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        <dcterms:issued>1995</dcterms:issued>
        <dc:language>es</dc:language>
        <dc:creator>Corden, W. Max</dc:creator>
        <dc:contributor>Corden, W. Max</dc:contributor>
        <dcterms:title>Una zona de libre comercio en el Hemisferio Occidental: posibles implicancias para América Latina</dcterms:title>
        <dcterms:isPartOf>En: La liberalización del comercio en el Hemisferio Occidental - Washington, DC : BID/CEPAL, 1995 - p. 13-40</dcterms:isPartOf>
        <dcterms:available rdf:datatype="http://www.w3.org/2001/XMLSchema#dateTime">2014-01-02T14:51:16Z</dcterms:available>
        <bibo:handle>hdl:11362/45593</bibo:handle>
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Investimentos transformadores 
para um estilo de 
desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push) para a sustentabilidade 
no Brasil
Camila Gramkow 
Organizadora
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Econômica Aplicada
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Investimentos transformadores para um estilo 
de desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso (Big Push)
para a sustentabilidade no Brasil
Camila Gramkow 
Organizadora
ipea
Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada
Co 
C?
cooperação
Rede Brasil alemãDEUTSCHE ZUSAMMENARBEIT
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EBERT
STIFTUNG
Este documento foi organizado por Camila Gramkow, Oficial de Assuntos Econômicos do Escritório no Brasil da 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), no âmbito das atividades do projeto CEPAL/Deutsche 
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ): “Sustainable development paths for middle-income countries 
under the 2030 Agenda for Sustainable Development in Latin America and the Caribbean”. Este documento também 
contou com o apoio da Friedrich-Ebert-Stiftung (FES), da Rede Brasil do Pacto Global e do Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (IPEA) para realização e divulgação da Chamada Aberta de Estudos de Casos de Investimentos 
para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil a partir da qual os capítulos foram produzidos e selecionados. 
Reconhecemos e agradecemos a colaboração dos membros do Comitê de Avaliação da referida chamada: 
Gustavo Fontenele e Silva (Ministério da Economia do Brasil), Julio César Roma (IPEA), Mauro Oddo Nogueira (IPEA), 
Luiz Fernando Krieger Merico (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Assentamentos Humanos) e 
Maria Luisa Marinho (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Social). Colaboraram com este documento, além dos autores 
e autoras que assinam seus capítulos, os assistentes de pesquisa e os estagiários da CEPAL em Brasília: Camila Leotti, 
Gabriel Belmino Freitas, Pedro Brandão da Silva Simões e Sofia Furtado. Contamos, também, com a contribuição do 
diretor da CEPAL em Brasília, Carlos Henrique Fialho Mussi, e de Maria Pulcheria Graziani do mesmo escritório.
As opiniões expressas neste documento, que não foi submetido à revisão editorial, são de exclusiva responsabilidade 
dos autores e autoras e podem não coincidir com as visões da CEPAL e das instituições a que os autores e autoras são 
filiados, nem com as das instituições que apoiaram este documento.
Publicação das Nações Unidas
LC/TS.2020/37
LC/BRS/TS.2020/1
Distribuição: L
Copyright © Nações Unidas, 2020 
Todos os direitos reservados
Impresso nas Nações Unidas, Santiago 
S.20-00209
Esta publicação deve ser citada como: Camila Gramkow (org.), “Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento 
sustentável: estudos de casos de grande impulso (Big Push) para a sustentabilidade no Brasil, Documentos de Projetos 
(LC/TS.2020/37; LC/BRS/TS.2020/1), Santiago, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), 2020.
A autorização para reproduzir total ou parcialmente esta obra deve ser solicitada à Comissão Econômica para a América Latina e 
o Caribe (CEPAL), Divisão de Publicações e Serviços Web, publicaciones.cepal@un.org. Os Estados-membros das Nações Unidas 
e suas instituições governamentais podem reproduzir essa obra sem autorização prévia. Solicita-se apenas que mencionem a fonte 
e informem à CEPAL de tal reprodução.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 3
Índice
Prefácio.......
Carlo Pereira
11
Apresentação
Alicia Bárcena
13
Introdução .........................................................................................................................
Carlos Mussi, Camila Gramkow
Companhia Siderúrgica do Pecém: o Big Push industrial do Estado do Ceará........
Alex Maia do Nascimento, Claudio Renato Chaves Bastos, Cristiane Peres, 
Emanuela Sousa de França, Italo Barreira Ribeiro, Leonardo Roger Silva Veloso, 
Livia Bizarria Prata, Marcelo Monteiro Baltazar, Ramyro Batista Araujo,
Ricardo Santana Parente Soares, Rodrigo Santos Almeida, Vanilson da Silva Benica 
Resumo ..................................................................................................................
Introdução......................................................................................................
O projeto sustentável da Companhia Siderúrgica do Pecém..........................
CSP - A sinergia cultural Brasil-Coréia do Sul.................................................
O Big Push industrial CSP - antes da operação..............................................
Conquistas durante a fase de operação da CSP.............................................
Considerações finais sobre o Big Push CSP....................................................
Bibliografia.............................................................................................................
Aumentando a resiliência climática e combate à pobreza rural por meio de ações 
emergenciais de combate à seca: o caso dos sistemas agroflorestais 
no Procase - FIDA..................................................................................................
Leonardo Bichara Rocha, Thiago César Farias da Silva, Donivaldo Martins 
Resumo..................................................................................................................
A. Introdução......................................................................................................
O FIDA e ações de combate aos efeitos da seca na Paraíba............................
Sistemas agroflorestais no contexto dos Planos Emergenciais......................
15
I. 23
II.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
23
24
26
27
28
32
43
45
47
B.
C.
47
48
48
50
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 4
III.
D.
E.
F.
IV.
54
54
55
57
59
A.
B.
C.
D.
E.
F.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
V.
A.
B.
C.
D.
E.
59
59
60
65
68
69
71
73
75
Assessoria técnica contínua e especializada.................................................................
Resultados e ODS.........................................................................................................
Conclusões e relação com o Big Push para a Sustentabilidade......................................
Bibliografia............................................................................................................................
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil: a contribuição dos Tûkûna 
do Médio Rio Juruá (AM).......................................................................................................
Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle, 
Tatiana Ribeiro Souza Brito 
Resumo.................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
Inventário etnográfico...................................................................................................
A construção de casas de farinha..................................................................................
Chamada pública para alimentação escolar..................................................................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade..............................
Conclusão......................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Polímeros Verdes: tecnologia para promoção do desenvolvimento sustentável...................
Adriana Mello, Jorge Soto, José Augusto Viveiro 
Resumo................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
O PE verde da Braskem.................................................................................................
Capacidade de mobilização de investimentos..............................................................
PE verde e o desenvolvimento sustentável...................................................................
PE verde e o Big Push para a Sustentabilidade..............................................................
Conclusões ....................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Assentamentos Sustentáveis na Amazônia: o desafio da produção familiar 
em uma economia de baixo carbono....................................................................................
Erika de Paula P. Pinto, Maria Lucimar de L. Souza, Alcilene M. Cardoso, 
Edivan S. de Carvalho, Denise R. do Nascimento, Paulo R. de Sousa Moutinho, 
Camila B. Marques, Valderli J. Piontekowski
Resumo .................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
As origens do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia................................
Estratégias integradas para a promoção de assentamentos sustentáveis na Amazônia
Incentivos econômicos para conservação e produção rural sustentável........................
Sistemas agroflorestais como estratégia de regularização ambiental 
e segurança alimentar...................................................................................................
Discussão sobre a iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade..........................
Bibliografia............................................................................................................................
Tecnologia de tratamento de esgoto: uma alternativa de saneamento básico 
rural e produção de água para reúso agrícola no Semiárido Brasileiro..................................
Mateus Cunha Mayer, Rodrigo de Andrade Barbosa, George Rodrigues Lambais, 
Salomão de Sousa Medeiros, Adrianus Cornelius Van Haandel, Silvânia Lucas dos Santos 
Resumo .................................................................................................................................
A. Introdução.....................................................................................................................
O desenvolvimento de tecnologias de saneamento básico rural de custo 
acessível no Semiário Brasileiro....................................................................................
VI.
F.
75
76
77
80
81
84
87
88
89
89
90
91
92
95
B.
.. 97
..98
101
103
103
104
105
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 5
VII.
VIII.
IX.
C.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
A cultura da erva-mate no sul do Brasil e os desafios do cultivo em Machadinho ,
Benefícios ambientais...................................
SAF Cambona 4 e a neutralização de carbono
Relação do estudo de caso com o Big Push e a Agenda 2030....................
Conclusão.................................................................................................
Bibliografia........................................................................................................
Sistema Agroflorestal Cambona 4: um exemplo de impulso à sustentabilidade 
na Região Sul do Brasil......................................................................................
Airton José Morganti Júnior, José Lourival Magri, Selia Regina Felizari
Resumo ............................................................................................................
Introdução................................................................................................
1.
Sistema Agroflorestal Cambona 4..............................
SAF Cambona 4 e o desenvolvimento socioambiental
1.
2.
SAF Cambona 4 e o Big Push para a Sustentabilidade....................
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
Unidade de Cogeração Lages: um exemplo do potencial transformador 
da economia circular ..............................................................................
José Lourival Magri, Mario Wilson Cusatis
Resumo ..................................................................................................
Introdução......................................................................................
Descrição do projeto......................................................................
Destinação das cinzas de biomassa...............................................
Projeto comunitário.......................................................................
Tecnologia para melhor aproveitamento........................................
Impactos da iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade....
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
O modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes..........
Rogério Atem de Carvalho
Resumo..................................................................................................
Introdução......................................................................................
O modelo de ação do PICG............................................................
1.
2.
3.
4.
5.
6.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
G.
A.
B.
Linha 1: projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) 
Linha 2: projetos com comunidades e governos...........................
Linha 3: projetos de pesquisa aplicada e extensão tecnológica....
Linha 4: concepção e operação do campus...................................
Ações integrativas........................................................................
O PICG como parte de um ecossistema........................................
O ciclo virtuoso dos investimentos em inovação..................................
Impactos econômicos, sociais e ambientais..........................................
1.
2.
3.
C.
D.
E.
Dimensão econômica ................................................................................
Dimensão ambiental..................................................................................
Dimensão social.........................................................................................
A atuação do PICG à luz do Big Push para a Sustentabilidade e da Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável................................................................
Conclusões .........................................................................................................
Bibliografia.................................................................................................................
F.
.111
112
112
115
115 
116 
116 
.117 
119 
120 
121 
122
124 
125
127
127
127
129
.131
132
.133
134
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136
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.137 
138 
140 
141 
141 
143 
144 
146 
147 
148 
149 
149 
150 
151
151
153
153
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 6
X. Tecnologias sociais como impulso para o acesso à água e o desenvolvimento 
sustentável no meio rural brasileiro: a experiência do Programa Cisternas....
Vitor Leal Santana, Lilian dos Santos Rahal 
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Programa Cisternas: contexto, resultados e impactos............................
Relação do caso estudo com o Big Push para a Sustentabilidade...........
Considerações finais...............................................................................
Bibliografia.....................................................................................................
Programa de Restauração Ambiental da Suzano: lições aprendidas para 
investimentos em recuperação de pastagens degradadas no Brasil...............
Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli, Yugo Matsuda
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Estruturação de investimentos no âmbito da estratégia de conservação 
e do Programa de Restauração Ambiental da Suzano............................
1.
2.
3.
4.
155
XI.
XII.
XIII.
A.
B.
C.
D.
155 
156 
.157
165 
166 
167
171
A.
B.
C.
171
172
Métodos customizados......................................................................................
Gestão eficiente e parcerias...............................................................................
Capacidade de replicabilidade ..........................................................................
Processos inovadores em financiamento, gestão e tecnologia.........................
Os impactos do Programa de Restauração Ambiental no contexto do Big Push 
para a Sustentabilidade e da Agenda 2030................................................................
Conclusão..................................................................................................................
Bibliografia.........................................................................................................................
Política de conteúdo local e incentivos financeiros no mercado de energia eólica no Brasil 
Britta Rennkamp, Fernanda Fortes Westin, Carolina Grottera
Resumo .............................................................................................................................
Introdução.................................................................................................................
Fatores, atores e impactos das políticas de incentivo e conteúdo local 
no mercado de energia eólica no Brasil......................................................................
1.
2.
Capacidade tecnológica nacional e criação de emprego nas indústrias 
de energia eólica no Brasil...................................................................
Perspectivas futuras para o setor de energia eólica no Brasil...............
1.
2.
3.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
Requisitos de Conteúdo Local obrigatórios na tarifa feed-in.....
RCLs opcionais ligados ao financiamento de energia renovável
Expansão dos mercados eólicos na América Latina....................................
A energia eólica e a estratégia de desenvolvimento a longo prazo brasileira 
Análise à luz da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade................
Conclusão.............................................................................................................
Bibliografia...................................................................................................................
Anexo XII.1....................................................................................................................
Da subsistência ao desenvolvimento: o processo de construção da Associação 
de Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras - MG.....................................................
Eliane Oliveira Moreira, Jucilaine Neves Sousa Wivaldo 
Resumo.............................................................................................................................
A. Introdução.................................................................................................................
O material reciclável e o contexto brasileiro da década de 1990: breve histórico......
Uma construção social dialogada: o processo histórico inicial da ACAMAR e a FPDA
B.
C.
.173 
174 
. 177 
179 
179
180
183
184
185
185
186
187
187
188
189
194
194
195
196
197
198
200
201
201
202
203
204
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 7
D. Desenvolvimento em perspectiva: desenvolvimento sustentável, a ACAMAR 
e o Big Push para a Sustentabilidade........................................................................
Considerações finais...................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
XIV. Projeto Tipitamba: transformando paisagens e compartilhando conhecimento 
na Amazônia ............................................................................................................
Osvaldo Ryohei Kato, Anna Christina M. Roffé Borges, Célia Maria B. Calandrini de Azevedo, 
Debora Veiga Aragão, Grimoaldo Bandeira de Matos, Lucilda Maria Sousa de Matos, 
Maurício Kadooka Shimizu, Steel Silva Vasconcelos, Tatiana Deane de Abreu Sá 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
O Projeto Tipitamba...................................................................................................
O potencial transformador dos investimentos no Sistema Tipitamba...................
Os impactos econômicos, sociais e ambientais do Projeto Tipitamba...................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade.......................
Conclusão ...................................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
Desenvolvimento sustentável e geração de impacto positivo: caso Natura e Amazônia 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
Modelo de negócio sustentável.................................................................................
1.
Estruturação de investimentos no âmbito do Programa Natura Amazônia
1.
2.
3.
E.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
XV.
A.
B.
Estudo de caso Ucuuba
C.
D.
E.
Ciência, tecnologia e inovação.....................................................
Fortalecimento institucional........................................................
Cadeias produtivas.......................................................................
Relação entre o estudo de caso e o Big Push para a Sustentabilidade
Conclusão .............................................................................................
Bibliografia ....................................................................................................
Anexo XV.1....................................................................................................
Tabelas
Tabela I.1
Tabela II.1
Tabela II.2
Tabela IV.1
Tabela VI.1
Tabela VIII.1
Tabela X.1
Tabela X.2
Tabela X.3
Tabela XII.1
Tabela XII.2
Tabela XV.1
Compromissos Ambientais CSP.............................................................................
Grupos de famílias atendidos pelo Plano Emergencial e assessoria
técnica do Procase...................................................................................................
Procase e ODS nos Planos Emergenciais..............................................................
Indicadores de Desenvolvimento Sustentável elencados pela CEPAL
e a aderência do PE Verde da Braskem..................................................................
Funções das unidades de tratamento e resultados esperados..............................
Histórico das emissões de RCE relativas ao Projeto MDL 0268 ...........................
Linhas de ação do Programa Cisternas..................................................................
Comparativo entre médias de indicadores populacionais e socioeconômicos....
Impactos do Programa Cisternas nas dimensões econômica, social e ambiental 
Projeção de geração de energia eólica em 2025....................................................
Lista de entrevistados/representantes das empresas do setor
de energia eólica .....................................................................................................
Principais diretrizes e compromissos do PAM.......................................................
207
210
211
213
213
214
214
218
219
223
225
226
227
227
227
228
229
231
232
233
234
235
237
238
239
30
54
55
..85 
106
131 
158 
162 
164 
195
200
232
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 8
Gráficos
Gráfico I.1
Gráfico I.2
Gráfico I.3
Gráfico I.4
Gráfico I.5
Gráfico I.6
Gráfico I.7
Gráfico I.8
Gráfico I.9
Gráfico III.1
Gráfico III.2
Gráfico IV.1
Gráfico V.1
Gráfico V.2
Gráfico VI.1
Gráfico VI.2
Gráfico VI.3
Gráfico VI.4
Gráfico XII.1
Gráfico XII.2
Gráfico XII.3
Produção de placas da CSP...............................................................................
Geração de empregos diretos e indiretos.........................................................
Participação em aços de alto valor agregado no portfólio da CSP..................
Empresas em SGA e Caucaia de 2010 a 2017....................................................
Exportações de produtos metalúrgicos em SGA.............................................
Exportação do Ceará .........................................................................................
Número de microempreendores individuais (MEI) instalados em SGA 
e Caucaia em 2010 e 2018.................................................................................
Salário médio mensal em SGA e Fortaleza......................................................
Empregos em SGA por gênero de 2010 a 2017.................................................
Impacto no orçamento anual com a compra de sacas de farinha nos 
grupos familiares das aldeias Beija-flor, Flecheira e Morada Nova.................
Impacto no orçamento mensal com a venda de uma saca de farinha 
nos grupos familiares das aldeias Beija-Flor, Flecheira e Morada Nova.........
Evolução da porcentagem de Fornecedores de Etanol da Braskem que 
se adequaram aos requisitos de Conformidade (obrigatórios) e
Excelência (pontos de melhoria contínua).......................................................
Representatividade do valor comercializado em relação à renda bruta 
antes (safra 2013-2014) e no final (safra 2015-2016) do período 
de vigência do projeto.......................................................................................
Renda Bruta no Período de Execução do PAS (2012 a 2017)...........................
Concentrações afluente e efluente de DBO5...................................................
Concentrações afluente e efluente de nitrogênio amoniacal..........................
Concentrações afluente e efluente de fósforo total........................................
Concentrações afluente e efluente de E. coli....................................................
Capacidade instalada, financiamento do BNDES e investimento total 
setor de energia eólica no Brasil, 2005-2014....................................................
Patentes registradas relacionadas à energia eólica no Brasil de acordo 
com o conteúdo tecnológico, 1991-2016.........................................................
Evolução dos preços dos leilões de energia eólica no Brasil (Proinfa), 2009-2018
33
34
35
38
39
39
40
41
43
66
67
82
.. 93 
.. 97 
109 
109 
110
110
191
193
193
Quadros
Quadro IX.i
Quadro XI.1
Breve histórico do PICG..............
Técnicas aplicadas à restauração
139
173
Mapas
Mapa V.1
Mapa X.1
Mapa XII.1
Mapa XV.1
Área de implementação da iniciativa Assentamentos Sustentáveis na Amazônia
Distribuição territorial das tecnologias apoiadas no âmbito do
Programa Cisternas ............................................................................................
Distribuição regional das principais montadoras de turbinas eólicas 
e principais fabricantes de turbinas eólicas no Brasil........................................
Famílias fornecedoras da sociobiodiversidade..................................................
93
160
190
239
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 9
Figuras
Figura I.1
Figura I.2
Figura I.3
Figura I.4
Figura I.5
Figura I.6
Figura I.7
Figura I.8
Figura I.9
Figura I.10
Figura I.11
Figura I.12
Figura II.1
Figura II.2
Figura II.3
Figura II.4
Figura III.1
Figura III.2
Figura III.3
Figura III.4
Figura III.5
Figura III.6
Figura III.7
Figura IV.1
Figura IV.2
Figura IV.3
Figura V.1
Figura V.2
Figura VI.1
Figura VI.2
Figura VI.3
Posição geográfica estratégica do CIPP em relação a Europa, Estados Unidos 
e África................................................................................................................
Correia transportadora enclausurada responsável pelo transporte das principais 
matérias-primas do Porto para CSP e placas da CSP no Porto do Pecém...........
ZPE Ceará...........................................................................................................
Vista superior CSP.............................................................................................
A CSP encontra-se entre os projetos com melhores indicadores 
de implantação do mundo................................................................................
Sementes coletadas e mudas de plantas nativas.............................................
Plantio de mudas e livro publicado pela CSP....................................................
Impermeabilização e aspersão de água do pátio de matérias primas.............
Cronologia da primeira estaca à primeira placa ...............................................
Do Ceará para o mundo.....................................................................................
Laboratórios CSP...............................................................................................
Termoeléctrica CSP...........................................................................................
Campo de palma irrigada em sistema emergencial/SAF recém 
implantado na Vila Lafayete, município de Monteiro......................................
Vista parcial do SAF do Assentamento Beira Rio, no município de Camalaú .. 
Implantação do SAF na comunidade do Riacho de Sangue, município 
de Barra de Santa Rosa......................................................................................
Sistema Agroflorestal na Comunidade Bom Sucesso, município de Sossego . 
Mandioca da variedade denominada pelos Tûkûna como Samaúma, 
aldeia Morada Nova...........................................................................................
Mandioca da variedade identificada como Cruvilha pelos Tûkûna, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Mandioca roxa doada por indígenas da aldeia Jarinal e colhida da roça 
de isolados da TI Vale do Javari, aldeia Beija-Flor.............................................
Roçado com algumas variedades da mandioca em consórcio com outras 
espécies e floresta, aldeia Beija-Flor.................................................................
Wadawi Gracinha Kanamari, durante a preparação do cipó Timbó para 
a fabricação de teçumes, aldeia Beija-Flor.......................................................
Djana Eraci Kanamari, durante a confecção de teçume feito de cipó timbó, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Novelo de fio de tucum produzido por Tsawi Dilce Kanamari........................
Esquema ilustrativo da análise de ciclo de vida do PE Verde da Braskem......
Estimativa do uso de terra agricultável para produção de matérias-primas 
renováveis para produção de produtos não energéticos e bioplásticos 
2018 e 2023 ........................................................................................................
Itens avaliados nos requisitos de Meio Ambiente e de Trabalhadores 
e Comunidade do pilar de Conformidade dentro do programa de
Compra Responsável de Etanol da Braskem ....................................................
Dimensões consideradas na definição dos 20 indicadores de sustentabilidade 
da iniciativa........................................................................................................
Critérios para repasse de PSA...........................................................................
Layout do sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar.................
Reator UASB projetado para o estudo.............................................................
Lagoas de polimento projetadas para o estudo...............................................
24
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84
..94 
. 96 
106
107 
107
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 10
Figura IX.1
Figura IX.2
Figura IX.3
Figura IX.4
Figura X.1
Figura XII.1
Figura XIV.1
Figura XIV.2
Figura XIV.3
Figura XIV.4
Figura XIV.5
Vista aérea do PICG ...............................................................................................
Alunos em atividade sobre mudas de árvores nativas.........................................
Módulo de controle de geração e consumo de energia fotovoltaica do I2S.......
Ciclo de investimentos...........................................................................................
Principais tipos de tecnologias implantadas........................................................
Produtos da cadeia de suprimento de acordo com o grau de conteúdo tecnológico 
Trituração da biomassa, cobertura morta, plantio direto e sistema de 
produção sem uso do fogo e opções de continuidade (sentido horário)............
Ações de capacitação e intercâmbio de agricultores...........................................
Minibibliotecas da Embrapa ..................................................................................
Sistema tradicional de derruba-e-queima e preparo de área sem queima 
do Sistema Tipitamba............................................................................................
Implantação de sistemas agroflorestais multiestratos em áreas preparadas 
e cultivo de plantas perenes em áreas preparadas com corte-e-trituração........
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CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 11
Prefácio
Grande impulso para 2030
Carlo Pereira.*
Diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.
Em 2015, a ONU propôs aos seus países membros uma nova agenda pelo desenvolvimento sustentável. 
Composta por 17 Objetivos Globais, a Agenda 2030 representa mais do que os desafios do presente, ela 
prevê oportunidades para o futuro. Só podemos atingir a prosperidade econômica se não deixarmos 
ninguém para trás, como pregam os ODS. E quando falamos em avançar sem aceitar retrocessos, 
fazemos referência às dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento, também 
abordadas pela ideia de Big Push para a Sustentabilidade, à qual esta publicação se refere.
Começando pela dimensão social, entendemos que erradicar a pobreza (ODS 1) e reduzir as 
desigualdades (ODS 10) são objetivos capazes de trazer ganhos econômicos para as empresas através 
da inclusão de quem atualmente se encontra à margem. Como exemplo, a igualdade de gênero (ODS 5) 
tem potencial de injetar US$ 5,8 trilhões na economia global, mas demoraria 257 anos para ser 
efetivada, se continuarmos no ritmo em que estamos. Quem agir primeiro, aproveitará da melhor forma 
as oportunidades da inclusão.
A dimensão econômica atravessa todos os ODS, mas é tema central de alguns, como o ODS 8 
—Trabalho decente e crescimento econômico (uma declaração de que um não existe sem o outro) e o 
ODS 9, que visa a promoção de uma industrialização inclusiva e sustentável, além do fomento à 
inovação. Já o ODS 12— Consumo e produção responsáveis, abre caminho para a integração sustentável 
entre economia e meio ambiente, de onde tiramos os recursos para a nossa sobrevivência no planeta.
Alguns pontos de vista ainda defendem ser necessário desconsiderar a dimensão ambiental do 
desenvolvimento, ignorando as oportunidades dela decorrentes. O ODS 15, por exemplo, visa a 
*
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 12
preservação da vida na terra, com o combate à desertificação e degradação do solo como metas. 
A preservação da terra permite a viabilidade econômica de empresas produtoras de alimento, que serão 
responsáveis pela subsistência de uma população mundial que chegará a 9.7 bilhões de pessoas em 2050 
(ODS 2 - Fome zero e agricultura sustentável). A sustentabilidade fornece terreno fértil para o 
crescimento econômico.
próximos 10 anos. No processo de pesquisa para construir nossas
atingido até 2030. Precisamos fazer mais, e não
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam questões atuais com impactos que 
podem ser positivos ou negativos nos próximos anos, a depender da forma como gerimos as soluções. 
A crise climática, por exemplo, não permite hesitações, requer ações ágeis pela prosperidade dos 
negócios, ecossistemas e pela humanidade (ODS 13). Por isso que, em 2020, a reunião do Fórum 
Econômico Mundial colocou as mudanças climáticas como o maior risco da década, à frente de crises 
financeiras. De acordo com o relatório Riscos Globais 2020, lançado pela instituição, o custo da inércia 
será de US$ 1 trilhão para as 200 maiores empresas do mundo.
A Rede Brasil do Pacto Global é a maior plataforma de promoção dos ODS junto ao setor 
empresarial no país. Em 2019, contamos com o apoio da consultoria Falconi para traçar nosso 
planejamento estratégico para os
metas, descobrimos que, no ritmo em que o Brasil se encontra, apenas o ODS 7 —Energia limpa e 
acessível, tem indicadores suficientes para ser 
conseguimos evoluir sozinhos.
Por isso, aplaudimos e apoiamos a iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o 
Caribe (CEPAL), de reconhecer as iniciativas que estão agindo por um Big Push de Sustentabilidade, que 
corresponde ao tipo de desenvolvimento econômico e socioambiental do qual somos porta-vozes. 
A CEPAL compreende a necessidade de alavancar investimentos nacionais e estrangeiros através da 
coordenação de políticas públicas e privadas para gerar um ciclo de crescimento econômico virtuoso, 
capaz de gerar emprego e renda, reduzir desigualdades e promover a sustentabilidade. Em suma, 
articular diversos atores (ODS 17) em prol do cumprimento da Agenda 2030.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a nossa década de “A Década da Ação. 
Muitos avanços já foram feitos, mas 
sustentável. No entanto, para chegarmos em 2030 com o cumprimento das metas dos ODS, precisamos 
fazer mais, precisamos de um big push. As soluções que necessitamos podem vir do exemplo. Aproveite 
a leitura para inspirar-se na experiência de iniciativas que já estão vivendo o hoje como se fosse 2030.
também alguns retrocessos, em busca de um futuro mais
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 13
Apresentação
Alicia Bárcena.*
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas recentemente 
completou 70 anos de existência, marcada por trabalhos seminais, abordagens inovadoras e 
direcionamentos de políticas orientados para o desenvolvimento com sustentabilidade e igualdade. 
Ao longo desse período, o pensamento cepalino renovou-se e atualizou-se à medida que as economias 
da região se transformaram. Ao mesmo tempo, a CEPAL reafirmou a sua abordagem teórica conforme 
as características estruturais do desenvolvimento da região, que foram reproduzidas nessas últimas 
décadas e em muitos casos aprofundadas.
A CEPAL identifica e analisa, desde o seu nascimento, as profundas brechas estruturais que 
persistem nas economias latino-americanas, tais como assimetrias competitivas e tecnológicas, os 
desafios para convergência com níveis de renda superiores, as ineficiências da desigualdade e as 
implicações da sobre-exploração dos recursos naturais. No campo propositivo, a CEPAL tem apontado 
direções para uma mudança estrutural progressiva, orientada pela visão de que um desenvolvimento 
econômico sustentável depende criticamente de um meio ambiente saudável e de uma sociedade 
construída sobre a base da igualdade. Nos últimos anos, temos nos empenhado para articular uma 
proposta renovada que reflita essa visão, articulada em torno de um grande impulso (big push) para a 
sustentabilidade, para promover a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável.
O Big Push para a Sustentabilidade é uma abordagem que a CEPAL vem desenvolvendo para 
apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais sustentáveis, baseada na 
coordenação de políticas para promover investimentos sustentáveis, que produzam um ciclo virtuoso 
de crescimento econômico, geração de emprego e renda e redução de desigualdades e lacunas 
estruturais, ao mesmo tempo que mantêm e regeneram a base de recursos naturais da qual o 
desenvolvimento depende. Viemos trabalhando nessa abordagem em um momento oportuno, no qual 
* Secretária-Executiva da CEPAL.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 14
a preocupação com a sustentabilidade ambiental, a igualdade e a retomada da atividade econômica se 
instalou na agenda internacional. Assim, em 2015, 193 países aprovaram a Agenda 2030 e seus 
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que norteiam uma transformação estrutural dos estilos 
de desenvolvimento em suas dimensões social, econômica e ambiental. Em conformidade com a 
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o Big Push para a Sustentabilidade não deixará 
ninguém para trás e deve servir para a erradicação da fome e da pobreza em todas as suas formas.
Nesse contexto, tenho o prazer de apresentar esta publicação, intitulada Investimentos 
transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável: Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push)para a sustentabilidade no Brasil, que traz estudos de casos concretos que não apenas ilustram 
a viabilidade, mas também nos apresentam as lições aprendidas, as oportunidades e os desafios para 
um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil. A publicação é fruto do esforço voluntário dos autores 
dos capítulos, de divers0s setores e áreas de formação, em registrar e dar visibilidade a experiências que 
podem se tornar exemplos a serem replicados, unindo teoria e prática.
O leitor interessado em exemplos de ações reais que têm sido bem-sucedidas em promover 
investimentos com impactos positivos nas três dimensões do desenvolvimento sustentável (social, 
econômica e ambiental) encontrará na seleção de capítulos reunidos na presente publicação um 
material de grande utilidade. Esta publicação apresenta um panorama das amplas possibilidades para 
a realização de investimentos sustentáveis em diversas escalas (em nível de empresas, de comunidades, 
de municípios, de regiões e nacional), em várias práticas e tecnologias sustentáveis (desde sistemas 
agroflorestais e de produtos da química verde até sistemas de saneamento básico rural e 
desenvolvimento da indústria eólica) e por meio de uma rica pluralidade de medidas, políticas, arranjos 
de governança e fontes de financiamento. Os estudos de casos retratados nesta publicação são luzes 
que podem nos orientar rumo a um futuro sustentável e igualitário.
O Brasil é o maior país e economia da América do Sul e tem sido objeto de análise da CEPAL 
quanto a suas experiências e políticas sustentáveis que possam contribuir para o desenvolvimento 
regional. Esta publicação vem demonstrar essa atenção da CEPAL para o Brasil, consolidando uma 
relação de cooperação e de estudos conjuntos de várias décadas.
Sem mais preâmbulos, convido cordialmente o leitor a mergulhar nestas páginas com o fim de 
ampliar sua compreensão sobre as complexidades, os desafios e, fundamentalmente, as possibilidades 
para um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil nos contextos atuais da sociedade, da economia e 
do meio ambiente, que claramente exigem um novo estilo de desenvolvimento com igualdade e 
sustentabilidade ambiental.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 15
Introdução
.*Carlos Mussi 
Camila Gramkow.* *
Diretor do Escritório da CEPAL no Brasil.
Oficial de Assuntos Econômicos, Escritório da CEPAL no Brasil.
limites planetários, a emergência climática
Os dias atuais são marcados por uma conjuntura de busca pela recuperação do vigor econômico no 
Brasil e no mundo. Essa recuperação toma contornos complexos, uma vez que, aos aspectos 
conjunturais, se somam os desafios estruturais dos quais depende a própria sustentabilidade da 
atividade econômica no longo prazo, incluindo os  e a 
ineficiência da desigualdade. O mundo no qual nos encontramos requer um novo estilo de 
desenvolvimento, em cujo centro estejam a igualdade e a sustentabilidade. É essa a visão desenvolvida 
pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas que define a 
abordagem para apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais 
sustentáveis, chamada Big Push para a Sustentabilidade. A Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) orienta e promove essa visão da CEPAL. Essa abordagem 
representa uma coordenação de políticas (públicas e privadas, nacionais e subnacionais, setoriais, 
fiscais, regulatórias, financeiras, de planejamento, etc.) que alavanquem investimentos nacionais e 
estrangeiros para produzir um ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de emprego e renda, 
redução de desigualdades e brechas estruturais e promoção da sustentabilidade ambiental. Assim, os 
volumosos investimentos necessários para a transição para um modelo econômico resiliente, de baixo 
carbono e sustentável são colocados como uma oportunidade de gerar um grande impulso (big push) 
para um novo ciclo de crescimento econômico e de promoção da igualdade, contribuindo para a 
construção de um desenvolvimento mais sustentável, no seu tripé econômico, social e ambiental.
Os delineamentos conceituais básicos do Big Push para a Sustentabilidade foram desenvolvidos 
pela CEPAL (CEPAL, 2016 e 2018). O elemento chave dessa abordagem são os investimentos, que são 
*
**
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 16
o principal elo entre o curto e o longo prazo. Os investimentos de hoje explicam a estrutura produtiva 
de amanhã, que por sua vez determina a competitividade, a produtividade e o tipo de inserção no 
comércio internacional. Além disso, ela também determina a capacidade de geração de empregos de 
qualidade com inclusão produtiva e se a atividade econômica será contaminante ou ecológica. 
Atualmente, é mais verdadeiro do que nunca afirmar que as economias que investem pouco tendem a 
se posicionar na periferia do sistema econômico global. Os investimentos são fundamentais para que 
as mudanças profundas e estruturais que já estão em curso, desde a revolução tecnológica 
(transformação digital da economia, bioeconomia, nanotecnologia, etc.) até a transição demográfica, 
tornem-se oportunidade para o desenvolvimento sustentável —e não novos desafios para a 
sobrevivência de nossas economias e sistemas sociopolíticos. Em suma, a qualidade de nosso futuro 
depende crucialmente do tipo de investimento que é realizado hoje.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, os investimentos devem ser orientados por 
uma tripla eficiência, para que sejam compatíveis com a construção de estilos de desenvolvimento 
sustentáveis. A primeira, é a eficiência schumpeteriana, segundo a qual uma matriz produtiva mais 
integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera externalidades positivas de aprendizagem e 
inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Estruturas produtivas que permitem acelerar o 
fluxo de informações e de conhecimentos tendem a ser economias mais eficientes, mais inovadoras e 
mais preparadas para se inserir competitivamente em mercados que remuneram melhor os bens e 
serviços produzidos. Essa é uma eficiência muito associada ao lado da oferta, ou seja, das capacidades 
produtivas e tecnológicas instaladas. A segunda eficiência é a keynesiana, que destaca que há ganhos 
de eficiência da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando 
efeitos multiplicadores e impactos positivos na economia e nos empregos. Economias que conseguem 
acessar mercados em expansão podem aumentar sua produção em uma velocidade maior do que 
aumentam seus custos (economias de escala) e, quando opera negócios diversos simultaneamente, 
pode aumentar a eficiência conjunta da produção, com consequente redução de custos e aumento da 
qualidade (economia de escopo). Essa segunda eficiência destaca elementos do lado da demanda que 
se reforçam, criando um círculo virtuoso de competitividade, inovação e produtividade. A eficiência 
keynesiana está muito relacionada com a eficiência schumpeteriana, uma vez que os mercados que 
mais crescem tendem a ser aqueles com maior dinamismo tecnológico e de inovação. Somadas, as 
eficiências schumpeteriana e keynesiana criam as condições para uma inserção competitiva favorável. 
Contudo, é necessária a terceira eficiência para garantir a sustentabilidade de longo prazo, que é a 
eficiência da sustentabilidade, a qual se relaciona com a clássica eficiência no tripé econômico, social e 
ambiental. Essa eficiência destaca que os investimentos devem ser economicamente viáveis, o que 
requer pensar sobre fontes de financiamento e origem dos recursos. No âmbito social, além de justiça 
social e promoção da igualdade, na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, também é 
necessário um sistema seguro e justo de arbitragem de conflitos, que não deixe ninguém para trás. O 
eixo ambiental da eficiência da sustentabilidade reforça que os investimentos sustentáveis devem 
diminuir a pegada ambiental e os impactos ambientais, ao mesmo tempo em que recupera a capacidade 
produtiva do capital natural. Juntas, as eficiência schumpeteriana, keynesiana e da sustentabilidade 
tornam-se pilares para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, a coordenação de políticas em torno da tripla 
eficiência é chave para destravar investimentos nacionais e estrangeiros, não apenas em práticas, 
tecnologias, cadeias de valor e infraestrutura sustentáveis, mas também em capacidades tecnológicas 
e educação para equipar a força de trabalho com as habilidades necessárias para o futuro. 
A coordenação é simultaneamente o desafio crítico e a principal oportunidade do Big Push para a 
Sustentabilidade. Se uma ampla gama de políticas (públicas e corporativas, nacionais e subnacionais, 
setoriais, tributárias, regulatórias, fiscais, financeiras, de planejamento, etc.) estiver alinhada e coesa 
com os pilares de um novo estilo de desenvolvimento, um ambiente favorável para mobilizar os 
investimentos necessários será estabelecido, ancorado em incertezas reduzidas, sinais de preços 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 17
corrigidos e um mix de políticas adequado. O consequente aumento dos investimentos sustentáveis 
leva, então, a um ciclo virtuoso de crescimento econômico, criação de empregos, desenvolvimento de 
cadeias produtivas, redução da pegada ambiental e impactos ambientais, ao mesmo tempo em que 
recupera a capacidade produtiva do capital natural.
A CEPAL iniciou uma discussão sobre as oportunidades e os desafios para um Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019). Dentre as oportunidades, destaca-se o grande potencial 
para os investimentos de baixo carbono no país, na ordem de US$ 1,3 trilhões até 2030 em setores tais 
como infraestrutura urbana (mobilidade, edificações, resíduos etc.), energias renováveis e indústria 
(IFC, 2016). Foram ressaltados também, os ganhos competitivos das firmas no Brasil que já investem 
em tecnologias sustentáveis (em termos de redução de custos, aumento de qualidade, aumento de 
market share, acesso a novos mercados etc.), a maior facilidade de acesso a financiamento para 
empresas que possuem uma governança ambiental e social e a existência de uma ampla base de 
capacidades produtivas e tecnológicas voltadas à sustentabilidade. Outro ponto identificado foi o 
oportuno momento atual, no qual se está discutindo caminhos para a recuperação da economia 
brasileira. Esse contexto pode ser uma oportunidade para o país direcionar esforços para acelerar os 
investimentos sustentáveis. A questão da coordenação é fundamental nessa discussão, já que foi 
identificado um potencial muito grande de destravar investimentos sustentáveis no país por meio de 
um esforço robusto e detalhado de coordenação de políticas, que remova sinais contraditórios e 
barreiras. Contudo, há também desafios para o Brasil, que incluem custos relativos ao carbon lock-in 
(relacionados à transição de paradigma tecnológico, especialmente nos setores mais poluentes), 
reduzido espaço fiscal para formulação de novas políticas —particularmente no contexto da Emenda 
Constitucional 95/2016— e o contexto federativo do país, que impõe necessidade de ampla 
coordenação entre os entes federativos.
Buscando aterrissar os delineamentos conceituais da abordagem do Big Push para a 
Sustentabilidade no mundo real, a CEPAL realizou uma Chamada Aberta de Estudos de Casos de 
Investimentos para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil, que contou com a parceria institucional 
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, 
bem como com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (Gesellschaft für Internationale 
Zusammenarbeit - GIZ) e da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES). A chamada, lançada em 8 de abril 
de 2019 na ocasião do lançamento do Relatório sobre Oportunidades e Desafios para o Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019) no Insper em São Paulo, convidou pesquisadores, 
profissionais do setor privado, empresários, representantes da sociedade civil, formuladores de políticas 
públicas e servidores públicos a enviar estudos de casos sobre investimentos com impacto para o 
desenvolvimento sustentável no Brasil, em linha com o Big Push para a Sustentabilidade. Encerrada em 
16 de agosto de 2019, foram recebidos um total de 131 estudos de casos. Houve uma grande diversidade 
de setores, pluralidade de atores, heterogeneidade de regiões e variedade de iniciativas entre os 
estudos enviados. Quanto aos setores, a maior parte dos casos é relacionada à Infraestrutura (30% do 
total de estudos), seguida por Agropecuária e Uso do Solo (28%), Indústria (13%), Reciclagem e 
Resíduos (11%) e outros. Sobre os tipos de iniciativas analisadas nos casos, nota-se que as principais 
foram relacionadas a políticas públicas (26% do total de estudos) e políticas corporativas (19%), 
seguidas por políticas de cooperação internacional (5%), medidas implementadas pelo Sistema S (2%) 
e combinações. Em termos de cobertura geográfica, a maior parte dos casos concentrou-se no nível 
nacional (28%), sendo que também houve estudos focados em áreas das regiões Sudeste (20%), 
Nordeste (17%), Sul (13%), Norte (12%), Centro-Oeste (8%) e combinações dessas.
A partir dos 131 estudos de casos recebidos, um Comitê de Avaliação, formado por especialistas 
em desenvolvimento sustentável do IPEA, do Governo Federal Brasileiro e da CEPAL, analisou os casos 
enviados. Desses, 66 estudos foram considerados elegíveis como casos de Big Push para a 
Sustentabilidade, sendo que o principal critério de elegibilidade foi que os estudos de caso 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 18
conseguissem reportar pelo menos um indicador de cada dimensão do desenvolvimento sustentável 
(econômico, social e ambiental), conforme estabelecido nas Regras da Chamada (CEPAL, 2019). Todos 
os 66 casos elegíveis estão disponíveis no “Repositório de casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade 
no Brasil, hospedado pela CEPAL (CEPAL, 2020). O repositório tem como objetivo dar visibilidade e 
oportunidade de showcase às experiências e iniciativas que geraram resultados concretos em direção à 
sustentabilidade do desenvolvimento. A partir delas, ficarão mais claros as oportunidades e os desafios 
para um Big Push para a Sustentabilidade no país.
O Comitê de Avaliação também selecionou os estudos de casos mais transformadores rumo ao 
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil e são esses estudos selecionados que compõem os 
15 capítulos da presente publicação. Os critérios para a seleção dos casos mais transformadores foram 
a quantidade dos indicadores reportados nas três dimensões (social, econômica e ambiental) e a análise 
dos vínculos do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade e a Agenda 2030 para o 
Desenvolvimento Sustentável, além de buscar representar a heterogeneidade e pluralidade de desafios 
e soluções para o Big Push para a Sustentabilidade no Brasil.
No primeiro capítulo, Alex Maia do Nascimento e coautores, todos funcionários da Companhia 
Siderúrgica do Pecém (CSP) relatam o caso do maior projeto de investimento privado realizado na 
história do Estado do Ceará, com valor superior a US$ 5 bilhões, que foi o estabelecimento da CSP. 
O caso da CSP ilustra como investimentos em uma siderúrgica moderna e integrada vem contribuindo 
para a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável localmente, por meio de adoção de 
tecnologias sustentáveis de ponta, recuperação florestal, capacitação de pessoas, geração de 
empregos, agregação de valor às exportações do país, etc. O segundo capítulo, de autoria de Leonardo 
Bichara Rocha (Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura - FIDA), Thiago César Farias 
da Silva (Procase, Paraíba) e Donivaldo Martins (FIDA), apresenta o caso do Projeto de Desenvolvimento 
Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú (Procase), apoiado pelo FIDA e pelo Estado da Paraíba. 
O estudo do Procase evidencia como investimentos no combate à desertificação do sistema Caatinga, 
por exemplo, em poços, barragens, dessalinizadores e sistemas agroflorestais (SAFs), podem contribuir 
para redução da pobreza, segurança hídrica e alimentar, redução de custos, geração de renda, 
diversificação produtiva etc.
No Capítulo III, assinado por Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle e 
Tatiana Ribeiro Souza Brito, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), relatam o caso de iniciativas 
realizadas na Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá, Sudoeste Amazônico. O estudo exemplifica que 
investimentos de baixo montante, por exemplo, da ordem de R$ 9 mil para construção de casas de 
farinha, podem estimular a reprodução do sistema agrícola indígena e reafirmar os saberes desses 
povos como uma capacidade tecnológica que agrega valor à farinha produzida nas aldeias e a diferencia 
das demais. O caso ressalta a importância dos saberes e tradições indígenas, da valorização do papel da 
mulher e da atuação de forma colaborativa para se pensar em soluções de desenvolvimento sustentável 
adaptadas ao contexto amazônico. O Capítulo IV, de autoria de Adriana Mello, Jorge Soto e José 
Augusto Viveiro, todos da Braskem, ilustra o potencial da química verde do futuro, a partir do estudo de 
caso do desenvolvimento do Polietileno Verde (PE Verde) pela Braskem. Esse caso exemplifica como a 
indústria química pode se tornar uma indústria sustentável, inclusiva e competitiva a partir do potencial 
transformativo da produção de polímeros de fontes renováveis, que são abundantes no país. O estudo 
evidencia a importância de uma trajetória consistente de investimentos em tecnologia e inovação, do 
processo de aprendizado e do compromisso de longo prazo da empresa com a sustentabilidade.
No Capítulo V, Erika de Paula P. Pinto e coautores, todos do Instituto de Pesquisa Ambiental da 
Amazônia (IPAM), apresentam o estudo de caso do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia, 
apoiado pelo Fundo Amazônia, que traz um exemplo de como podem ser realizados investimentos para 
a promoção de territórios rurais sustentáveis na região. O caso ilustra a importância de uma estratégia 
coordenada de ações (de assistência técnica e extensão rural a incentivos econômicos) a partir de uma
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 19
abordagem integrada de conservação e produção em territórios rurais ocupados pela agricultura 
familiar para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis, sem promover a derrubada de 
novas áreas de floresta. O Capítulo VI, assinado por Mateus Cunha Mayer (Instituto Nacional do 
Semiárido - INSA), Rodrigo de Andrade Barbosa (INSA), George Rodrigues Lambais (INSA), Salomão 
de Sousa Medeiros (INSA), Adrianus Cornelius Van Haandel (Universidade Federal de Campina Grande) 
e Silvânia Lucas dos Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), traz o estudo de caso do 
desenvolvimento de uma tecnologia de saneamento básico rural familiar, originalmente desenhada 
para o Seminário brasileiro. O caso trata de um sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar 
de fácil instalação e custo acessível que poderia alavancar a universalização do saneamento rural no 
Brasil, com benefícios diretos sobre a produção agrícola e indiretos sobre geração de renda, redução de 
pobreza e segurança alimentar.
O Capítulo VII, de autoria de Airton José Morganti Júnior (Consórcio Machadinho), José Lourival 
Magri (ENGIE Brasil Energia) e Selia Regina Felizari (Associação de Produtores de Erva-Mate de 
Machadinho - Apromate), apresenta o desenvolvimento e os resultados de um novo sistema produtivo 
da erva-mate no Estado do Rio Grande do Sul, que culminou na Cambona 4, uma variedade obtida a 
partir de melhoramento genético. Combinado com sistemas agroflorestais (SAFs), esse novo sistema 
produtivo restaurou e protegeu dezenas de nascentes, implantou sumidouros de carbono com 
reflorestamento e gerou aumento de renda para as famílias envolvidas no SAF, enquanto promoveu a 
industrialização na cadeia de valor e a maior rentabilidade da erva-mate. No Capítulo VIII, José Lourival 
Magri e Mario Wilson Cusatis, ambos da ENGIE Brasil Energia, estudam o caso da Unidade de Cogeração 
Lages (UCLA) em Santa Catarina a partir da ótica da economia circular. Esse caso ilustra como resíduos 
do setor madeireiro podem ser aproveitados para fins energéticos na UCLA e como as cinzas da 
biomassa da madeira geradas na UCLA podem ser aproveitadas para aumentar a produtividade e 
reduzir custos na agricultura, gerando redução de emissões de gases do efeito estufa que podem ser 
compensadas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Trata-se de um exemplo de como a 
economia circular pode gerar oportunidades para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.
No Capítulo IX, Rogério Atem de Carvalho (Polo de Inovação Campos dos Goytacazes) estuda o 
caso do modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes (PICG), do Instituto Federal 
Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. O caso ilustra um modelo capaz de coordenar e articular 
diversos atores (comunidade, pesquisadores de diferentes áreas de especialidade, setor produtivo, 
governos em vários níveis etc.) e tipos de financiamento (público e privado) para realização de 
investimentos em uma variedade de ações (projetos de PDI, parcerias, educação e capacitação, ações 
para gestão e operação do campus, dentre outras), que têm contribuído para um estilo de 
desenvolvimento sustentável. O Capítulo X, assinado por Vitor Leal Santana e Lilian dos Santos Rahal, 
ambos do Ministério da Cidadania, apresenta o caso do Programa Cisternas, que foca na construção de 
cisternas para captação e abastecimento de água para consumo humano e animal sob uma ótica de 
convivência com o Semiárido e respeito aos saberes e à cultura locais. O estudo exemplifica como 
investimentos, que somam mais de R$ 3,6 bilhões e beneficiaram mais de um milhão de famílias, em 
tecnologias sociais podem garantir o acesso à água no meio rural em regiões sujeitas à escassez hídrica, 
contribuindo para o enfrentamento da pobreza, a melhoria da saúde e da segurança alimentar e a 
estruturação de cadeias produtivas ambiental e socioeconomicamente sustentáveis.
O Capítulo XI, assinado por Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli e Yugo Matsuda, todos da 
Suzano, descreve como uma empresa que é líder mundial na produção de celulose de eucalipto vem 
estruturando uma estratégia de conservação da biodiversidade e de restauração ambiental, com foco 
em seu Programa de Restauração Ambiental. O estudo discorre sobre o desenvolvimento e o 
aprimoramento das ações da empresa em restauração ambiental e sobre como investir nessas ações 
faz sentido economicamente, já que seu core business depende criticamente de um capital natural 
saudável para alcançar seus altos índices de produtividade e mantê-los no longo prazo. O Capítulo XII, 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 20
de autoria de Britta Rennkamp (African Climate and Development Initiative, University of Cape Town), 
Fernanda Fortes Westin (Programa de Planejamento Energético, Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- 
Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro - PPE/COPPE/UFRJ) e 
Carolina Grottera (PPE/COPPE/UFRJ), apresenta o caso do vigoroso desenvolvimento da indústria de 
energia eólica no Brasil, com foco especial em Requisitos de Conteúdo Local (RCL). O estudo ilustra 
como a coordenação de diferentes políticas (tarifas feed-in, leilões, financiamento condicionado aos 
RCL através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, dentre outras) 
contribuiu para mobilizar investimentos para a construção de capacidades tecnológicas nacionais e para 
a expansão da energia eólica no país.
No Capítulo XIII, Eliane Oliveira Moreira e Jucilaine Neves Sousa Wivaldo discorrem sobre como 
demandas sociais locais e construídas por diferentes atores, como organizações sociais, setor público e 
universidades, podem gerar um grande impulso ao desenvolvimento local, a partir do estudo de caso da 
Associação de Catadores e Materiais Recicláveis (ACAMAR), no município de Lavras, Estado de Minas 
Gerais. O caso exemplifica a contribuição da dinâmica diferenciada da economia solidária, somada a 
investimentos de pequeno porte, para um melhor gerenciamento de resíduos sólicos e para a economia 
circular com geração de renda e empregos, melhoria das condições de trabalho, redução das brechas 
de gênero, dentre outros. O Capítulo XIV, assinado por Osvaldo Ryohei Kato e coautores, todos da 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), trata do estudo de caso do Sistema Tipitamba, 
que é uma tecnologia de corte-e-trituração desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental que pode 
substituir o sistema de derruba-e-queima tradicionalmente praticado na agricultura familiar na 
Amazônia. O estudo de caso do Sistema Tipitamba, baseado no manejo sustentável da capoeira como 
uma alternativa para recuperar áreas alteradas e antropizadas, evitar queimadas, expansão da fronteira 
agrícola e aumentar a fonte de renda do agricultor, ilustra como investimentos em pesquisa e 
desenvolvimento podem contribuir para soluções sustentáveis para a agricultura familiar na região.
Por último, e não menos importante, o Capítulo XV, desenvolvido pela Natura, discute a evolução 
da relação da empresa de cosméticos Natura S.A. com o desenvolvimento sustentável da região 
amazônica, tendo como base a sociobiodiversidade para composição dos produtos da companhia e 
estruturação de programas que contribuem para o manejo sustentável da floresta em pé. Esse estudo 
de caso ilustra como uma empresa pode fazer da sustentabilidade seu modelo de negócios, agregando 
valor ao vasto capital natural do país de forma competitiva domesticamente e nos mercados globais.
Os investimentos retratados nos diferentes capítulos da presente publicação são exemplos de 
transformações na economia em direção a um novo estilo de desenvolvimento sustentável. Essa 
publicação tem o objetivo de promover o debate de estilos de desenvolvimento, a partir das demandas 
e capacidades de todos, nos adequando às possibilidades do planeta e nos desafiando na construção de 
uma sociedade mais justa e próspera.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 21
Bibliografia
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) (2020), “Repositório de casos sobre o Big 
Push para a Sustentabilidade no Brasil [repositório online], Santiago, abril https://biblioguias.cepal. 
org/bigpushparaasustentabilidade [data de consulta: 28 de fevereiro de 2020].
(2019), “Regras da Chamada Aberta de Estudos de Casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade no 
Brasil [online], Brasília, abril https://www.cepal.org/sites/default/files/events/files/regras.pdf [data 
de consulta: 8 de abril de 2019].
(2018), La ineficiencia de la desigualdad (LC/SES.37/4), Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, 
N° de venda: S.18-00303.
(2016), Horizontes 2030: A igualdade no centro do desenvolvimento sustentável (LC/G.2660/SES.36/3), 
Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, N° de venda: S.16-00753.
CEPAL/FES (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe)/(Fundação Friedrich Ebert Stiftung) 
(2019), “Big Push Ambiental: Investimentos coordenados para um estilo de desenvolvimento 
sustentável, Perspectivas, N° 20, (LC/BRS/TS.2019/1 e LC/TS.2019/14), São Paulo.
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analysis, Washington, DC.
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Desenvolvimento Sustentável (A/ RES/70/1), Nova Iorque, Publicação das Nações Unidas.

CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 115
VII. Sistema Agroflorestal Cambona 4: um exemplo de 
impulso à sustentabilidade na Região Sul do Brasil
Airton José Morganti Júnior*
Consórcio Machadinho.
ENGIE Brasil Energia.
Associação de Produtores de Erva-Mate de Machadinho (Apromate).
José Lourival Magri**  
Selia Regina Felizari***
Resumo
má qualidade do produto destinado à
A erva-mate é uma das principais culturas do Nordeste do Rio Grande do Sul e, até o início dos anos 
2000, sua produção seguia a mesma dinâmica adotada no período colonial brasileiro. À época, o sistema 
produtivo era marcado por baixa produtividade e 
comercialização. Mesclava-se a erva nativa com uma variedade plantada e o resultado dessa mistura
tinha sabor mais amargo, que não era a preferência dos consumidores. Nessas condições, a atividade 
gerava baixa renda para os agricultores que dependiam dela para o seu sustento. A partir de 2006, na 
região de Machadinho (RS), a adoção de um novo sistema produtivo mudou esse panorama. Por meio 
de um projeto que envolveu instituições de pesquisa, a associação de produtores locais e empresas 
privadas, a erva nativa foi substituída na combinação por uma variedade obtida por meio de 
melhoramento genético, a Cambona 4. Como resultado, a produtividade e qualidade do produto foram 
elevadas, sanando as principais limitações até então enfrentadas pelos agricultores. O projeto tornou- 
se, assim, um importante vetor de geração de renda, valorizando a agricultura familiar e fixando o 
homem no campo. O Sistema Agroflorestal (SAF) representa, ainda, uma alternativa de reposição 
florestal, com grande potencial de proporcionar serviços ambientais, como, por exemplo, a conservação 
*
**
***
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 116
da biodiversidade e o sequestro de carbono. Em complemento, permitiu a proteção de cerca de 
70 nascentes de água localizadas nas propriedades participantes.
A. Introdução
A erva-mate é uma das principais culturas do Nordeste do Rio Grande do Sul e o Oeste de Santa Catarina 
(Correa e outros, 2011). Até o início dos anos 2000, sua produção obedecia aos mesmos modos adotados 
no período colonial brasileiro, extrativista de ervais nativos formados naturalmente em remanescentes 
de mata com araucária, parte da Mata Atlântica do Sul do Brasil. A erva produzida tinha pouca qualidade 
e baixa produtividade por área trabalhada. Um estudo da Universidade Regional de Erechim, baseado 
na aplicação de questionários junto a produtores, indicou produtividade média de 375 arrobas por 
hectare nas 305 propriedades pesquisadas em 1994 (Mosele, Rodigheri e Penteado Jr, 1998). Não havia 
previsibilidade na produção e tampouco na comercialização, já que os produtores não conseguiam obter 
uma colheita suficiente para oferecer ao mercado. Acabavam sendo procurados pelos compradores 
somente quando havia escassez do produto em outras regiões fornecedoras. A baixa qualidade da erva 
que produziam, somada à falta de organização na cadeia produtiva, resultava em baixa renda para os 
agricultores que dependiam economicamente da atividade para o seu sustento.
A partir de 2006, uma parceria entre a cooperativa de produtores do município de Machadinho 
(RS), a empresa Maesa, responsável pela implantação da Usina Hidrelétrica Machadinho na região, e 
outras entidades locais possibilitou uma nova forma de produção: o Sistema Agroflorestal (SAF) 
Cambona 4. A erva nativa que era misturada à erva plantada para a combinação do produto que se 
destinava à comercialização foi substituída pela variedade Cambona 4, obtida por meio de 
melhoramento genético. A erva-mate resultante da nova combinação tinha qualidade superior, um 
sabor mais suave e oferecia maior produtividade no cultivo, sanando as principais limitações até então 
enfrentadas pelos produtores (Correa e outros, 2011). Com isso, agradou o mercado e tornou-se 
importante elemento de geração de renda e emprego para as comunidades locais.
O SAF Cambona 4 continua representando, até os dias de hoje, uma relevante iniciativa, do ponto 
de vista social e ambiental. Além de valorizar a agricultura familiar e fixar as famílias no campo, o projeto 
é uma alternativa de reposição florestal, com grande potencial de proporcionar serviços ambientais, 
como o sequestro de carbono. Como benefícios adicionais, gerou também a proteção de cerca de 70 
nascentes nas propriedades participantes.
1. A cultura da erva-mate no sul do Brasil e os desafios do cultivo em Machadinho
A erva-mate ocorre nos países da Argentina, Paraguai e Brasil. Mais de 80% de sua área de ocorrência, 
contudo, fica em território brasileiro, no bioma da Mata Atlântica. No Brasil, é explorada 
economicamente em mais de 500 municípios distribuídos nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio 
Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. De acordo com a Embrapa Florestas, essa atividade envolve cerca 
de 180 mil propriedades rurais, quase a totalidade caracterizada pela agricultura familiar, gerando mais 
de 700 mil empregos diretos.
Depois que tem suas folhas processadas, a erva-mate é consumida principalmente como infusão, 
na Região Sul do país. Já foi o principal 
produto de exportação regional no passado, mas uma grande parte de sua área de exploração acabou 
sendo substituída pela expansão e modernização da produção de grãos, em especial da soja e do milho. 
Isso fica claro quando se comparam os dados da produção em períodos recentes. Em 1988, por exemplo, 
a produção média brasileira era de aproximadamente 670 mil toneladas. Já em 2004, estava em 403 mil 
toneladas (Alegre, Vilcahuamán e Corrêa, 2007).
no chá mate e no chimarrão, bebida de grande valor cultural
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 117
O município de Machadinho, localizado no Nordeste do Rio Grande do Sul, sempre teve a erva- 
mate como importante fonte de renda. Foi lá que o SAF Cambona 4 teve início. Com uma população 
estimada em cerca de cinco mil habitantes, de acordo com dados do Censo Demográfico (IBGE, 2016), 
sendo 50% rural, a cidade tem mais de 70% de sua arrecadação proveniente da principal cooperativa do 
município, a Cooperativa Agrícola Mista Ourense (Camol), conforme a própria cooperativa. São cerca 
de cinco mil agricultores da região associados e 15% da produção corresponde à erva-mate.
Um levantamento realizado em 1994 pela própria Camol apontou que, entre todas as 
propriedades rurais da região, apenas uma não cultivava a erva. À época, o sistema de produção era 
semelhante ao adotado no período colonial brasileiro, extrativista de ervais nativos formados 
naturalmente em remanescentes da mata com araucária. Os ganhos obtidos com a atividade eram 
limitados. Primeiro pela baixa qualidade do produto, que mesclava a erva-mate nativa com a erva-mate 
plantada, resultando em uma combinação mais amarga —que buscava atender o mercado consumidor 
de erva para chimarrão.
O segundo ponto que limitava maiores ganhos com a cultura era a baixa produtividade do 
sistema utilizado, gerando uma colheita insuficiente para oferecer ao mercado. Os compradores 
recorriam aos produtores de Machadinho apenas quando havia escassez de erva em outras regiões. Não 
havia previsibilidade no negócio, seja em relação à quantidade que venderiam ou à renda que obteriam 
com a comercialização.
Com o objetivo de organizar e fortalecer a cadeia produtiva de erva-mate na região de 
Machadinho, os produtores criaram a Associação dos Produtores de Erva-Mate (Apromate). Por meio 
da Apromate, conseguiram a construção de uma indústria ervateira no município, além de desenvolver 
parcerias com a Universidade Regional Integrada (URI) de Erechim e a Embrapa Florestas para a 
execução de estudos técnicos e agronômicos sobre a erva-mate. Entre os resultados desses estudos, 
estava o Sistema Agroflorestal Cambona 4, cuja implantação só se tornou viável após a parceria com a 
Machadinho Energética S/A (Maesa) a empresa responsável pela implantação da Usina Hidrelétrica 
Machadinho (UHE Machadinho), localizada no Rio Pelotas, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande 
do Sul.
Com potência instalada de 1.140 MW, a Usina está em operação comercial desde fevereiro de 
2002 e tem como principal objetivo suprir o mercado de energia elétrica do Sistema Interligado 
Nacional. A Maesa foi constituída especificamente para a construção da Usina pelas empresas 
detentoras da concessão, agrupadas no Consórcio Machadinho. A operação e manutenção da UHE 
Machadinho é de responsabilidade da ENGIE Brasil Energia, uma das maiores geradoras privadas de 
energia elétrica do Brasil, que também participava da Maesa e do Consórcio Machadinho, organização 
responsável pela gestão do empreendimento.
B. Sistema Agroflorestal Cambona 4
O princípio do Sistema Agroflorestal (SAF) Cambona 4 é simples: plantar erva-mate consorciada com 
árvores nativas, procurando reconstituir o habitat natural da planta. Vale destacar que em toda a região 
Oeste de Santa Catarina e Noroeste do Rio Grande do Sul existem grandes plantações de erva-mate, 
mas todos em sistema de monocultura (Alegre, Vilcahuamán e Corrêa, 2007). Com o Sistema 
Agroflorestal, além de recriar o habitat natural, o sombreamento provocado pelas outras árvores 
melhora a qualidade da erva-mate, aumentando seu valor de mercado e, consequentemente, a renda 
dos produtores.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 118
Alcançar essa condição exigiu um intenso processo de desenvolvimento tecnológico da erva- 
mate Cambona 41, que demonstrou o potencial da combinação entre pesquisa científica, extensão rural 
e valorização dos saberes tradicionais da comunidade. Em meados dos anos 1990, cientes das 
dificuldades de mercado enfrentadas pelos produtores de erva-mate da região, pesquisadores e 
lideranças locais iniciaram a busca por materiais genéticos nativos que apresentassem sabor mais suave 
que o encontrado na maioria dos ervais de Machadinho. Ao todo, 26 árvores de erva-mate foram 
selecionadas para aprofundamento das pesquisas. Entre elas, destacou-se uma, cultivada na 
propriedade de um produtor local, que reunia alta produtividade, coloração homogênea nas folhas e o 
mais importante: sabor suave após o processo de industrialização, compatível com a preferência dos 
consumidores.Confirmados esses potenciais, conhecidos há anos pelo produtor, se fazia necessário um 
rigoroso trabalho de pesquisa e extensão rural para garantir a multiplicação do material genético e, 
assim, disseminar o plantio da variedade na região. Diante da produtividade e da qualidade da progênie 
Cambona 4 e a eficácia do sistema de plantio, os produtores locais passaram a se interessar pelo cultivo. 
Mas faltava o capital necessário para aderir ao projeto, já que, para a primeira colheita, seria necessário 
esperar, no mínimo, três anos. Além disso, o mercado de erva-mate enfrentava uma crise à época, o que 
gerou insegurança entre os produtores para investir na atividade.
A cultivar de erva-mate Cambona 4 foi registrada no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, sob o n° 33.418, em 
12/12/2014.
Foi nesse momento que a Maesa entrou no projeto, identificando na iniciativa uma oportunidade 
de ampliar o impacto socioeconómico da conformidade ambiental. Isso porque a Usina Hidrelétrica 
Machadinho deveria, a título de compensação ambiental, repor cerca de 1,1 milhão de mudas na área 
de influência da Usina. Ao considerar o potencial de plantio da Cambona 4 —uma espécie nativa— nas 
propriedades rurais da região, a empresa compreendeu que parte dessa reposição poderia se dar por 
meio do Sistema Agroflorestal, visando o desenvolvimento de uma atividade agroindustrial sustentável 
ao associar revegetação do solo à geração de emprego e renda no meio rural e estímulo à agroindústria.
Confiante nesses benefícios, a empresa responsabilizou-se pela doação das mudas de erva-mate 
(foram 315.983, ao todo) e outras espécies nativas, viabilizando na
Agroflorestal Cambona 4. Para tanto, financiou também, de forma voluntária, o mapeamento genético 
da matriz, trabalho que incluiu a identificação, por meio de teste de DNA, das árvores progenitoras das 
mudas já cultivadas na propriedade dos Fonseca. Identificado o progenitor masculino, outras plantas do 
mesmo sexo próximas à área foram eliminadas, a fim de garantir o cruzamento único e controlado com 
o progenitor feminino (já conhecido) que geravam plantas de sabor suave. A partir desse controle na 
polinização, os pesquisadores realizaram a clonagem (utilizando método de estaquia), buscando 
ampliar o número de matrizes fornecedoras de sementes a futuros plantios (Correa e outros, 2011). 
Como resultado da clonagem, existem hoje 14 árvores femininas e duas masculinas envolvidas na 
polinização e produção de sementes, garantindo mudas para os futuros ervais com maior estabilidade 
genética e padrão qualitativo de folhas para a indústria, conforme registros da Apromate. Essas 16 
árvores —cultivadas próximas entre si— constituem um campo de produção de sementes, as quais são 
fornecidas aos produtores de mudas da região.
Cabe destacar que todo o processo de desenvolvimento tecnológico envolveu atividades de 
pesquisa, assistência técnica e extensão rural, resultantes da cooperação entre a Apromate e diversas 
universidades, instituições públicas e empresas privadas —além da Maesa, ENGIE Brasil Energia e 
Consórcio Machadinho participaram do projeto. A mobilização da comunidade em prol da implantação 
do SAF exigiu fortalecer capacidades dos produtores locais, por meio de viagens técnicas, dias de 
campo, treinamentos, cursos, palestras e eventos direcionados à aprendizagem tecnológica, à 
industrialização, à comercialização e ao convívio associativo.
prática a implantação do Sistema
1
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 119
C. SAF Cambona 4 e o desenvolvimento socioambiental
Como resultado do esforço coletivo, a variedade de sabor mais suave substituiu, gradativamente, a 
espécie nativa na mescla que se destinava ao mercado. O sistema de plantio combinado mostrou-se 
também mais produtivo quando comparado ao tradicional, baseado na monocultura. À época, 
registrou-se uma valorização de 65% da Cambona 4 em relação à erva-mate nativa, com custos de 
implantação e manutenção inferiores e retorno financeiro quatro vezes superior ao de culturas 
convencionais, como a soja, segundo a Apromate.
De posse das mudas, os agricultores passaram a aplicar a metodologia desenvolvida em suas 
propriedades, dando início ao projeto que diminuiria a exploração dos remanescentes florestais de 
araucária, ao mesmo tempo em que alcançaria um sistema mais produtivo e rentável. Após o estágio 
inicial de plantio nas primeiras propriedades que aderiram ao sistema, Maesa e Apromate promoveram 
a capacitação de outros agricultores para ingressarem no SAF. Com o apoio de diversas entidades, os 
produtores tiveram acesso a tecnologias e assistência técnica, permitindo que o programa fosse 
estendido a outros municípios da região. Nessa etapa, a Maesa fez um novo aporte para garantir a 
expansão das atividades. Entidades como a Embrapa Florestas, a Emater e a própria Camol foram muito 
importantes na prestação da assistência técnica para as famílias que se adaptavam ao novo sistema.
Entre 2009 e 2012, unidades de demonstração foram implantadas, com até três hectares cada. 
Elas serviram como instrumento de transferência de conhecimento aos produtores do entorno, 
iniciando a atividade em outros municípios (o modelo é possível também de ser aplicado em outras 
regiões do país, respeitadas as especificidades ambientais, culturais e econômicas de cada localidade).
Com o tempo e o sucesso do SAF, a atividade se tornou autossustentável. A Apromate conseguiu 
se capitalizar e pôde financiar a continuidade do projeto, já independente dos aportes da Maesa. Um 
passo fundamental nesse sentido foi o fortalecimento da atividade de beneficiamento em Machadinho, 
com a implantação, pela Apromate, da indústria de erva-mate Cambona. Até então, os produtores 
tinham grande dificuldade de comercializar a produção, visto que a indústria mais próxima ficava a cerca 
de 80 quilômetros do município. Com o beneficiamento local, a demanda passou a superar a oferta, 
abrindo espaços para novos plantios e o ingresso de novos produtores no SAF. A proximidade também 
permite que as próprias famílias produtoras se responsabilizem pela colheita, reduzindo os custos de 
produção e transporte.
Por ser proprietária da indústria de beneficiamento da Cambona 4, a Associação consegue ainda 
garantir a compra da colheita e os preços comercializados. Foi construída na cidade de Machadinho 
também uma indústria voltada exclusivamente à exportação do produto e cerca de 70% da produção 
passou a ser vendida para o Uruguai, conforme dados da Apromate. Isso tudo demonstra a capacidade 
de liderança e empreendedorismo dos agricultores e sua organização como cadeia produtiva, 
mantendo o projeto estável e em contínuo crescimento. O SAF Cambona 4 trouxe impactos positivos 
para toda a rede de produtores envolvidos e para as comunidades das quais eles fazem parte. Os 
benefícios vão muito além do ganho financeiro, pois o 
socioeconômico da região com proteção ambiental. Propiciou um sistema mais produtivo e a geração 
de emprego e renda, por meio de uma atividade autossustentável e que fortalece a agricultura familiar.
O Sistema melhora o uso e a distribuição dos recursos produtivos e gera renda nas fases agrícola 
e industrial. Também integra e constitui um sub-bosque que conserva espécies de flora e fauna, faz a 
ciclagem de nutrientes e o controle de erosão do solo, contribuindo de forma significativa para a 
estabilidade econômica, social e ambiental da exploração da terra na região.
A área plantada pelo projeto tem hoje 190 hectares, envolvendo 85 famílias e 255 pessoas. 
A produção registrada em 2018 foi de cerca de duas mil toneladas, uma média de 780 arrobas por 
projeto concilia o desenvolvimento
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 120
hectare. Segundo as estimativas da Apromate, a renda bruta foi de aproximadamente R$ 1,7 milhão, 
correspondendo a R$ 800,00 por tonelada. Os cálculos da Associação indicam que houve um acréscimo 
médio de R$ 14 mil à renda anual de cada família participante.
E as áreas de plantio vêm aumentando continuamente, por interesse dos próprios agricultores. 
Com isso, aumenta também a produção. De 2015 a 2018, o aumento foi de quase 20%, passando de 
1.869 toneladas/ano para 2.202 toneladas/ano. A comparação de dados referentes a períodos mais 
iniciais do projeto é ainda mais surpreendente. A produção da Cambona 4 na região, que era de apenas 
30 arrobas em 2003, se aproximou das 150 mil arrobas nos últimos dois anos.
No aspecto socioeconômico, outro importante reflexo do SAF Cambona 4 foi a fixação dos jovens 
campo. Muitas famílias puderam ver seus filhos permanecerem no meio rural. Outras, viram ono 
retorno de jovens que haviam saído de suas comunidades em busca de emprego e puderam voltar para 
suas cidades, graças ao envolvimento na produção da Cambona 4. A garantia de renda contínua, com 
baixo risco, tornou-se fator atrativo para a fixação das famílias no campo. A Apromate estima que a 
agregação de mão de obra nas propriedades corresponda a uma indústria de 154 salários mínimos.
O retorno da mão de obra familiar perpetua a vida ativa da propriedade e acaba por promover 
também uma maior agregação e convívio da comunidade, que deixa de perder seus membros e tem sua 
autoestima fortalecida.
1. Benefícios ambientais
Desde os primeiros anos do SAF Cambona 4, buscou-se aliar o desenvolvimento socioeconômico da 
região a ações voltadas à sustentabilidade ambiental na produção da erva-mate. Uma dessas vertentes 
foi a iniciativa de promover a conservação de nascentes nas propriedades rurais que participam do SAF, 
uma ação integrada da Apromate e do Consórcio Machadinho —hoje responsável pelo 
empreendimento— desenvolvida a partir de 2011. Cerca de 70 nascentes foram protegidas, trazendo 
com isso também a proteção do solo e da flora e fauna local, demonstrando que produção em escala e 
proteção ambiental podem estar ligados. Essa vertente do programa se desenvolveu em três fases, 
conforme a Apromate:
• Fase I: de 2011 a 2013, com 27 nascentes protegidas e restauradas.
• Fase II: de 2014 a 2015, com 29 nascentes protegidas e restauradas.
• Fase III: de 2016 a 2017, com 10 nascentes protegidas e restauradas.
As nascentes foram cercadas e receberam o plantio de espécies nativas. Nessas etapas, 
promovia-se ainda a difusão de tecnologias ambientais, por meio de palestras em eventos técnicos, 
reuniões, seminários e congressos, para divulgar o trabalho e as boas práticas.
Outro aspecto ambiental relevante é a diminuição da pressão sobre os ervais nativos. A Cambona 
4, ao evitar a extração da erva nativa das matas de araucárias, diminuiu a exploração desses 
remanescentes florestais, contribuindo com sua preservação.
A reprodução de um habitat natural nas novas áreas de plantio criou ainda um ambiente propício 
para a fauna nativa da região. Todos esses aspectos são constantemente reforçados nas ações de 
divulgação do programa nas comunidades do entorno. A Apromate oferece também palestras em 
escolas e visitas de campo para multiplicar as informações sobre o SAF e promover conscientização 
ambiental e social. O trabalho alcança outros municípios, fazendo com que o projeto Cambona 4 torne- 
se modelo para o desenvolvimento de programas similares em outras cidades e mesmo fora do estado 
do Rio Grande do Sul. As ações foram também objeto de estudo de dezenas de pesquisas científicas, 
teses, dissertações e artigos.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 121
2. SAF Cambona 4 e a neutralização de carbono
Ainda no aspecto da sustentabilidade ambiental, há que se ressaltar a capacidade de sequestro de 
carbono da área plantada pelo projeto. De modo geral, especialistas estimam que cada hectare de 
floresta em desenvolvimento no mundo é capaz de absorver 150 a 200 toneladas de carbono, sendo 
essa a forma mais comum de sequestro de carbono (Super Interessante, 2016). Na fase de crescimento, 
as árvores demandam uma quantidade muito grande de carbono para se desenvolver e, com isso, 
retiram esse elemento do ar. O processo natural ajuda consideravelmente a diminuir a quantidade de 
dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Não à toa, o plantio de árvores para recuperação de áreas é uma 
das prioridades na implantação de sumidouros de GEE da atmosfera.
A área cultivada pelo SAF tem atualmente 380 mil plantas, o equivalente a cerca de duas mil 
plantas por hectare. Uma pesquisa acadêmica, realizada ainda em 2007, nos primeiros anos de projeto, 
e que teve o acompanhamento da Embrapa, demonstrou um grande potencial de captura de CO2 no 
cultivo da erva-mate (Alegre, Vilcahuamán e Corrêa, 2007). O estudo, intitulado “Geração da Curva 
Alométrica para Avaliar as Reservas de Carbono em Plantios de Erva-Mate, no Sul do Brasil, indicou 
que o fluxo anual de carbono na biomassa aérea da erva-mate estava estimado em 20 toneladas por 
hectare, tendo como reserva no solo mais de 200 toneladas por hectare. A soma da biomassa total, mais 
o aporte no solo, levantada à época foi de 254 toneladas de CO2 para ervais com 10 anos de idade e de 
até 276,2 toneladas de CO2 para ervais com quatro anos de idade.
A cultura da erva-mate é, portanto, um eficiente sistema de uso da terra para o estoque de gases 
de efeito estufa. Os cálculos apresentados na pesquisa indicam que 300 hectares de erva-mate em 
Machadinho, ao longo de um ciclo produtivo de 30 anos, têm potencial para armazenar 180 mil 
toneladas de CO2.
Deve-se lembrar ainda que a parte de biomassa que se consome como chimarrão retorna ao solo 
após o uso e que, no processo de industrialização, não há queima de biomassa, apenas secagem, sendo 
esse mais um fator positivo do ponto de vista da sustentabilidade. O aporte na serapilheira também é 
significativo, devido à grande biomassa (galhos e ramos) restante após cada colheita, contribuindo para 
a reciclagem e a deposição de matéria orgânica no solo.
Em 2017, o SAF Cambona 4 foi selecionado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) 
para compor o “Projeto Rural Sustentável, atribuindo à iniciativa o status de tecnologia conservadora do 
meio ambiente. Segundo a avaliação do BID, o sistema melhora as práticas de uso da terra e manejo florestal, 
promove o desenvolvimento rural sustentável, gera renda e incentiva a conservação da biodiversidade. Com 
a indicação, o projeto deixou de ser uma referência apenas no Brasil, para ser reconhecido em âmbito global. 
Além disso, em 2013, o projeto foi certificado pela Fundação Banco do Brasil como Tecnologia Social.
As ações do SAF se alinham também aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 
2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), em especial ao ODS 2. Ele almeja a promoção da 
agricultura sustentável, elencando como uma de suas metas “até 2030, implementar práticas agrícolas 
resilientes, que aumentem a produtividade e a produção, que ajudem a manter os ecossistemas, que 
fortaleçam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas, às condições meteorológicas extremas, 
secas, inundações e outros desastres, e que melhorem progressivamente a qualidade da terra e do solo 
(ONU, 2015). Há contribuição clara também com o ODS 8, já que o projeto proporciona trabalho 
decente aos envolvidos, e com o ODS 15, por promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres.
Entre outros benefícios do SAF, destacam-se:
• as capacitações oferecidas aos envolvidos asseguraram o acesso de pequenos agricultores 
a conhecimento técnico. Com isso, eles podem ampliar sua produtividade e agregar valor a 
ela, ao mesmo tempo em que preservam os ecossistemas com a adoção de manejos 
mais sustentáveis.
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o SAF valoriza o associativismo. Do início até o momento, o projeto permanece liderado 
pela Apromate. A organização comunitária reúne cerca de 450 produtores rurais e os 
princípios do associativismo foram aplicados em todas as fases do programa, em muitos 
casos, em regime de mutirão, atuam de forma conjunta desde o plantio até a colheita, 
incluindo deliberação e decisão participativa, em total consonância com os preceitos de 
engajamento, para validação de propostas e resultados.
houve também incentivo à articulação das entidades locais e regionais, no esforço conjunto 
de viabilizar o projeto. A Apromate formou parcerias com instituições de ensino e pesquisa, 
organizações públicas e privadas, além da própria Maesa. As principais entidades que atuam 
ou atuaram na implantação do projeto estão relacionadas a seguir, com os respectivos 
papéis que desempenharam para o sucesso do SAF:
Associação dos Produtores de Erva-Mate (Apromate): coordenação do projeto e das ações.
Consórcio Machadinho, Machadinho Energética e Engie Brasil Energia: apoio 
financeiro e divulgação do projeto.
Cooperativa Agrícola Mista Ourense (Camol): industrialização e comercialização 
da produção.
Emater: suporte técnico no melhoramento genético das espécies. Pesquisa e 
Desenvolvimento.
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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa): suporte técnico.
Instituto Alcoa.
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Universidade de Passo Fundo (UPF): Pesquisa e Desenvolvimento. Suporte técnico.
Universidade Regional Integrada (URI): Pesquisa e Desenvolvimento. Suporte técnico.
Prefeitura Municipal de Machadinho: apoio institucional.
D. SAF Cambona 4 e o Big Push para a Sustentabilidade
O novo sistema produtivo estabelecido com a Cambona 4 está alinhado aos preceitos que conceituam 
o Big Push para a Sustentabilidade, definido como um conjunto de investimentos que produzam um 
ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de empregos, desenvolvimento de cadeias 
produtivas, diminuição da pegada ambiental e dos impactos ambientais, ao mesmo tempo em que 
recupera a capacidade produtiva do capital natural (CEPAL/FES, 2019). No SAF, esses aspectos se 
conectam da seguinte forma:
No tocante a um ciclo virtuoso de crescimento econômico, as estimativas da Apromate indicam 
um acréscimo médio de R$ 14 mil à renda anual de cada família envolvida no SAF. As áreas de plantio 
vêm aumentando continuamente, por interesse dos próprios agricultores, e, com isso, aumenta 
também a produção. De 2015 a 2018, o aumento foi de quase 20%. Nesse sentido, cabe destacar o valor 
agregado pela atividade de beneficiamento: a industrialização do produto no município amplia a 
arrecadação de tributos e estende a geração de trabalho e renda à fase industrial. Em 2018, por 
exemplo, o processamento de 146,8 mil arrobas de folhas de erva-mate gerou 778,1 toneladas de 
produto processado, que renderam R$ 3,5 milhões. Sem o beneficiamento, o rendimento teria sido de 
R$ 1,7 milhão.
Em relação à geração de empregos e desenvolvimento de cadeias produtivas, o SAF promove 
empregabilidade nas fases produtiva e industrial. Há agricultores que não somente atuam em suas 
propriedades, mas também na colheita de terceiros, o que é mais uma alternativa de complementação 
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de renda. A agregação de mão de obra nas propriedades abrangidas pelo projeto corresponde 
atualmente a uma indústria de 154 salários mínimos. Também se verificou que o caso reporta 
desenvolvimento da cadeia mais amplamante, desde o plantio até o beneficiamento e a exportação.
Já com respeito à diminuição da pegada ambiental e dos impactos ambientais, o SAF Cambona 
4 reduziu a pressão sobre os remanescentes florestais de araucária, promoveu a proteção de cerca de 
70 nascentes e mostra-se ainda uma importante fonte de sequestro de carbono. O Big Push, aliás, coloca 
em destaque nas suas diretrizes o desejo por soluções resilientes e de baixo carbono, e esse aspecto é 
plenamente atendido pelo SAF. Com 380 mil ervateiras plantadas, o projeto pode armazenar, em 
30 anos de ciclo, o equivalente a 180 mil toneladas de CO2. O fluxo anual de carbono, somadas a 
biomassa aérea da erva-mate e a reserva no solo, chega a 276 toneladas de CO2 para ervais com quatro 
anos de idade. A cultura da erva-mate é, comprovadamente, um eficiente sistema de uso da terra para 
o estoque de gases de efeito estufa.
Nesse contexto, fica evidente que a introdução da Cambona 4 na cultura da erva-mate mostrou- 
se uma alternativa que contribui para um desenvolvimento socioeconômico permanente, com claras 
aderências à abordagem cepalina do Big Push para a Sustentabilidade. Não impõe modos de produção 
poluentes ou degradadores dos recursos naturais e ainda eleva a qualidade de vida das famílias 
envolvidas, à medida que aumenta sua renda e fortalece os vínculos familiares e comunitários com a 
fixação do homem no campo.
O SAF 4 contrapõe-se ao modelo insustentável de produção e consumo que se estabeleceu e que 
hoje traz perspectivas alarmantes para o futuro, seja no cenário de disponibilidade de água, oferta de 
energia e qualidade do ar. Não apenas representa uma fonte potente de sequestro de carbono, como 
gera uma menor pressão sobre os remanescentes florestais de araucária parte da mata Atlântica do Sul 
do Brasil. Como o próprio Big Push prepondera, a transição para matrizes produtivas sustentáveis, 
resilientes e de baixa emissão de carbono pode alavancar um novo estilo de desenvolvimento. O SAF é 
um exemplo real de como a transição de modelos produtivos pode gerar mais eficiência e 
produtividade, minimizando os danos ambientais da atividade e demonstrando que é possível crescer e 
ao mesmo tempo preservar.
O caso estudado neste capítulo também aponta relações claras com a tripla eficiência norteadora 
do Big Push para a Sustentabilidade (CEPAL/FES, 2019). A primeira é a eficiência schumpeteriana, 
segundo a qual uma matriz produtiva mais integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera 
externalidades positivas de aprendizagem e inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Nota­
se, no caso estudado, que foram promovidas ações nitidamente relacionadas à eficiência 
schumpeteriana, notamente os investimentos realizados em pesquisa e desenvolvimento para gerar 
soluções sustentáveis e investimentos em capacidades produtivas, tecnológicas e inovativas por meio 
do estabelecimento de SAFs, de unidade de beneficiamento etc. A segunda é a eficiência keynesiana, 
que destaca que há ganhos crescentes de escala e de escopo da especialização produtiva em bens cuja 
demanda cresce relativamente mais, gerando efeitos multiplicadores e impactos significativos na 
economia e nos empregos. O rápido crescimento da demanda pela erva-mate proveniente desse 
sistema, inclusive com a conquista de mercados internacionais, é simbólico de uma eficiência 
keynesiana. Por fim, a eficiência da sustentabilidade diz respeito aos três pilares do desenvolvimento 
sustentável (econômico, social e ambiental). O estudo apresentado nesse capítulo traz indicadores 
nessas três dimensões.
As ações do SAF 4 são plenamente aderentes também aos Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável da ONU, os quais orientam as premissas do Big Push para a Sustentabilidade. Com isso, o 
projeto não apenas está alinhado ao Big Push, mas também contribui para que o Brasil tenha 
participação ativa no cumprimento da Agenda proposta para 2030.
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E. Conclusão
O Sistema Agroflorestal Cambona 4 já é adotado por uma centena de produtores somente no município 
de Machadinho, ocupando uma área de quase 200 hectares. O projeto ainda pode crescer muito. 
A Apromate mostra capacidade de coordenação e empreendedorismo e tem vontade de expandir cada 
vez mais a área de influência da Cambona 4. A indústria absorve toda a matéria-prima que está sendo 
produzida, sendo necessário muitas vezes adquirir erva-mate além da produção para suprir a demanda, 
que soma o mercado interno do Brasil à exportação para o mercado Uruguaio (90% da produção) e, 
mais recentemente, para países da Europa (Alemanha e Polônia).
Ressalta-se que os ganhos com a atividade não precisam se limitar à expansão industrial e 
produtiva. Com o grande potencial de sequestro de carbono que a cultura oferece, é possível que os 
agricultores recebam pelos serviços ambientais, conforme prevê o Acordo de Paris (CQNUMC, 2015), e 
pelo mercado voluntário de carbono, o que representaria uma fonte adicional de complementação de 
renda, além de toda a importância ambiental que esse aspecto carrega.
Os maiores desafios do projeto foram, inquestionavelmente, os entraves financeiros para os 
investimentos iniciais. No entanto, facilmente se percebe que a articulação institucional tende a trazer 
soluções e viabilizar as ações pretendidas. A soma de esforços, técnicos e financeiros, foi fundamental 
para o sucesso do programa e também pode ser o caminho para a expansão pretendida e quem sabe 
para novos vieses que agreguem valor à atividade e tragam ainda mais benefícios.
Ao ocasionar desenvolvimento socioeconômico, por meio de um sistema produtivo sustentável 
e responsável, o SAF Cambona 4 se mostra aderente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da 
Agenda 2030 da ONU e ao Big Push para a Sustentabilidade. O projeto valoriza a agricultura familiar e 
o associativismo, possibilita a permanência do homem no campo com qualidade de vida e estabilidade 
financeira, trazendo maior produtividade e ganho de renda sem acarretar maiores danos ambientais. 
Ao contrário, reduziu a pressão sobre os remanescentes florestais de araucária, protegeu nascentes e 
ainda representa o sequestro de cerca de 200 toneladas de carbono por hectare plantado.
Nada disso seria possível sem a liderança de uma organização associativa forte e confiante e sem 
o engajamento efetivo dos envolvidos, bem como a articulação entre organizações públicas e privadas, 
que trouxe parcerias decisivas para o sucesso das ações, o que reforça uma das principais 
recomendações da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, que é a relevância da articulação e 
da coordenação para o éxito dos investimentos sustentáveis. O Sistema Agroflorestal Cambona 4 
comprova, assim, que a união de forças em prol da sustentabilidade econômica, social e ambiental 
transforma a realidade2.
Parte dessa transformação foi registrada e divulgada por veículos de comunicação locais e nacionais, tais como Terra Sul e a TV 
Globo, que podem ser acessados, respectivamente nos seguintes endereços eletrônicos: https://www.youtube.com/watch?v=1OL 
GISPV9lQ e https://www.youtube.com/watch?v=3H03QQjUdSg.
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sustentável, Perspectivas, N° 20, (LC/BRS/TS.2019/1 e LC/TS.2019/14), São Paulo.
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Machadinho (RS), Embrapa Florestas Documentos, N° 224, Colombo/PR.
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https://docplayer.com.br/5070511-Usina-hidreletrica-machadinho-memoria-tecnica.html [data de 
consulta: 12 de outubro de 2019].
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Cambona 4 como estratégia do desenvolvimento sustentável na agricultura familiar, documento 
preparado para o VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais, Luziânia, junho.


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