustainable development, Gilberto Gallopín (LC/L.1864-P),
Sales NÛ E.03.II.G.35 (US$ 10.00), March, 2003. E-mail: ggallopin@eclac.cl 
Sostenibilidad y desarrollo sostenible: un enfoque sistémico, Gilberto Gallopín (LC/L.1864-P), NÛ GH
venta: S.03.II.G.35 (US$ 10.00), mayo de 2003. E-mail: ggallopin@eclac.cl 
Necesidades de bienes y servicios ambientales de las pyme en Colombia: identificación y diagnóstico
Bart van Hoof (LC/L.1940-P), NÛ GH YHQWD S.03.II.G.98 (US$ 10.00), agosto, 2003. E-mail:
mschaper@eclac.cl 
Gestión urbana para el desarrollo sostenible de ciudades intermedias en el departamento de La Paz,
Bolivia, Edgar Benavides, Nelson Manzano y Nelson Mendoza (LC/L.1961-P), NÛ GH YHQWD
S.03.II.G.118 (US$ 10.00), agosto de 2003. E-mail: rjordan@eclac.cl 
Tierra de sombras: desafíos de la sustentabilidad y del desarrollo territorial y local ante la globalización
corporativa, Roberto P. Guimarães (LC/L. 1965-P), N° de venta: S.03.II.G.124) (US$ 10.00), septiembre
de 2003. E-mail: rguimaraes@eclac.cl 
Análisis de la oferta de bienes y servicios ambientales para abastecer las necesidades de las pyme en
Chile. Base de datos y evaluación de potencialidades, José Leal (LC/L.1967-P), NÛ GH YHQWD
S.03.II.G.127 (US$ 10.00), septiembre de 2003. E-mail: mschaper@eclac.cl 
Servicios públicos urbanos y gestión local en América Latina y El Caribe: problemas, metodologías y
políticas, Ivonne Antúnez y Sergio Galilea O. (LC/L.1968-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86 10.00),
septiembre de 2003. E-mail: rjordan@eclac.cl 
Necesidades de bienes y servicios ambientales de las pyme en Colombia: oferta y oportunidades de
desarrollo, Bart van Hoof (LC/L.1971-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86 10.00), septiembre de 2003. Email: mschaper@eclac.cl 
Beneficios y costos de políticas públicas ambientales en la gestión de residuos sólidos: Chile y países
seleccionados, José Concha Góngora, (LC/L.1992-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86 10.00), octubre de
2003. E-mail: rguimaraes@eclac.cl 
La responsabilidad social corporativa en un marco de desarrollo sostenible, Georgina Núñez (LC/L.2004P), NÛ de venta: S.02.II.G.165 (US$ 10.00), noviembre de 2003.E-mail: gnunez@eclac.cl 

CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

73. Elementos claves y perspectivas prácticas en la gestión urbana actual, Francisco Sagredo Cáceres y

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91.

Horacio Maximiliano Carbonetti (LC/L.2015-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86 10.00), noviembre de
2003. E-mail: rjordan@eclac.cl 
Análisis comparativo de las necesidades ambientales de las pyme en Chile, Colombia y México, Ursula
Araya (LC/L.2016-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86 10.00), noviembre de 2003. E-mail:
mschaper@eclac.cl 
Pobreza y acceso al suelo urbano. Algunas interrogantes sobre las políticas de regularización en América
Latina, Nora Clichevsky (LC/L.2025-P), NÛ GH YHQWD 6,,.G.189 (US$ 10.00), noviembre de 2003. Email: rjordan@eclac.cl 
Integración, coherencia y coordinación de políticas públicas sectoriales (reflexiones para el caso de las
políticas fiscal y ambiental), Juan Carlos Lerda, Jean Acquatella y José Javier Gómez (LC/L.2026-P), NÛ
de venta: S.03.II.G.190 (US$ 10.00), diciembre de 2003. E-mail: jacquatella@eclac.cl 
Demanda y oferta de bienes y servicios ambientales por parte de la pyme: el caso argentino, Martina
Chidiak (LC/L.2034-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86 10.00), diciembre de 2003. E-mail:
mschaper@eclac.cl 
Cláusulas ambientales y de inversión extranjera directa en los tratados de libre comercio suscritos por
México y Chile, Mauricio Rodas (LC/L.2038-P), N° de venta: S.03.II.G.204 (US$ 10.00), diciembre de
2003. E-mail: gacuna@eclac.cl 
Oferta de bienes y servicios ambientales para satisfacer las necesidades de micro y pequeñas empresas: el
caso mexicano, David Romo (LC/L.2065-P), NÛ GH YHQWD 6,,* 86 10.00), enero de 2004. E-mail:
mschaper@eclac.cl 
Desafíos y propuestas para la implementación más efectiva de instrumentos económicos en la gestión de
América Latina y el Caribe: el caso de Perú, Raúl A. Tolmos (LC/L.2073-P), N° de venta: S.04.II.G.16
(US$ 10.00), febrero de 2004. E-mail: jacquatella@eclac.cl 
Desafíos y propuestas para la implementación más efectiva de instrumentos económicos en la gestión de
América Latina y el Caribe: el caso de Argentina, Eduardo Beaumont Roveda (LC/L.2074-P), N° de
venta: S.04.II.G.17 (US$ 10.00), febrero de 2004. E-mail: jacquatella@eclac.cl 
Microcrédito y gestión de servicios ambientales urbanos: casos de gestión de residuos sólidos en Argentina,
Martina Chidiak y Néstor Bercovich (LC/L.2084-P), N° de venta: S.04.II.G.23 (US$ 10.00), marzo de
2004. E-mail: mailto:mschaper@eclac.cl 
El mercado de carbono en América Latina y el Caribe: balance y perspectivas, Lorenzo Eguren C.
(LC/L.2085-P), N° de venta: S.04.II.G.24 (US$ 10.00), marzo de 2004. E-mail:
mailto:jacquatella@eclac.cl 
Technological evaluation of biotechnology capability in Amazon institutions, Marília Coutinho (LC/L.2086P), Sales N°: S.04.II.G.25 (US$ 10.00), March, 2004.E-mail: jgomez@eclac.cl 
Responsabilidad social corporativa en América Latina: una visión empresarial, María Emilia Correa, Sharon
Flynn y Alon Amit (LC/L.2104-P), N° de venta: S.04.II.G.42 (US$ 10.00), abril de 2004. E-mail:
gnunez@eclac.cl 
Urban poverty and habitat precariousness in the Caribbean, Robin Rajack and Shrikant Barhate (LC/L.2105P), Sales Nº: E.04.II.G.43 (US$ 10.00), April, 2004. E-mail: rjordan@eclac.cl 
La distribución espacial de la pobreza en relación a los sistemas ambientales en América Latina, Andrés
Ricardo Schuschny y Gilberto Carlos Gallopín (LC/L. 2157-P), N° de venta: S.04.G.85 (US$ 10.00),
junio de 2004. E-mail: ggallopin@eclac.cl 
El mecanismo de desarrollo limpio en actividades de uso de la tierra, cambio de uso y forestería
(LULUCF) y su potencial en la region latinoamericana, Luis Salgado. (LC/L. 2184-P), N° de venta:
S.04.II.G.111 (US$ 10.00), octubre de 2004. E-mail: jacquatella@eclac.cl 
La oferta de bienes y servicios ambientales en Argentina. El papel de la Pymes, Andrés López (LC/L.
2191-P), N° de venta: S.04.II.G.118 (US$ 10.00), octubre de 2004. E-mail: jleal@eclac.cl 
Política y gestión ambiental en Argentina: gasto y financiamiento. Oscar Cetrángolo, Martina Chidiak,
Javier Curcio, Verónica Guttman (LC/L. 2190-P), N° de venta: S.04.II.G.117 (US$ 10.00), octubre de
2004. E-mail: cdemiguel@eclac.cl 
La sostenibilidad ambiental del desarrollo en Argentina: tres futuros. Gilberto Carlos Gallopín (LC/L.
2197-P), N° de venta: S.04.II.G.123 (US$ 10.00), octubre de 2004. E-mail: ggallopin@eclac.cl 

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O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil

92. A coordenação entre as políticas fiscal e ambiental no Brasil: a perspectiva dos governos estaduais. Jorge

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Jatobá (LC/L. 2212/Rev.1-P), N° de venta: S.04.II.G.134 (US$ 10.00), novembro de 2004. E-mail:
jgomez@eclac.cl ZZZ
Identificación de areas de oportunidad en el sector ambiental de América Latina y el Caribe. Casos
exitosos de colaboración entre industrias para formular alianzas. Ana María Ruz, Hernán Mladinic
(LC/L.2249-P), N° de venta: S.05.II.G.7 (US$ 10.00), enero de 2005. E-mail: jleal@eclac.cl 
Políticas e instrumentos para mejorar la gestión ambiental de las pymes en Colombia y promover su
oferta en materia de bienes y servicios ambientales. Bart van Hoof (LC/L.2268-P), N° de venta:
S.02.II.G.21 (US$ 10.00), febrero 2005. E-mail: jleal@eclac.cl 
Políticas e instrumentos para mejorar la gestión ambiental en las pymes y promover la oferta de bienes y
servicios ambientales: el caso mexicano. David Romo (LC/L.2269-P), N° de venta: S.04.II.G.22 (US$
10.00), febrero 2005. E-mail: jleal@eclac.cl 
Políticas para mejorar la gestión ambiental en las pymes argentinas y promover su oferta de bienes y
servicios ambientales. Néstor Bercovich, Andrés López (LC/L.2270-P), N° de venta: S.05.II.G.23 (US$
10.00), febrero 2005. E-mail: jleal@eclac.cl 
Evolución de las emisiones industriales potenciales en América Latina, 1970-2000. Laura Ortíz M.,
Andrés R. Schuschny, Giberto C. Gallopín (LC/L.2271-P), N° de venta: S.04.II.G.24 (US$ 10.00),
febrero 2005. E-mail: ggallopín@eclac.cl 
Crédito y microcrédito a la mipyme mexicana con fines ambientales: situación y perspectivas. David
Romo Murillo (LC/L.2281-P), Nº de venta: S.05.II.G.33 (US$ 10.00), abril 2005. E-mail:
jose.leal@cepal.org 
Sustainable human settlements development in Latin America and the Caribbean. Lucy Winchester
(LC/L.2287-P), Sales Nº: E.05.II-G.39 (US$10.00), February, 2005. E-mail: lucy.winchester@cepal.org

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100. Coordinación de las políticas fiscales y ambientales en la República Dominicana. Magdalena Lizardo y

Rolando M. Guzmán (LC/L. 2303-P), Nº de venta: S.05.II.G.51 (US$ 10.00), marzo 2005. E-mail:
jose.gomez@cepal.org 
101. Evaluación de la aplicación de los beneficios tributarios para la gestión e inversión ambiental en
Colombia. Diana Ruiz Benavides, Gerardo Viña Vizcaíno, Juan David Barbosa Mariño y Alvaro Prada
Lemus. (LC/L.2306-P), Nº de venta: S.05.II.G.55 (US$ 10.00), abril 2005. E-mail:
jose.gomez@cepal.org 
102. Coordinación entre las políticas fiscal y ambiental en el Perú. Manuel Glave Tesino (LC/L.2327-P), Nº de
venta: S.05.II.G.72 (US$ 10.00), junio 2005. E-mail: jose.gomez@cepal.org 
103. El gasto medio ambiental en Perú: exploración inicial. Javier Abugattás (LC/L.2349-P), Nº de venta:
S.05.II.G.88 (US$ 10.00), agosto 2005. E-mail: carlos.demiguel@cepal.org 
104. Panorama do comportamento ambiental do setor empresarial no Brasil. Karen Pires de Oliveira
(LC/L.2351-P), Nº de venta: P.05.II.G.90 (US$ 10.00), agosto 2005. E-mail: carlos.demiguel@cepal.orgÃÃ

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105. Ecoeficiencia: marco de análisis, indicadores y experiencias. José Leal (LC/L.2352-P), Nº de venta:

S.05.II.G.91 (US$ 10.00), agosto 2005. E-mail: jose.leal@cepal.org 

106. Gasto y desempeño ambiental del sector privado en Colombia. Carlos Manuel Herrera Santos

(LC/L.2356-P), Nº de venta: S.05.II.G.94 (US$ 10.00), agosto 2005. E-mail: carlos.demiguel@cepal.org Ã

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107. Política fiscal para la gestión ambiental en Colombia. Mary Gómez Torres (LC/L.2357-P), Nº de venta:

S.05.II.G.95 (US$ 10.00), agosto 2005. E-mail: jose.gomez@cepal.org 

108. Oportunidades para a coordenação de políticas agrícolas e ambientais no Brasil. Aércio S. Cunha

(LC/L.2358-P), Nº de venta: P.05.II.G.96 (US$ 10.00), agosto 2005. E-mail: jose.gomez@cepal.org

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109. O sistema municipal e o combate à pobreza no Brasil. Beatriz Azeredo, Thereza Lobo (LC/L.2379-P), Nº

de venta: P.05.II.G.123 (US$ 10.00), septiembre 2005. E-mail: daniela.simioni@cepal.org 

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CEPAL - SERIE Medio ambiente y desarrollo

N° 109

Alguns títulos de anos precedentes estaõ disponíveis

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O leitor interessado em adquirir números anteriores desta série pode solicitá-los dirigindo a sua correspondência à Unidade de
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