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        <dc:language>es</dc:language>
        <dc:creator>Corden, W. Max</dc:creator>
        <dc:contributor>Corden, W. Max</dc:contributor>
        <dcterms:title>Una zona de libre comercio en el Hemisferio Occidental: posibles implicancias para América Latina</dcterms:title>
        <dcterms:isPartOf>En: La liberalización del comercio en el Hemisferio Occidental - Washington, DC : BID/CEPAL, 1995 - p. 13-40</dcterms:isPartOf>
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        <bibo:handle>hdl:11362/37542</bibo:handle>
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CELADE, Divisão de População da CEPAL 

Número 2 - 2013

Datas emblemáticas do futuro do envelhecimento no Brasil
2012: O fim da sociedade jovem
População por grupo etário
(Milhões )

2040

80

2013

70
60
50

Milhões

A juventude dominou a cena demográfica brasileira no último
século. Em seu auge em 1999, os jovens (0-19 anos) representavam 41% da população brasileira. Desde então, esta porcentagem tem diminuído, e a maior coorte histórica de brasileiros
já nasceu, em torno de 1983. O ano de 2012 marcou o fim da
sociedade jovem no Brasil: os jovens já não são mais o grupo
demográfico dominante1.Uma grande onda está se movendo
através da estrutura etária da população brasileira à medida
que as grandes coortes nascidas quando a alta fertilidade era
a norma atravessam as diferentes etapas do ciclo de vida: da
juventude para a fase adulta e desta para a velhice. O tamanho da população em idade de trabalhar atingirá o auge em
2021 no caso do grupo 20-39 anos e 2041 no caso do grupo
40-59 anos. A população de idosos (60 anos ou mais) atingirá o
auge em 2069, com cerca de 74 milhões de pessoas, e depois
começará a diminuir à medida que as grandes coortes de nascimentos do fim do século 20 forem substituídas por coortes
sucessivamente menores.

40
30
Fim da sociedade
jovem, 0-19 anos
não é mais o maior
grupo etário

20
10
0
1950

1975

2000

2025

2050

2075

2100

Consumo dos jovens e idosos

Percentagem do consumo agregado

Jovens (0-19 anos)

2040

Projeta-se que o Brasil se tornará uma economia envelhecida
em 2022. Nesse ano, pela primeira vez na história brasileira,
o consumo dos idosos —incluindo todos os bens e serviços,
públicos e privados— superará o dos jovens2. O Japão tornouse a primeira economia envelhecida em 1996. Atualmente,
há 19 economias envelhecidas, todas na Europa, com exceção
do Japão. Segundo as últimas projeções, com base nas contas nacionais de transferencias, em 2040 haverá 73 economias envelhecidas, entre elas as do Brasil, Costa Rica, Chile,
Cuba e Uruguai. No fim deste século, a maioria das economias

50

2013

2022: O Brasil torna-se uma economia
envelhecida

Idosos (60 anos ou mais)

40
Início da economia
envelhecida, 60 anos
ou mais consome
mais que 0-19 anos

30

20

10

0
1950

1975

2000

2025

2050

2075

2100

mundiais será envelhecida, com uma demanda muito maior
de atenção à saúde e outros programas e serviços voltados aos idosos. Esta demanda exercerá uma forte pressão
sobre os governos, uma vez que muitos desses programas

são proporcionados pelo setor público, e também sobre as
famílias, que em última instância são responsáveis por uma
parcela importante dos cuidados prestados aos idosos.

2024: População mais produtiva

Distribuição etária da
população
concentrada em
idades de alta
produtividade laboral

1,0

0,9

Coeficiente
de apoio
econômico
diminui 4%

0,8

0,7
1950

1975

2000

2025

2050

2075

2100

Coeficiente de apoio fiscal: contribuintes / beneficiários
1,1

2040

2013

Em relação a 2013 usando ponderações das CNT de 1996

2001: População fiscalmente mais forte
Durante as últimas décadas do século passado, as mudanças
na estrutura etária da população contribuíram positivamente para melhorar a situação fiscal do Brasil. No entanto, essa
situação favorável chegou ao fim no início do presente século, como resultado da crescente pressão fiscal exercida pelo
aumento contínuo dos beneficiários de políticas e programas
públicos em relação ao de contribuintes, a partir do envelhecimento da população. O coeficiente de apoio fiscal —coeficiente entre contribuintes e beneficiários— ilustra essa tendência4.
A estrutura etária da população favoreceu os contribuintes sobre os beneficiários mais fortemente em 2001, ano em que o
coeficiente de apoio fiscal atingiu seu maior valor. Desde então, este coeficiente tem caído e atingirá a taxa mais aguda
de queda em 2035. Prevê-se que esta tendencia decrescente continuará até 2086, quando o coeficiente se estabilizará
em cerca de 0,6 contribuinte para cada beneficiário, em forte
contraste com o coeficiente próximo da unidade que vigorou

2040

Em relação a 2013 usando ponderações das CNT de 1996

Coeficiente de apoio econômico: produtores/consumidores
1,1

2013

As mudanças na estrutura etária da população afetam as economias na medida em que alteram a distribuição das pessoas
em idades de maior e menor produtividade laboral em comparação com seu consumo. Se os atuais padrões de consumo
e produção por idade continuarem no futuro, a relação entre
produtores e consumidores se verá mais fortemente favorecida
pela distribuição etária da população brasileira em 2024, conforme indicado pelo coeficiente de apoio econômico (coeficiente
entre produtores e consumidores)3. A tendencia crescente deste
indicador até 2024 representa um “bono demográfico” potencial,
uma vez que favorece um aumento nos níveis de produção, consumo e padrão de vida, sempre e quando o superávit gerado
pela economia seja investido em saúde, educação e infraestrutura. O coeficiente de apoio econômico cai acentuadamente
após 2024, à medida que a distribuição etária da população se
torna mais concentrada nas idades mais velhas, representando
crescentes desafios econômicos para o Brasil.

1,0
0,9
Distribuição etária da
população favorece
os contribuintes em
relação aos
beneficiários

0,8
0,7
0,6

Coeficien
te de
apoio
fiscal
diminui
22%

0,5
1950

1975

2000

2025

2050

2075

2100

entre meados e o fim do século 20, quando foram implantados
muitos dos programas públicos que beneficiam os idosos.

Sobre a Rede de Contas Nacionais de Transferências (CNT)
A Rede CNT reúne pesquisadores de diferentes regiões do mundo que usam uma nova metodologia: as contas nacionais de transferências.
As CNT proporcionam uma nova visão das relações econômicas entre distintos grupos da população numa economia nacional: entre jovens e
idosos, entre homens e mulheres, entre ricos e pobres. Pela primeira vez, podemos medir um conjunto completo de fluxos econômicos entre
esses grupos populacionais e determinar os papéis desempenhados pelo mercado (por meio do mercado de trabalho e do mercado financeiro),
pelo Estado (por meio de impostos e benefícios) e pela família (por meio de transferências dentro das famílias e entre elas) na definição dessas
relações econômicas. As CNT representam uma desagregação das contas nacionais por idade, gênero e status socioeconômico. A aplicação do
mesmo marco metodológico em todos os países da rede CNT permite comparações internacionais sobre consumo, renda do trabalho, impostos, poupança e outros fluxos econômicos por idade, gênero e status socioeconômico. O Centro Latino-Americano e Caribenho de Demografía
(CELADE) – Divisão de População da CEPAL está a cargo da coordenação regional da Rede CNT na América Latina e Caribe. Para obter mais
informações sobre este documento e a rede CNT na região, visite www.cepal.org/celade/CNT. Para obter mais informações sobre o projeto global, visite www.ntaccounts.org.

Opções de política para o futuro do envelhecimento
Embora políticas destinadas a adiar
o envelhecimento da população promovendo a imigração ou o aumento
da fertilidade possam ter certo efeito,
seu impacto tende a ser muito limitado. Para confrontar efetivamente os
desafios econômicos do envelhecimento da população, as políticas terão
que se concentrar principalmente em
fatores econômicos e sociais. Nesta
seção, apresentam-se três cenários
ilustrativos que examinam as opções
de política para o futuro envelhecido
do Brasil. O primeiro examina o impacto da extensão dos anos de trabalho,
o segundo o estreitamento da brecha
de gênero na renda do trabalho e o

terceiro o aumento dos impostos. Todos os cenários estão relacionados
com a dinâmica demográfica na medida em que refletem políticas adotadas
para responder a alterações na estrutura etária da população. Uma vez
que a estrutura etária se transforme
por completo, passando de uma população dominada por crianças e jovens
a uma dominada por idosos (perto do
fim do século 21), os impactos econômicos das opções de política também
terminam. Os cenários baseiam-se em
diversos pressupostos simplificadores
que, ao manter constante os coeficientes de apoio econômico e fiscal, além
dos níveis de cobertura e benefícios

dos serviços públicos, permitem avaliar a sustentabilidade das práticas e
políticas atuais. Os países dispõem, na
realidade, de muitas opções de política
diferentes e não necessariamente excludentes entre sí, que poderiam gerar
efeitos positivos importantes sobre a
sustentabilidade econômica e fiscal.
Em geral, a base da política nacional
está conformada por uma combinação
destas opções. As estimativas produzidas no contexto do projeto das Contas
Nacionais de Transferências, que examinam a atividade econômica por idade, gênero e status socioeconômico,
permitem analizar com maior profundidade estas e outras opções de política.

Adiar a aposentadoria para manter a produtividade
Anos de extensão da vida laboral

Anos de extensão da vida laboral para manter o
coeficiente de apoio econômico de 2013

2040

10

2013

Uma maneira de contrabalançar o impacto do envelhecimento
da população sobre a produtividade é induzir as pessoas a estenderem seus anos de trabalho e adiar a aposentadoria. No
caso do Brasil, um aumento modesto de 2 anos na idade média
de aposentadoria cancelaria a redução de 4% no coeficiente
de apoio econômico causada pelo envelhecimento da população entre 2013 e 20405. Esta opção podería ser considerada
razoável em um contexto de esperança de vida saudável crescente e de disponibilidade de políticas de proteção social para
apoiar aquelas pessoas para as quais a extensão dos anos
de trabalho viesse a constiuir um ônus excessivo. Contudo, se
olharmos para um horizonte de mais longo prazo, o impacto
do envelhecimento da população é mais significativo, e o adiamento necessário para contrabalançar a perda de produtividade sería muito maior. Se a extensão da vida laboral fosse a
única opção de política, seria necessário acrescentar 10 anos
a mais de trabalho em média para manter a produtividade da
população no nível atual. No mesmo período, projeta-se que a
esperança de vida ao nascer aumentaria em cerca de 9 anos.

8

6

Em 2088, necessário
elevar em 10 anos em
média a idade de
aposentadoria para
manter a produtividade
de 2013

Extensão da vida
laboral média por 2
anos para manter a
produtividade de
2013 até 2040

4

2

0
2000

2025

2050

2075

2100

Estreitar a brecha de gênero para manter a produtividade
2040

Renda feminina como percentagem da masculina para
manter o coeficiente de apoio econômico de 2013

Brecha de gênero na renda do trabalho
2013

Atualmente, as mulheres brasileiras no auge da idade produtiva (30-49 anos) recebem somente 54% dos salários dos
homens. Essa brecha reflete a menor participação das mulheres na força de trabalho, a jornada de trabalho semanal mais
reduzida e os menores salários por hora trabalhada. Muitas
mulheres também se especializam na produção doméstica,
desempenhando trabalho não remunerado que beneficia a
família e a produtividade dos trabalhadores na família. Sob a
perspectiva da economia nacional, porém, a produtividade geral da população melhoraria se a participação das mulheres
no mercado de trabalho fosse mais próxima da participação
dos homens. Se a brecha de gênero observada em 2013 na
renda do trabalho diminuísse de maneira tal que a renda laboral das mulheres aumentasse de 54% para 89% da renda dos
homens, o impacto negativo do envelhecimento da população

90

Elevação da
renda feminina
de 54% para
58% da
masculina
mantém o
coeficiente de
apoio
econômico de
2013 até 2040

80

70

60

Elevação da renda feminina
para 89% da masculina
elimina o impacto do
envelhecimento da
população sobre a
produtividade

50
2000

2025

2050

2075

2100

sobre a produtividade econômica seria anulado completamente6. Neste sentido, medidas para estreitar a brecha de gênero,
como por exemplo:
1)  investir na educação e capacitação das mulheres e
meninas,
2)  instituir políticas que promovam um maior eqilíbrio entre

homens e mulheres no que diz respeito às atividades
produtivas e reprodutivas e
3)  lutar contra a discriminação de gênero no local de trabalho, constituem um importante conjunto de opções de
política para manter a produtividade da economia face
ao envelhecimento da população.

Aumentar os impostos para manter o balanço fiscal
2040

Aumento percentual dos impostos em relação a 2013
para manter o coeficiente de apoio fiscal de 2013

Aumento de impostos
70

2013

A projeção do coeficiente de apoio fiscal mostra que, se os
atuais programas de impostos e benefícios forem mantidos
no futuro, o envelhecimento da população vai comprometer
rapidamente as finanças públicas do Brasil. Uma maneira de
enfrentar esse problema é aumentar os impostos para financiar a maior demanda por programas públicos, como pensões
e serviços de saúde para os idosos. Se o aumento dos impostos for a única opção de política, será necessário um aumento de 29% para manter até 2040 o balanço fiscal observado
em 20137. Prevê-se que a distribuição etária da população se
estabilizaria no fim do século 21, num nível que exigiria um
aumento de 68% nos impostos para manter o atual equilíbrio
entre impostos e benefícios.

60
Elevação de
29% nos
impostos para
manter o balanço
fiscal de 2013
até 2040

50
40
30

Os impostos terão que
aumentar 68% em
relação a 2013 para
financiar serviços
públicos voltados
principalmente a
população idosa

20
10
0
2000

2025

2050

2075

2100

Notas sobre dados e métodos:
Veja os detalhes metodológicos em Gretchen Donehower (2013), “Methods used for estimations for Ageing Futures Series”, Projeto CNT, www.
cepal.org/celade/CNT.
 As estimativas e projeções de população foram derivadas de Nações Unidas, World Population Prospects: The 2010 Revision.
 Usando estimativas de consumo (bens e serviços públicos e privados) das CNT por idade para 1996, estimamos e projetamos o consumo
agregado por grupos etários amplos ponderando a estrutura de consumo por idade de 1996 pela estrutura etária da população entre os
anos 1950 e 2100. Detalhes das estimativas das CNT para o Brasil em 1996 podem ser encontrados em Turra, C. M., B. L. Queiroz, et al.
(2011). “Idiosyncrasies of intergenerational transfers in Brazil.” Population Aging and the Generational Economy: A Global Perspective. R.
Lee e A. Mason. Cheltenham, Reino Unido, e Northampton, MA, Edward Elgar: 394-407.
3
 O coeficiente de apoio econômico é a soma da população por idade, ponderando cada idade pela renda de trabalho média estimada pelas
CNT, dividida pela soma da população por idade ponderando cada idade pelo consumo médio estimado pelas CNT. O cálculo supõe que os
perfis de renda laboral e consumo por idade são fixos nos níveis de 1996 e só mudam o tamanho da população e a distribuição por idade.
4
 O coeficiente de apoio fiscal é calculado da mesma maneira que o coeficiente de apoio econômico descrito em (3), mas com o numerador
ponderado pelos impostos pagos e o denominador ponderado pelos benefícios recebidos. Trata-se de um indicador útil facilmente calculável. Vale mencionar, no entanto, a possibilidade de obter previsões orçamentárias de longo prazo mais realistas usando dados das CNT.
5
 A análise baseia-se no cálculo do coeficiente de apoio econômico. Se o coeficiente fica abaixo do nível de 2013, a curva de renda do
trabalho por idade se move para a direita, a partir do ponto máximo de renda do trabalho, representando o adiamento de um ano na aposentadoria média, até que o coeficiente de apoio econômico volte ao nível de 2013 ou acima dele.
6
 A brecha de gênero é medida usando dados sobre a participação na força de trabalho, horas trabalhadas e salário médio por gênero da
Base de Dados Socioeconômicos da América Latina e Caribe (CEDLAS e Banco Mundial) (http://sedlac.econo.unlp.edu.ar/eng/statisticsby-gender.php, acessado em dezembro de 2012). A análise envolve o cálculo da redução na brecha de gênero necessária para manter o
coeficiente de apoio econômico de 2013.
7
 O aumento nas alíquotas dos impostos necessário para manter o coeficiente de apoio fiscal no nível de 2013 é o inverso do coeficiente
de apoio fiscal.
1
2

Este documento foi preparado por Gretchen Donehower, consultora para o Centro Latino-Americano e Caribenho de Demografia (CELADE) – Divisão de População da Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), sob a supervisão de Paulo Saad, Chefe da Seção de População e Desenvolvimento, e Tim Miller, Encarregado de Assuntos
de População. Este estudo foi produzido com apoio financeiro do International Development Research Center (IDRC) do Canadá no âmbito do projeto da CEPAL/IDRC sobre
“Envelhecimento da População e Desenvolvimento: Contas Nacionais de Transferências na América Latina e Caribe” e o Center for the Economics and Demography of Aging (CEDA) da
Universidade da Califórnia, Berkeley. Os dados para a análise foram extraídos de Cassio Turra e Bernardo Lanza (2012), NTA Data for Brazil 1996. National Transfer Accounts.
As opiniões expressadas neste documento, que foi reproduzido sem revisão formal, são dos autores e não refletem necessariamente as opiniões da Organização.


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