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        <dcterms:issued>1995</dcterms:issued>
        <dc:language>es</dc:language>
        <dc:creator>Corden, W. Max</dc:creator>
        <dc:contributor>Corden, W. Max</dc:contributor>
        <dcterms:title>Una zona de libre comercio en el Hemisferio Occidental: posibles implicancias para América Latina</dcterms:title>
        <dcterms:isPartOf>En: La liberalización del comercio en el Hemisferio Occidental - Washington, DC : BID/CEPAL, 1995 - p. 13-40</dcterms:isPartOf>
        <dcterms:available rdf:datatype="http://www.w3.org/2001/XMLSchema#dateTime">2014-01-02T14:51:16Z</dcterms:available>
        <bibo:handle>hdl:11362/45599</bibo:handle>
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Investimentos transformadores 
para um estilo de 
desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push) para a sustentabilidade 
no Brasil
Camila Gramkow 
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Econômica Aplicada
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Investimentos transformadores para um estilo 
de desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso (Big Push)
para a sustentabilidade no Brasil
Camila Gramkow 
Organizadora
ipea
Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada
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cooperação
Rede Brasil alemãDEUTSCHE ZUSAMMENARBEIT
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EBERT
STIFTUNG
Este documento foi organizado por Camila Gramkow, Oficial de Assuntos Econômicos do Escritório no Brasil da 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), no âmbito das atividades do projeto CEPAL/Deutsche 
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ): “Sustainable development paths for middle-income countries 
under the 2030 Agenda for Sustainable Development in Latin America and the Caribbean”. Este documento também 
contou com o apoio da Friedrich-Ebert-Stiftung (FES), da Rede Brasil do Pacto Global e do Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (IPEA) para realização e divulgação da Chamada Aberta de Estudos de Casos de Investimentos 
para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil a partir da qual os capítulos foram produzidos e selecionados. 
Reconhecemos e agradecemos a colaboração dos membros do Comitê de Avaliação da referida chamada: 
Gustavo Fontenele e Silva (Ministério da Economia do Brasil), Julio César Roma (IPEA), Mauro Oddo Nogueira (IPEA), 
Luiz Fernando Krieger Merico (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Assentamentos Humanos) e 
Maria Luisa Marinho (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Social). Colaboraram com este documento, além dos autores 
e autoras que assinam seus capítulos, os assistentes de pesquisa e os estagiários da CEPAL em Brasília: Camila Leotti, 
Gabriel Belmino Freitas, Pedro Brandão da Silva Simões e Sofia Furtado. Contamos, também, com a contribuição do 
diretor da CEPAL em Brasília, Carlos Henrique Fialho Mussi, e de Maria Pulcheria Graziani do mesmo escritório.
As opiniões expressas neste documento, que não foi submetido à revisão editorial, são de exclusiva responsabilidade 
dos autores e autoras e podem não coincidir com as visões da CEPAL e das instituições a que os autores e autoras são 
filiados, nem com as das instituições que apoiaram este documento.
Publicação das Nações Unidas
LC/TS.2020/37
LC/BRS/TS.2020/1
Distribuição: L
Copyright © Nações Unidas, 2020 
Todos os direitos reservados
Impresso nas Nações Unidas, Santiago 
S.20-00209
Esta publicação deve ser citada como: Camila Gramkow (org.), “Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento 
sustentável: estudos de casos de grande impulso (Big Push) para a sustentabilidade no Brasil, Documentos de Projetos 
(LC/TS.2020/37; LC/BRS/TS.2020/1), Santiago, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), 2020.
A autorização para reproduzir total ou parcialmente esta obra deve ser solicitada à Comissão Econômica para a América Latina e 
o Caribe (CEPAL), Divisão de Publicações e Serviços Web, publicaciones.cepal@un.org. Os Estados-membros das Nações Unidas 
e suas instituições governamentais podem reproduzir essa obra sem autorização prévia. Solicita-se apenas que mencionem a fonte 
e informem à CEPAL de tal reprodução.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 3
Índice
Prefácio.......
Carlo Pereira
11
Apresentação
Alicia Bárcena
13
Introdução .........................................................................................................................
Carlos Mussi, Camila Gramkow
Companhia Siderúrgica do Pecém: o Big Push industrial do Estado do Ceará........
Alex Maia do Nascimento, Claudio Renato Chaves Bastos, Cristiane Peres, 
Emanuela Sousa de França, Italo Barreira Ribeiro, Leonardo Roger Silva Veloso, 
Livia Bizarria Prata, Marcelo Monteiro Baltazar, Ramyro Batista Araujo,
Ricardo Santana Parente Soares, Rodrigo Santos Almeida, Vanilson da Silva Benica 
Resumo ..................................................................................................................
Introdução......................................................................................................
O projeto sustentável da Companhia Siderúrgica do Pecém..........................
CSP - A sinergia cultural Brasil-Coréia do Sul.................................................
O Big Push industrial CSP - antes da operação..............................................
Conquistas durante a fase de operação da CSP.............................................
Considerações finais sobre o Big Push CSP....................................................
Bibliografia.............................................................................................................
Aumentando a resiliência climática e combate à pobreza rural por meio de ações 
emergenciais de combate à seca: o caso dos sistemas agroflorestais 
no Procase - FIDA..................................................................................................
Leonardo Bichara Rocha, Thiago César Farias da Silva, Donivaldo Martins 
Resumo..................................................................................................................
A. Introdução......................................................................................................
O FIDA e ações de combate aos efeitos da seca na Paraíba............................
Sistemas agroflorestais no contexto dos Planos Emergenciais......................
15
I. 23
II.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
23
24
26
27
28
32
43
45
47
B.
C.
47
48
48
50
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 4
III.
D.
E.
F.
IV.
54
54
55
57
59
A.
B.
C.
D.
E.
F.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
V.
A.
B.
C.
D.
E.
59
59
60
65
68
69
71
73
75
Assessoria técnica contínua e especializada.................................................................
Resultados e ODS.........................................................................................................
Conclusões e relação com o Big Push para a Sustentabilidade......................................
Bibliografia............................................................................................................................
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil: a contribuição dos Tûkûna 
do Médio Rio Juruá (AM).......................................................................................................
Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle, 
Tatiana Ribeiro Souza Brito 
Resumo.................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
Inventário etnográfico...................................................................................................
A construção de casas de farinha..................................................................................
Chamada pública para alimentação escolar..................................................................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade..............................
Conclusão......................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Polímeros Verdes: tecnologia para promoção do desenvolvimento sustentável...................
Adriana Mello, Jorge Soto, José Augusto Viveiro 
Resumo................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
O PE verde da Braskem.................................................................................................
Capacidade de mobilização de investimentos..............................................................
PE verde e o desenvolvimento sustentável...................................................................
PE verde e o Big Push para a Sustentabilidade..............................................................
Conclusões ....................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Assentamentos Sustentáveis na Amazônia: o desafio da produção familiar 
em uma economia de baixo carbono....................................................................................
Erika de Paula P. Pinto, Maria Lucimar de L. Souza, Alcilene M. Cardoso, 
Edivan S. de Carvalho, Denise R. do Nascimento, Paulo R. de Sousa Moutinho, 
Camila B. Marques, Valderli J. Piontekowski
Resumo .................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
As origens do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia................................
Estratégias integradas para a promoção de assentamentos sustentáveis na Amazônia
Incentivos econômicos para conservação e produção rural sustentável........................
Sistemas agroflorestais como estratégia de regularização ambiental 
e segurança alimentar...................................................................................................
Discussão sobre a iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade..........................
Bibliografia............................................................................................................................
Tecnologia de tratamento de esgoto: uma alternativa de saneamento básico 
rural e produção de água para reúso agrícola no Semiárido Brasileiro..................................
Mateus Cunha Mayer, Rodrigo de Andrade Barbosa, George Rodrigues Lambais, 
Salomão de Sousa Medeiros, Adrianus Cornelius Van Haandel, Silvânia Lucas dos Santos 
Resumo .................................................................................................................................
A. Introdução.....................................................................................................................
O desenvolvimento de tecnologias de saneamento básico rural de custo 
acessível no Semiário Brasileiro....................................................................................
VI.
F.
75
76
77
80
81
84
87
88
89
89
90
91
92
95
B.
.. 97
..98
101
103
103
104
105
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 5
VII.
VIII.
IX.
C.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
A cultura da erva-mate no sul do Brasil e os desafios do cultivo em Machadinho ,
Benefícios ambientais...................................
SAF Cambona 4 e a neutralização de carbono
Relação do estudo de caso com o Big Push e a Agenda 2030....................
Conclusão.................................................................................................
Bibliografia........................................................................................................
Sistema Agroflorestal Cambona 4: um exemplo de impulso à sustentabilidade 
na Região Sul do Brasil......................................................................................
Airton José Morganti Júnior, José Lourival Magri, Selia Regina Felizari
Resumo ............................................................................................................
Introdução................................................................................................
1.
Sistema Agroflorestal Cambona 4..............................
SAF Cambona 4 e o desenvolvimento socioambiental
1.
2.
SAF Cambona 4 e o Big Push para a Sustentabilidade....................
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
Unidade de Cogeração Lages: um exemplo do potencial transformador 
da economia circular ..............................................................................
José Lourival Magri, Mario Wilson Cusatis
Resumo ..................................................................................................
Introdução......................................................................................
Descrição do projeto......................................................................
Destinação das cinzas de biomassa...............................................
Projeto comunitário.......................................................................
Tecnologia para melhor aproveitamento........................................
Impactos da iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade....
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
O modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes..........
Rogério Atem de Carvalho
Resumo..................................................................................................
Introdução......................................................................................
O modelo de ação do PICG............................................................
1.
2.
3.
4.
5.
6.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
G.
A.
B.
Linha 1: projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) 
Linha 2: projetos com comunidades e governos...........................
Linha 3: projetos de pesquisa aplicada e extensão tecnológica....
Linha 4: concepção e operação do campus...................................
Ações integrativas........................................................................
O PICG como parte de um ecossistema........................................
O ciclo virtuoso dos investimentos em inovação..................................
Impactos econômicos, sociais e ambientais..........................................
1.
2.
3.
C.
D.
E.
Dimensão econômica ................................................................................
Dimensão ambiental..................................................................................
Dimensão social.........................................................................................
A atuação do PICG à luz do Big Push para a Sustentabilidade e da Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável................................................................
Conclusões .........................................................................................................
Bibliografia.................................................................................................................
F.
.111
112
112
115
115 
116 
116 
.117 
119 
120 
121 
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125
127
127
127
129
.131
132
.133
134
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136
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.137 
138 
140 
141 
141 
143 
144 
146 
147 
148 
149 
149 
150 
151
151
153
153
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 6
X. Tecnologias sociais como impulso para o acesso à água e o desenvolvimento 
sustentável no meio rural brasileiro: a experiência do Programa Cisternas....
Vitor Leal Santana, Lilian dos Santos Rahal 
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Programa Cisternas: contexto, resultados e impactos............................
Relação do caso estudo com o Big Push para a Sustentabilidade...........
Considerações finais...............................................................................
Bibliografia.....................................................................................................
Programa de Restauração Ambiental da Suzano: lições aprendidas para 
investimentos em recuperação de pastagens degradadas no Brasil...............
Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli, Yugo Matsuda
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Estruturação de investimentos no âmbito da estratégia de conservação 
e do Programa de Restauração Ambiental da Suzano............................
1.
2.
3.
4.
155
XI.
XII.
XIII.
A.
B.
C.
D.
155 
156 
.157
165 
166 
167
171
A.
B.
C.
171
172
Métodos customizados......................................................................................
Gestão eficiente e parcerias...............................................................................
Capacidade de replicabilidade ..........................................................................
Processos inovadores em financiamento, gestão e tecnologia.........................
Os impactos do Programa de Restauração Ambiental no contexto do Big Push 
para a Sustentabilidade e da Agenda 2030................................................................
Conclusão..................................................................................................................
Bibliografia.........................................................................................................................
Política de conteúdo local e incentivos financeiros no mercado de energia eólica no Brasil 
Britta Rennkamp, Fernanda Fortes Westin, Carolina Grottera
Resumo .............................................................................................................................
Introdução.................................................................................................................
Fatores, atores e impactos das políticas de incentivo e conteúdo local 
no mercado de energia eólica no Brasil......................................................................
1.
2.
Capacidade tecnológica nacional e criação de emprego nas indústrias 
de energia eólica no Brasil...................................................................
Perspectivas futuras para o setor de energia eólica no Brasil...............
1.
2.
3.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
Requisitos de Conteúdo Local obrigatórios na tarifa feed-in.....
RCLs opcionais ligados ao financiamento de energia renovável
Expansão dos mercados eólicos na América Latina....................................
A energia eólica e a estratégia de desenvolvimento a longo prazo brasileira 
Análise à luz da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade................
Conclusão.............................................................................................................
Bibliografia...................................................................................................................
Anexo XII.1....................................................................................................................
Da subsistência ao desenvolvimento: o processo de construção da Associação 
de Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras - MG.....................................................
Eliane Oliveira Moreira, Jucilaine Neves Sousa Wivaldo 
Resumo.............................................................................................................................
A. Introdução.................................................................................................................
O material reciclável e o contexto brasileiro da década de 1990: breve histórico......
Uma construção social dialogada: o processo histórico inicial da ACAMAR e a FPDA
B.
C.
.173 
174 
. 177 
179 
179
180
183
184
185
185
186
187
187
188
189
194
194
195
196
197
198
200
201
201
202
203
204
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 7
D. Desenvolvimento em perspectiva: desenvolvimento sustentável, a ACAMAR 
e o Big Push para a Sustentabilidade........................................................................
Considerações finais...................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
XIV. Projeto Tipitamba: transformando paisagens e compartilhando conhecimento 
na Amazônia ............................................................................................................
Osvaldo Ryohei Kato, Anna Christina M. Roffé Borges, Célia Maria B. Calandrini de Azevedo, 
Debora Veiga Aragão, Grimoaldo Bandeira de Matos, Lucilda Maria Sousa de Matos, 
Maurício Kadooka Shimizu, Steel Silva Vasconcelos, Tatiana Deane de Abreu Sá 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
O Projeto Tipitamba...................................................................................................
O potencial transformador dos investimentos no Sistema Tipitamba...................
Os impactos econômicos, sociais e ambientais do Projeto Tipitamba...................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade.......................
Conclusão ...................................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
Desenvolvimento sustentável e geração de impacto positivo: caso Natura e Amazônia 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
Modelo de negócio sustentável.................................................................................
1.
Estruturação de investimentos no âmbito do Programa Natura Amazônia
1.
2.
3.
E.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
XV.
A.
B.
Estudo de caso Ucuuba
C.
D.
E.
Ciência, tecnologia e inovação.....................................................
Fortalecimento institucional........................................................
Cadeias produtivas.......................................................................
Relação entre o estudo de caso e o Big Push para a Sustentabilidade
Conclusão .............................................................................................
Bibliografia ....................................................................................................
Anexo XV.1....................................................................................................
Tabelas
Tabela I.1
Tabela II.1
Tabela II.2
Tabela IV.1
Tabela VI.1
Tabela VIII.1
Tabela X.1
Tabela X.2
Tabela X.3
Tabela XII.1
Tabela XII.2
Tabela XV.1
Compromissos Ambientais CSP.............................................................................
Grupos de famílias atendidos pelo Plano Emergencial e assessoria
técnica do Procase...................................................................................................
Procase e ODS nos Planos Emergenciais..............................................................
Indicadores de Desenvolvimento Sustentável elencados pela CEPAL
e a aderência do PE Verde da Braskem..................................................................
Funções das unidades de tratamento e resultados esperados..............................
Histórico das emissões de RCE relativas ao Projeto MDL 0268 ...........................
Linhas de ação do Programa Cisternas..................................................................
Comparativo entre médias de indicadores populacionais e socioeconômicos....
Impactos do Programa Cisternas nas dimensões econômica, social e ambiental 
Projeção de geração de energia eólica em 2025....................................................
Lista de entrevistados/representantes das empresas do setor
de energia eólica .....................................................................................................
Principais diretrizes e compromissos do PAM.......................................................
207
210
211
213
213
214
214
218
219
223
225
226
227
227
227
228
229
231
232
233
234
235
237
238
239
30
54
55
..85 
106
131 
158 
162 
164 
195
200
232
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 8
Gráficos
Gráfico I.1
Gráfico I.2
Gráfico I.3
Gráfico I.4
Gráfico I.5
Gráfico I.6
Gráfico I.7
Gráfico I.8
Gráfico I.9
Gráfico III.1
Gráfico III.2
Gráfico IV.1
Gráfico V.1
Gráfico V.2
Gráfico VI.1
Gráfico VI.2
Gráfico VI.3
Gráfico VI.4
Gráfico XII.1
Gráfico XII.2
Gráfico XII.3
Produção de placas da CSP...............................................................................
Geração de empregos diretos e indiretos.........................................................
Participação em aços de alto valor agregado no portfólio da CSP..................
Empresas em SGA e Caucaia de 2010 a 2017....................................................
Exportações de produtos metalúrgicos em SGA.............................................
Exportação do Ceará .........................................................................................
Número de microempreendores individuais (MEI) instalados em SGA 
e Caucaia em 2010 e 2018.................................................................................
Salário médio mensal em SGA e Fortaleza......................................................
Empregos em SGA por gênero de 2010 a 2017.................................................
Impacto no orçamento anual com a compra de sacas de farinha nos 
grupos familiares das aldeias Beija-flor, Flecheira e Morada Nova.................
Impacto no orçamento mensal com a venda de uma saca de farinha 
nos grupos familiares das aldeias Beija-Flor, Flecheira e Morada Nova.........
Evolução da porcentagem de Fornecedores de Etanol da Braskem que 
se adequaram aos requisitos de Conformidade (obrigatórios) e
Excelência (pontos de melhoria contínua).......................................................
Representatividade do valor comercializado em relação à renda bruta 
antes (safra 2013-2014) e no final (safra 2015-2016) do período 
de vigência do projeto.......................................................................................
Renda Bruta no Período de Execução do PAS (2012 a 2017)...........................
Concentrações afluente e efluente de DBO5...................................................
Concentrações afluente e efluente de nitrogênio amoniacal..........................
Concentrações afluente e efluente de fósforo total........................................
Concentrações afluente e efluente de E. coli....................................................
Capacidade instalada, financiamento do BNDES e investimento total 
setor de energia eólica no Brasil, 2005-2014....................................................
Patentes registradas relacionadas à energia eólica no Brasil de acordo 
com o conteúdo tecnológico, 1991-2016.........................................................
Evolução dos preços dos leilões de energia eólica no Brasil (Proinfa), 2009-2018
33
34
35
38
39
39
40
41
43
66
67
82
.. 93 
.. 97 
109 
109 
110
110
191
193
193
Quadros
Quadro IX.i
Quadro XI.1
Breve histórico do PICG..............
Técnicas aplicadas à restauração
139
173
Mapas
Mapa V.1
Mapa X.1
Mapa XII.1
Mapa XV.1
Área de implementação da iniciativa Assentamentos Sustentáveis na Amazônia
Distribuição territorial das tecnologias apoiadas no âmbito do
Programa Cisternas ............................................................................................
Distribuição regional das principais montadoras de turbinas eólicas 
e principais fabricantes de turbinas eólicas no Brasil........................................
Famílias fornecedoras da sociobiodiversidade..................................................
93
160
190
239
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 9
Figuras
Figura I.1
Figura I.2
Figura I.3
Figura I.4
Figura I.5
Figura I.6
Figura I.7
Figura I.8
Figura I.9
Figura I.10
Figura I.11
Figura I.12
Figura II.1
Figura II.2
Figura II.3
Figura II.4
Figura III.1
Figura III.2
Figura III.3
Figura III.4
Figura III.5
Figura III.6
Figura III.7
Figura IV.1
Figura IV.2
Figura IV.3
Figura V.1
Figura V.2
Figura VI.1
Figura VI.2
Figura VI.3
Posição geográfica estratégica do CIPP em relação a Europa, Estados Unidos 
e África................................................................................................................
Correia transportadora enclausurada responsável pelo transporte das principais 
matérias-primas do Porto para CSP e placas da CSP no Porto do Pecém...........
ZPE Ceará...........................................................................................................
Vista superior CSP.............................................................................................
A CSP encontra-se entre os projetos com melhores indicadores 
de implantação do mundo................................................................................
Sementes coletadas e mudas de plantas nativas.............................................
Plantio de mudas e livro publicado pela CSP....................................................
Impermeabilização e aspersão de água do pátio de matérias primas.............
Cronologia da primeira estaca à primeira placa ...............................................
Do Ceará para o mundo.....................................................................................
Laboratórios CSP...............................................................................................
Termoeléctrica CSP...........................................................................................
Campo de palma irrigada em sistema emergencial/SAF recém 
implantado na Vila Lafayete, município de Monteiro......................................
Vista parcial do SAF do Assentamento Beira Rio, no município de Camalaú .. 
Implantação do SAF na comunidade do Riacho de Sangue, município 
de Barra de Santa Rosa......................................................................................
Sistema Agroflorestal na Comunidade Bom Sucesso, município de Sossego . 
Mandioca da variedade denominada pelos Tûkûna como Samaúma, 
aldeia Morada Nova...........................................................................................
Mandioca da variedade identificada como Cruvilha pelos Tûkûna, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Mandioca roxa doada por indígenas da aldeia Jarinal e colhida da roça 
de isolados da TI Vale do Javari, aldeia Beija-Flor.............................................
Roçado com algumas variedades da mandioca em consórcio com outras 
espécies e floresta, aldeia Beija-Flor.................................................................
Wadawi Gracinha Kanamari, durante a preparação do cipó Timbó para 
a fabricação de teçumes, aldeia Beija-Flor.......................................................
Djana Eraci Kanamari, durante a confecção de teçume feito de cipó timbó, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Novelo de fio de tucum produzido por Tsawi Dilce Kanamari........................
Esquema ilustrativo da análise de ciclo de vida do PE Verde da Braskem......
Estimativa do uso de terra agricultável para produção de matérias-primas 
renováveis para produção de produtos não energéticos e bioplásticos 
2018 e 2023 ........................................................................................................
Itens avaliados nos requisitos de Meio Ambiente e de Trabalhadores 
e Comunidade do pilar de Conformidade dentro do programa de
Compra Responsável de Etanol da Braskem ....................................................
Dimensões consideradas na definição dos 20 indicadores de sustentabilidade 
da iniciativa........................................................................................................
Critérios para repasse de PSA...........................................................................
Layout do sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar.................
Reator UASB projetado para o estudo.............................................................
Lagoas de polimento projetadas para o estudo...............................................
24
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29
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84
..94 
. 96 
106
107 
107
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 10
Figura IX.1
Figura IX.2
Figura IX.3
Figura IX.4
Figura X.1
Figura XII.1
Figura XIV.1
Figura XIV.2
Figura XIV.3
Figura XIV.4
Figura XIV.5
Vista aérea do PICG ...............................................................................................
Alunos em atividade sobre mudas de árvores nativas.........................................
Módulo de controle de geração e consumo de energia fotovoltaica do I2S.......
Ciclo de investimentos...........................................................................................
Principais tipos de tecnologias implantadas........................................................
Produtos da cadeia de suprimento de acordo com o grau de conteúdo tecnológico 
Trituração da biomassa, cobertura morta, plantio direto e sistema de 
produção sem uso do fogo e opções de continuidade (sentido horário)............
Ações de capacitação e intercâmbio de agricultores...........................................
Minibibliotecas da Embrapa ..................................................................................
Sistema tradicional de derruba-e-queima e preparo de área sem queima 
do Sistema Tipitamba............................................................................................
Implantação de sistemas agroflorestais multiestratos em áreas preparadas 
e cultivo de plantas perenes em áreas preparadas com corte-e-trituração........
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CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 11
Prefácio
Grande impulso para 2030
Carlo Pereira.*
Diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.
Em 2015, a ONU propôs aos seus países membros uma nova agenda pelo desenvolvimento sustentável. 
Composta por 17 Objetivos Globais, a Agenda 2030 representa mais do que os desafios do presente, ela 
prevê oportunidades para o futuro. Só podemos atingir a prosperidade econômica se não deixarmos 
ninguém para trás, como pregam os ODS. E quando falamos em avançar sem aceitar retrocessos, 
fazemos referência às dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento, também 
abordadas pela ideia de Big Push para a Sustentabilidade, à qual esta publicação se refere.
Começando pela dimensão social, entendemos que erradicar a pobreza (ODS 1) e reduzir as 
desigualdades (ODS 10) são objetivos capazes de trazer ganhos econômicos para as empresas através 
da inclusão de quem atualmente se encontra à margem. Como exemplo, a igualdade de gênero (ODS 5) 
tem potencial de injetar US$ 5,8 trilhões na economia global, mas demoraria 257 anos para ser 
efetivada, se continuarmos no ritmo em que estamos. Quem agir primeiro, aproveitará da melhor forma 
as oportunidades da inclusão.
A dimensão econômica atravessa todos os ODS, mas é tema central de alguns, como o ODS 8 
—Trabalho decente e crescimento econômico (uma declaração de que um não existe sem o outro) e o 
ODS 9, que visa a promoção de uma industrialização inclusiva e sustentável, além do fomento à 
inovação. Já o ODS 12— Consumo e produção responsáveis, abre caminho para a integração sustentável 
entre economia e meio ambiente, de onde tiramos os recursos para a nossa sobrevivência no planeta.
Alguns pontos de vista ainda defendem ser necessário desconsiderar a dimensão ambiental do 
desenvolvimento, ignorando as oportunidades dela decorrentes. O ODS 15, por exemplo, visa a 
*
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 12
preservação da vida na terra, com o combate à desertificação e degradação do solo como metas. 
A preservação da terra permite a viabilidade econômica de empresas produtoras de alimento, que serão 
responsáveis pela subsistência de uma população mundial que chegará a 9.7 bilhões de pessoas em 2050 
(ODS 2 - Fome zero e agricultura sustentável). A sustentabilidade fornece terreno fértil para o 
crescimento econômico.
próximos 10 anos. No processo de pesquisa para construir nossas
atingido até 2030. Precisamos fazer mais, e não
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam questões atuais com impactos que 
podem ser positivos ou negativos nos próximos anos, a depender da forma como gerimos as soluções. 
A crise climática, por exemplo, não permite hesitações, requer ações ágeis pela prosperidade dos 
negócios, ecossistemas e pela humanidade (ODS 13). Por isso que, em 2020, a reunião do Fórum 
Econômico Mundial colocou as mudanças climáticas como o maior risco da década, à frente de crises 
financeiras. De acordo com o relatório Riscos Globais 2020, lançado pela instituição, o custo da inércia 
será de US$ 1 trilhão para as 200 maiores empresas do mundo.
A Rede Brasil do Pacto Global é a maior plataforma de promoção dos ODS junto ao setor 
empresarial no país. Em 2019, contamos com o apoio da consultoria Falconi para traçar nosso 
planejamento estratégico para os
metas, descobrimos que, no ritmo em que o Brasil se encontra, apenas o ODS 7 —Energia limpa e 
acessível, tem indicadores suficientes para ser 
conseguimos evoluir sozinhos.
Por isso, aplaudimos e apoiamos a iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o 
Caribe (CEPAL), de reconhecer as iniciativas que estão agindo por um Big Push de Sustentabilidade, que 
corresponde ao tipo de desenvolvimento econômico e socioambiental do qual somos porta-vozes. 
A CEPAL compreende a necessidade de alavancar investimentos nacionais e estrangeiros através da 
coordenação de políticas públicas e privadas para gerar um ciclo de crescimento econômico virtuoso, 
capaz de gerar emprego e renda, reduzir desigualdades e promover a sustentabilidade. Em suma, 
articular diversos atores (ODS 17) em prol do cumprimento da Agenda 2030.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a nossa década de “A Década da Ação. 
Muitos avanços já foram feitos, mas 
sustentável. No entanto, para chegarmos em 2030 com o cumprimento das metas dos ODS, precisamos 
fazer mais, precisamos de um big push. As soluções que necessitamos podem vir do exemplo. Aproveite 
a leitura para inspirar-se na experiência de iniciativas que já estão vivendo o hoje como se fosse 2030.
também alguns retrocessos, em busca de um futuro mais
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 13
Apresentação
Alicia Bárcena.*
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas recentemente 
completou 70 anos de existência, marcada por trabalhos seminais, abordagens inovadoras e 
direcionamentos de políticas orientados para o desenvolvimento com sustentabilidade e igualdade. 
Ao longo desse período, o pensamento cepalino renovou-se e atualizou-se à medida que as economias 
da região se transformaram. Ao mesmo tempo, a CEPAL reafirmou a sua abordagem teórica conforme 
as características estruturais do desenvolvimento da região, que foram reproduzidas nessas últimas 
décadas e em muitos casos aprofundadas.
A CEPAL identifica e analisa, desde o seu nascimento, as profundas brechas estruturais que 
persistem nas economias latino-americanas, tais como assimetrias competitivas e tecnológicas, os 
desafios para convergência com níveis de renda superiores, as ineficiências da desigualdade e as 
implicações da sobre-exploração dos recursos naturais. No campo propositivo, a CEPAL tem apontado 
direções para uma mudança estrutural progressiva, orientada pela visão de que um desenvolvimento 
econômico sustentável depende criticamente de um meio ambiente saudável e de uma sociedade 
construída sobre a base da igualdade. Nos últimos anos, temos nos empenhado para articular uma 
proposta renovada que reflita essa visão, articulada em torno de um grande impulso (big push) para a 
sustentabilidade, para promover a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável.
O Big Push para a Sustentabilidade é uma abordagem que a CEPAL vem desenvolvendo para 
apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais sustentáveis, baseada na 
coordenação de políticas para promover investimentos sustentáveis, que produzam um ciclo virtuoso 
de crescimento econômico, geração de emprego e renda e redução de desigualdades e lacunas 
estruturais, ao mesmo tempo que mantêm e regeneram a base de recursos naturais da qual o 
desenvolvimento depende. Viemos trabalhando nessa abordagem em um momento oportuno, no qual 
* Secretária-Executiva da CEPAL.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 14
a preocupação com a sustentabilidade ambiental, a igualdade e a retomada da atividade econômica se 
instalou na agenda internacional. Assim, em 2015, 193 países aprovaram a Agenda 2030 e seus 
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que norteiam uma transformação estrutural dos estilos 
de desenvolvimento em suas dimensões social, econômica e ambiental. Em conformidade com a 
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o Big Push para a Sustentabilidade não deixará 
ninguém para trás e deve servir para a erradicação da fome e da pobreza em todas as suas formas.
Nesse contexto, tenho o prazer de apresentar esta publicação, intitulada Investimentos 
transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável: Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push)para a sustentabilidade no Brasil, que traz estudos de casos concretos que não apenas ilustram 
a viabilidade, mas também nos apresentam as lições aprendidas, as oportunidades e os desafios para 
um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil. A publicação é fruto do esforço voluntário dos autores 
dos capítulos, de divers0s setores e áreas de formação, em registrar e dar visibilidade a experiências que 
podem se tornar exemplos a serem replicados, unindo teoria e prática.
O leitor interessado em exemplos de ações reais que têm sido bem-sucedidas em promover 
investimentos com impactos positivos nas três dimensões do desenvolvimento sustentável (social, 
econômica e ambiental) encontrará na seleção de capítulos reunidos na presente publicação um 
material de grande utilidade. Esta publicação apresenta um panorama das amplas possibilidades para 
a realização de investimentos sustentáveis em diversas escalas (em nível de empresas, de comunidades, 
de municípios, de regiões e nacional), em várias práticas e tecnologias sustentáveis (desde sistemas 
agroflorestais e de produtos da química verde até sistemas de saneamento básico rural e 
desenvolvimento da indústria eólica) e por meio de uma rica pluralidade de medidas, políticas, arranjos 
de governança e fontes de financiamento. Os estudos de casos retratados nesta publicação são luzes 
que podem nos orientar rumo a um futuro sustentável e igualitário.
O Brasil é o maior país e economia da América do Sul e tem sido objeto de análise da CEPAL 
quanto a suas experiências e políticas sustentáveis que possam contribuir para o desenvolvimento 
regional. Esta publicação vem demonstrar essa atenção da CEPAL para o Brasil, consolidando uma 
relação de cooperação e de estudos conjuntos de várias décadas.
Sem mais preâmbulos, convido cordialmente o leitor a mergulhar nestas páginas com o fim de 
ampliar sua compreensão sobre as complexidades, os desafios e, fundamentalmente, as possibilidades 
para um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil nos contextos atuais da sociedade, da economia e 
do meio ambiente, que claramente exigem um novo estilo de desenvolvimento com igualdade e 
sustentabilidade ambiental.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 15
Introdução
.*Carlos Mussi 
Camila Gramkow.* *
Diretor do Escritório da CEPAL no Brasil.
Oficial de Assuntos Econômicos, Escritório da CEPAL no Brasil.
limites planetários, a emergência climática
Os dias atuais são marcados por uma conjuntura de busca pela recuperação do vigor econômico no 
Brasil e no mundo. Essa recuperação toma contornos complexos, uma vez que, aos aspectos 
conjunturais, se somam os desafios estruturais dos quais depende a própria sustentabilidade da 
atividade econômica no longo prazo, incluindo os  e a 
ineficiência da desigualdade. O mundo no qual nos encontramos requer um novo estilo de 
desenvolvimento, em cujo centro estejam a igualdade e a sustentabilidade. É essa a visão desenvolvida 
pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas que define a 
abordagem para apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais 
sustentáveis, chamada Big Push para a Sustentabilidade. A Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) orienta e promove essa visão da CEPAL. Essa abordagem 
representa uma coordenação de políticas (públicas e privadas, nacionais e subnacionais, setoriais, 
fiscais, regulatórias, financeiras, de planejamento, etc.) que alavanquem investimentos nacionais e 
estrangeiros para produzir um ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de emprego e renda, 
redução de desigualdades e brechas estruturais e promoção da sustentabilidade ambiental. Assim, os 
volumosos investimentos necessários para a transição para um modelo econômico resiliente, de baixo 
carbono e sustentável são colocados como uma oportunidade de gerar um grande impulso (big push) 
para um novo ciclo de crescimento econômico e de promoção da igualdade, contribuindo para a 
construção de um desenvolvimento mais sustentável, no seu tripé econômico, social e ambiental.
Os delineamentos conceituais básicos do Big Push para a Sustentabilidade foram desenvolvidos 
pela CEPAL (CEPAL, 2016 e 2018). O elemento chave dessa abordagem são os investimentos, que são 
*
**
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 16
o principal elo entre o curto e o longo prazo. Os investimentos de hoje explicam a estrutura produtiva 
de amanhã, que por sua vez determina a competitividade, a produtividade e o tipo de inserção no 
comércio internacional. Além disso, ela também determina a capacidade de geração de empregos de 
qualidade com inclusão produtiva e se a atividade econômica será contaminante ou ecológica. 
Atualmente, é mais verdadeiro do que nunca afirmar que as economias que investem pouco tendem a 
se posicionar na periferia do sistema econômico global. Os investimentos são fundamentais para que 
as mudanças profundas e estruturais que já estão em curso, desde a revolução tecnológica 
(transformação digital da economia, bioeconomia, nanotecnologia, etc.) até a transição demográfica, 
tornem-se oportunidade para o desenvolvimento sustentável —e não novos desafios para a 
sobrevivência de nossas economias e sistemas sociopolíticos. Em suma, a qualidade de nosso futuro 
depende crucialmente do tipo de investimento que é realizado hoje.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, os investimentos devem ser orientados por 
uma tripla eficiência, para que sejam compatíveis com a construção de estilos de desenvolvimento 
sustentáveis. A primeira, é a eficiência schumpeteriana, segundo a qual uma matriz produtiva mais 
integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera externalidades positivas de aprendizagem e 
inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Estruturas produtivas que permitem acelerar o 
fluxo de informações e de conhecimentos tendem a ser economias mais eficientes, mais inovadoras e 
mais preparadas para se inserir competitivamente em mercados que remuneram melhor os bens e 
serviços produzidos. Essa é uma eficiência muito associada ao lado da oferta, ou seja, das capacidades 
produtivas e tecnológicas instaladas. A segunda eficiência é a keynesiana, que destaca que há ganhos 
de eficiência da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando 
efeitos multiplicadores e impactos positivos na economia e nos empregos. Economias que conseguem 
acessar mercados em expansão podem aumentar sua produção em uma velocidade maior do que 
aumentam seus custos (economias de escala) e, quando opera negócios diversos simultaneamente, 
pode aumentar a eficiência conjunta da produção, com consequente redução de custos e aumento da 
qualidade (economia de escopo). Essa segunda eficiência destaca elementos do lado da demanda que 
se reforçam, criando um círculo virtuoso de competitividade, inovação e produtividade. A eficiência 
keynesiana está muito relacionada com a eficiência schumpeteriana, uma vez que os mercados que 
mais crescem tendem a ser aqueles com maior dinamismo tecnológico e de inovação. Somadas, as 
eficiências schumpeteriana e keynesiana criam as condições para uma inserção competitiva favorável. 
Contudo, é necessária a terceira eficiência para garantir a sustentabilidade de longo prazo, que é a 
eficiência da sustentabilidade, a qual se relaciona com a clássica eficiência no tripé econômico, social e 
ambiental. Essa eficiência destaca que os investimentos devem ser economicamente viáveis, o que 
requer pensar sobre fontes de financiamento e origem dos recursos. No âmbito social, além de justiça 
social e promoção da igualdade, na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, também é 
necessário um sistema seguro e justo de arbitragem de conflitos, que não deixe ninguém para trás. O 
eixo ambiental da eficiência da sustentabilidade reforça que os investimentos sustentáveis devem 
diminuir a pegada ambiental e os impactos ambientais, ao mesmo tempo em que recupera a capacidade 
produtiva do capital natural. Juntas, as eficiência schumpeteriana, keynesiana e da sustentabilidade 
tornam-se pilares para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, a coordenação de políticas em torno da tripla 
eficiência é chave para destravar investimentos nacionais e estrangeiros, não apenas em práticas, 
tecnologias, cadeias de valor e infraestrutura sustentáveis, mas também em capacidades tecnológicas 
e educação para equipar a força de trabalho com as habilidades necessárias para o futuro. 
A coordenação é simultaneamente o desafio crítico e a principal oportunidade do Big Push para a 
Sustentabilidade. Se uma ampla gama de políticas (públicas e corporativas, nacionais e subnacionais, 
setoriais, tributárias, regulatórias, fiscais, financeiras, de planejamento, etc.) estiver alinhada e coesa 
com os pilares de um novo estilo de desenvolvimento, um ambiente favorável para mobilizar os 
investimentos necessários será estabelecido, ancorado em incertezas reduzidas, sinais de preços 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 17
corrigidos e um mix de políticas adequado. O consequente aumento dos investimentos sustentáveis 
leva, então, a um ciclo virtuoso de crescimento econômico, criação de empregos, desenvolvimento de 
cadeias produtivas, redução da pegada ambiental e impactos ambientais, ao mesmo tempo em que 
recupera a capacidade produtiva do capital natural.
A CEPAL iniciou uma discussão sobre as oportunidades e os desafios para um Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019). Dentre as oportunidades, destaca-se o grande potencial 
para os investimentos de baixo carbono no país, na ordem de US$ 1,3 trilhões até 2030 em setores tais 
como infraestrutura urbana (mobilidade, edificações, resíduos etc.), energias renováveis e indústria 
(IFC, 2016). Foram ressaltados também, os ganhos competitivos das firmas no Brasil que já investem 
em tecnologias sustentáveis (em termos de redução de custos, aumento de qualidade, aumento de 
market share, acesso a novos mercados etc.), a maior facilidade de acesso a financiamento para 
empresas que possuem uma governança ambiental e social e a existência de uma ampla base de 
capacidades produtivas e tecnológicas voltadas à sustentabilidade. Outro ponto identificado foi o 
oportuno momento atual, no qual se está discutindo caminhos para a recuperação da economia 
brasileira. Esse contexto pode ser uma oportunidade para o país direcionar esforços para acelerar os 
investimentos sustentáveis. A questão da coordenação é fundamental nessa discussão, já que foi 
identificado um potencial muito grande de destravar investimentos sustentáveis no país por meio de 
um esforço robusto e detalhado de coordenação de políticas, que remova sinais contraditórios e 
barreiras. Contudo, há também desafios para o Brasil, que incluem custos relativos ao carbon lock-in 
(relacionados à transição de paradigma tecnológico, especialmente nos setores mais poluentes), 
reduzido espaço fiscal para formulação de novas políticas —particularmente no contexto da Emenda 
Constitucional 95/2016— e o contexto federativo do país, que impõe necessidade de ampla 
coordenação entre os entes federativos.
Buscando aterrissar os delineamentos conceituais da abordagem do Big Push para a 
Sustentabilidade no mundo real, a CEPAL realizou uma Chamada Aberta de Estudos de Casos de 
Investimentos para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil, que contou com a parceria institucional 
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, 
bem como com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (Gesellschaft für Internationale 
Zusammenarbeit - GIZ) e da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES). A chamada, lançada em 8 de abril 
de 2019 na ocasião do lançamento do Relatório sobre Oportunidades e Desafios para o Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019) no Insper em São Paulo, convidou pesquisadores, 
profissionais do setor privado, empresários, representantes da sociedade civil, formuladores de políticas 
públicas e servidores públicos a enviar estudos de casos sobre investimentos com impacto para o 
desenvolvimento sustentável no Brasil, em linha com o Big Push para a Sustentabilidade. Encerrada em 
16 de agosto de 2019, foram recebidos um total de 131 estudos de casos. Houve uma grande diversidade 
de setores, pluralidade de atores, heterogeneidade de regiões e variedade de iniciativas entre os 
estudos enviados. Quanto aos setores, a maior parte dos casos é relacionada à Infraestrutura (30% do 
total de estudos), seguida por Agropecuária e Uso do Solo (28%), Indústria (13%), Reciclagem e 
Resíduos (11%) e outros. Sobre os tipos de iniciativas analisadas nos casos, nota-se que as principais 
foram relacionadas a políticas públicas (26% do total de estudos) e políticas corporativas (19%), 
seguidas por políticas de cooperação internacional (5%), medidas implementadas pelo Sistema S (2%) 
e combinações. Em termos de cobertura geográfica, a maior parte dos casos concentrou-se no nível 
nacional (28%), sendo que também houve estudos focados em áreas das regiões Sudeste (20%), 
Nordeste (17%), Sul (13%), Norte (12%), Centro-Oeste (8%) e combinações dessas.
A partir dos 131 estudos de casos recebidos, um Comitê de Avaliação, formado por especialistas 
em desenvolvimento sustentável do IPEA, do Governo Federal Brasileiro e da CEPAL, analisou os casos 
enviados. Desses, 66 estudos foram considerados elegíveis como casos de Big Push para a 
Sustentabilidade, sendo que o principal critério de elegibilidade foi que os estudos de caso 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 18
conseguissem reportar pelo menos um indicador de cada dimensão do desenvolvimento sustentável 
(econômico, social e ambiental), conforme estabelecido nas Regras da Chamada (CEPAL, 2019). Todos 
os 66 casos elegíveis estão disponíveis no “Repositório de casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade 
no Brasil, hospedado pela CEPAL (CEPAL, 2020). O repositório tem como objetivo dar visibilidade e 
oportunidade de showcase às experiências e iniciativas que geraram resultados concretos em direção à 
sustentabilidade do desenvolvimento. A partir delas, ficarão mais claros as oportunidades e os desafios 
para um Big Push para a Sustentabilidade no país.
O Comitê de Avaliação também selecionou os estudos de casos mais transformadores rumo ao 
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil e são esses estudos selecionados que compõem os 
15 capítulos da presente publicação. Os critérios para a seleção dos casos mais transformadores foram 
a quantidade dos indicadores reportados nas três dimensões (social, econômica e ambiental) e a análise 
dos vínculos do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade e a Agenda 2030 para o 
Desenvolvimento Sustentável, além de buscar representar a heterogeneidade e pluralidade de desafios 
e soluções para o Big Push para a Sustentabilidade no Brasil.
No primeiro capítulo, Alex Maia do Nascimento e coautores, todos funcionários da Companhia 
Siderúrgica do Pecém (CSP) relatam o caso do maior projeto de investimento privado realizado na 
história do Estado do Ceará, com valor superior a US$ 5 bilhões, que foi o estabelecimento da CSP. 
O caso da CSP ilustra como investimentos em uma siderúrgica moderna e integrada vem contribuindo 
para a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável localmente, por meio de adoção de 
tecnologias sustentáveis de ponta, recuperação florestal, capacitação de pessoas, geração de 
empregos, agregação de valor às exportações do país, etc. O segundo capítulo, de autoria de Leonardo 
Bichara Rocha (Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura - FIDA), Thiago César Farias 
da Silva (Procase, Paraíba) e Donivaldo Martins (FIDA), apresenta o caso do Projeto de Desenvolvimento 
Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú (Procase), apoiado pelo FIDA e pelo Estado da Paraíba. 
O estudo do Procase evidencia como investimentos no combate à desertificação do sistema Caatinga, 
por exemplo, em poços, barragens, dessalinizadores e sistemas agroflorestais (SAFs), podem contribuir 
para redução da pobreza, segurança hídrica e alimentar, redução de custos, geração de renda, 
diversificação produtiva etc.
No Capítulo III, assinado por Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle e 
Tatiana Ribeiro Souza Brito, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), relatam o caso de iniciativas 
realizadas na Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá, Sudoeste Amazônico. O estudo exemplifica que 
investimentos de baixo montante, por exemplo, da ordem de R$ 9 mil para construção de casas de 
farinha, podem estimular a reprodução do sistema agrícola indígena e reafirmar os saberes desses 
povos como uma capacidade tecnológica que agrega valor à farinha produzida nas aldeias e a diferencia 
das demais. O caso ressalta a importância dos saberes e tradições indígenas, da valorização do papel da 
mulher e da atuação de forma colaborativa para se pensar em soluções de desenvolvimento sustentável 
adaptadas ao contexto amazônico. O Capítulo IV, de autoria de Adriana Mello, Jorge Soto e José 
Augusto Viveiro, todos da Braskem, ilustra o potencial da química verde do futuro, a partir do estudo de 
caso do desenvolvimento do Polietileno Verde (PE Verde) pela Braskem. Esse caso exemplifica como a 
indústria química pode se tornar uma indústria sustentável, inclusiva e competitiva a partir do potencial 
transformativo da produção de polímeros de fontes renováveis, que são abundantes no país. O estudo 
evidencia a importância de uma trajetória consistente de investimentos em tecnologia e inovação, do 
processo de aprendizado e do compromisso de longo prazo da empresa com a sustentabilidade.
No Capítulo V, Erika de Paula P. Pinto e coautores, todos do Instituto de Pesquisa Ambiental da 
Amazônia (IPAM), apresentam o estudo de caso do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia, 
apoiado pelo Fundo Amazônia, que traz um exemplo de como podem ser realizados investimentos para 
a promoção de territórios rurais sustentáveis na região. O caso ilustra a importância de uma estratégia 
coordenada de ações (de assistência técnica e extensão rural a incentivos econômicos) a partir de uma 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 19
abordagem integrada de conservação e produção em territórios rurais ocupados pela agricultura 
familiar para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis, sem promover a derrubada de 
novas áreas de floresta. O Capítulo VI, assinado por Mateus Cunha Mayer (Instituto Nacional do 
Semiárido - INSA), Rodrigo de Andrade Barbosa (INSA), George Rodrigues Lambais (INSA), Salomão 
de Sousa Medeiros (INSA), Adrianus Cornelius Van Haandel (Universidade Federal de Campina Grande) 
e Silvânia Lucas dos Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), traz o estudo de caso do 
desenvolvimento de uma tecnologia de saneamento básico rural familiar, originalmente desenhada 
para o Seminário brasileiro. O caso trata de um sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar 
de fácil instalação e custo acessível que poderia alavancar a universalização do saneamento rural no 
Brasil, com benefícios diretos sobre a produção agrícola e indiretos sobre geração de renda, redução de 
pobreza e segurança alimentar.
O Capítulo VII, de autoria de Airton José Morganti Júnior (Consórcio Machadinho), José Lourival 
Magri (ENGIE Brasil Energia) e Selia Regina Felizari (Associação de Produtores de Erva-Mate de 
Machadinho - Apromate), apresenta o desenvolvimento e os resultados de um novo sistema produtivo 
da erva-mate no Estado do Rio Grande do Sul, que culminou na Cambona 4, uma variedade obtida a 
partir de melhoramento genético. Combinado com sistemas agroflorestais (SAFs), esse novo sistema 
produtivo restaurou e protegeu dezenas de nascentes, implantou sumidouros de carbono com 
reflorestamento e gerou aumento de renda para as famílias envolvidas no SAF, enquanto promoveu a 
industrialização na cadeia de valor e a maior rentabilidade da erva-mate. No Capítulo VIII, José Lourival 
Magri e Mario Wilson Cusatis, ambos da ENGIE Brasil Energia, estudam o caso da Unidade de Cogeração 
Lages (UCLA) em Santa Catarina a partir da ótica da economia circular. Esse caso ilustra como resíduos 
do setor madeireiro podem ser aproveitados para fins energéticos na UCLA e como as cinzas da 
biomassa da madeira geradas na UCLA podem ser aproveitadas para aumentar a produtividade e 
reduzir custos na agricultura, gerando redução de emissões de gases do efeito estufa que podem ser 
compensadas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Trata-se de um exemplo de como a 
economia circular pode gerar oportunidades para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.
No Capítulo IX, Rogério Atem de Carvalho (Polo de Inovação Campos dos Goytacazes) estuda o 
caso do modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes (PICG), do Instituto Federal 
Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. O caso ilustra um modelo capaz de coordenar e articular 
diversos atores (comunidade, pesquisadores de diferentes áreas de especialidade, setor produtivo, 
governos em vários níveis etc.) e tipos de financiamento (público e privado) para realização de 
investimentos em uma variedade de ações (projetos de PDI, parcerias, educação e capacitação, ações 
para gestão e operação do campus, dentre outras), que têm contribuído para um estilo de 
desenvolvimento sustentável. O Capítulo X, assinado por Vitor Leal Santana e Lilian dos Santos Rahal, 
ambos do Ministério da Cidadania, apresenta o caso do Programa Cisternas, que foca na construção de 
cisternas para captação e abastecimento de água para consumo humano e animal sob uma ótica de 
convivência com o Semiárido e respeito aos saberes e à cultura locais. O estudo exemplifica como 
investimentos, que somam mais de R$ 3,6 bilhões e beneficiaram mais de um milhão de famílias, em 
tecnologias sociais podem garantir o acesso à água no meio rural em regiões sujeitas à escassez hídrica, 
contribuindo para o enfrentamento da pobreza, a melhoria da saúde e da segurança alimentar e a 
estruturação de cadeias produtivas ambiental e socioeconomicamente sustentáveis.
O Capítulo XI, assinado por Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli e Yugo Matsuda, todos da 
Suzano, descreve como uma empresa que é líder mundial na produção de celulose de eucalipto vem 
estruturando uma estratégia de conservação da biodiversidade e de restauração ambiental, com foco 
em seu Programa de Restauração Ambiental. O estudo discorre sobre o desenvolvimento e o 
aprimoramento das ações da empresa em restauração ambiental e sobre como investir nessas ações 
faz sentido economicamente, já que seu core business depende criticamente de um capital natural 
saudável para alcançar seus altos índices de produtividade e mantê-los no longo prazo. O Capítulo XII, 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 20
de autoria de Britta Rennkamp (African Climate and Development Initiative, University of Cape Town), 
Fernanda Fortes Westin (Programa de Planejamento Energético, Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- 
Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro - PPE/COPPE/UFRJ) e 
Carolina Grottera (PPE/COPPE/UFRJ), apresenta o caso do vigoroso desenvolvimento da indústria de 
energia eólica no Brasil, com foco especial em Requisitos de Conteúdo Local (RCL). O estudo ilustra 
como a coordenação de diferentes políticas (tarifas feed-in, leilões, financiamento condicionado aos 
RCL através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, dentre outras) 
contribuiu para mobilizar investimentos para a construção de capacidades tecnológicas nacionais e para 
a expansão da energia eólica no país.
No Capítulo XIII, Eliane Oliveira Moreira e Jucilaine Neves Sousa Wivaldo discorrem sobre como 
demandas sociais locais e construídas por diferentes atores, como organizações sociais, setor público e 
universidades, podem gerar um grande impulso ao desenvolvimento local, a partir do estudo de caso da 
Associação de Catadores e Materiais Recicláveis (ACAMAR), no município de Lavras, Estado de Minas 
Gerais. O caso exemplifica a contribuição da dinâmica diferenciada da economia solidária, somada a 
investimentos de pequeno porte, para um melhor gerenciamento de resíduos sólicos e para a economia 
circular com geração de renda e empregos, melhoria das condições de trabalho, redução das brechas 
de gênero, dentre outros. O Capítulo XIV, assinado por Osvaldo Ryohei Kato e coautores, todos da 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), trata do estudo de caso do Sistema Tipitamba, 
que é uma tecnologia de corte-e-trituração desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental que pode 
substituir o sistema de derruba-e-queima tradicionalmente praticado na agricultura familiar na 
Amazônia. O estudo de caso do Sistema Tipitamba, baseado no manejo sustentável da capoeira como 
uma alternativa para recuperar áreas alteradas e antropizadas, evitar queimadas, expansão da fronteira 
agrícola e aumentar a fonte de renda do agricultor, ilustra como investimentos em pesquisa e 
desenvolvimento podem contribuir para soluções sustentáveis para a agricultura familiar na região.
Por último, e não menos importante, o Capítulo XV, desenvolvido pela Natura, discute a evolução 
da relação da empresa de cosméticos Natura S.A. com o desenvolvimento sustentável da região 
amazônica, tendo como base a sociobiodiversidade para composição dos produtos da companhia e 
estruturação de programas que contribuem para o manejo sustentável da floresta em pé. Esse estudo 
de caso ilustra como uma empresa pode fazer da sustentabilidade seu modelo de negócios, agregando 
valor ao vasto capital natural do país de forma competitiva domesticamente e nos mercados globais.
Os investimentos retratados nos diferentes capítulos da presente publicação são exemplos de 
transformações na economia em direção a um novo estilo de desenvolvimento sustentável. Essa 
publicação tem o objetivo de promover o debate de estilos de desenvolvimento, a partir das demandas 
e capacidades de todos, nos adequando às possibilidades do planeta e nos desafiando na construção de 
uma sociedade mais justa e próspera.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 21
Bibliografia
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) (2020), “Repositório de casos sobre o Big 
Push para a Sustentabilidade no Brasil [repositório online], Santiago, abril https://biblioguias.cepal. 
org/bigpushparaasustentabilidade [data de consulta: 28 de fevereiro de 2020].
(2019), “Regras da Chamada Aberta de Estudos de Casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade no 
Brasil [online], Brasília, abril https://www.cepal.org/sites/default/files/events/files/regras.pdf [data 
de consulta: 8 de abril de 2019].
(2018), La ineficiencia de la desigualdad (LC/SES.37/4), Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, 
N° de venda: S.18-00303.
(2016), Horizontes 2030: A igualdade no centro do desenvolvimento sustentável (LC/G.2660/SES.36/3), 
Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, N° de venda: S.16-00753.
CEPAL/FES (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe)/(Fundação Friedrich Ebert Stiftung) 
(2019), “Big Push Ambiental: Investimentos coordenados para um estilo de desenvolvimento 
sustentável, Perspectivas, N° 20, (LC/BRS/TS.2019/1 e LC/TS.2019/14), São Paulo.
IFC (International Financial Corporation) (2016), Climate investment opportunities in emerging markets: an IFC 
analysis, Washington, DC.
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Desenvolvimento Sustentável (A/ RES/70/1), Nova Iorque, Publicação das Nações Unidas.

CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 201
XIII. Da subsistência ao desenvolvimento: o processo de 
construção da Associação de Catadores de Materiais 
Recicláveis de Lavras - MG
Eliane Oliveira Moreira
Jucilaine Neves Sousa Wivaldo
.*
**
Resumo
Este estudo apresenta alguns processos iniciais da construção da Associação de Catadores e Materiais 
Recicláveis (ACAMAR), localizada no município de Lavras em Minas Gerais. Houve uma construção 
conjunta da comunidade local com a Fundação Pró-Defesa Ambiental para superar problemas 
ambientais, sociais e econômicos. Por meio de técnicas participativas e projetos, partindo da horta 
comunitária, foram realizados espaços de diálogo de onde emergiu a estruturação da atividade de 
coleta de materiais recicláveis, juntamente com a ACAMAR. Observa-se que o processo de 
desenvolvimento da ACAMAR e as ações introduzidas permitiram que a associação fosse capaz de 
remunerar e emancipar os sujeitos, os quais possuem a força de trabalho como grande potencial de 
investimento. Práticas extensionistas dialógicas podem ser promotoras de grandes impulsos ao 
desenvolvimento. Considera-se que soluções ao Big Push para a Sustentabilidade podem surgir das 
demandas sociais locais e ser construídas por diferentes atores, como as organizações sociais, setor 
público e universidades, que atuando com e para a sociedade podem causar transbordamentos.
*
**
Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Extensão pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). 
Secretaria Municipal de Assistência Social do município de Perdões, Minas Gerais.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 202
A. Introdução
uma
Alcançar o desenvolvimento, em especial o desenvolvimento sustentável, tem sido objetivo de diversas 
esferas governamentais e instituições pelo mundo. Porém, a complexidade e as variáveis para o seu 
alcance limitam sua amplitude e o colocam distante para algumas regiões do globo. Além disso, é 
agravado pela concepção de desenvolvimento, que muitas vezes se confunde com interesses 
específicos e não correspondem às demandas reais da sociedade.
Neste sentido, diversos estudos buscam compreender  forma de alcançar o 
desenvolvimento, como o processo de industrialização do Brasil na primeira metade do século XX que, 
embora tenha alavancado um fator de crescimento econômico, não foi capaz de acabar com as mazelas 
do subdesenvolvimento presentes até nos dias atuais, como a concentração de renda, o desemprego e 
a fome. O modelo de industrialização implantado também não é sustentável ao longo do tempo, 
apresentando sérios problemas ambientais e sociais.
No final da década de 1990, com um elevado grau de desemprego e as novas dinâmicas sociais, 
principalmente da cadeia de consumo, emergem em diferentes pontos movimentos de catadores de 
materiais recicláveis. É nesse cenário que se manifesta a construção da Associação de Catadores de 
Materiais Recicláveis de Lavras (ACAMAR), no município de Lavras em Minas Gerais.
A Fundação Pró-Defesa Ambiental (FPDA), baseada em projetos de educação ambiental, 
mantinha desde 1992 uma horta comunitária em Lavras numa região com certo grau de vulnerabilidade 
social, onde era produzida a compostagem para adubação orgânica e cultivadas as hortaliças. A partir 
da horta, a fundação percebeu que muitas dessas famílias careciam de uma fonte de renda, pois tinham 
como fonte de alimento aquilo que era ali cultivado. Surgem daí as aspirações que constituíram a 
ACAMAR, que possibilitou a integração de muitas famílias da comunidade em uma atividade 
socioeconômica e da questão ambiental, partindo da subsistência para um desenvolvimento.
Compreender o processo de construção da ACAMAR é, portanto, a motivação desse trabalho que 
procurou analisar e descrever como esse processo envolveu a comunidade, buscando elementos no 
histórico de criação da associação e as primeiras iniciativas da FPDA, para entender como o 
envolvimento da comunidade, as necessidades e a organização social contribuíram no que se constitui 
atualmente como ACAMAR. Com esse levantamento, também se pretendeu refletir o Big Push para a 
Sustentabilidade, proposto pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), e as 
possibilidades de práticas associativas para um desenvolvimento sustentável.
Essa investigação se justifica pela necessidade de realizar um levantamento de forma a valorizar 
encontrar na memória da ACAMAR e da FPDA aspectos que possam apresentar como ocorrem os 
processos de construção participativa e demonstrar suas diferentes maneiras de manifestação e de 
promoção de investimentos sustentáveis. Tal construção pode revelar especificidades e caminhos para 
o desenvolvimento local.
e
Para compreender como se deu a construção da ACAMAR, foi realizada uma pesquisa qualitativa 
por meio de levantamento bibliográfico e documental com abordagem analítica e descritiva, além de 
relatos e memória de atores envolvidos com a ACAMAR e a FPDA.
Para apresentação do presente estudo inicialmente foi traçado um breve histórico do cenário 
brasileiro no final da década de 1990, que contextualizou a criação da associação (Seção B). A Seção C 
apresenta alguns aspectos do processo histórico de criação da ACAMAR em conjunto com a FPDA e 
expõe elementos importantes para a análise. Em seguida, na Seção D, se expõem uma perspectiva ao 
desenvolvimento sustentável e relações entre o modelo da ACAMAR e o Big Push para a 
Sustentabilidade. Por fim, são feitas as considerações finais, dentre as quais se apreende que as práticas 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 203
para a criação da ACAMAR podem servir de estímulo ao Big Push para a Sustentabilidade, para o qual 
as universidades, o setor público e as organizações sociais podem promover grandes impulsos.
B. O material reciclável e o contexto brasileiro 
da década de 1990: breve histórico
O Brasil na década de 1990, além dos espaços para debate das questões sociais agravadas no período 
ditatorial, teve como uma de suas características a forte globalização, que marcou profundamente o 
país com as diretrizes governamentais e a maior abertura da economia brasileira.
A partir de 1993, houve no Brasil uma grave recessão, intensificada em 1994. Esse processo se 
reverteu e a economia cresceu até 1997. Porém, esse crescimento foi interrompido com a crise 
financeira internacional em meados de 1998, provocando forte impacto no mercado de trabalho (Neri, 
Camargo e Reis, 2000).
A mudança tecnológica e a não especialização da força de trabalho apresentam no final da 
década de 1990 uma massa de desempregados que não conseguiram recolocação no mercado, o que 
aumentou o número de pessoas absorvidas pelo subemprego.
Em 1999, surge o Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável (MNCR) com o 1° 
Encontro Nacional de Catadores de Papel (MNCR, 2018). Entretanto, apesar desse período ter marcado 
forte expansão dos catadores de materiais recicláveis, SantAna e Maetello (2016) lembram que desde 
1960 já existiam experiências de catadores no Brasil. Já Bosi (2008) aponta que houve crescimento dessa 
força de trabalho na década de 1980 e que se generalizaram na década de 1990.
Nesse período, presenciamos também uma nova ascensão do modelo de consumo capitalista, a 
alimentação passa cada vez mais pela indústria e, para a comercialização, os produtos são 
acondicionados em diferentes embalagens, o que aumentou o volume de materiais descartados. O uso 
cada vez mais intensivo de plástico gera mais um problema ao tratamento de resíduos sólidos. Estudos 
apontam que cerca de 8,9 bilhões de toneladas de plásticos, entre primários (fabricação nova) e 
secundários (oriundos da reciclagem), tenham sido produzidos em escala mundial desde 1950, quando 
se iniciou a produção industrial do material, o qual apresenta aproximadamente 2,6 bilhões de 
toneladas ainda em uso e 6,3 bilhões de toneladas transformadas em lixo, este último dividindo-se em 
600 milhões de toneladas reciclados, 800 milhões incinerados e 4,9 bilhões acumulados em aterros 
sanitários e na natureza (Vasconcelos, 2019).
Vem à tona a necessidade de amenizar a insustentabilidade desse modelo, de modo que a reciclagem 
dos materiais passa a ter maior espaço e se torna essencial, auxiliando no tratamento de resíduos (vertente 
ambiental), o setor industrial no reaproveitamento dos materiais (vertente econômica) e proporciona uma 
renda, mesmo que ínfima, para as pessoas que não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho ou 
tinham a necessidade de complementação da renda (vertente social).
Sem uma reflexão poderíamos entender que a coleta de material reciclável e essa emergente 
categoria de trabalho seria um spillover1 da industrialização e consumo no Brasil. Porém, é necessário 
cautela, pois essa categoria tem ganhado espaço lentamente e por muito tempo se manteve como uma 
categoria invisível e desprestigiada. Ressalta-se que, em sua origem, a coleta de materiais descartados 
(lixo) era desvinculada da indústria, uma vez que os coletores realizavam a coleta de forma autônoma 
depois que os materiais eram descartados e considerados inservíveis. Inclusive, por um longo período 
Spillover, compreendido também como efeitos de transbordamento, se caracteriza pela forma de disseminação de determinado 
investimento, com capacidade de gerar espaço e absorver atividades complementares, possibilitando novos investimentos para 
atender um ciclo produtivo.
1
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 204
observou-se a existência de catadores em lixões. Não havia, portanto, uma cooperação da indústria para 
com os catadores, já que estes que assumiam a coleta de materiais recicláveis pela extrema necessidade 
e muitas vezes por falta de opção.
Analisando atentamente, podemos entender a coleta seletiva como uma manifestação 
decorrente da forma como o capitalismo se expandiu no Brasil, o movimento surge da falta de 
integração social, necessidade e resistência. No período estudado a fome era evidente no país.
Esse pilar com a categoria para o trabalho, apesar de parecer uma solução aos problemas, vai 
delinear um novo segmento que tem enfrentado grandes obstáculos. É nesse contexto que em 1998 
começa o processo de construção da ACAMAR.
C. Uma construção social dialogada: o processo histórico 
inicial da ACAMAR e a FPDA
A história da ACAMAR está intimamente ligada com a FPDA. Portanto, para compreensão do processo 
de criação da ACAMAR é necessário entender um pouco da fundação. A FPDA teve seus primeiros 
passos em 1992 e dentre seus objetivos estavam: a preservação ambiental, promoção social e 
construção de cidadania no meio urbano e rural. As ações tinham como critério principal o envolvimento 
popular (FPDA, 2001a e 2001b).
Grandes atores da FPDA eram estudantes da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e faziam 
parte do grupo Yebá Ervas  Matos, este último criado por professores e estudantes da UFLA, onde 
mantém sua sede e realiza pesquisas e projetos em agroecologia até os dias atuais. No Yebá, 
trabalhava-se com diferentes subgrupos, tais como Alimentação Natural, Sistema Agroflorestais (SAFs) 
e Educação Ambiental nas escolas. Um dos primeiros projetos da FPDA e do Yebá com a comunidade 
foi a Horticultura Orgânica em Comunidades Carentes, iniciado em 1992, o qual visava à 
conscientização ambiental e a formação profissional, o ensino do plantio e alimentação saudável, 
aproveitando partes dos alimentos que eram descartados e que apresentavam grande valor nutricional, 
como folhas e cascas. Eram mantidas hortas orgânicas em creches e escolas nas quais as crianças e 
adolescentes atuavam nas diferentes etapas da produção de hortaliças e posteriormente dividiam os 
alimentos cultivados entre si (FPDA, 2001a e 2001b).
A partir das hortas, o grupo iniciou a compostagem, que visava tratar da questão do lixo e 
trabalhar um ciclo que se inicia no plantio dos alimentos, consumo, descarte e reaproveitamento para 
novos plantios. Sendo assim, o lixo orgânico oriundo da cozinha escolar era transformado em um 
composto que servia de adubo para as hortaliças. Além das hortas nas escolas, havia uma horta que era 
localizada em um terreno cedido por um docente da UFLA, em 
vulnerabilidade socioeconômica no município de Lavras, na região denominada Corredor. A horta 
contava com a participação da comunidade que a cultivava e recebia cestas com a partilha dos 
alimentos. Eram mantidos mutirões realizados aos sábados, nos quais participavam aproximadamente 
11 pessoas. Junto com a horta também se mantinha o preparo e a distribuição do Sopão.
Com os mutirões e o Sopão eram realizadas reuniões. Os objetivos de tal atividade estão contidos 
na descrição do Sopão pela FPDA (1995):
“Sopão: preparo de sopa de legumes com missô, em conjunto com a comunidade, 
conversa sobre os problemas que os afligem como: fome, falta de moradia decente, 
higiene, problemas sociais (racismo), saúde, educação, problemas ambientais, cidadania 
e etc. Juntos propor e buscar soluções necessárias.
um bairro que apresentava
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 205
Dessa mobilização e diálogos surge a demanda por uma atividade que proporcionasse renda, 
tendo em vista o cenário brasileiro e a elevada taxa de desemprego daquela comunidade. Com a união 
dos objetivos da FPDA e da necessidade da comunidade, a proposta construída foi a coleta de materiais 
reciclados, já realizada por pessoas isoladamente. Assim, foram criados programas de apoio à 
organização comunitária.
Utilizando a técnica do Diagnóstico Rápido Participativo (DRP), em março de 1998, foi 
direcionado o planejamento das ações necessárias para organizar a comunidade na atividade de coleta 
de materiais recicláveis para gerar renda. Dentre as intenções do DRP aplicado foi descrita a 
desmistificação do assistencialismo e a garantia da participação ativa da comunidade do Corredor 
(FPDA, 2001a e 2001b).
O DRP é uma metodologia que se baseia no levantamento de informações e conhecimentos da 
realidade da comunidade ou de instituições, realizada por seus próprios membros. A mobilização dos 
envolvidos é estimulada a partir de reflexões sobre a realidade, perspectivas, desafios e avanços para 
visualizar o cenário envolvido e elaborar um programa de ação. Tal método reforça a construção dialógica e 
coletiva do conhecimento. O conceito de participação, para os diagnósticos e planejamentos participativos, 
fundamenta-se na divisão de poder no processo decisório, passando pelo controle das partes sobre a 
execução e a avaliação dos resultados pretendidos (Gomes, Souza e Carvalho, 2001). O associativismo 
incentivado pelo programa de coleta seletiva de material descartado tem papel fundamental em todo o 
processo, pois, além de garantir a participação, ele está ligado à emancipação dos sujeitos.
Para tanto, o caráter participativo do diagnóstico possibilita ao grupo tomar parte, expressar 
visões, falar e refletir sobre sua própria realidade, experiências, conhecimentos, expectativas, desejos e 
necessidades mais imediatas. Torna-se possível construir um plano de ação mais próximo da realidade 
vivenciada e das necessidades prioritárias, além de propiciar a interação e o intercâmbio de saberes. 
O modo de pensar a coleta, a seleção, separação e comercialização do material reciclável são 
adaptações próprias da rotina dos associados.
Após a aplicação do DRP, foi criado o Programa de Coleta Seletiva de Lixo, Associativismo e 
Educação Ambiental (FPDA, 2001a e 2001b). O aspecto do associativismo da ACAMAR é de extrema 
importância para entender sua dinâmica, uma vez que ele proporciona a construção de vínculos sociais 
e identidades coletivas, bem como permite que sejam refletidas e construídas estratégias de 
desenvolvimento local em conjunto. O trabalho associado é uma alternativa da economia solidária para 
impulsionar capacidades e criar oportunidades de trabalho digno. Cabe destacar, que promover o 
desenvolvimento local e territorial sustentável, por meio da economia solidária, pode resultar em 
soluções estruturantes para dinamizar cadeias produtivas e arranjos setoriais em redes de cooperação, 
provocando um desenvolvimento endógeno (Singer, Marinho e Schiochet, 2014).
Em julho de 1998, o programa de coleta seletiva da ACAMAR se inicia com 13 catadores. Já em 1999, 
o número apresentado era de 8 mulheres e 2 homens. Havia muitos interessados, mas, devido à capacidade 
de organização, foi realizada uma seleção, para a qual se priorizaram: mulheres, as que tinham filhos e as 
pessoas que tinham maior necessidade de trabalho e renda. No início, as atividades eram divididas entre 
catadores no lixão, catadores de rua e um grupo que realizava a separação na sede da ACAMAR (FPDA, 
2001a e 2001b). Atualmente, a coleta é realizada na rua e em empresas conveniadas.
Conforme os relatórios da FDPA (2001a e 2001b), em 1998 a renda líquida mensal era em média 
de 50 reais para cada catador e as despesas eram cobertas pela FPDA e parceiros. Já em 2000, a média 
mensal líquida de cada catador foi 200 reais e a ACAMAR passa a cobrir suas despesas2. No ano de 1998, 
Conforme o IPEA (2019), os valores do salário mínimo no Brasil foram: R$120,00 de maio de 1997 a abril de 1998; R$ 130,00 de maio 
de 1998 a abril de 1999; R$ 136,00 de maio de 1999 a março de 2000 e R$ 151,00 de abril de 2000 a março de 2001. Sendo assim, a 
renda média mensal líquida dos catadores da ACAMAR em 2000 foi 24,5% superior em relação ao salário mínimo.
2
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 206
os materiais eram coletados de, aproximadamente, 300 residências do bairro Nova Lavras, realizadas 
de “porta a porta, somavam cerca de 1,5 toneladas por mês.
No começo a coleta era realizada apenas com uma carroça. Posteriormente, com o 
reconhecimento e premiações do projeto foi possível adquirir um caminhão, a UFLA também contribuiu 
com a cessão do terreno, onde é mantida a sede da ACAMAR.
Em 2001, já é possível notar grande expansão da associação conforme os relatórios da FPDA 
(2001a e 2001b), que se estima ter ocorrido pelo aumento da capacidade de coleta proporcionado pela 
aquisição do caminhão e pelo reconhecimento e consolidação da atividade da associação. Nesse 
período, a coleta era realizada em mais de 30 instituições, tanto públicas como privadas, havia 12 Postos 
de Entrega Voluntária (PEVs), coleta “porta a porta e “ponto a ponto. O volume da coleta era de 
25 toneladas por mês. Entretanto, a formalização da ACAMAR ocorreu apenas em 2005.
Apesar das características autônomas, até o ano de 2016 a coordenação da ACAMAR não era 
exercida por alguém que atuou como catador. Somente a partir de 2016 há um processo de mudança e, 
em 2017, um ex-catador, que havia se capacitado como potencial líder pelo programa Novo Ciclo de 
capacitação dos catadores do Sul de Minas Gerais, da marca Danone, é escolhido pelos associados e 
passa a gerir a ACAMAR. Dessa forma, a ACAMAR é composta em todos os níveis por seus associados 
e atores da comunidade, consolidando a ideia plantada pela FPDA de criar uma associação da 
comunidade de forma autônoma e emancipadora. Cabe ressaltar que, embora tenha ocorrido tal 
capacitação, ela foi realizada por apenas um membro. Tendo em vista a baixa intensidade tecnológica, 
a atividade não demonstra um aumento da renda conforme o aumento da escolaridade. Ainda, o 
modelo associativo pressupõe uma remuneração paritária, com uma divisão da renda de forma 
igualitária entre seus membros. Entretanto, uma capacitação conjunta, seguindo o modelo de 
construção da ACAMAR, pode contribuir para se aprimorar a atividade e suas tecnologias, aumentar o 
potencial produtivo e sua participação no setor, embora o processo ocorra lentamente e restritos à 
atividade da associação.
Oliveira e outros (2013) apontam que para a constituição da estrutura da ACAMAR existiram 
algumas contribuições importantes de determinados atores, apesar da associação sobreviver com 
recursos próprios. Esses atores podem ser identificados como: a Prefeitura de Lavras, na contratação e 
remuneração da associação pelas toneladas de material reciclado coletado na cidade; a UFLA, que 
concede o terreno onde se localiza o galpão e a sede, além de ter disponibilizado sua infraestrutura para 
realização de palestras e eventos; empresas privadas, que contribuíram com a doação de materiais e 
também com a contratação dos serviços de consultoria e arborização. Porém, com a realização do 
presente estudo podemos identificar que os atores fundamentais na constituição da ACAMAR foram a 
própria comunidade e a FPDA.
O processo de formação da ACAMAR foi importante para a FPDA, que passou a se formalizar 
com a ascensão da associação e de projetos para a educação ambiental. É depois da mobilização e união 
dos principais atores que surgiram as parcerias, como a coleta seletiva do município de Lavras vinculada 
à Prefeitura Municipal de Lavras e a coleta seletiva dentro de indústrias. Nesse processo, o 
Departamento de Administração e Economia (DAE) e o Departamento de Educação (DED) da UFLA 
contribuíram com orientações para o direcionamento das ações. É possível dizer que o projeto tem 
características de extensão, devido à conexão existente entre a UFLA, os estudantes, a FPDA e a 
comunidade, que segue a proposta de Freire (1983), na qual as práticas de extensão se contrapõem ao 
modelo assistencialista e de difusão de tecnologia. O autor sugere reformular a extensão baseando-se 
na comunicação, havendo diálogo e não uma imposição.
A emancipação dos sujeitos está relacionada com a dimensão social do trabalho. Na extensão, 
expressa pela realização do trabalho social, deve ser efetivada e desenvolvida por seus participantes a 
busca pela conquista de integração social, em que tenha como perspectiva um processo para a 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 207
formação do cidadão crítico, consciente e transformador, além de ativo, a fim de superar o idealismo 
contemplativo e interpretativo da natureza (Neto, 2004).
“Havendo a produção do conhecimento pelo trabalho extensionista, e a consequente 
posse do mesmo pelos participantes, resgata-se dessa forma, a dimensão social do 
trabalho. A extensão se estabelece-se como um trabalho social, constituindo-se como 
expressão de um caráter social, porém como caráter universal de todo esse movimento, 
em que a sociedade, ao mesmo tempo que produz o homem, também é produzida por 
ele. (Neto, 2004, pág. 70).
Infere-se que a aplicação do DRP e a construção dialogada com a comunidade logrou êxito, uma 
vez que se manteve ao longo do tempo e percorreu um caminho para a autonomia e adaptação de seu 
meio. Tal êxito só pode ser percebido no longo prazo, pela absorção e atuação da comunidade. Ressalta­
se que essa construção é um processo ainda em andamento, pois a associação é um sistema orgânico 
em constante movimento que se ajusta conforme a dinâmica do espaço e tempo e a entrada de novos 
atores e membros.
D. Desenvolvimento em perspectiva: desenvolvimento sustentável, 
a ACAMAR e o Big Push para a Sustentabilidade
Partindo da perspectiva heterodoxa, se compreende o desenvolvimento como uma condição que 
provoca mudanças estruturais em determinada região, assegurando à população acesso aos serviços 
básicos, minimização das desigualdades sociais, disseminação do conhecimento e tecnologia, entre 
outros, atrelados à estrutura política. Esse desenvolvimento tem muitas vezes se confundido com o 
simples crescimento e aproximado muito do sistema capitalista, se expressando no acúmulo de capital.
Ao estudar o processo de construção da ACAMAR, podemos observar que ao longo do tempo a 
associação demonstra traços para um desenvolvimento local. Destaca-se, sobretudo, a capacidade da 
associação em remunerar o trabalho e proporcionar a integração social de um grupo. É possível 
perceber uma ressignificação da coleta de materiais recicláveis à medida que essa atividade 
se institucionaliza.
Com a atuação da FPDA e o engajamento da fundação na defesa ambiental por meio da educação 
ambiental, há um alinhamento com o desenvolvimento sustentável na construção da ACAMAR, que une 
diferentes pilares da sustentabilidade, como a vertente política, ambiental, social, econômica. Porém, 
o conceito de desenvolvimento sustentável, da forma como é apresentado atualmente à população, 
acaba desvirtuando o que deveria ser o verdadeiro foco do debate atual, que precisa abranger todos os 
aspectos e não apenas o ambiental (Matos e Rovella, 2010). Fica à margem, portanto, a discussão das 
diferenças causadas pela forma de organização social e de produção. Como conclui Matos e Rovella 
(2010), é necessária a reflexão sobre o debate que visa o atendimento das necessidades futuras, tendo 
em vista que na própria atualidade as necessidades já não são atendidas de forma isonômica.
Devemos, por meio do desenvolvimento sustentável, buscar soluções que acabem com o 
crescimento desenfreado advindo do custo de grandes externalidades negativas, sejam ambientais ou 
sociais. É preciso uma transição que a princípio faça um gerenciamento de crises, uma imediata 
mudança de paradigma, passando de uma lógica financeira externa, para um crescimento baseado na 
mobilização interna de recursos (Sachs, 2008). “[...] carecemos de um paradigma convincente capaz de 
lidar com os dois problemas, desemprego maciço/subemprego e desigualdade crescente (Sachs, 2008, 
pág.37).
Ao tratar do subdesenvolvimento, grande obstáculo ao desenvolvimento sustentável, Furtado 
(1983, pág. 77) aponta que:
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 208
“Uma abordagem mesmo superficial da história moderna põe em evidência que 
formações sociais assinaladas por grande heterogeneidade tecnológica, marcadas 
desigualdades na produtividade do trabalho entre áreas rurais e urbanas, uma proporção 
relativamente estável da população vivendo do nível de subsistência, crescente 
subemprego urbano, isto é, as chamadas economias subdesenvolvidas estão intimamente 
ligadas à forma como o capitalismo industrial cresceu e se difundiu desde o seu começo.
A difusão do capitalismo industrial, tecnologias determinantes e a criação de relações de 
dependência evidenciam as relações assimétricas que se constituem nas relações de trabalho, em que 
a abordagem da construção de tecnologias sociais tem sido praticamente nula. O padrão tecnológico e 
de produção, muitas vezes oriundos de países centrais, não se modificou conforme as especificidades 
regionais de seus diferentes destinos, tampouco era idealizado para atender as camadas mais baixas.
Recentemente a CEPAL, baseada nas concepções de Rosenstein-Rodan, apresentou o Big Push 
para a Sustentabilidade como uma ideia-força, caracterizada por visualizar investimentos capazes de 
distinguir o crescimento e a geração de emprego da emissão de gases do efeito estufa. Para tal ideia, 
uma propulsão ao desenvolvimento viria de investimentos coordenados com foco na sustentabilidade, 
a partir do seu tripé econômico, social e ambiental (CEPAL/FES, 2019). Dessa forma, pretende-se pensar 
soluções alternativas para os problemas do desenvolvimento atual. Entretanto, tal alternativa nos exige 
grande esforço para que os investimentos sustentáveis em países subdesenvolvidos não acentuem os 
desequilíbrios e desigualdades da divisão internacional do trabalho.
Ao analisar o caso da ACAMAR, notam-se aspectos importantes para repensar uma construção 
que caminhe rumo ao desenvolvimento sustentável. Grande estímulo surgiu da FPDA, que tinha como 
objetivo a educação ambiental e se apoiava na extensão dialógica de Freire. Sendo assim, o grande 
impulso tem sua origem baseada na educação ambiental, atuação social, uma extensão emancipadora 
e na resistência da comunidade. A presença da universidade pública também tem papel fundamental, 
tendo em vista que a UFLA contribuiu com orientações à FPDA. Considera-se que a UFLA e a ACAMAR 
tem uma relação colaborativa.
Com a análise desse estudo pode-se perceber uma complexidade de seus investimentos. No caso 
temos a economia solidária, que tem uma dinâmica diferenciada. Além disso, a própria atividade da 
ACAMAR pressupõe um investimento inicial mínimo, que foi suprido pela força de trabalho dos 
catadores e a separação do material para comercialização, o que não exige complexidade técnica e 
grandes vultos de capital. A matéria-prima é oriunda de descarte e não apresenta custos de aquisição. 
Inicialmente, os investimentos são expressos pela carroça para a coleta, terreno emprestado pela UFLA 
e mutirões voluntários para a construção do galpão. O nível de escolarização também é baixo e os 
espaços de diálogo e planejamento para a construção da ACAMAR não tiveram como fim a 
especialização técnica dos catadores, mas promover trocas de experiências e saberes, inclusive com a 
FPDA, capazes de mobilizar e realizar uma ação transformadora, solidificada na emancipação dos 
sujeitos. Vale lembrar que a associação priorizou pessoas com menor nível de instrução e com menos 
absorção no mercado de trabalho.
Observa-se que o apoio de projetos e premiações da associação com a FPDA foram importantes 
fontes de captação de recursos. O apoio aos projetos representa um estímulo que pode surgir de iniciativas 
alinhadas com a abordagem do Big Push para a Sustentabilidade. Os investimentos realizados na UFLA 
também podem ser destacados, tendo em vista que a FPDA advém do ensino e extensão da universidade, o 
que culminou na ACAMAR, representando um transbordamento. Posteriormente, com o crescimento da 
associação e parcerias entre diferentes instituições, além da Prefeitura de Lavras, foi possível reverter parte 
dos ganhos em investimentos para ampliação de sua estrutura.
As instituições, com destaque às universidades, organizações sociais e o setor público, podem 
provocar efeitos de transbordamentos, sendo atores fundamentais ao Big Push para a Sustentabilidade 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 209
em países como o Brasil. A pesquisa e o desenvolvimento fomentados por instituições públicas são 
cruciais à competitividade e desenvolvimento local, considerando que as condições econômicas e a 
desigualdade não favorecem investimentos individuais de forma a quebrar a hegemonia de 
determinados grupos. Em um desenvolvimento endógeno, é possível reverter ganhos para a 
comunidade e também aprender com ela.
A economia solidária, por sua vez, corresponde a um processo social em que é preciso conhecer 
os símbolos que compõem a identidade da privação material e de direitos. Estão abarcados os processos 
sociais complexos de transformações da identidade e da exclusão social para uma identidade portadora 
de direitos de inclusão produtiva como a reciclagem e a logística reversa. As práticas sociais que tiveram 
êxito na organização de economia solidária e autogerida de catadores de materiais recicláveis 
apresentam uma combinação da positivação da identidade dos sujeitos e do pertencimento ao coletivo 
(Stroh, 2016).
Como aborda Singer (2004), a pobreza como condição social obriga soluções conjuntas, a fim de 
minimizar os custos. A prática da ajuda mútua se torna indispensável à sobrevivência. Por isso, para 
combater a pobreza é necessário o desenvolvimento econômico nas comunidades pobres em seu 
conjunto, o qual pode ser induzido por agentes externos, como o terceiro setor, mobilizando a 
comunidade e possibilitando a formulação e realização de projetos. O autor também lembra que os 
projetos organizados pelas comunidades tendem a assumir a forma de economia solidária, inclusive por 
nenhum membro ter capital para assumir o papel de capitalista e assalariar os demais. Ainda, a ajuda 
mútua é fundamental para a melhora econômica e 
“O desenvolvimento que combate à pobreza é solidário e isso já vem sendo comprovado na prática em 
diversos lugares (Singer, 2004, pág. 5).
É interessante notar que o investimento realizado na ACAMAR está baseado na força de trabalho 
que cada ator poderia oferecer, sendo capaz de organizar e remunerar o trabalho, mantendo diferentes 
atores que se inserem na cadeia produtiva pela logística reversa. Sua prática de coleta seletiva auxilia 
no ciclo produtivo de modo sustentável, como o alumínio, que volta para a linha de produção. 
A associação se mostra como uma alternativa dentro do modelo capitalista, que talvez possa não 
representar a melhor forma de investimento ou expressar o ápice do potencial da comunidade, mas foi 
o modo possível para sua emancipação e superação naquele momento e naquelas condições.
Pode-se, ainda, identificar a relação do caso estudado com duas eficiências norteadoras do 
Big Push para a Sustentabilidade. A primeira eficiência, a keynesiana, ressalta a importância de atuação 
em mercados que apresentam rápida expansão doméstica, conduzindo à aceleração da economia e 
multiplicação de empregos (CEPAL/FES, 2019). Tal eficiência está relacionada ao potencial de 
crescimento da demanda com efeitos positivos na produção, emprego e renda, aumentando a 
capacidade produtiva além dos limites da balança de pagamentos (Torezani e Piper, 2014). A reciclagem 
faz parte de um mercado com crescente demanda, sobretudo em uma ascensão de economia circular. 
O crescimento da demanda pelo resíduo recolhido, a capacidade de produção e geração de emprego e 
renda da associação de materiais recicláveis demonstra a eficiência keynesiana.
A segunda eficiência, a da sustentabilidade, refere-se à típica eficiência nos 
desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental), os quais estão claramente representados 
nas etapas do processo de construção da ACAMAR. Nesse sentido, são identificados alguns indicadores 
associados ao Big Push para a Sustentabilidade, divididos em três dimensões: econômica, social e 
ambiental. Numa dimensão econômica denotam-se como indicadores a ampliação de empregos e a 
geração de renda e criação de novos postos de trabalho. Na dimensão social vemos a redução da 
desigualdade de renda por fatores de discriminação ou demais brechas estruturais, como a de gênero e 
escolarização, uma vez que a ACAMAR priorizou mulheres, pessoas com baixa escolarização e as que 
tinham maior dificuldade para obter emprego; melhoria nas condições de trabalho, retirando pessoas 
social dos desprovidos de capital.
três pilares do
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 210
do lixão para atuarem na associação, além de prezar a harmonia e democracia entre seus membros; 
redução da pobreza e pobreza extrema. Já na dimensão ambiental, têm-se o indicador que se refere a 
um melhor gerenciamento de resíduos sólidos e economia circular. Nesse ponto, especificamente, 
nota-se uma grande contribuição da ACAMAR, auxiliando para o tratamento adequado de resíduos no 
município, diminuição da poluição pelo descarte indevido desses resíduos e reinserção dos materiais no 
setor produtivo, contribuindo para a diminuição de retirada dessas matérias-primas da natureza.
Além disso, esse caso mostra uma consonância com a Agenda 2030 e seus Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ODS) apresentados pelas Nações Unidas (ONU, 2015), que traça um 
plano de ação em escala global, o qual tem grande relevância ao se tratar do Big Push para a 
Sustentabilidade. Considerando as contribuições do presente estudo, dentre os ODS podemos 
ressaltar: o objetivo 8 que via a promoção do crescimento econômico sustentado, inclusivo e 
sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos, que em seu subitem 8.3 
pretende alcançar o emprego e trabalho decente para todos, sobretudo, mulheres e pessoas com menos 
absorção no mercado de trabalho, assim como foi observado na ACAMAR; o objetivo número 10 para a 
redução das desigualdades dentro do país e entre eles, destacando o subitem 10.2 que aponta o 
empoderamento e promoção da inclusão social, econômica e política de todos, o que pode ser 
observado no caso estudado pela emancipação dos sujeitos; o objetivo 11, tornar as cidades e os 
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis, que visa a redução de impactos 
ambientais negativos e a gestão de resíduos ambientais, os quais são atividades centrais da ACAMAR.
Porém, devemos salientar que há questões estruturais e, devido a sua complexidade e 
permanência, devem ser tratadas considerando um tempo de longa duração e uma ampla perspectiva 
a fim de se obter maior acurácia. Ainda, deve-se considerar a emancipação dos sujeitos e dos países, 
com a cautela para a não acentuação das desigualdades existentes.
E. Considerações finais
ao
Do projeto mantido pela FPDA, chama a atenção o modo como a partir de uma prática para a 
subsistência, a horta comunitária, nasce um projeto de alto alcance e impacto na comunidade e 
reconhecido pelo município. As características iniciais da horta até a associação nos dias atuais 
demonstram que por meio de uma ação conjunta da comunidade em um país como o Brasil é possível 
alcançar índices de desenvolvimento em setores que não se caracterizam pelo uso intensivo de 
tecnologias dominantes, mas que são capazes de garantir emprego e renda.
O tripé fundamental do desenvolvimento sustentável (social, ambiental e econômico), essenciais 
Big Push para a Sustentabilidade, é facilmente identificado na atividade de coleta seletiva, 
atendendo a proposta da CEPAL por investimentos que possam gerar emprego e renda com a 
diminuição da poluição. O modo como a FPDA exerceu e conduziu as atividades junto com a 
comunidade mostra que a concepção de extensão de Paulo Freire foi fundamental para que a associação 
se mantivesse até os dias atuais. Apesar dos obstáculos e limitações, depois de 20 anos a ACAMAR se 
fortifica com atuação e gestão predominantemente por atores da comunidade. É de extrema 
importância compreender que o processo histórico que envolve a associação está em constante 
movimento e ela está suscetível às mudanças.
A universidade tem potencial de transbordamento para ações transformadoras na sociedade. O 
processo de construção de conhecimentos se intensifica com a prática e participação social. Desse 
modo, os projetos de pesquisa e extensão são capazes de receber e identificar as demandas da 
comunidade contribuindo para o desenvolvimento nas diferentes áreas.
As parcerias com diferentes instituições, aliados à educação ambiental, extensão dialógica e 
atuação social em demandas da sociedade podem ser essenciais ao Big Push para a Sustentabilidade. 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 211
Gerando uma construção conforme cada realidade. Salienta-se, que nos dias atuais os desafios têm uma 
nova dinâmica, a desindustrialização e a acentuação da financeirização, com elevado grau especulativo, 
nos obriga a buscar soluções alternativas em que a necessidade inicial de grande vulto de capital não 
seja o principal fator.
É possível impulsionar o desenvolvimento por meio da atuação da comunidade local, pretendendo- 
se corrigir distorções capitalistas. Ocorre que muitas ações têm caráter filantrópico, no qual se insere uma 
ideia de ajuda tendo o fim em publicidade, assistencialismo e, até mesmo, domesticação. Esse tipo de ação 
não desencadeia melhorias e muito menos condições para o desenvolvimento. Como vimos no caso da 
ACAMAR, é preciso um impulso à revelação de atores sociais, que por meio da criatividade e capacidade 
causem uma ação transformadora. É importante salientar que o protagonismo deve ser desses atores e não 
de marcas que buscam se apropriar da força de trabalho.
A interação e coordenação dos atores é fundamental e nos revela a possibilidade de práticas 
dialogadas com a emancipação dos sujeitos como formas de investimentos ao modelo do Big Push para 
a Sustentabilidade. A construção tecnológica, onde ocorre o desenvolvimento de habilidades, auxilia os 
integrantes a reconhecer suas demandas e buscar soluções adequadas ao seu contexto. Essas ações 
constituem processos de educação em que seus participantes constroem sua autonomia, seu potencial 
de reflexão sobre a problemática, bem como criar alternativas para uma solução, seja o 
desenvolvimento/adaptação de um artefato tecnológico ou mudança na forma de se organizar. Nesse 
sentido, investimentos que visem a tecnologia social podem gerar grandes resultados.
A memória é um elemento que precisa ser estimulado na ACAMAR, resgatando os atores sociais 
e a comunidade como autônoma, haja vista que sua experiência deve ser difundida para outros locais e 
também dentro da própria associação para contribuir com a afirmação do grupo. Entende-se que esta 
história tem muito a revelar e necessita de mais investigações. Espera-se que esse trabalho possa 
motivar outros que deem voz aos atores da ACAMAR e da FPDA, além de acrescentar observações sobre 
o tema e a associação, podendo ser um modelo de reflexão e a ser aplicado em outras localidades.
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