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        <dcterms:issued>1995</dcterms:issued>
        <dc:language>es</dc:language>
        <dc:creator>Corden, W. Max</dc:creator>
        <dc:contributor>Corden, W. Max</dc:contributor>
        <dcterms:title>Una zona de libre comercio en el Hemisferio Occidental: posibles implicancias para América Latina</dcterms:title>
        <dcterms:isPartOf>En: La liberalización del comercio en el Hemisferio Occidental - Washington, DC : BID/CEPAL, 1995 - p. 13-40</dcterms:isPartOf>
        <dcterms:available rdf:datatype="http://www.w3.org/2001/XMLSchema#dateTime">2014-01-02T14:51:16Z</dcterms:available>
        <bibo:handle>hdl:11362/45591</bibo:handle>
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Investimentos transformadores 
para um estilo de 
desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push) para a sustentabilidade 
no Brasil
Camila Gramkow 
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Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada
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Investimentos transformadores para um estilo 
de desenvolvimento sustentável
Estudos de casos de grande impulso (Big Push)
para a sustentabilidade no Brasil
Camila Gramkow 
Organizadora
ipea
Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada
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cooperação
Rede Brasil alemãDEUTSCHE ZUSAMMENARBEIT
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EBERT
STIFTUNG
Este documento foi organizado por Camila Gramkow, Oficial de Assuntos Econômicos do Escritório no Brasil da 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), no âmbito das atividades do projeto CEPAL/Deutsche 
Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ): “Sustainable development paths for middle-income countries 
under the 2030 Agenda for Sustainable Development in Latin America and the Caribbean”. Este documento também 
contou com o apoio da Friedrich-Ebert-Stiftung (FES), da Rede Brasil do Pacto Global e do Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (IPEA) para realização e divulgação da Chamada Aberta de Estudos de Casos de Investimentos 
para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil a partir da qual os capítulos foram produzidos e selecionados. 
Reconhecemos e agradecemos a colaboração dos membros do Comitê de Avaliação da referida chamada: 
Gustavo Fontenele e Silva (Ministério da Economia do Brasil), Julio César Roma (IPEA), Mauro Oddo Nogueira (IPEA), 
Luiz Fernando Krieger Merico (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Assentamentos Humanos) e 
Maria Luisa Marinho (CEPAL, Divisão de Desenvolvimento Social). Colaboraram com este documento, além dos autores 
e autoras que assinam seus capítulos, os assistentes de pesquisa e os estagiários da CEPAL em Brasília: Camila Leotti, 
Gabriel Belmino Freitas, Pedro Brandão da Silva Simões e Sofia Furtado. Contamos, também, com a contribuição do 
diretor da CEPAL em Brasília, Carlos Henrique Fialho Mussi, e de Maria Pulcheria Graziani do mesmo escritório.
As opiniões expressas neste documento, que não foi submetido à revisão editorial, são de exclusiva responsabilidade 
dos autores e autoras e podem não coincidir com as visões da CEPAL e das instituições a que os autores e autoras são 
filiados, nem com as das instituições que apoiaram este documento.
Publicação das Nações Unidas
LC/TS.2020/37
LC/BRS/TS.2020/1
Distribuição: L
Copyright © Nações Unidas, 2020 
Todos os direitos reservados
Impresso nas Nações Unidas, Santiago 
S.20-00209
Esta publicação deve ser citada como: Camila Gramkow (org.), “Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento 
sustentável: estudos de casos de grande impulso (Big Push) para a sustentabilidade no Brasil, Documentos de Projetos 
(LC/TS.2020/37; LC/BRS/TS.2020/1), Santiago, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), 2020.
A autorização para reproduzir total ou parcialmente esta obra deve ser solicitada à Comissão Econômica para a América Latina e 
o Caribe (CEPAL), Divisão de Publicações e Serviços Web, publicaciones.cepal@un.org. Os Estados-membros das Nações Unidas 
e suas instituições governamentais podem reproduzir essa obra sem autorização prévia. Solicita-se apenas que mencionem a fonte 
e informem à CEPAL de tal reprodução.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 3
Índice
Prefácio.......
Carlo Pereira
11
Apresentação
Alicia Bárcena
13
Introdução .........................................................................................................................
Carlos Mussi, Camila Gramkow
Companhia Siderúrgica do Pecém: o Big Push industrial do Estado do Ceará........
Alex Maia do Nascimento, Claudio Renato Chaves Bastos, Cristiane Peres, 
Emanuela Sousa de França, Italo Barreira Ribeiro, Leonardo Roger Silva Veloso, 
Livia Bizarria Prata, Marcelo Monteiro Baltazar, Ramyro Batista Araujo,
Ricardo Santana Parente Soares, Rodrigo Santos Almeida, Vanilson da Silva Benica 
Resumo ..................................................................................................................
Introdução......................................................................................................
O projeto sustentável da Companhia Siderúrgica do Pecém..........................
CSP - A sinergia cultural Brasil-Coréia do Sul.................................................
O Big Push industrial CSP - antes da operação..............................................
Conquistas durante a fase de operação da CSP.............................................
Considerações finais sobre o Big Push CSP....................................................
Bibliografia.............................................................................................................
Aumentando a resiliência climática e combate à pobreza rural por meio de ações 
emergenciais de combate à seca: o caso dos sistemas agroflorestais 
no Procase - FIDA..................................................................................................
Leonardo Bichara Rocha, Thiago César Farias da Silva, Donivaldo Martins 
Resumo..................................................................................................................
A. Introdução......................................................................................................
O FIDA e ações de combate aos efeitos da seca na Paraíba............................
Sistemas agroflorestais no contexto dos Planos Emergenciais......................
15
I. 23
II.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
23
24
26
27
28
32
43
45
47
B.
C.
47
48
48
50
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 4
III.
D.
E.
F.
IV.
54
54
55
57
59
A.
B.
C.
D.
E.
F.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
V.
A.
B.
C.
D.
E.
59
59
60
65
68
69
71
73
75
Assessoria técnica contínua e especializada.................................................................
Resultados e ODS.........................................................................................................
Conclusões e relação com o Big Push para a Sustentabilidade......................................
Bibliografia............................................................................................................................
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil: a contribuição dos Tûkûna 
do Médio Rio Juruá (AM).......................................................................................................
Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle, 
Tatiana Ribeiro Souza Brito 
Resumo.................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
Inventário etnográfico...................................................................................................
A construção de casas de farinha..................................................................................
Chamada pública para alimentação escolar..................................................................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade..............................
Conclusão......................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Polímeros Verdes: tecnologia para promoção do desenvolvimento sustentável...................
Adriana Mello, Jorge Soto, José Augusto Viveiro 
Resumo................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
O PE verde da Braskem.................................................................................................
Capacidade de mobilização de investimentos..............................................................
PE verde e o desenvolvimento sustentável...................................................................
PE verde e o Big Push para a Sustentabilidade..............................................................
Conclusões ....................................................................................................................
Bibliografia............................................................................................................................
Assentamentos Sustentáveis na Amazônia: o desafio da produção familiar 
em uma economia de baixo carbono....................................................................................
Erika de Paula P. Pinto, Maria Lucimar de L. Souza, Alcilene M. Cardoso, 
Edivan S. de Carvalho, Denise R. do Nascimento, Paulo R. de Sousa Moutinho, 
Camila B. Marques, Valderli J. Piontekowski
Resumo .................................................................................................................................
Introdução.....................................................................................................................
As origens do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia................................
Estratégias integradas para a promoção de assentamentos sustentáveis na Amazônia
Incentivos econômicos para conservação e produção rural sustentável........................
Sistemas agroflorestais como estratégia de regularização ambiental 
e segurança alimentar...................................................................................................
Discussão sobre a iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade..........................
Bibliografia............................................................................................................................
Tecnologia de tratamento de esgoto: uma alternativa de saneamento básico 
rural e produção de água para reúso agrícola no Semiárido Brasileiro..................................
Mateus Cunha Mayer, Rodrigo de Andrade Barbosa, George Rodrigues Lambais, 
Salomão de Sousa Medeiros, Adrianus Cornelius Van Haandel, Silvânia Lucas dos Santos 
Resumo .................................................................................................................................
A. Introdução.....................................................................................................................
O desenvolvimento de tecnologias de saneamento básico rural de custo 
acessível no Semiário Brasileiro....................................................................................
VI.
F.
75
76
77
80
81
84
87
88
89
89
90
91
92
95
B.
.. 97
..98
101
103
103
104
105
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 5
VII.
VIII.
IX.
C.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
A cultura da erva-mate no sul do Brasil e os desafios do cultivo em Machadinho ,
Benefícios ambientais...................................
SAF Cambona 4 e a neutralização de carbono
Relação do estudo de caso com o Big Push e a Agenda 2030....................
Conclusão.................................................................................................
Bibliografia........................................................................................................
Sistema Agroflorestal Cambona 4: um exemplo de impulso à sustentabilidade 
na Região Sul do Brasil......................................................................................
Airton José Morganti Júnior, José Lourival Magri, Selia Regina Felizari
Resumo ............................................................................................................
Introdução................................................................................................
1.
Sistema Agroflorestal Cambona 4..............................
SAF Cambona 4 e o desenvolvimento socioambiental
1.
2.
SAF Cambona 4 e o Big Push para a Sustentabilidade....................
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
Unidade de Cogeração Lages: um exemplo do potencial transformador 
da economia circular ..............................................................................
José Lourival Magri, Mario Wilson Cusatis
Resumo ..................................................................................................
Introdução......................................................................................
Descrição do projeto......................................................................
Destinação das cinzas de biomassa...............................................
Projeto comunitário.......................................................................
Tecnologia para melhor aproveitamento........................................
Impactos da iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade....
Conclusão.......................................................................................
Bibliografia.............................................................................................
O modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes..........
Rogério Atem de Carvalho
Resumo..................................................................................................
Introdução......................................................................................
O modelo de ação do PICG............................................................
1.
2.
3.
4.
5.
6.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
G.
A.
B.
Linha 1: projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) 
Linha 2: projetos com comunidades e governos...........................
Linha 3: projetos de pesquisa aplicada e extensão tecnológica....
Linha 4: concepção e operação do campus...................................
Ações integrativas........................................................................
O PICG como parte de um ecossistema........................................
O ciclo virtuoso dos investimentos em inovação..................................
Impactos econômicos, sociais e ambientais..........................................
1.
2.
3.
C.
D.
E.
Dimensão econômica ................................................................................
Dimensão ambiental..................................................................................
Dimensão social.........................................................................................
A atuação do PICG à luz do Big Push para a Sustentabilidade e da Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável................................................................
Conclusões .........................................................................................................
Bibliografia.................................................................................................................
F.
.111
112
112
115
115 
116 
116 
.117 
119 
120 
121 
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125
127
127
127
129
.131
132
.133
134
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136
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.137 
138 
140 
141 
141 
143 
144 
146 
147 
148 
149 
149 
150 
151
151
153
153
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 6
X. Tecnologias sociais como impulso para o acesso à água e o desenvolvimento 
sustentável no meio rural brasileiro: a experiência do Programa Cisternas....
Vitor Leal Santana, Lilian dos Santos Rahal 
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Programa Cisternas: contexto, resultados e impactos............................
Relação do caso estudo com o Big Push para a Sustentabilidade...........
Considerações finais...............................................................................
Bibliografia.....................................................................................................
Programa de Restauração Ambiental da Suzano: lições aprendidas para 
investimentos em recuperação de pastagens degradadas no Brasil...............
Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli, Yugo Matsuda
Resumo ..........................................................................................................
Introdução..............................................................................................
Estruturação de investimentos no âmbito da estratégia de conservação 
e do Programa de Restauração Ambiental da Suzano............................
1.
2.
3.
4.
155
XI.
XII.
XIII.
A.
B.
C.
D.
155 
156 
.157
165 
166 
167
171
A.
B.
C.
171
172
Métodos customizados......................................................................................
Gestão eficiente e parcerias...............................................................................
Capacidade de replicabilidade ..........................................................................
Processos inovadores em financiamento, gestão e tecnologia.........................
Os impactos do Programa de Restauração Ambiental no contexto do Big Push 
para a Sustentabilidade e da Agenda 2030................................................................
Conclusão..................................................................................................................
Bibliografia.........................................................................................................................
Política de conteúdo local e incentivos financeiros no mercado de energia eólica no Brasil 
Britta Rennkamp, Fernanda Fortes Westin, Carolina Grottera
Resumo .............................................................................................................................
Introdução.................................................................................................................
Fatores, atores e impactos das políticas de incentivo e conteúdo local 
no mercado de energia eólica no Brasil......................................................................
1.
2.
Capacidade tecnológica nacional e criação de emprego nas indústrias 
de energia eólica no Brasil...................................................................
Perspectivas futuras para o setor de energia eólica no Brasil...............
1.
2.
3.
D.
A.
B.
C.
D.
E.
Requisitos de Conteúdo Local obrigatórios na tarifa feed-in.....
RCLs opcionais ligados ao financiamento de energia renovável
Expansão dos mercados eólicos na América Latina....................................
A energia eólica e a estratégia de desenvolvimento a longo prazo brasileira 
Análise à luz da abordagem do Big Push para a Sustentabilidade................
Conclusão.............................................................................................................
Bibliografia...................................................................................................................
Anexo XII.1....................................................................................................................
Da subsistência ao desenvolvimento: o processo de construção da Associação 
de Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras - MG.....................................................
Eliane Oliveira Moreira, Jucilaine Neves Sousa Wivaldo 
Resumo.............................................................................................................................
A. Introdução.................................................................................................................
O material reciclável e o contexto brasileiro da década de 1990: breve histórico......
Uma construção social dialogada: o processo histórico inicial da ACAMAR e a FPDA
B.
C.
.173 
174 
. 177 
179 
179
180
183
184
185
185
186
187
187
188
189
194
194
195
196
197
198
200
201
201
202
203
204
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 7
D. Desenvolvimento em perspectiva: desenvolvimento sustentável, a ACAMAR 
e o Big Push para a Sustentabilidade........................................................................
Considerações finais...................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
XIV. Projeto Tipitamba: transformando paisagens e compartilhando conhecimento 
na Amazônia ............................................................................................................
Osvaldo Ryohei Kato, Anna Christina M. Roffé Borges, Célia Maria B. Calandrini de Azevedo, 
Debora Veiga Aragão, Grimoaldo Bandeira de Matos, Lucilda Maria Sousa de Matos, 
Maurício Kadooka Shimizu, Steel Silva Vasconcelos, Tatiana Deane de Abreu Sá 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
O Projeto Tipitamba...................................................................................................
O potencial transformador dos investimentos no Sistema Tipitamba...................
Os impactos econômicos, sociais e ambientais do Projeto Tipitamba...................
Relação do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade.......................
Conclusão ...................................................................................................................
Bibliografia .........................................................................................................................
Desenvolvimento sustentável e geração de impacto positivo: caso Natura e Amazônia 
Resumo...............................................................................................................................
Introdução..................................................................................................................
Modelo de negócio sustentável.................................................................................
1.
Estruturação de investimentos no âmbito do Programa Natura Amazônia
1.
2.
3.
E.
A.
B.
C.
D.
E.
F.
XV.
A.
B.
Estudo de caso Ucuuba
C.
D.
E.
Ciência, tecnologia e inovação.....................................................
Fortalecimento institucional........................................................
Cadeias produtivas.......................................................................
Relação entre o estudo de caso e o Big Push para a Sustentabilidade
Conclusão .............................................................................................
Bibliografia ....................................................................................................
Anexo XV.1....................................................................................................
Tabelas
Tabela I.1
Tabela II.1
Tabela II.2
Tabela IV.1
Tabela VI.1
Tabela VIII.1
Tabela X.1
Tabela X.2
Tabela X.3
Tabela XII.1
Tabela XII.2
Tabela XV.1
Compromissos Ambientais CSP.............................................................................
Grupos de famílias atendidos pelo Plano Emergencial e assessoria
técnica do Procase...................................................................................................
Procase e ODS nos Planos Emergenciais..............................................................
Indicadores de Desenvolvimento Sustentável elencados pela CEPAL
e a aderência do PE Verde da Braskem..................................................................
Funções das unidades de tratamento e resultados esperados..............................
Histórico das emissões de RCE relativas ao Projeto MDL 0268 ...........................
Linhas de ação do Programa Cisternas..................................................................
Comparativo entre médias de indicadores populacionais e socioeconômicos....
Impactos do Programa Cisternas nas dimensões econômica, social e ambiental 
Projeção de geração de energia eólica em 2025....................................................
Lista de entrevistados/representantes das empresas do setor
de energia eólica .....................................................................................................
Principais diretrizes e compromissos do PAM.......................................................
207
210
211
213
213
214
214
218
219
223
225
226
227
227
227
228
229
231
232
233
234
235
237
238
239
30
54
55
..85 
106
131 
158 
162 
164 
195
200
232
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 8
Gráficos
Gráfico I.1
Gráfico I.2
Gráfico I.3
Gráfico I.4
Gráfico I.5
Gráfico I.6
Gráfico I.7
Gráfico I.8
Gráfico I.9
Gráfico III.1
Gráfico III.2
Gráfico IV.1
Gráfico V.1
Gráfico V.2
Gráfico VI.1
Gráfico VI.2
Gráfico VI.3
Gráfico VI.4
Gráfico XII.1
Gráfico XII.2
Gráfico XII.3
Produção de placas da CSP...............................................................................
Geração de empregos diretos e indiretos.........................................................
Participação em aços de alto valor agregado no portfólio da CSP..................
Empresas em SGA e Caucaia de 2010 a 2017....................................................
Exportações de produtos metalúrgicos em SGA.............................................
Exportação do Ceará .........................................................................................
Número de microempreendores individuais (MEI) instalados em SGA 
e Caucaia em 2010 e 2018.................................................................................
Salário médio mensal em SGA e Fortaleza......................................................
Empregos em SGA por gênero de 2010 a 2017.................................................
Impacto no orçamento anual com a compra de sacas de farinha nos 
grupos familiares das aldeias Beija-flor, Flecheira e Morada Nova.................
Impacto no orçamento mensal com a venda de uma saca de farinha 
nos grupos familiares das aldeias Beija-Flor, Flecheira e Morada Nova.........
Evolução da porcentagem de Fornecedores de Etanol da Braskem que 
se adequaram aos requisitos de Conformidade (obrigatórios) e
Excelência (pontos de melhoria contínua).......................................................
Representatividade do valor comercializado em relação à renda bruta 
antes (safra 2013-2014) e no final (safra 2015-2016) do período 
de vigência do projeto.......................................................................................
Renda Bruta no Período de Execução do PAS (2012 a 2017)...........................
Concentrações afluente e efluente de DBO5...................................................
Concentrações afluente e efluente de nitrogênio amoniacal..........................
Concentrações afluente e efluente de fósforo total........................................
Concentrações afluente e efluente de E. coli....................................................
Capacidade instalada, financiamento do BNDES e investimento total 
setor de energia eólica no Brasil, 2005-2014....................................................
Patentes registradas relacionadas à energia eólica no Brasil de acordo 
com o conteúdo tecnológico, 1991-2016.........................................................
Evolução dos preços dos leilões de energia eólica no Brasil (Proinfa), 2009-2018
33
34
35
38
39
39
40
41
43
66
67
82
.. 93 
.. 97 
109 
109 
110
110
191
193
193
Quadros
Quadro IX.i
Quadro XI.1
Breve histórico do PICG..............
Técnicas aplicadas à restauração
139
173
Mapas
Mapa V.1
Mapa X.1
Mapa XII.1
Mapa XV.1
Área de implementação da iniciativa Assentamentos Sustentáveis na Amazônia
Distribuição territorial das tecnologias apoiadas no âmbito do
Programa Cisternas ............................................................................................
Distribuição regional das principais montadoras de turbinas eólicas 
e principais fabricantes de turbinas eólicas no Brasil........................................
Famílias fornecedoras da sociobiodiversidade..................................................
93
160
190
239
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 9
Figuras
Figura I.1
Figura I.2
Figura I.3
Figura I.4
Figura I.5
Figura I.6
Figura I.7
Figura I.8
Figura I.9
Figura I.10
Figura I.11
Figura I.12
Figura II.1
Figura II.2
Figura II.3
Figura II.4
Figura III.1
Figura III.2
Figura III.3
Figura III.4
Figura III.5
Figura III.6
Figura III.7
Figura IV.1
Figura IV.2
Figura IV.3
Figura V.1
Figura V.2
Figura VI.1
Figura VI.2
Figura VI.3
Posição geográfica estratégica do CIPP em relação a Europa, Estados Unidos 
e África................................................................................................................
Correia transportadora enclausurada responsável pelo transporte das principais 
matérias-primas do Porto para CSP e placas da CSP no Porto do Pecém...........
ZPE Ceará...........................................................................................................
Vista superior CSP.............................................................................................
A CSP encontra-se entre os projetos com melhores indicadores 
de implantação do mundo................................................................................
Sementes coletadas e mudas de plantas nativas.............................................
Plantio de mudas e livro publicado pela CSP....................................................
Impermeabilização e aspersão de água do pátio de matérias primas.............
Cronologia da primeira estaca à primeira placa ...............................................
Do Ceará para o mundo.....................................................................................
Laboratórios CSP...............................................................................................
Termoeléctrica CSP...........................................................................................
Campo de palma irrigada em sistema emergencial/SAF recém 
implantado na Vila Lafayete, município de Monteiro......................................
Vista parcial do SAF do Assentamento Beira Rio, no município de Camalaú .. 
Implantação do SAF na comunidade do Riacho de Sangue, município 
de Barra de Santa Rosa......................................................................................
Sistema Agroflorestal na Comunidade Bom Sucesso, município de Sossego . 
Mandioca da variedade denominada pelos Tûkûna como Samaúma, 
aldeia Morada Nova...........................................................................................
Mandioca da variedade identificada como Cruvilha pelos Tûkûna, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Mandioca roxa doada por indígenas da aldeia Jarinal e colhida da roça 
de isolados da TI Vale do Javari, aldeia Beija-Flor.............................................
Roçado com algumas variedades da mandioca em consórcio com outras 
espécies e floresta, aldeia Beija-Flor.................................................................
Wadawi Gracinha Kanamari, durante a preparação do cipó Timbó para 
a fabricação de teçumes, aldeia Beija-Flor.......................................................
Djana Eraci Kanamari, durante a confecção de teçume feito de cipó timbó, 
aldeia Flecheira..................................................................................................
Novelo de fio de tucum produzido por Tsawi Dilce Kanamari........................
Esquema ilustrativo da análise de ciclo de vida do PE Verde da Braskem......
Estimativa do uso de terra agricultável para produção de matérias-primas 
renováveis para produção de produtos não energéticos e bioplásticos 
2018 e 2023 ........................................................................................................
Itens avaliados nos requisitos de Meio Ambiente e de Trabalhadores 
e Comunidade do pilar de Conformidade dentro do programa de
Compra Responsável de Etanol da Braskem ....................................................
Dimensões consideradas na definição dos 20 indicadores de sustentabilidade 
da iniciativa........................................................................................................
Critérios para repasse de PSA...........................................................................
Layout do sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar.................
Reator UASB projetado para o estudo.............................................................
Lagoas de polimento projetadas para o estudo...............................................
24
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29
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84
..94 
. 96 
106
107 
107
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 10
Figura IX.1
Figura IX.2
Figura IX.3
Figura IX.4
Figura X.1
Figura XII.1
Figura XIV.1
Figura XIV.2
Figura XIV.3
Figura XIV.4
Figura XIV.5
Vista aérea do PICG ...............................................................................................
Alunos em atividade sobre mudas de árvores nativas.........................................
Módulo de controle de geração e consumo de energia fotovoltaica do I2S.......
Ciclo de investimentos...........................................................................................
Principais tipos de tecnologias implantadas........................................................
Produtos da cadeia de suprimento de acordo com o grau de conteúdo tecnológico 
Trituração da biomassa, cobertura morta, plantio direto e sistema de 
produção sem uso do fogo e opções de continuidade (sentido horário)............
Ações de capacitação e intercâmbio de agricultores...........................................
Minibibliotecas da Embrapa ..................................................................................
Sistema tradicional de derruba-e-queima e preparo de área sem queima 
do Sistema Tipitamba............................................................................................
Implantação de sistemas agroflorestais multiestratos em áreas preparadas 
e cultivo de plantas perenes em áreas preparadas com corte-e-trituração........
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CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 11
Prefácio
Grande impulso para 2030
Carlo Pereira.*
Diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.
Em 2015, a ONU propôs aos seus países membros uma nova agenda pelo desenvolvimento sustentável. 
Composta por 17 Objetivos Globais, a Agenda 2030 representa mais do que os desafios do presente, ela 
prevê oportunidades para o futuro. Só podemos atingir a prosperidade econômica se não deixarmos 
ninguém para trás, como pregam os ODS. E quando falamos em avançar sem aceitar retrocessos, 
fazemos referência às dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento, também 
abordadas pela ideia de Big Push para a Sustentabilidade, à qual esta publicação se refere.
Começando pela dimensão social, entendemos que erradicar a pobreza (ODS 1) e reduzir as 
desigualdades (ODS 10) são objetivos capazes de trazer ganhos econômicos para as empresas através 
da inclusão de quem atualmente se encontra à margem. Como exemplo, a igualdade de gênero (ODS 5) 
tem potencial de injetar US$ 5,8 trilhões na economia global, mas demoraria 257 anos para ser 
efetivada, se continuarmos no ritmo em que estamos. Quem agir primeiro, aproveitará da melhor forma 
as oportunidades da inclusão.
A dimensão econômica atravessa todos os ODS, mas é tema central de alguns, como o ODS 8 
—Trabalho decente e crescimento econômico (uma declaração de que um não existe sem o outro) e o 
ODS 9, que visa a promoção de uma industrialização inclusiva e sustentável, além do fomento à 
inovação. Já o ODS 12— Consumo e produção responsáveis, abre caminho para a integração sustentável 
entre economia e meio ambiente, de onde tiramos os recursos para a nossa sobrevivência no planeta.
Alguns pontos de vista ainda defendem ser necessário desconsiderar a dimensão ambiental do 
desenvolvimento, ignorando as oportunidades dela decorrentes. O ODS 15, por exemplo, visa a 
*
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 12
preservação da vida na terra, com o combate à desertificação e degradação do solo como metas. 
A preservação da terra permite a viabilidade econômica de empresas produtoras de alimento, que serão 
responsáveis pela subsistência de uma população mundial que chegará a 9.7 bilhões de pessoas em 2050 
(ODS 2 - Fome zero e agricultura sustentável). A sustentabilidade fornece terreno fértil para o 
crescimento econômico.
próximos 10 anos. No processo de pesquisa para construir nossas
atingido até 2030. Precisamos fazer mais, e não
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam questões atuais com impactos que 
podem ser positivos ou negativos nos próximos anos, a depender da forma como gerimos as soluções. 
A crise climática, por exemplo, não permite hesitações, requer ações ágeis pela prosperidade dos 
negócios, ecossistemas e pela humanidade (ODS 13). Por isso que, em 2020, a reunião do Fórum 
Econômico Mundial colocou as mudanças climáticas como o maior risco da década, à frente de crises 
financeiras. De acordo com o relatório Riscos Globais 2020, lançado pela instituição, o custo da inércia 
será de US$ 1 trilhão para as 200 maiores empresas do mundo.
A Rede Brasil do Pacto Global é a maior plataforma de promoção dos ODS junto ao setor 
empresarial no país. Em 2019, contamos com o apoio da consultoria Falconi para traçar nosso 
planejamento estratégico para os
metas, descobrimos que, no ritmo em que o Brasil se encontra, apenas o ODS 7 —Energia limpa e 
acessível, tem indicadores suficientes para ser 
conseguimos evoluir sozinhos.
Por isso, aplaudimos e apoiamos a iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o 
Caribe (CEPAL), de reconhecer as iniciativas que estão agindo por um Big Push de Sustentabilidade, que 
corresponde ao tipo de desenvolvimento econômico e socioambiental do qual somos porta-vozes. 
A CEPAL compreende a necessidade de alavancar investimentos nacionais e estrangeiros através da 
coordenação de políticas públicas e privadas para gerar um ciclo de crescimento econômico virtuoso, 
capaz de gerar emprego e renda, reduzir desigualdades e promover a sustentabilidade. Em suma, 
articular diversos atores (ODS 17) em prol do cumprimento da Agenda 2030.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a nossa década de “A Década da Ação. 
Muitos avanços já foram feitos, mas 
sustentável. No entanto, para chegarmos em 2030 com o cumprimento das metas dos ODS, precisamos 
fazer mais, precisamos de um big push. As soluções que necessitamos podem vir do exemplo. Aproveite 
a leitura para inspirar-se na experiência de iniciativas que já estão vivendo o hoje como se fosse 2030.
também alguns retrocessos, em busca de um futuro mais
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 13
Apresentação
Alicia Bárcena.*
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas recentemente 
completou 70 anos de existência, marcada por trabalhos seminais, abordagens inovadoras e 
direcionamentos de políticas orientados para o desenvolvimento com sustentabilidade e igualdade. 
Ao longo desse período, o pensamento cepalino renovou-se e atualizou-se à medida que as economias 
da região se transformaram. Ao mesmo tempo, a CEPAL reafirmou a sua abordagem teórica conforme 
as características estruturais do desenvolvimento da região, que foram reproduzidas nessas últimas 
décadas e em muitos casos aprofundadas.
A CEPAL identifica e analisa, desde o seu nascimento, as profundas brechas estruturais que 
persistem nas economias latino-americanas, tais como assimetrias competitivas e tecnológicas, os 
desafios para convergência com níveis de renda superiores, as ineficiências da desigualdade e as 
implicações da sobre-exploração dos recursos naturais. No campo propositivo, a CEPAL tem apontado 
direções para uma mudança estrutural progressiva, orientada pela visão de que um desenvolvimento 
econômico sustentável depende criticamente de um meio ambiente saudável e de uma sociedade 
construída sobre a base da igualdade. Nos últimos anos, temos nos empenhado para articular uma 
proposta renovada que reflita essa visão, articulada em torno de um grande impulso (big push) para a 
sustentabilidade, para promover a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável.
O Big Push para a Sustentabilidade é uma abordagem que a CEPAL vem desenvolvendo para 
apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais sustentáveis, baseada na 
coordenação de políticas para promover investimentos sustentáveis, que produzam um ciclo virtuoso 
de crescimento econômico, geração de emprego e renda e redução de desigualdades e lacunas 
estruturais, ao mesmo tempo que mantêm e regeneram a base de recursos naturais da qual o 
desenvolvimento depende. Viemos trabalhando nessa abordagem em um momento oportuno, no qual 
* Secretária-Executiva da CEPAL.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 14
a preocupação com a sustentabilidade ambiental, a igualdade e a retomada da atividade econômica se 
instalou na agenda internacional. Assim, em 2015, 193 países aprovaram a Agenda 2030 e seus 
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que norteiam uma transformação estrutural dos estilos 
de desenvolvimento em suas dimensões social, econômica e ambiental. Em conformidade com a 
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o Big Push para a Sustentabilidade não deixará 
ninguém para trás e deve servir para a erradicação da fome e da pobreza em todas as suas formas.
Nesse contexto, tenho o prazer de apresentar esta publicação, intitulada Investimentos 
transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável: Estudos de casos de grande impulso 
(Big Push)para a sustentabilidade no Brasil, que traz estudos de casos concretos que não apenas ilustram 
a viabilidade, mas também nos apresentam as lições aprendidas, as oportunidades e os desafios para 
um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil. A publicação é fruto do esforço voluntário dos autores 
dos capítulos, de divers0s setores e áreas de formação, em registrar e dar visibilidade a experiências que 
podem se tornar exemplos a serem replicados, unindo teoria e prática.
O leitor interessado em exemplos de ações reais que têm sido bem-sucedidas em promover 
investimentos com impactos positivos nas três dimensões do desenvolvimento sustentável (social, 
econômica e ambiental) encontrará na seleção de capítulos reunidos na presente publicação um 
material de grande utilidade. Esta publicação apresenta um panorama das amplas possibilidades para 
a realização de investimentos sustentáveis em diversas escalas (em nível de empresas, de comunidades, 
de municípios, de regiões e nacional), em várias práticas e tecnologias sustentáveis (desde sistemas 
agroflorestais e de produtos da química verde até sistemas de saneamento básico rural e 
desenvolvimento da indústria eólica) e por meio de uma rica pluralidade de medidas, políticas, arranjos 
de governança e fontes de financiamento. Os estudos de casos retratados nesta publicação são luzes 
que podem nos orientar rumo a um futuro sustentável e igualitário.
O Brasil é o maior país e economia da América do Sul e tem sido objeto de análise da CEPAL 
quanto a suas experiências e políticas sustentáveis que possam contribuir para o desenvolvimento 
regional. Esta publicação vem demonstrar essa atenção da CEPAL para o Brasil, consolidando uma 
relação de cooperação e de estudos conjuntos de várias décadas.
Sem mais preâmbulos, convido cordialmente o leitor a mergulhar nestas páginas com o fim de 
ampliar sua compreensão sobre as complexidades, os desafios e, fundamentalmente, as possibilidades 
para um Big Push para a Sustentabilidade no Brasil nos contextos atuais da sociedade, da economia e 
do meio ambiente, que claramente exigem um novo estilo de desenvolvimento com igualdade e 
sustentabilidade ambiental.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 15
Introdução
.*Carlos Mussi 
Camila Gramkow.* *
Diretor do Escritório da CEPAL no Brasil.
Oficial de Assuntos Econômicos, Escritório da CEPAL no Brasil.
limites planetários, a emergência climática
Os dias atuais são marcados por uma conjuntura de busca pela recuperação do vigor econômico no 
Brasil e no mundo. Essa recuperação toma contornos complexos, uma vez que, aos aspectos 
conjunturais, se somam os desafios estruturais dos quais depende a própria sustentabilidade da 
atividade econômica no longo prazo, incluindo os  e a 
ineficiência da desigualdade. O mundo no qual nos encontramos requer um novo estilo de 
desenvolvimento, em cujo centro estejam a igualdade e a sustentabilidade. É essa a visão desenvolvida 
pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas que define a 
abordagem para apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais 
sustentáveis, chamada Big Push para a Sustentabilidade. A Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) orienta e promove essa visão da CEPAL. Essa abordagem 
representa uma coordenação de políticas (públicas e privadas, nacionais e subnacionais, setoriais, 
fiscais, regulatórias, financeiras, de planejamento, etc.) que alavanquem investimentos nacionais e 
estrangeiros para produzir um ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de emprego e renda, 
redução de desigualdades e brechas estruturais e promoção da sustentabilidade ambiental. Assim, os 
volumosos investimentos necessários para a transição para um modelo econômico resiliente, de baixo 
carbono e sustentável são colocados como uma oportunidade de gerar um grande impulso (big push) 
para um novo ciclo de crescimento econômico e de promoção da igualdade, contribuindo para a 
construção de um desenvolvimento mais sustentável, no seu tripé econômico, social e ambiental.
Os delineamentos conceituais básicos do Big Push para a Sustentabilidade foram desenvolvidos 
pela CEPAL (CEPAL, 2016 e 2018). O elemento chave dessa abordagem são os investimentos, que são 
*
**
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 16
o principal elo entre o curto e o longo prazo. Os investimentos de hoje explicam a estrutura produtiva 
de amanhã, que por sua vez determina a competitividade, a produtividade e o tipo de inserção no 
comércio internacional. Além disso, ela também determina a capacidade de geração de empregos de 
qualidade com inclusão produtiva e se a atividade econômica será contaminante ou ecológica. 
Atualmente, é mais verdadeiro do que nunca afirmar que as economias que investem pouco tendem a 
se posicionar na periferia do sistema econômico global. Os investimentos são fundamentais para que 
as mudanças profundas e estruturais que já estão em curso, desde a revolução tecnológica 
(transformação digital da economia, bioeconomia, nanotecnologia, etc.) até a transição demográfica, 
tornem-se oportunidade para o desenvolvimento sustentável —e não novos desafios para a 
sobrevivência de nossas economias e sistemas sociopolíticos. Em suma, a qualidade de nosso futuro 
depende crucialmente do tipo de investimento que é realizado hoje.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, os investimentos devem ser orientados por 
uma tripla eficiência, para que sejam compatíveis com a construção de estilos de desenvolvimento 
sustentáveis. A primeira, é a eficiência schumpeteriana, segundo a qual uma matriz produtiva mais 
integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera externalidades positivas de aprendizagem e 
inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Estruturas produtivas que permitem acelerar o 
fluxo de informações e de conhecimentos tendem a ser economias mais eficientes, mais inovadoras e 
mais preparadas para se inserir competitivamente em mercados que remuneram melhor os bens e 
serviços produzidos. Essa é uma eficiência muito associada ao lado da oferta, ou seja, das capacidades 
produtivas e tecnológicas instaladas. A segunda eficiência é a keynesiana, que destaca que há ganhos 
de eficiência da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando 
efeitos multiplicadores e impactos positivos na economia e nos empregos. Economias que conseguem 
acessar mercados em expansão podem aumentar sua produção em uma velocidade maior do que 
aumentam seus custos (economias de escala) e, quando opera negócios diversos simultaneamente, 
pode aumentar a eficiência conjunta da produção, com consequente redução de custos e aumento da 
qualidade (economia de escopo). Essa segunda eficiência destaca elementos do lado da demanda que 
se reforçam, criando um círculo virtuoso de competitividade, inovação e produtividade. A eficiência 
keynesiana está muito relacionada com a eficiência schumpeteriana, uma vez que os mercados que 
mais crescem tendem a ser aqueles com maior dinamismo tecnológico e de inovação. Somadas, as 
eficiências schumpeteriana e keynesiana criam as condições para uma inserção competitiva favorável. 
Contudo, é necessária a terceira eficiência para garantir a sustentabilidade de longo prazo, que é a 
eficiência da sustentabilidade, a qual se relaciona com a clássica eficiência no tripé econômico, social e 
ambiental. Essa eficiência destaca que os investimentos devem ser economicamente viáveis, o que 
requer pensar sobre fontes de financiamento e origem dos recursos. No âmbito social, além de justiça 
social e promoção da igualdade, na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, também é 
necessário um sistema seguro e justo de arbitragem de conflitos, que não deixe ninguém para trás. O 
eixo ambiental da eficiência da sustentabilidade reforça que os investimentos sustentáveis devem 
diminuir a pegada ambiental e os impactos ambientais, ao mesmo tempo em que recupera a capacidade 
produtiva do capital natural. Juntas, as eficiência schumpeteriana, keynesiana e da sustentabilidade 
tornam-se pilares para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis.
Na abordagem do Big Push para a Sustentabilidade, a coordenação de políticas em torno da tripla 
eficiência é chave para destravar investimentos nacionais e estrangeiros, não apenas em práticas, 
tecnologias, cadeias de valor e infraestrutura sustentáveis, mas também em capacidades tecnológicas 
e educação para equipar a força de trabalho com as habilidades necessárias para o futuro. 
A coordenação é simultaneamente o desafio crítico e a principal oportunidade do Big Push para a 
Sustentabilidade. Se uma ampla gama de políticas (públicas e corporativas, nacionais e subnacionais, 
setoriais, tributárias, regulatórias, fiscais, financeiras, de planejamento, etc.) estiver alinhada e coesa 
com os pilares de um novo estilo de desenvolvimento, um ambiente favorável para mobilizar os 
investimentos necessários será estabelecido, ancorado em incertezas reduzidas, sinais de preços 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 17
corrigidos e um mix de políticas adequado. O consequente aumento dos investimentos sustentáveis 
leva, então, a um ciclo virtuoso de crescimento econômico, criação de empregos, desenvolvimento de 
cadeias produtivas, redução da pegada ambiental e impactos ambientais, ao mesmo tempo em que 
recupera a capacidade produtiva do capital natural.
A CEPAL iniciou uma discussão sobre as oportunidades e os desafios para um Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019). Dentre as oportunidades, destaca-se o grande potencial 
para os investimentos de baixo carbono no país, na ordem de US$ 1,3 trilhões até 2030 em setores tais 
como infraestrutura urbana (mobilidade, edificações, resíduos etc.), energias renováveis e indústria 
(IFC, 2016). Foram ressaltados também, os ganhos competitivos das firmas no Brasil que já investem 
em tecnologias sustentáveis (em termos de redução de custos, aumento de qualidade, aumento de 
market share, acesso a novos mercados etc.), a maior facilidade de acesso a financiamento para 
empresas que possuem uma governança ambiental e social e a existência de uma ampla base de 
capacidades produtivas e tecnológicas voltadas à sustentabilidade. Outro ponto identificado foi o 
oportuno momento atual, no qual se está discutindo caminhos para a recuperação da economia 
brasileira. Esse contexto pode ser uma oportunidade para o país direcionar esforços para acelerar os 
investimentos sustentáveis. A questão da coordenação é fundamental nessa discussão, já que foi 
identificado um potencial muito grande de destravar investimentos sustentáveis no país por meio de 
um esforço robusto e detalhado de coordenação de políticas, que remova sinais contraditórios e 
barreiras. Contudo, há também desafios para o Brasil, que incluem custos relativos ao carbon lock-in 
(relacionados à transição de paradigma tecnológico, especialmente nos setores mais poluentes), 
reduzido espaço fiscal para formulação de novas políticas —particularmente no contexto da Emenda 
Constitucional 95/2016— e o contexto federativo do país, que impõe necessidade de ampla 
coordenação entre os entes federativos.
Buscando aterrissar os delineamentos conceituais da abordagem do Big Push para a 
Sustentabilidade no mundo real, a CEPAL realizou uma Chamada Aberta de Estudos de Casos de 
Investimentos para o Desenvolvimento Sustentável no Brasil, que contou com a parceria institucional 
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, 
bem como com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (Gesellschaft für Internationale 
Zusammenarbeit - GIZ) e da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES). A chamada, lançada em 8 de abril 
de 2019 na ocasião do lançamento do Relatório sobre Oportunidades e Desafios para o Big Push para a 
Sustentabilidade no Brasil (CEPAL/FES, 2019) no Insper em São Paulo, convidou pesquisadores, 
profissionais do setor privado, empresários, representantes da sociedade civil, formuladores de políticas 
públicas e servidores públicos a enviar estudos de casos sobre investimentos com impacto para o 
desenvolvimento sustentável no Brasil, em linha com o Big Push para a Sustentabilidade. Encerrada em 
16 de agosto de 2019, foram recebidos um total de 131 estudos de casos. Houve uma grande diversidade 
de setores, pluralidade de atores, heterogeneidade de regiões e variedade de iniciativas entre os 
estudos enviados. Quanto aos setores, a maior parte dos casos é relacionada à Infraestrutura (30% do 
total de estudos), seguida por Agropecuária e Uso do Solo (28%), Indústria (13%), Reciclagem e 
Resíduos (11%) e outros. Sobre os tipos de iniciativas analisadas nos casos, nota-se que as principais 
foram relacionadas a políticas públicas (26% do total de estudos) e políticas corporativas (19%), 
seguidas por políticas de cooperação internacional (5%), medidas implementadas pelo Sistema S (2%) 
e combinações. Em termos de cobertura geográfica, a maior parte dos casos concentrou-se no nível 
nacional (28%), sendo que também houve estudos focados em áreas das regiões Sudeste (20%), 
Nordeste (17%), Sul (13%), Norte (12%), Centro-Oeste (8%) e combinações dessas.
A partir dos 131 estudos de casos recebidos, um Comitê de Avaliação, formado por especialistas 
em desenvolvimento sustentável do IPEA, do Governo Federal Brasileiro e da CEPAL, analisou os casos 
enviados. Desses, 66 estudos foram considerados elegíveis como casos de Big Push para a 
Sustentabilidade, sendo que o principal critério de elegibilidade foi que os estudos de caso 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 18
conseguissem reportar pelo menos um indicador de cada dimensão do desenvolvimento sustentável 
(econômico, social e ambiental), conforme estabelecido nas Regras da Chamada (CEPAL, 2019). Todos 
os 66 casos elegíveis estão disponíveis no “Repositório de casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade 
no Brasil, hospedado pela CEPAL (CEPAL, 2020). O repositório tem como objetivo dar visibilidade e 
oportunidade de showcase às experiências e iniciativas que geraram resultados concretos em direção à 
sustentabilidade do desenvolvimento. A partir delas, ficarão mais claros as oportunidades e os desafios 
para um Big Push para a Sustentabilidade no país.
O Comitê de Avaliação também selecionou os estudos de casos mais transformadores rumo ao 
Big Push para a Sustentabilidade no Brasil e são esses estudos selecionados que compõem os 
15 capítulos da presente publicação. Os critérios para a seleção dos casos mais transformadores foram 
a quantidade dos indicadores reportados nas três dimensões (social, econômica e ambiental) e a análise 
dos vínculos do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade e a Agenda 2030 para o 
Desenvolvimento Sustentável, além de buscar representar a heterogeneidade e pluralidade de desafios 
e soluções para o Big Push para a Sustentabilidade no Brasil.
No primeiro capítulo, Alex Maia do Nascimento e coautores, todos funcionários da Companhia 
Siderúrgica do Pecém (CSP) relatam o caso do maior projeto de investimento privado realizado na 
história do Estado do Ceará, com valor superior a US$ 5 bilhões, que foi o estabelecimento da CSP. 
O caso da CSP ilustra como investimentos em uma siderúrgica moderna e integrada vem contribuindo 
para a construção de um estilo de desenvolvimento sustentável localmente, por meio de adoção de 
tecnologias sustentáveis de ponta, recuperação florestal, capacitação de pessoas, geração de 
empregos, agregação de valor às exportações do país, etc. O segundo capítulo, de autoria de Leonardo 
Bichara Rocha (Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura - FIDA), Thiago César Farias 
da Silva (Procase, Paraíba) e Donivaldo Martins (FIDA), apresenta o caso do Projeto de Desenvolvimento 
Sustentável do Cariri, Seridó e Curimataú (Procase), apoiado pelo FIDA e pelo Estado da Paraíba. 
O estudo do Procase evidencia como investimentos no combate à desertificação do sistema Caatinga, 
por exemplo, em poços, barragens, dessalinizadores e sistemas agroflorestais (SAFs), podem contribuir 
para redução da pobreza, segurança hídrica e alimentar, redução de custos, geração de renda, 
diversificação produtiva etc.
No Capítulo III, assinado por Cairo Guilherme Milhomem Bastos, Fernando Esteban do Valle e 
Tatiana Ribeiro Souza Brito, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), relatam o caso de iniciativas 
realizadas na Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá, Sudoeste Amazônico. O estudo exemplifica que 
investimentos de baixo montante, por exemplo, da ordem de R$ 9 mil para construção de casas de 
farinha, podem estimular a reprodução do sistema agrícola indígena e reafirmar os saberes desses 
povos como uma capacidade tecnológica que agrega valor à farinha produzida nas aldeias e a diferencia 
das demais. O caso ressalta a importância dos saberes e tradições indígenas, da valorização do papel da 
mulher e da atuação de forma colaborativa para se pensar em soluções de desenvolvimento sustentável 
adaptadas ao contexto amazônico. O Capítulo IV, de autoria de Adriana Mello, Jorge Soto e José 
Augusto Viveiro, todos da Braskem, ilustra o potencial da química verde do futuro, a partir do estudo de 
caso do desenvolvimento do Polietileno Verde (PE Verde) pela Braskem. Esse caso exemplifica como a 
indústria química pode se tornar uma indústria sustentável, inclusiva e competitiva a partir do potencial 
transformativo da produção de polímeros de fontes renováveis, que são abundantes no país. O estudo 
evidencia a importância de uma trajetória consistente de investimentos em tecnologia e inovação, do 
processo de aprendizado e do compromisso de longo prazo da empresa com a sustentabilidade.
No Capítulo V, Erika de Paula P. Pinto e coautores, todos do Instituto de Pesquisa Ambiental da 
Amazônia (IPAM), apresentam o estudo de caso do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia, 
apoiado pelo Fundo Amazônia, que traz um exemplo de como podem ser realizados investimentos para 
a promoção de territórios rurais sustentáveis na região. O caso ilustra a importância de uma estratégia 
coordenada de ações (de assistência técnica e extensão rural a incentivos econômicos) a partir de uma 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 19
abordagem integrada de conservação e produção em territórios rurais ocupados pela agricultura 
familiar para a construção de estilos de desenvolvimento sustentáveis, sem promover a derrubada de 
novas áreas de floresta. O Capítulo VI, assinado por Mateus Cunha Mayer (Instituto Nacional do 
Semiárido - INSA), Rodrigo de Andrade Barbosa (INSA), George Rodrigues Lambais (INSA), Salomão 
de Sousa Medeiros (INSA), Adrianus Cornelius Van Haandel (Universidade Federal de Campina Grande) 
e Silvânia Lucas dos Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), traz o estudo de caso do 
desenvolvimento de uma tecnologia de saneamento básico rural familiar, originalmente desenhada 
para o Seminário brasileiro. O caso trata de um sistema de coleta, tratamento e reúso agrícola familiar 
de fácil instalação e custo acessível que poderia alavancar a universalização do saneamento rural no 
Brasil, com benefícios diretos sobre a produção agrícola e indiretos sobre geração de renda, redução de 
pobreza e segurança alimentar.
O Capítulo VII, de autoria de Airton José Morganti Júnior (Consórcio Machadinho), José Lourival 
Magri (ENGIE Brasil Energia) e Selia Regina Felizari (Associação de Produtores de Erva-Mate de 
Machadinho - Apromate), apresenta o desenvolvimento e os resultados de um novo sistema produtivo 
da erva-mate no Estado do Rio Grande do Sul, que culminou na Cambona 4, uma variedade obtida a 
partir de melhoramento genético. Combinado com sistemas agroflorestais (SAFs), esse novo sistema 
produtivo restaurou e protegeu dezenas de nascentes, implantou sumidouros de carbono com 
reflorestamento e gerou aumento de renda para as famílias envolvidas no SAF, enquanto promoveu a 
industrialização na cadeia de valor e a maior rentabilidade da erva-mate. No Capítulo VIII, José Lourival 
Magri e Mario Wilson Cusatis, ambos da ENGIE Brasil Energia, estudam o caso da Unidade de Cogeração 
Lages (UCLA) em Santa Catarina a partir da ótica da economia circular. Esse caso ilustra como resíduos 
do setor madeireiro podem ser aproveitados para fins energéticos na UCLA e como as cinzas da 
biomassa da madeira geradas na UCLA podem ser aproveitadas para aumentar a produtividade e 
reduzir custos na agricultura, gerando redução de emissões de gases do efeito estufa que podem ser 
compensadas sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Trata-se de um exemplo de como a 
economia circular pode gerar oportunidades para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.
No Capítulo IX, Rogério Atem de Carvalho (Polo de Inovação Campos dos Goytacazes) estuda o 
caso do modelo de ação do Polo de Inovação Campos dos Goytacazes (PICG), do Instituto Federal 
Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. O caso ilustra um modelo capaz de coordenar e articular 
diversos atores (comunidade, pesquisadores de diferentes áreas de especialidade, setor produtivo, 
governos em vários níveis etc.) e tipos de financiamento (público e privado) para realização de 
investimentos em uma variedade de ações (projetos de PDI, parcerias, educação e capacitação, ações 
para gestão e operação do campus, dentre outras), que têm contribuído para um estilo de 
desenvolvimento sustentável. O Capítulo X, assinado por Vitor Leal Santana e Lilian dos Santos Rahal, 
ambos do Ministério da Cidadania, apresenta o caso do Programa Cisternas, que foca na construção de 
cisternas para captação e abastecimento de água para consumo humano e animal sob uma ótica de 
convivência com o Semiárido e respeito aos saberes e à cultura locais. O estudo exemplifica como 
investimentos, que somam mais de R$ 3,6 bilhões e beneficiaram mais de um milhão de famílias, em 
tecnologias sociais podem garantir o acesso à água no meio rural em regiões sujeitas à escassez hídrica, 
contribuindo para o enfrentamento da pobreza, a melhoria da saúde e da segurança alimentar e a 
estruturação de cadeias produtivas ambiental e socioeconomicamente sustentáveis.
O Capítulo XI, assinado por Sarita Severien, Tathiane Sarcinelli e Yugo Matsuda, todos da 
Suzano, descreve como uma empresa que é líder mundial na produção de celulose de eucalipto vem 
estruturando uma estratégia de conservação da biodiversidade e de restauração ambiental, com foco 
em seu Programa de Restauração Ambiental. O estudo discorre sobre o desenvolvimento e o 
aprimoramento das ações da empresa em restauração ambiental e sobre como investir nessas ações 
faz sentido economicamente, já que seu core business depende criticamente de um capital natural 
saudável para alcançar seus altos índices de produtividade e mantê-los no longo prazo. O Capítulo XII, 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 20
de autoria de Britta Rennkamp (African Climate and Development Initiative, University of Cape Town), 
Fernanda Fortes Westin (Programa de Planejamento Energético, Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- 
Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro - PPE/COPPE/UFRJ) e 
Carolina Grottera (PPE/COPPE/UFRJ), apresenta o caso do vigoroso desenvolvimento da indústria de 
energia eólica no Brasil, com foco especial em Requisitos de Conteúdo Local (RCL). O estudo ilustra 
como a coordenação de diferentes políticas (tarifas feed-in, leilões, financiamento condicionado aos 
RCL através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, dentre outras) 
contribuiu para mobilizar investimentos para a construção de capacidades tecnológicas nacionais e para 
a expansão da energia eólica no país.
No Capítulo XIII, Eliane Oliveira Moreira e Jucilaine Neves Sousa Wivaldo discorrem sobre como 
demandas sociais locais e construídas por diferentes atores, como organizações sociais, setor público e 
universidades, podem gerar um grande impulso ao desenvolvimento local, a partir do estudo de caso da 
Associação de Catadores e Materiais Recicláveis (ACAMAR), no município de Lavras, Estado de Minas 
Gerais. O caso exemplifica a contribuição da dinâmica diferenciada da economia solidária, somada a 
investimentos de pequeno porte, para um melhor gerenciamento de resíduos sólicos e para a economia 
circular com geração de renda e empregos, melhoria das condições de trabalho, redução das brechas 
de gênero, dentre outros. O Capítulo XIV, assinado por Osvaldo Ryohei Kato e coautores, todos da 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), trata do estudo de caso do Sistema Tipitamba, 
que é uma tecnologia de corte-e-trituração desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental que pode 
substituir o sistema de derruba-e-queima tradicionalmente praticado na agricultura familiar na 
Amazônia. O estudo de caso do Sistema Tipitamba, baseado no manejo sustentável da capoeira como 
uma alternativa para recuperar áreas alteradas e antropizadas, evitar queimadas, expansão da fronteira 
agrícola e aumentar a fonte de renda do agricultor, ilustra como investimentos em pesquisa e 
desenvolvimento podem contribuir para soluções sustentáveis para a agricultura familiar na região.
Por último, e não menos importante, o Capítulo XV, desenvolvido pela Natura, discute a evolução 
da relação da empresa de cosméticos Natura S.A. com o desenvolvimento sustentável da região 
amazônica, tendo como base a sociobiodiversidade para composição dos produtos da companhia e 
estruturação de programas que contribuem para o manejo sustentável da floresta em pé. Esse estudo 
de caso ilustra como uma empresa pode fazer da sustentabilidade seu modelo de negócios, agregando 
valor ao vasto capital natural do país de forma competitiva domesticamente e nos mercados globais.
Os investimentos retratados nos diferentes capítulos da presente publicação são exemplos de 
transformações na economia em direção a um novo estilo de desenvolvimento sustentável. Essa 
publicação tem o objetivo de promover o debate de estilos de desenvolvimento, a partir das demandas 
e capacidades de todos, nos adequando às possibilidades do planeta e nos desafiando na construção de 
uma sociedade mais justa e próspera.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 21
Bibliografia
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) (2020), “Repositório de casos sobre o Big 
Push para a Sustentabilidade no Brasil [repositório online], Santiago, abril https://biblioguias.cepal. 
org/bigpushparaasustentabilidade [data de consulta: 28 de fevereiro de 2020].
(2019), “Regras da Chamada Aberta de Estudos de Casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade no 
Brasil [online], Brasília, abril https://www.cepal.org/sites/default/files/events/files/regras.pdf [data 
de consulta: 8 de abril de 2019].
(2018), La ineficiencia de la desigualdad (LC/SES.37/4), Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, 
N° de venda: S.18-00303.
(2016), Horizontes 2030: A igualdade no centro do desenvolvimento sustentável (LC/G.2660/SES.36/3), 
Santiago, Chile, Publicação das Nações Unidas, N° de venda: S.16-00753.
CEPAL/FES (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe)/(Fundação Friedrich Ebert Stiftung) 
(2019), “Big Push Ambiental: Investimentos coordenados para um estilo de desenvolvimento 
sustentável, Perspectivas, N° 20, (LC/BRS/TS.2019/1 e LC/TS.2019/14), São Paulo.
IFC (International Financial Corporation) (2016), Climate investment opportunities in emerging markets: an IFC 
analysis, Washington, DC.
ONU (Organização das Nações Unidas) (2015), Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o 
Desenvolvimento Sustentável (A/ RES/70/1), Nova Iorque, Publicação das Nações Unidas.

CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 89
V. Assentamentos Sustentáveis na Amazônia: 
o desafio da produção familiar em uma 
economia de baixo carbono
*Erika de Paula P. Pinto 
Maria Lucimar de L. Souza 
Alcilene M. Cardoso* 
Edivan S. de Carvalho 
Denise R. do Nascimento 
Paulo R. de Sousa Moutinho 
Camila B. Marques* 
Valderli J. Piontekowski*
.*
*
.*
*
Resumo
A iniciativa Assentamentos Sustentáveis traz um arcabouço de referências visando contribuir para a 
promoção de territórios rurais sustentáveis na Amazônia. Por meio de investimentos e parcerias 
coordenadas, a iniciativa permitiu o alcance de resultados nas dimensões ambiental, social e 
econômica. Neste sentido, a iniciativa pode ser considerada um caso de Big Push para a 
Sustentabilidade da agricultura familiar da Amazônia. Ao conciliar conservação florestal e geração de 
renda, a iniciativa sinaliza estratégias concretas capazes de contribuir para a redução das emissões de 
gases de efeito estufa pelo setor e para o cumprimento dos compromissos assumidos pelo país. 
A iniciativa também contribui para a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ao 
promover: (i) a melhoria produtiva em áreas já abertas; (ii) a valoração de serviços ambientais; 
(iii) a recuperação de áreas degradadas; (iv) a garantia de acesso à água potável; (v) o fortalecimento de
* Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 90
cadeias produtivas; (vi) a inovação tecnológica e; (vii) a redução da vulnerabilidade de agricultores 
familiares aos efeitos das alterações climáticas.
A. Introdução
ameaça à produção agropecuária da região. De
melhores condições logísticas
A Amazônia Brasileira ocupa 4,2 milhões de km2, ou seja, 49% de todo o território nacional (SFB, 2009). 
Ela abriga grandes estoques de madeira e carbono, além da maior rede hidrográfica do mundo que 
concentra 15% das águas doces superficiais não congeladas do planeta (SFB, 2009). Ainda, a região 
hidrográfica amazônica possui mais de 60% de toda a disponibilidade hídrica do Brasil (MMA, 2006). 
Apesar desta riqueza, 69,9 milhões de hectares (INPE/PRODES, 2019)1, área equivalente a dois 
territórios da Alemanha, já foram desmatados. Entre 2003 e 2012, houve uma redução significativa do 
desmatamento ocorrido na Amazônia de 25.396 para 4.571 km2 (INPE/PRODES, 2019). Neste período, 
o Estado do Pará contribuiu com 38% do total de área desmatada, e Mato Grosso com 32%. Porém, a 
partir de 2013 o desmatamento voltou a crescer. Este cenário representa uma ameaça aos 
compromissos assumidos pelo país nas negociações internacionais visando contribuir para a mitigação 
das mudanças climáticas no âmbito do Acordo de Paris e da Contribuição Nacionalmente Determinada 
brasileira, entre outros. Também representa uma 
O PRODES foi criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e realiza o monitoramento por satélites do 
desmatamento por corte raso na Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmatamento na região, que são usadas 
pelo governo brasileiro para o estabelecimento de políticas públicas.
Considerando a média de 132 toneladas de carbono por hectare, reconhecida pelo Decreto n° 7390 de 9 de dezembro de 2010.
acordo com Marengo e Souza Jr. (2018), o desmatamento e a degradação florestal na Amazônia são 
responsáveis pela perda de 40% a 50% da sua capacidade de bombear e reciclar água. O estresse hídrico 
na região resultará em uma queda drástica na produtividade agrícola e de pastagens.
Neste contexto, os 2.269 assentamentos rurais do bioma Amazônia que ocupam 33,1 milhões de 
hectares e abrigam 460.312 famílias de pequenos produtores (INCRA, 2018), já perderam 40% de sua 
vegetação original até 2018 (INPE/PRODES, 2018). Ainda, sua participação no desmatamento total do 
bioma dentro do território brasileiro foi de 18% até 2018. Apesar disso, esses assentamentos ainda 
detêm 2,4 bilhões de toneladas de carbono estocadas nas florestas remanescentes2. Este estoque 
equivale a dez vezes as emissões causadas pelo setor de mudanças de uso da terra e florestas em 2017 
(Azevedo e outros, 2018).
Historicamente, a carência de assistência técnica, serviços básicos, dificuldades de acesso a 
tecnologias, políticas públicas, transferência de conhecimento e 
colocaram o agricultor familiar da Amazônia à margem do processo de desenvolvimento da região. De 
acordo com Castro e Pereira (2017) os agricultores familiares foram negligenciados pelas diferentes 
esferas governamentais ao longo do processo de modernização da agricultura brasileira. Isso levou à 
necessidade de derrubada constante de áreas florestadas para o estabelecimento de atividades 
produtivas como a agricultura de corte e queima e a pecuária extensiva de baixa produtividade (Stella e 
outros, 2009). Este ciclo de empobrecimento das áreas não gerou melhores condições de vida para a 
população. Além disso, tem tornado a agricultura familiar cada vez mais vulnerável aos efeitos das 
alterações climáticas colocando em risco a segurança alimentar das famílias.
Assim, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), uma organização não 
governamental brasileira, tem concentrado seus esforços nas últimas duas décadas na implementação 
de estratégias coordenadas visando demonstrar que é possível promover territórios rurais sustentáveis, 
conciliando melhoria da produtividade e aumento na geração de renda sem promover a derrubada de 
novas áreas de floresta. Porém, um desafio como esse exigiu investimentos e esforços coordenados 
capazes de promover uma transição dos padrões convencionais de uso do solo para práticas mais *
1
2
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 91
sustentáveis. Foi assim que surgiu o Projeto Assentamentos Sustentáveis na Amazônia, executado pelo 
IPAM na região oeste do Pará em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária 
(INCRA) e a Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP). O projeto teve apoio da cooperação 
internacional por meio do Fundo Amazônia e beneficiou diretamente cerca de 2.700 famílias de 
pequenos produtores(as) no processo de regularização ambiental. Destas, 638 foram também 
beneficiadas com serviços de assistência técnica e extensão rural (ATER) visando melhoria produtiva 
em áreas abertas, agregação de valor em cadeias produtivas, valoração da floresta em pé, entre outros.
Este estudo visa avaliar as experiências e os resultados do Projeto Assentamentos Sustentáveis 
na Amazônia, que foi implementada no período de 2012 a 2017, à luz das diretrizes definidas pelo 
Big Push para a Sustentabilidade desenvolvidos pela CEPAL (Comissão Econômica para a América 
Latina e o Caribe das Nações Unidas; CEPAL/FES, 2019) e sua relação com a Agenda 2030 e os 
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015).
Para as análises aqui apresentadas, foram utilizados levantamentos de dados socioeconômicos 
das famílias envolvidas na iniciativa, atendidas com assistência técnica e extensão rural, através da 
utilização de questionários estruturados que permitiram a construção de linha base e o monitoramento 
anual dos indicadores de sustentabilidade definidos pelo projeto. Para isso, foi selecionada uma 
amostra aleatória de 351 famílias distribuídas proporcionalmente nos três territórios de atuação do 
projeto para haver representatividade em relação ao número total de famílias beneficiárias (638). Em 
relação à análise da cobertura florestal, foram utilizadas imagens de satélite Landsat 8 (INPE, 2019) que 
detectaram a média histórica do desmatamento em um período de 10 anos para servir como linha de 
base. Ao longo da execução do projeto, os dados socioeconômicos e ambientais, bem como os dados 
de desmatamento, foram novamente coletados e analisados, o que permitiu a avaliação do 
desempenho do público beneficiário da iniciativa.
B. As origens do projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia
A Rodovia Transamazônica (BR230), com aproximadamente cinco mil quilômetros de extensão, foi 
planejada e construída na década de 70 com o objetivo principal de integrar a Amazônia brasileira ao 
restante do país (Souza, 2006). Porém, o projeto de colonização da região foi abandonado pelo governo 
federal e as famílias migrantes enfrentaram diversas dificuldades como a falta de acesso a serviços de 
saúde, educação, péssimas condições das estradas, entre outros. A partir de 1987, houve uma reação da 
sociedade civil organizada conhecida como Movimento pela Sobrevivência na Transamazônica (MPST), 
apoiado por vários outros grupos para pressionar uma atitude do governo frente a esta situação de 
abandono (FVPP, 2006). Em 1992, surgiu a Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP), visando 
intensificar a interlocução do movimento social com o governo federal na busca por políticas e 
programas de fortalecimento da agenda social e ambiental na região (Souza, 2006). Neste período vai 
se tornando cada vez mais evidente para os movimentos sociais a relação entre degradação ambiental 
e problemas socioeconômicos enfrentados no meio rural. Isso se tornou um fator fundamental no 
debate sobre o desenvolvimento sustentável dos territórios rurais.
para
Em 2000, no Grito da Amazônia, os movimentos sociais rurais da Amazônia Legal e as 
organizações não-governamentais apresentaram uma proposta  o desenvolvimento 
socioambiental da produção familiar que foi discutida nos anos subsequentes e adotada, em 2004, 
como política pública do governo federal brasileiro. Essa proposta, conhecida como ProAmbiente, 
buscava promover de forma integrada a transição agroecológica, a conservação ambiental e a valoração 
de serviços ambientais para o fortalecimento da agricultura familiar na Amazônia (Mattos e outros, 
2011). Porém, o ProAmbiente como política pública nunca foi consolidado.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 92
Em 2009, na região da Transamazônica, onde houve uma grande mobilização para o 
envolvimento das famílias no programa, o acúmulo de experiências foi redirecionado para a concepção 
de uma proposta para o então recém-criado Fundo Amazônia, com apoio técnico do IPAM. No período 
de 2009 a 2012, a proposta amadureceu abrangendo mais dois territórios, BR163 e Baixo Amazonas, 
ambos na região oeste do Pará. Em 2012, o Fundo Amazônia então aprovou o projeto “Assentamentos 
Sustentáveis na Amazônia: o desafio da produção familiar de baixo carbono visando criar referências a 
partir da articulação de diferentes estratégias que demonstrassem a viabilidade de transformação no 
meio rural para um novo modelo de desenvolvimento sob bases sustentáveis.
C. Estratégias integradas para a promoção de assentamentos 
sustentáveis na Amazônia
O Projeto Assentamentos Sustentáveis na Amazônia, executado de 2012 a 2017, teve por objetivo a 
implementação de estratégias coordenadas visando demonstrar que é possível melhorar a 
produtividade e a geração de renda em territórios rurais ocupados pela agricultura familiar sem 
promover a derrubada de novas áreas de floresta. Ainda, o projeto contribuiu para a redução das 
vulnerabilidades da pequena produção familiar aos impactos das mudanças climáticas. De acordo com 
Machado Filho e outros (2016), os pequenos produtores das regiões Norte e Nordeste terão que se 
adaptar a uma tendência de agravamento da alteração climática que impacta muitos dos seus cultivos. 
Segundo o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima do Brasil (Brasil, 2016), o aumento da 
deficiência hídrica causado pelas alterações climáticas levará à redução dos níveis de produtividade e, 
consequentemente, a impactos econômicos preocupantes. Esse cenário representa uma ameaça aos 
modos de vida e economias locais, à segurança alimentar, entre outros.
As atividades do Projeto Assentamentos Sustentáveis na Amazônia foram realizadas entre os 
anos de 2012 a 2017, com investimentos do Fundo Amazônia nos territórios do Baixo Amazonas 
(assentamento Moju I e II), BR 163 (assentamento Cristalino II) e Transamazônica (as famílias estavam 
localizadas em 11 diferentes assentamentos e na área do Projeto Integrado de Colonização da BR230), 
região oeste do Pará (mapa V.1). Nesta região, as principais atividades produtivas praticadas pelas 
famílias de pequenos produtores tem sido: i. lavoura branca (culturas anuais como milho, feijão, 
mandioca etc.); ii. lavoura perene (sendo principalmente composta por espécies frutíferas); iii. pecuária 
de corte e leite, e; iv. criação de pequenos e médios animais. O extrativismo florestal de produtos não- 
madeireiros e madeireiros não tem sido expressivo e, quando presente, está focado no manejo de 
açaizais, extração de óleos vegetais, cipó e madeira para a construção de infraestrutura.
Para a promoção de territórios rurais sustentáveis, foram estabelecidas parcerias com mais de 60 
organizações governamentais e não governamentais e promovidos esforços visando lidar com os 
principais desafios enfrentados pela agricultura familiar da região, sendo eles: i. Regularização 
ambiental dos lotes; ii. Capacitação dos(as) produtores(as) em práticas produtivas de baixo impacto; iii. 
Apoio à melhoria da produtividade das áreas já abertas; iv. Apoio ao manejo florestal comunitário; v. 
Fortalecimento das cadeias produtivas e aumento da capacidade na gestão dos empreendimentos 
rurais; vi. Valoração de serviços ambientais, e; vii. Inovação para o monitoramento do desempenho 
socioeconômico e ambiental das famílias beneficiárias.
As estratégias implementadas permitiram o aumento médio na renda bruta das famílias 
beneficiadas com assistência técnica em 121%, comparando a última safra (2015-2016) com o período 
da linha de base (safra 2013-2014; IPAM, 2019). Isso significa um aumento de R$ 8.605 para R$ 18.987 
por família/ano. O valor comercializado dos produtos da agricultura familiar subiu, em média, 237% e, 
consequentemente, a sua representatividade em relação à renda bruta também aumentou, como pode 
ser observado no gráfico V.1.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 93
Mapa V.1
Área de implementação da iniciativa Assentamentos Sustentáveis na Amazônia
.LEGENDA
® Cidade Estrada Principal □ Núcleo PSA ■ Assentamento □ Limite Municipal
Fonte: Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), “Projeto Assentamentos Sustentáveis na Amazônia: O desafio da produção 
familiar em uma economia de baixo carbono [online], Brasília https://ipam.org.br/wp-content/uploads/2013/08/infopas. 
de consulta: 5 de agosto de 2019), 2013.
n°_i_.pdf(data
Gráfico V.1 
Representatividade do valor comercializado em relação à renda bruta antes (safra 2013-2014) 
e no final (safra 2015-2016) do período de vigência do projeto
(Em porcentagem)
100% -T
90% -■ 82%
87% 84% 83%
80%
70%
40%
30%
20%
10%
0% Il .11 il il
Bom Jardim Cristalino II Moju I e II Núcleo PSA Total
60% - —
50% - —
■ Linha de Base (2013-2014) ■ Safra 2015-2016
Fonte: Elaboração própria com base no banco de dados (N=35i) do Projeto Assentamentos Sustentáveis da Amazônia, contido em Instituto 
de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Relatório de Avaliação de Resultados Projeto Assentamentos Sustentáveis, Brasília, 
BNDES/Fundo Amazônia, 2019.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 94
Para mensurar a redução do desmatamento a partir da implementação do projeto, foi definida 
uma linha de base, utilizando os dados do INPE/PRODES, para um período de referência de io anos 
(entre 1998 a 2008). Este período foi definido em 2009, ano em que o projeto foi submetido ao Fundo 
Amazônia. Dentre os territórios que fazem parte do projeto, as famílias beneficiárias da região da 
Transamazônica que tiveram o melhor desempenho foram aquelas que fizeram parte de um Programa 
de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) no âmbito da mesma iniciativa (descrito mais 
detidamente na Seção D). No último ano do projeto, essas famílias haviam reduzido em 75% a taxa 
anual de desmatamento em comparação com a linha de base. Em seguida, as famílias do território da 
BR 163 (assentamento Cristalino II) apresentam uma redução de 79% da taxa anual de desmatamento 
em relação à linha de base. As famílias do assentamento Bom Jardim também localizado no território 
da Transamazônica alcançaram uma redução de 73% da taxa anual de desmatamento em relação ao 
período de referência. Por fim, as famílias do Baixo Amazonas (assentamento Moju I e II) alcançaram 
redução média de 49% da taxa anual de desmatamento. Apesar de ficarem em último lugar no ranking, 
as famílias do Moju I e II são aquelas que detêm maior proporção de cobertura florestal em seus lotes.
Figura V.1 
Dimensões consideradas na definição dos 20 indicadores de sustentabilidade da iniciativa
Ambiental
Gestão territorial 
compartilhada 
(03 indicadores)
Socioeconómica/ 
produtiva
(10 indicadores)
(07 indicadores)
Fonte: Elaboração própria com base em Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Relatório de Avaliação de Resultados Projeto 
Assentamentos Sustentáveis, Brasília, BNDES/Fundo Amazônia, 2019.
Atingir a redução das taxas de desmatamento ao mesmo tempo em que se promove o 
desenvolvimento socioeconômico das famílias beneficiárias é um resultado notável do projeto. Um dos 
aspectos fundamentais que garantiu o alcance desse resultado foi a qualificação de uma equipe 
assistência técnica e extensão rural (ATER) focada no manejo integrado das unidades de produção 
familiar, na melhoria de renda das famílias a partir da produção de baixo impacto e, consequentemente, 
na redução da pressão sobre os remanescentes florestais. Este investimento do projeto em um modelo 
de serviço de ATER voltado a sistemas produtivos sustentáveis foi feito visando inverter a lógica da 
perda de recursos naturais e aprimorar a qualidade ambiental do lote, freando a degradação 
historicamente observada na região e a perda da capacidade produtiva das áreas abertas (InfoPAS, 
2017a e 2017b). O modelo de ATER pode ser considerado um diferencial e foi subsidiado por três 
ferramentas: i. um estudo de mercado para orientar as decisões dos produtores em relação à demanda 
local e regional; ii. um Plano de Uso das Unidades de Produção Familiar (PU) contendo a caracterização 
dos lotes e da mão-de-obra disponível na família e o planejamento das atividades produtivas a serem 
apoiadas pelo projeto pactuado entre as famílias dos produtores e a equipe técnica de ATER; e iii. uma 
plataforma de monitoramento do projeto (Sistema de Monitoramento do Projeto Assentamentos 
Sustentáveis da Amazônia - SIMPAS), na qual os esforços dos serviços de ATER podiam ser registrados
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 95
e monitorados a partir da análise do desempenho das propriedades rurais com base em 20 indicadores 
de sustentabilidade definidos na iniciativa e distribuídos em três dimensões (figura V.i).
Ainda, vale ressaltar que a iniciativa Assentamentos Sustentáveis na Amazônia foi também 
fundamental para atrair outros investimentos para a região como, por exemplo, o Projeto Nossa Água, 
apoiado pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O projeto Nossa Água viabilizou 
o acesso à água própria para o consumo a 493 famílias da região, garantindo a sua segurança nutricional 
com soluções tecnológicas compatíveis a sua 
que atraem investimentos complementares de forma coordenada é fundamental para que seja dado 
um grande impulso (Big Push) para o desenvolvimento sustentável. A coordenação é elemento central 
para que investimentos alcancem as três eficiências do Big Push para a Sustentabilidade (Seção F).
realidade. O desenvolvimento de estratégias territoriais
D. Incentivos econômicos para conservação 
e produção rural sustentável
A agricultura familiar pode ser vista como elemento chave nos esforços de promoção de um novo 
modelo de desenvolvimento para a Amazônia. Para isso, é necessário inverter o padrão histórico de 
expansão desordenada das fronteiras agropecuárias brasileiras, o qual tem sido o principal responsável 
pela degradação ambiental das paisagens naturais, com a exploração dos recursos naturais de forma 
economicamente ineficiente, ecologicamente insustentável e socialmente injusta (IPAM, 2013). Neste 
contexto, a redução da perda de serviços ambientais associada ao desmatamento deve ser promovida 
de forma integrada a um modelo produtivo mais eficiente e de baixo impacto. Por isso, a iniciativa 
Assentamentos Sustentáveis, além de promover investimentos voltados para a melhoria produtiva das 
áreas já abertas, também implementou um sistema de valoração dos serviços ambientais providos 
pelos(as) pequenos(as) produtores(as) familiares.
O Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) foi, assim, implementado pelo projeto 
Assentamentos Sustentáveis da Amazônia no território da Transamazônica visando compensar os 
esforços dos pequenos produtores na adoção de práticas sustentáveis de uso do solo e a não derrubada 
da floresta, juntamente com uma cesta de outros benefícios (ATER qualificada, capacitação, fomento 
às atividades produtivas previstas no PU, regularização ambiental, fortalecimento de cadeias 
produtivas, etc). Assim, o PSA freou o desmatamento, estimulou a transição do modelo produtivo e o 
debate sobre a relação floresta, disponibilidade hídrica e produção agropecuária.
Segundo Pinto (2017), as famílias beneficiárias do Programa de PSA (inicialmente 350 famílias), 
recebiam um valor que correspondia à renda bruta das áreas abertas anualmente (supondo-se uma taxa 
de perda de cobertura florestal de 2,39%/ano) para o estabelecimento de lavoura branca (agricultura de 
corte-e-queima) e da pecuária (praticada de forma extensiva na região), principais vetores do 
desmatamento. Assim, os mesmos eram compensados pela renúncia de abrir novas áreas para o 
estabelecimento destas atividades, ao mesmo tempo em que recebiam apoio técnico para melhorar a 
sua produtividade. Na prática, isso representava, em média, uma compensação no valor de 
aproximadamente R$ 1.980,06/ano3 por família repassada em quatro parcelas (IPAM, 2019).
Valor corrigido em R$ de 2017.
Para participar do Programa de PSA, as famílias deveriam ter, no mínimo, 30% da cobertura florestal 
do seu lote conservada, além de manter 15 metros de Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo dos 
cursos dágua (conservada e/ou em fase de recuperação). Outro critério para recebimento do PSA era a 
adoção de melhorias produtivas de acordo com o Plano de Uso (PU) de sua propriedade rural. Vale ressaltar 
que os lotes com menos de 30% de cobertura florestal não foram considerados elegíveis.
3
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 96
O recurso foi repassado trimestralmente, usando estes critérios da seguinte forma: I) 30% do 
valor total pela conservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs); II) 30% do valor total pela 
conservação da cobertura florestal total remanescente no lote; III) 40% do valor total pela adoção de 
melhores práticas de uso do solo (figura V.2).
Figura V.2 
Critérios para repasse de PSA 
(Em porcentagens)
(30%)
Cobertura 
florestal (30%)
I
Melhores práticas 
produtivas (40%) F
Fonte: Elaboração própria com base em Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Relatório de Avaliação de Resultados Projeto 
Assentamentos Sustentáveis, Brasília, BNDES/Fundo Amazônia, 2019.
O monitoramento da cobertura florestal foi realizado anualmente, baseado em análise de 
imagens de satélite INPE/PRODES, como descrito anteriormente. O desempenho das atividades 
produtivas era avaliado pela equipe de assistência técnica do projeto. O cumprimento das regras 
estabelecidas no contrato com as famílias era discutido em grupos formados pelas lideranças de cada 
comunidade, conhecidas como “agentes ambientais” (que também eram produtores beneficiários do 
projeto), pelos coordenadores regionais do IPAM e por representantes das organizações de base. 
O papel destes grupos era o de discutir e validar as decisões garantindo a governança e o controle social 
do processo. A governança participativa desse processo, envolvendo múltiplos atores, é mais um 
elemento que indica a importância da coordenação para o êxito de uma iniciativa alinhada com o 
Big Push para a Sustentabilidade.
É importante ressaltar que o grupo de famílias que apresentou melhor performance, tanto no 
aumento da geração de renda, quanto redução do desmatamento, foi aquele formado pelas 
beneficiárias do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais. Em relação ao aumento de renda 
bruta, o grupo do Programa de PSA atingiu um aumento médio de 177%, ou seja, 56% a mais do que a 
média geral (gráfico V.2). O aumento do valor médio comercializado também foi maior para o grupo de 
famílias do Programa de PSA (374%) no mesmo período.
Os resultados demonstram a importância de tratar incentivos econômicos dentro de uma 
abordagem integrada entre conservação e produção sustentável, com critérios e regras claramente 
estabelecidos e com um sistema participativo de acompanhamento do desempenho das unidades de 
produção familiar. Isso cria um ambiente favorável para o alcance dos resultados esperados e sua 
sustentabilidade no longo prazo. De acordo com Pinto (2017), a estratégia de PSA do projeto PAS,
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 97
apesar de ser apenas uma dentro de um pacote de incentivos que demandam maiores investimentos 
para gerar mudanças duradouras nos padrões de uso do solo, tem o potencial de reduzir o risco 
relacionado ao abandono de atividades de conservação e/ou redução de degradação quando os 
pagamentos por serviços ambientais forem interrompidos.
Gráfico V.2
Renda Bruta no Período de Execução do PAS (2012 a 2017) 
(Em R$/ano por família)
25 000 -1
20 000 -
+177%
+134%
15 000 - +121%
10 000 -
+53%
5 000
-10%
Linha de Base (2013-2014) Safra 2014-2015 Safra 2015-2016
Bom Jardim —■—Cristalino II Moju I e II Núcleo PSA —*—Total
0
Fonte: Elaboração própria com base em Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Relatório de Avaliação de Resultados Projeto 
Assentamentos Sustentáveis, Brasília, BNDES/Fundo Amazônia, 2019.
E. Sistemas agroflorestais como estratégia de regularização 
ambiental e segurança alimentar
No Brasil, de acordo com o Código Florestal Brasileiro (Lei No 12.727 de 17 de outubro de 2012), um 
pequeno produtor que tenha desmatado as matas ciliares, às margens dos cursos dágua antes de julho 
de 2008, deverá recuperar de 5 a 15 metros a vegetação em ambos os lados dos cursos dágua. Porém, 
mesmo com a legislação existente, os pequenos produtores ainda resistem a promover a recuperação 
das APPs devido, muitas vezes, aos altos custos relacionados a essa atividade. Uma forma de diminuir 
os custos seria a regeneração natural, método através do qual o produtor abandona a área e deixa a 
vegetação se recompor naturalmente. No entanto, se estas áreas já estiverem ocupadas com atividades 
produtivas esta opção não é vista de forma atrativa pelas famílias. Assim, seja pelo custo, seja porque o 
produtor não quer abrir mão da produção das áreas, o restauro das APPs é um desafio. Diante deste 
cenário, o IPAM, por meio do PAS, apoiou os produtores familiares na recuperação destas áreas com a 
implantação combinada de sistemas agroflorestais (SAFs) e o enriquecimento de capoeiras em 
aproximadamente 30 metros de cada lado dos cursos dágua. Esta metodologia tem estimulado o 
envolvimento dos pequenos produtores no processo de regularização ambiental. Além disso, os SAFs 
representam uma oportunidade de diversificação de renda com o uso de espécies de valor econômico 
no restauro e de fortalecimento da segurança alimentar.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 98
e 
base agroecológica mais adequado à
Ao todo, 119 hectares foram reflorestados com sistemas agroflorestais (SAFs) gerando mais uma 
fonte de renda para as famílias, ao mesmo tempo recuperando serviços ecossistêmicos 
desenvolvendo um modelo de produção agropecuária com 
realidade local. Neste contexto, uma parceria fundamental foi estabelecida com as Casas Familiares
Rurais4. Nestas escolas foram construídos viveiros de produção de mudas que eram disponibilizadas 
para as comunidades rurais contempladas na iniciativa. Estes viveiros contribuíram também para o 
processo de aprendizagem dos estudantes das Casas Familiares Rurais.
As Casas Familiares Rurais têm como referencial a pedagogia da alternância, de modo que teoria e prática caminham juntas e o 
ambiente em que vivem as famílias dos alunos (propriedades rurais) é o principal laboratório da produção do conhecimento (Souza 
e Silva, 2012).
No final do período de vigência do projeto Assentamentos Sustentáveis (início de 2017), o IPAM 
estabeleceu uma parceria com a Iniciativa Verde (organização não-governamental) através do projeto 
Carbon Free Amazônia para a ampliação da iniciativa de restauro às margens de cursos dágua através 
da implantação de sistemas agroflorestais e de enriquecimento de capoeiras. Esta experiência está em 
andamento nos municípios de Anapu, Pacajá e Senador José Porfírio, na região Transamazônica.
F. Discussão sobre a iniciativa à luz do Big Push para a Sustentabilidade
Amazônia. O projeto Assentamentos Sustentáveis na Amazônia
A integração de estratégias que conciliam redução de emissões de gases de efeito estufa, redução das 
desigualdades sociais, melhores oportunidades de geração de renda, conservação do capital natural, 
construção de capacidades tecnológicas e redução da vulnerabilidade socioeconómica e ambiental de 
comunidades rurais de baixa renda, tem sido o caminho escolhido pelo IPAM para promover territórios 
rurais sustentáveis na  e o 
estabelecimento de parcerias capazes de maximizar os investimentos e os resultados alcançados estão 
alinhados diretamente a Agenda 2030 e os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS; ONU, 
2015). Neste sentido, o presente estudo de caso demonstra a contribuição das iniciativas 
implementadas no que diz respeito a:
• Redução da vulnerabilidade de comunidades rurais de baixa renda aos impactos das 
alterações climáticas (ODS 1 e 13);
• Promoção da agricultura sustentável, aumento na geração de renda de pequenos 
produtores e garantia da segurança alimentar (ODS 2);
• Garantia de acesso à água própria para consumo, além de proteção e restauração de 
ecossistemas relacionados à água (ODS 6);
• Inclusão econômica de comunidades rurais de baixa renda (ODS 10) e gestão sustentável e 
uso eficiente dos recursos naturais (ODS 12);
• Gestão sustentável dos recursos florestais, redução do desmatamento e restauração de 
áreas degradadas (ODS 15).
Além disso, a iniciativa aqui apresentada foi apoiada pelo Fundo Amazônia que contribui, entre 
outros, para o ODS 17, ao fortalecer a mobilização de recursos internos dos países em desenvolvimento 
e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável (BNDES, 2019). O Fundo Amazônia é 
um mecanismo de financiamento climático baseado no conceito de pagamento por resultados obtidos 
na redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento (Redução de 
Emissões oriundas do Desmatamento e da Degradação Florestal - REDD+). Ele é gerido pelo BNDES 
com recursos provenientes principalmente da cooperação com os governos da Noruega e da Alemanha. 
Segundo Marcovitch e Pinsky (2019), o Fundo Amazônia foi reconhecido como um dos principais fundos 
4
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 99
que tenham sustentabilidade e escalabilidade.
do clima no mundo e um benchmark em cooperação internacional no tema das mudanças climáticas. 
Assim, a iniciativa aqui relatada foi pautada nos objetivos do Fundo priorizando adoção de metodologia 
confiável para quantificar redução do desmatamento e contabilizar suas emissões associadas. Ao 
mesmo tempo, foram quantificados ganhos quanto ao aumento de renda das famílias atendidas. Este 
comprometimento com quantificação e registro dos resultados exigiu toda uma expertise e capacidade 
na construção de plataformas de cálculo. Assim, o norte construído pela cooperação internacional e o 
governo brasileiro através do Fundo Amazônia estimulou a mensuração do desempenho da iniciativa 
de forma confiável ao longo dos anos, permitindo alcançar resultados esperados.
No nível nacional, a iniciativa implementada na região Oeste do Pará sinaliza caminhos para a 
contribuição do setor da agricultura familiar nas metas estabelecidas no âmbito do Acordo de Paris, na 
Política Nacional de Mudanças do Clima, na Estratégia Nacional de REDD+, nas discussões sobre a 
instituição de uma política e um programa federal de Pagamento por Serviços Ambientais, no Código 
Florestal, entre outros. Segundo a CEPAL (2016), a mudança para um estilo de desenvolvimento inclusivo 
e sustentável requer alianças políticas e coalizões que o sustentem. Assim, a visão estratégica dessa 
iniciativa demonstra também a importância de esforços coordenados para maximizar os investimentos 
disponíveis e alcançar resultados robustos e
O envolvimento de governos locais, academia, sociedade civil, sindicatos rurais, agências de 
desenvolvimento e representantes de organizações de base tem sido, portanto, fundamental.
A presente iniciativa permite também a análise de alguns aspectos à luz da abordagem que a 
CEPAL vem desenvolvendo, denominada Big Push para a Sustentabilidade (CEPAL/FES, 2019), 
especificamente no que diz respeito à transformação que deve ser promovida para compatibilizar a 
igualdade e a proteção ambiental a partir do desacoplamento entre crescimento econômico e emissões 
de carbono. Um dos principais conceitos propostos no arcabouço do Big Push para a Sustentabilidade é 
a tripla eficiência (CEPAL/FES, 2019). A primeira é a eficiência schumpeteriana, segunda a qual uma 
matriz produtiva mais integrada, complexa e intensiva em conhecimento gera externalidades positivas 
de aprendizagem e inovação que se irradiam para toda a cadeia de valor. Observa-se que, nesse estudo 
de caso, a adoção das chamadas cestas de benefícios citados são exemplos de como vincular um 
incentivo (o PSA, nesse caso) a processos de conhecimento e de aprendizado que permitem não apenas 
reduzir o desmatamento, mas também construir as bases para a transição para um modelo econômico- 
produtivo capaz de gerar renda e reduzir desigualdades a partir da valoração da floresta em pé.
A segunda eficiência é a keynesiana, que destaca que há ganhos crescentes de escala e de escopo 
da especialização produtiva em bens cuja demanda cresce relativamente mais, gerando efeitos 
multiplicadores e impactos significativos na economia e nos empregos. No caso estudado, nota-se que 
o apoio empreendido resultou em um aumento efetivo do acesso do mercado consumidor aos produtos 
da agricultura familiar de bases sustentáveis, que é um mercado em expansão nacional 
internacionalmente.
e
a 
e
Por fim, a abordagem do Big Push para a Sustentabilidade indica a terceria eficiência, que é 
clássica eficiência da sustentabilidade, referente à viabilidade econômica, justiça social 
sustentabilidade ambiental. O PAS nitidamente busca atender aos três pilares da sustentabilidade, ao 
contribuir para desenvolver um modelo econômico rentável e inclusivo, adequado às especificidades 
locais e sustentável ambientalmente no contexto da Amazônia.
Outro ponto importante, que ficou claro no caso estudo, é a centralidade da coordenação, tanto 
de investimentos em áreas complementares, como de atores envolvidos por meio de uma governança 
participativa. O apoio do Fundo Amazonia na iniciativa, bem como a participação e esforço realizados 
pelos governos locais através de coalizões, a cooperação da sociedade civil, sindicatos e academia 
demonstram a importância de ações coordenadas, sobretudo quando se fala do rompimento de 
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 100
paradigmas técnico-econômico locais insustentáveis, para o êxito dos investimentos sustentáveis. 
Outros aspectos relacionados ao Big Push para a Sustentabilidade são:
• Aprendizagem e inovação: nos territórios rurais da Amazônia, investimentos no capital humano 
por meio da qualificação a partir de serviços de assistência técnica e extensão rural, envolvendo 
jovens estudantes filhos de produtores rurais, são fundamentais. Da mesma forma, a 
sensibilização de produtores e produtoras sobre a importância de transição para melhores 
práticas de uso do solo, a disseminação de conhecimento sobre os impactos das mudanças 
climáticas na capacidade produtiva regional e a valoração de serviços ambientais providos pela 
população local devem ser parte de qualquer estratégia de desenvolvimento territorial. Ainda, 
as inovações tecnológicas devem ser sempre discutidas junto às comunidades visando o melhor 
custo-benefício e sua compatibilidade com a realidade em questão;
• Acesso a mercados: ao fortalecer as cadeias produtivas e facilitar o acesso dos produtores 
aos mercados institucionais, feiras e redes de comercialização, a iniciativa contribuiu para o 
aumento da renda e valor agregado na produção familiar. Porém, este é um aspecto que 
ainda exige muito apoio e parcerias no sentido de promover a autonomia econômica das 
famílias e a menor dependência de programas governamentais de transferência de renda. 
A dificuldade de acesso aos mercados, as péssimas condições das estradas, a baixa 
capacidade de negociação, o baixo nível de empreendedorismo, entre outros, ainda 
restringem oportunidades potenciais;
• Valoração de serviços ambientais condicionada a mudanças nos padrões de uso do solo: na 
realidade da agricultura familiar da Amazônia, demonstrar que é possível produzir mais, 
sem gerar novos desmatamentos requer: i. apoio à melhoria da produtividade em áreas 
abertas, já que o produtor não tem capital de investimento, e ii. a valoração da floresta em 
pé até que uma nova lógica econômica associada a melhores práticas de uso do solo esteja 
consolidada. No projeto Assentamentos Sustentáveis a integração destas duas estratégias 
resultou nos melhores resultados alcançados em relação ao aumento de renda e na redução 
do desmatamento. Dentre todos os territórios, naquele aonde foi também instituído o 
programa de PSA, as famílias apresentaram melhor desempenho. Isso é fundamental para 
demonstrar que há caminhos capazes de promover prosperidade econômica em harmonia 
com a conservação dos recursos naturais.
A necessidade de transição nos padrões de uso do solo e de acesso a novas oportunidades de 
geração de renda, sob bases sustentáveis, é cada vez mais clara entre os pequenos produtores rurais 
que já sentem nas alterações climáticas a ameaça em relação à capacidade produtiva de suas terras. A 
manutenção do capital natural e dos serviços ambientais associados é fundamental para a sobrevivência 
do homem e da mulher no campo. Porém, este processo não pode estar desacoplado de uma estratégia 
que também garanta o acesso destas populações a serviços básicos (saúde, educação, estradas etc.) e, 
assim, a dignidade de seus modos de vida nos territórios onde estão inseridos.
Por fim, as referências construídas no projeto Assentamentos Sustentáveis na Amazônia podem, se 
ampliadas, contribuir para um grande impulso ambiental e de combate à desigualdade social, criando um 
ambiente favorável de desenvolvimento econômico de baixas emissões de carbono com foco em 
comunidades rurais cujos modos de vida são altamente vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.
CEPAL Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável... 101
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